Nunca saias de casa, nunca faças uma visita sem dizer esta pequena oração:

“Minha querida Mãe, vem e vive em mim!"

 

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LEVAR EM SI MARIA

 

 

Pe. Júlio Maria De Lombaerde

 

 

     Era ainda muito cedo. Abrindo um livro piedoso, que uma pessoa

distraída – talvez voluntariamente – deixara na sala de visitas, encontrei

estas linhas, tão curtas e tão cheias de sentido e de vida sobrenatural.     

 

Leva em ti Maria;

Em redor de ti irradie Maria;

Dá a todos Maria!

 

Não sei o que se passou em minha alma, no meu coração, em todo o

meu ser. Depositei o livro; uma lágrima – perdoem-me esta sensibilidade

– uma lágrima ardente queimou-me as pálpebras e as faces... E

escondendo a cabeça nas mãos, afastei-me sem demora.

Mas, durante todo o dia, ia repetindo:

 

Ó Maria!

Deixa-me levar-te em mim;

Deixa-me irradiar-te, em redor de mim;

Deixa-me dar-te a todos que se

aproximam de mim!

 

Oh! querida alma, nós que almejamos amar ardentemente nossa

terna Mãe, repitamos muitas vezes durante o dia esta pequena oração,

tão curta, tão penetrante e decerto, tão agradável a Maria.

 

Levar em si Maria, é não possuir todas as virtudes de Maria,

mas trabalhar para adquiri-las.

É imitar a criança a quem se dá uma santinha:

aperta-a sobre o coração, beija-a com efusão e depois

a leva para sua mãe, com cuidado, receosa que se amarrote.

Não podemos, de certo, receber o corpo de Maria Ssma. como

recebemos o corpo de Jesus Cristo, mas, na sagrada comunhão,

recebendo a Jesus Cristo, não é verdade que recebemos

um pouco de Maria? Qualquer coisa de Maria?

Este divino alimento de nossa alma,

não é ele formado do sangue de Maria?

Caro Christi, caro Mariae,

diz Sto. Agostinho.

 

Levando em nós a Jesus, levamos, pois, a Maria.

Jesus e Maria são inseparáveis.

Não procureis em outro lugar o divino Filho da Virgem,

senão nos braços de sua mãe;

é lá o lugar d’Ele, o seu trono, o seu céu.

 

Levar em si Maria, é pois aproximar-se muitas vezes

e com devoção da Sagrada Mesa Eucarística;

e durante o dia lembrar-se o mais possível deste ato solene.

É unir-se a Maria e com ela adorar a Jesus.

Trabalhar para Jesus, numa palavra,

é viver com ela da doce vida de intimidade.

 

Ó Maria, deixa-me levar-te em mim!

 

     Irradiar Maria, em redor de si, é possuir algumas

das virtudes de Maria, tão doces, tão atraentes, tão praticáveis para todos.

 

Na contrariedade e na provação: é ficar calmo e paciente.

No abatimento: é conservar-se amável e sorridente.

No aborrecimento: é apresentar-se prestável e manso.

Para todos que nos cercam, é ter pronto:

- este sorriso dos lábios, que atrai;

- esta palavra de coração, que dilata;

- este gesto de benevolência, que acalma e anima;

- esta conversação, que eleva, sobrenaturaliza e faz dizer:

Oh! como ele é bom!

 

Tem-se dito de Maria Santíssima que ela era o ostensório de Jesus!

Possam dizer de nós que somos o ostensório de Maria.

O ostensório serve para conter, mostrar e fazer resplandecer

a Jesus escondido, escondido na Sagrada Eucaristia.

O esforço de uma alma devota da Santíssima Virgem deve ser

de conter, de mostrar e de fazer resplandecer a Virgem Santa,

pela imitação de suas virtudes.

 

Ó Maria, deixa-me irradiar-te em redor de mim!

Dar Maria a todos que se aproximam de mim.

 

O certo, não é dizer-lhes: eu venho dar-te Maria,

mas é ter simplesmente o desejo e a vontade firmes e atuais

de fazer amar a Virgem Santa.

Nunca saias de casa, nunca faças uma visita

sem dizer esta pequena oração:

“Minha querida Mãe, vem e vive em mim!”

 

Talvez que não o saibam, mas em hora oportuna,

a Mãe de Jesus servir-se-á de ti, agirá por ti, dar-se-á por ti.

Tu darás Maria a todos, que te cercam,

às vezes sem sabê-lo e sem os outros conhecê-lo.

Passarás, como Jesus, fazendo o bem, fazendo amar a Virgem Imaculada.

E como Maria também amar-te-á!

Como ela te conduzirá a Jesus!

Tu deste Maria aos homens; Maria te dará a Jesus!

 

 

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Comentário de Sacralidade

     

     O texto acima, do Pe. Júlio Maria De Lombaerde, foi publicado na Voz de

Nazareth, nº 67, em julho de 1918, e até hoje conserva atualidade e encanto.

Intenso desejo desperta nos corações marianos. Toma logo a forma de

indagação: quando virá o tempo em que por toda a parte se multiplicarão

essas almas-ostensório? Sem saber o dia e a hora, com certeza desde agora

podemos dizer, como David, "Esperei no Senhor com toda a confiança e Ele

se inclinou para mim": Exspectans exspectavi Dominum et intendit mihi

(Sl 39, 2).

 

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