NO CHILE, O SILÊNCIO EPISCOPAL DIANTE DA BLASFÊMIA *

 

Jorge Zamora Erdmann

 

     Nosso país herdou do fidalgo espanhol e do religioso missionário que se aventuraram por estas terras um profundo espírito católico. Quantos missionários deram suas vidas para iluminar com a luz de Cristo os povos pagãos que aqui viviam nas trevas do erro! Através desse apostolado e do heroísmo espanhol, foi formada uma nação compactamente católica, que perdura no tempo como súdita amorosa da Virgem do Carmo, Rainha e Padroeira do Chile. Como somos gratos à Providência e à Rainha do Céu, por nosso povo ter sido evangelizado pela Espanha, de quem recebemos a verdadeira Fé!

"Primeira missa no Chile", de Fr. Pedro Subercaseaux

     Sim, nosso país é categoricamente católico apostólico romano. Não obstante, a mídia moderna e alguns indivíduos pervertidos se empenham em fazer o contrário do que fez o missionário abrasado de zelo divino que em 1700 percorreu nossas terras. Efetivamente, esses “antimissionários”, inflamados de amor ao demônio, viajam pelo Chile e o contaminam, espalhando a noção de que é um país socialista. Através de uma progressiva, implacável e profunda revolução cultural, o socialismo quer transformar o Chile em um país pagão, imoral e perverso. Em última análise, essa revolução cultural quer nos convencer de que nossas famílias estão ávidas das novidades imorais, como a blasfêmia. Nada mais contrário ao sentimento cristão de nossa sociedade.

     É com a finalidade de alertar nossos amigos, simpatizantes e o público em geral, que comentamos a seguir, com católica indignação, a lamentável novidade.

     Um show antimarial

     Está previsto para 15 de janeiro um show agressivamente irreverente. O show antimarial apresentará uma escandalosa representação de Nossa Senhora. Em vez de refletir a pureza única e sublime e a grandeza incomensurável da Mãe de Deus, essa encenação iníqua, que agride a consciência católica, só apresentará sensualidade e perversão. Ainda que custe acreditar que seja isso possível, o desrespeitoso e pérfido evento terá como protagonistas várias modelos, as quais obviamente não se caracterizam por refletir a pureza de alma e a castidade cristã. Pelo contrário, são personagens da farândola, nome aqui dado à frivolidade na televisão. Estão sempre dispostas a aparecer, mal vestidas, em todos os shows lascivos que houver. Para fazer a representação “artística” da Virgem Maria, foi convidado um “transformista” (trata-se, em geral, da atuação profissional de um homem travestido de mulher afetando trejeitos sodomitas), o que é o auge da blasfêmia. Nada mais oposto à santidade da Virgem, do que um transformista blasfemo. O espetáculo assim concebido é uma zombaria.[1]

O transformista representando a Santíssima Virgem

Uma das modelos se apresenta coroada de estrelas,

como Nossa Senhora das Graças

O idealizador do espetáculo posa junto com duas modelos, diante do palácio do governo, La Moneda. Nota-se na auréola da modelo à direita uma estampa da Virgem de Guadalupe

     E vós, Bispos, por que calais?

     Um valente advogado católico, Álvaro Ferrer, representando uma organização de inspiração católica, interpôs um pedido liminar (recurso de protección) na Primeira Corte de Apelações de Santiago, que foi recebido e será julgado no mesmo dia da realização do show.

     No entanto, diante de tamanha vulgaridade e ofensa à Mãe de Deus, cabe perguntar-se: o que terão dito a esse respeito os Bispos, máxima autoridade da Igreja local? 

 

O bispo D. Valech, como Presidente da Comissão de Prisão Política e Tortura, entregou ao governo do socialista Lagos, um anexo ao relatório da "Comisión Valech"

     O Episcopado chileno, no passado, foi especialmente loquaz em seus pronunciamentos quando se empenhou em denunciar a enérgica reação do governo militar contra o terrorismo. Cartas, entrevistas, cerimônias, comissões investigadoras, atas, documentos, missas etc. Empregou todo o tipo de iniciativas para proteger o terrorismo em nosso país e para desprestigiar as Forças Armadas. Ficou comprovado o poder da solene voz dos bispos. 

     Nas atuais circunstâncias, essa voz imponente, a voz dos Príncipes da Igreja, deve ser ouvida. Por isso lhes dizemos com sumo respeito e veneração, mas com firmeza: Por que calais? Acaso os direitos humanos de um terrorista são mais importantes que a lei e os direitos de Deus? Vós, que na época da ditadura usastes de todo o prestígio de vossa investidura episcopal, que veneramos com entusiasmo, onde estais, quando Nossa Senhora mais necessita de vós? O momento é agora!

     Perguntas dolorosas, que pressagiam o abandono da missão que Nosso Senhor lhes confiou. Só nos responde o seu eco![2]

     “Ai daquele que se cala, quando pecam as almas que lhe foram confiadas”, afirmou São Gregório Magno. Ao cônego Thellier de Poncheville, disse o papa São Pio X: “Todo o mal depende de nós, sacerdotes... Se todos nós estivéssemos inflamados de um zelo de amor, em breve a terra inteira seria católica”.

     Querem fazer no Chile uma suprema blasfêmia contra a Santíssima Mãe de Deus. Urge criar um estado de espírito de oposição reflexiva, cheia de fidelidade e de coerência.

     Que o Apóstolo Santiago o qual milagrosamente socorreu o conquistador espanhol na sua epopéia cristã nos assista, para que possamos resistir e alentar outras pessoas, e assim formar um enérgico e coeso bloco de reação contra a blasfêmia. E que Nossa Senhora do Carmo, recentemente ultrajada na própria Catedral, interceda por nós e aplaque a ira de seu Divino Filho, frente à ofensa impune e ao silêncio cúmplice de seus queridos filhos.

 

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     NOTA DO TRADUTOR:

 

    [1] Com autorização judicial, foi efetivamente realizado em 15/01/2009 o evento "Fashion Show Las Vírgenes de Oyarzún", promovido por Ricardo Oyarzún.

    [2] O Episcopado somente se manifestou no dia do evento, por meio de uma declaração do Comité Permanente de la Conferencia Episcopal de Chile. Divulgou uma nota em defesa da liberdade religiosa e do direito humano dos fiéis católicos de ver respeitado o seu culto. Mas evitou mencionar profanação, blasfêmia, violação dos direitos de Deus e de Nossa Senhora, ato de reparação ou desagravo.

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     * Versão original em castelhano publicada em 14/01/2009:

     http://www.elcruzado.org/

 

      Tradução: André F. Falleiro Garcia

 

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