O CARDEAL ERRÁZURIZ E FREI "KERENSKY":

NOVA VIA CHILENA PARA O MARXISMO

 

Jorge Zamora Erdmann

    

     Tínhamos acabado de publicar o artigo sobre o Cardeal Errázuriz e o que ele chama de "amizade cívica" (desmantelar a direita para pavimentar o caminho para as esquerdas), quando nos deparamos com uma notícia na mesma linha que nos surpreendeu. Mais exatamente, não foi inteiramente uma surpresa.

     No quadro político chileno atual, o Partido Comunista, por uma proteção de Nossa Senhora do Carmo, carece de suficiente representação em nosso país para conseguir eleger um prefeito, deputado ou senador. Que faz então a direção do PC para resolver essa situação? Busca colaboradores, "companheiros de viagem" que lhe pavimentem o caminho.

     A "amizade cívica" do Cardeal Errázuriz: uma mordaça para a direita

     Vimos no artigo anterior [1] que, fiel discípulo do Cardeal Silva Enríquez, o Cardeal Errázuriz já realizou sua tarefa: reuniu toda a classe política para firmar um pacto de "amizade cívica", juntando lobos e ovelhas, marxismo e conservadorismo, filhos das trevas e filhos da luz.

     Graças a esse impulso, as barreiras ideológicas caem e os conservadores ficam como que anestesiados, com uma mordaça que lhe impede de denunciar as táticas de avanço do PC chileno. Pois, como denunciar ou tentar deter o PC logo após ter firmado esse pacto, solenemente celebrado pelo Cardeal Errázuriz? O dirigente direitista ou o eleitor conservador sentiria escrúpulos por desobedecer à orientação pastoral.

     Celebrado o pacto, Frei, o novo Kerensky chileno, entra em cena


Alexander Kerensky, precursor de Eduardo Frei Montalva e do atual senador Eduardo Frei

     Derrubadas as barreiras de resistência pelo Cardeal, coube à Democracia Cristã dar novo impulso ao comunismo. Foi assim na Rússia, quando Kerensky entregou o poder aos comunistas.[2]

     O mesmo aconteceu no Chile, quando Frei Montalva pavimentou o caminho para a subida ao poder do marxista Allende.

     Isto se repete hoje em nosso país, pois presenciamos um pacto formal pelo qual a direção da Democracia Cristã se comprometeu a apoiar certas candidaturas do Partido Comunista para as próximas eleições municipais.

     Caro leitor, custa-lhe acreditar que a estratégia de hoje é a mesma que a do passado? Observe a notícia publicada em El Mercurio, de Santiago.

     A respeito do candidato da Democracia Cristã para as eleições municipais em Estación Central, que relutava em não lançar sua candidatura para assim favorecer a de um comunista, Eduardo Frei (filho de Frei Montalva, o Kerensky chileno) disse que se deveria ser generoso com o Partido Comunista (isto ajudaria o PC a obter mais postos na administração pública):


Eduardo Frei usa de seu prestígio como ex-presidente para obter que seu partido não lance candidaturas e desse modo favorecer o Partido Comunista

     "Na saída do café da manhã que o ex-Presidente Eduardo Frei ofereceu ontem à direção do PPD em sua casa, depois das inscrições eleitorais para o registro das candidaturas, ao ser questionado sobre a decisão da DC de não se omitir em Estación Central conforme solicitava o PC, disse que os partidos devem ser mais 'generosos' e não 'olhar para o próprio umbigo'".[3]

     Surge então a pergunta: por que Frei pressiona o PDC para favorecer candidaturas do PC? Considere o leitor que o partido de Frei não se definiu claramente, e que ele é a única figura de destaque do PDC (goza de grande prestígio por ter sido Presidente alguns anos atrás).

     Usando esse prestígio, pressiona para que avancem um passo a mais rumo à esquerda: que sejam generosos com o PC e lhe cedam a candidatura em Estación Central.

     Um mesmo fim

     A razão para essa estranha generosidade é que a Democracia Cristã chilena e o Partido Comunista têm um mesmo método e um mesmo fim: a progressiva comunização da nação.

     A profunda "transformação social" e a mudança de mentalidade são os meios que os governos populistas estão utilizando para realizar a cubanização das nações latino-americanas. Na Colômbia as FARCs empregam a violência para chegar ao poder, mas fracassam, pois se deparam com a resistência enérgica de seu povo e governantes. Mas a via chilena para o socialismo está sendo pavimentada atualmente pela "amizade cívica".

     Devemos denunciar e resistir a essa manobra, para não sermos dominados pela tirania marxista e nossa nação não ser arruinada, como ocorreu conosco no passado e acontece atualmente na Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba etc.

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     NOTAS:

 

    [1] "O pastor que reúne ovelhas e lobos".  

    [2] "A personalidade e a vida de Kerensky poder-se-iam resumir assim: um sofisma a encobrir uma traição. O sofisma: o melhor meio de desarmar o adversário é destruir-lhe a agressividade; e o melhor meio para lhe destruir a agressividade consiste em lhe atender indefinidamente as exigências. Assim, chefe do governo russo logo após a queda do czarismo, Kerensky representou frente ao comunismo uma política de sucessivas concessões. Favorecidos gradualmente por estas, os bolcheviques acabaram, como era inevitável, por se tornar bastante fortes para tomar o poder, e o tomaram. Fingindo querer desarmar os comunistas com a política do "ceder para não perder", ele quis, na realidade, trair sua pátria." (Frei, o Kerensky chileno, Fabio Vidigal Xavier da Silveira.). Esta é a obra dos Kerenskys na história da humanidade.

    [3] El Mercurio, Santiago do Chile, 30/07/2008.

 

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     Fonte: El Cardenal Errázuriz y Frei Kerensky: nueva ruta chilena para el marxismo.

     Tradução para o português: André F. Falleiro Garcia

 

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