APOIO DA CNBB A TOFFOLI: SURPRESA E PERPLEXIDADE

 

Paulo Roberto Campos   

 

Toffoli, advogado destituído de currículo compatível com a sua indicação pelo Presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal, defende claramente posições opostas aos valores familiares, como a descriminalização do aborto e o “casamento” homossexual.

Sabatinado no Senado, numa vergonhosa votação secreta e graças ao lobby do governo petista, foi aprovado para ocupar a vaga no STF.

Como pode a CNBB expressar apoio a uma pessoa que tem posição tão contrária à moral católica?

 

 


Sabatinado no Senado, numa vergonhosa votação secreta e graças ao lobby do governo petista, Toffoli foi aprovado para ocupar a vaga no STF

     O post abaixo, sobre o affaire Toffoli, exigia uma conclusão. Contudo, um pequeno acidente distanciou-me durante uma semana do teclado. Quando retornei, era tal o volume de trabalho que somente hoje encontro tempo para me dedicar ao nosso blog. Pedindo desculpas pelo atraso, entro diretamente no assunto.

     O advogado José Antonio Dias Toffoli, indicado pelo Presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal, defende claramente posições opostas aos valores familiares, como a descriminalização do aborto e o “casamento” homossexual. Enquanto presidente da Advocacia Geral da União (AGU), ele recebeu um prêmio da denominada ABGLT por defender projetos sobre a união civil entre homossexuais e a gratuidade nas aberrantes cirurgias de troca de sexo... Além de ser um advogado destituído de currículo compatível com a sua indicação — ou seja, sem mestrado, sem doutorado, reprovado em dois concursos para simples juiz (1994 e 1995), sem notável saber jurídico, sem produção acadêmica — ele tampouco tem “ficha limpa”, pois sofre dois processos por malversação de verbas públicas.

     Apesar de tudo, após ser sabatinado no Senado, numa vergonhosa votação secreta e graças a uma hercúlea articulação do lobby do governo petista, Toffoli foi aprovado para ocupar a vaga no STF do falecido Ministro Carlos Alberto Direito Menezes.

     Hoje já não causa surpresa o Senado votar contrariamente aos anseios da imensa maioria da população brasileira, que em diversas pesquisas se manifestou contrária à aprovação do nome do Dr. Toffoli. Um só exemplo: A enquête organizada pelo “O Estado de S. Paulo”, perguntava “Você acha que José Antonio Dias Toffoli tem as credenciais para ser ministro do STF?”.

     Resultado:

     — NÃO: 91%

     — SIM: 9%.

     Fica comprovado que de fato nosso Senado não representa a opinião pública. Pudera! Presidido pelo o Sr. José Sarney, o que se poderia dele esperar? Nunca antes “neste país” tivemos um Senado tão desmoralizado e tão submisso ao Poder Executivo!


Surpresa e perplexidade: D. Dimas apoiou a escolha para o STF de um advogado favorável ao aborto e “casamento” homossexual

     Mas o que realmente não esperávamos, e que causou enorme surpresa, foi o apoio que Toffoli recebeu da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Fato que deixou perplexos os fiéis católicos: como podem Bispos da Igreja Católica divulgar uma nota — assinada pelo secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa — favorável a uma pessoa que se declarou contrária aos valores da família, como no caso de aborto e do “casamento” homossexual? Muitos perguntaram: como pode a CNBB expressar apoio a uma pessoa que tem posição tão contrária à moral católica? [1]

     Assim, com tal articulação pró-Toffoli, na última sexta-feira (23-10-09) ele foi empossado no mais alto cargo da magistratura.

     Estreitas ligação com o PT, Lula e José Dirceu   

     É de conhecimento geral que o novo ministro, petista de carteirinha, antes de ocupar o último cargo no comando da AGU (2007 a 2009), foi advogado do PT nas campanhas de Lula à presidência (1998, 2002 e 2006); assessor parlamentar da liderança do PT (1995 a 2000); chefe de gabinete da Secretaria de Implementação das Subprefeituras do município na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy; trabalhou na subchefia de Assuntos Jurídicos (2003 a 2005) da Casa Civil sob o comando do ex-ministro José Dirceu, réu no mensalão e afastado do cargo por corrupção e formação de quadrilha.

     Como se nota, o novel ministro leva em sua bagagem um pobre currículo escolar e um rico currículo petista, suficientes para afastar qualquer pessoa da mais elevada instância do Poder Judiciário.

     O que então levou o Dr. Toffoli a galgar do dia para a noite a alta cadeira do STF? Competência? Claro que não! O que então? Amizade! “It’s elementary, my dear Watson!” O Presidente Lulla é “muy amigo” do Dr. Tofolli.

     Como bem escreveu Eliane Cantanhêde (“Folha de S. Paulo, 25-9-09):

     "Toffoli não tem mestrado nem doutorado, levou duas bombas para juiz estadual e responde a dois processos na própria Justiça. E por que Lula insiste em Toffoli e já está tudo bem amarrado no Congresso e no Supremo para nomeá-lo ministro da mais Alta Corte? Porque Toffoli foi um bom advogado das campanhas do PT. Ou seja, no duro, no duro, a resposta é uma só: porque Lula quer".

     Em face disso devemos permanecer vigilantes e observar se o novo ministro votará ou não de comum acordo com seu grande amigo, acatando a determinação do partido ao qual é filiado. Vigilantes para ver se ele atuará como advogado do governo petista ou como juiz fiel à Constituição (na foto ao lado, ostentada por sua Excelência). Constituição que, diga-se de passagem, considera inviolável o direito à vida e como casamento a união entre um homem e uma mulher.

     Desapontado como estou com tal nomeação, encerro com um trechinho do discurso de Rui Barbosa, pronunciado no Senado em... 1914, mas que bem poderia ter sido pronunciado por algum outro Senador no triste dia 23-10-2009:

"De tanto ver triunfar as nulidades;
"de tanto ver prosperar a desonra;
"de tanto ver crescer a injustiça;
"de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
"o homem chega a desanimar-se da virtude,
"a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto".

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     Paulo Roberto Campos é jornalista e editor do Blog da Família Católica.

     Artigo publicado com o título TOFFOLI: advogado do governo petista ou juiz fiel à Constituição?

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     NOTA DE SACRALIDADE:

 

    [1] Cf. A Folha Online publicou matéria de Gabriela Guerreiro, de Brasília, da qual publicamos um excerto a seguir.

     CNBB defende indicação de Toffoli para o STF

     O secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Dimas Lara Barbosa, saiu em defesa nesta terça-feira da indicação do advogado-geral da União, José Antônio Dias Toffoli, para o STF (Supremo Tribunal Federal). O bispo afirmou que Toffoli, católico de formação, tem competência para assumir a cadeira do ministro Menezes Direito no tribunal, morto há um mês. "O ministro sempre tem declarado ser uma pessoa católica. O próprio padre Toffoli dá testemunho do irmão, não só falando da sua competência como também do seu proceder ético. Nesse sentido, esperamos que no Judiciário possa exercer sua função contando com a colaboração do futuro ministro de fazer a justiça acontecer no nosso país", disse o bispo. O advogado é irmão do padre José Carlos Toffoli, ex-secretário da CNBB.

 

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