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PODE ALGUÉM SER ANGLICANO E CATÓLICO AO MESMO TEMPO?

 

Pe. Peter Scott

 

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Bento XVI e o Arcebispo anglicano de Canterbury Rowan Williams
Bento XVI e o Arcebispo anglicano de Canterbury reafirmaram no Vaticano, em 21/11/2009, o desejo de fortalecer as relações ecumênicas entre católicos e anglicanos

     A Constituição Apostólica (Anglicanorum coetibus) de 4 de novembro do Papa Bento XVI abriu uma nova via para os anglicanos “serem recebidos, também corporativamente, na plena comunhão católica”.

     Trata-se de novo e revolucionário tratamento do problema dos “irmãos separados”, tratamento considerado por alguns o lance mais ousado da Igreja desde a Reforma.

     A novidade aqui é que os anglicanos passam a ser tratados da mesma forma que os cismáticos ortodoxos orientais quando estes retornam à verdadeira Igreja. Ser-lhes-á permitido manter a identidade anglicana ao mesmo tempo que se tornam católicos. Serão canônica e liturgicamente diferentes do restante da Igreja Católica, e por conseguinte lhes será permitido ter suas próprias paróquias, bispos, padres casados, costumes litúrgicos e espirituais. Isso é normal para os cristãos de rito oriental que voltam do cisma para o seio da Igreja, pois sua liturgia, espiritualidade e tradições são antigas como as do rito latino. Além disso, são essencialmente cismáticos, e não hereges, sendo suas poucas heresias de origem recente e fáceis de corrigir (como a negação do purgatório, da Imaculada Conceição ou da infalibilidade papal).

     Tal analogia é correta e justa? Um exame detido patenteia uma série de diferenças:

     1) Há, antes de tudo, a motivação. A maioria dos que pedem entrada na Igreja Católica já se separou da “comunhão” anglicana, tal como ela é. E o faz não tanto por sua rejeição do mesmo anglicanismo, mas devido à nova orientação da igreja anglicana a partir de 1991, a qual abriu o sacerdócio e o episcopado a mulheres e homossexuais praticantes e abençoou uniões do mesmo sexo, coisas evidentemente opostas à Bíblia, princípio basilar do protestantismo.

     2) A segunda e maior diferença é que o anglicanismo tem ordens inválidas e, por conseguinte, nenhum outro sacramento além do batismo e do matrimônio, diferentemente dos ortodoxos, cujos sete sacramentos são válidos.

     3) Uma terceira diferença é que o anglicanismo, desde sua origem mesma, é de todo herético e protestante. Desde a época de Thomas Cranmer até os dias de hoje, todos os ministros anglicanos sempre adotaram as teorias de Lutero e outros reformadores protestantes. O anglicanismo é verdadeiramente uma forma de protestantismo, razão por que sempre aceitou a intercomunhão com todas as seitas protestantes. Se por um lado é verdade que o movimento de Oxford, em meados do século XIX, levou a um retorno a uma forma mais tradicional de espiritualidade, culto e piedade, isso porém não significou um renascimento do interesse pelos aspectos católicos do anglicanismo, pois estes nunca existiram. Foi uma descoberta de alguns dos tesouros da Igreja Católica. Não obstante, tais anglicanos da alta igreja, como passaram a ser conhecidos, não seguiram a conversão do Cardeal Newman, de 1845, mas optaram por permanecer anglicanos. Os anglicanos da alta igreja, assim, não tiveram coragem de se converter à verdadeira Igreja, precisamente como agora.

     4) Uma quarta diferença e conseqüência do fato de o anglicanismo ser uma seita protestante é ele não ter nenhuma unidade nem autoridade doutrinal. Há tantos ramos do anglicanismo quantos anglicanos há. É larga a liberdade de ter as opiniões e condutas que mais lhes aprazam, de modo que cada um pode escolher sua prática religiosa por si mesmo.

     5) Uma quinta diferença é o fato de o anglicanismo não ter a tradição espiritual e monástica dos ritos orientais. Foi o próprio fundador do anglicanismo, Henrique VIII, o responsável pela destruição de mil mosteiros na Inglaterra. Se no século passado se fez um pequeno esforço para formar algumas poucas comunidades religiosas, foi apenas por seguir o exemplo de alguma espiritualidade católica; não por se tratar de tradição anglicana.

     6) Uma sexta diferença é que no anglicanismo não há uniformidade litúrgica alguma. Os livros de orações, de 1549 e 1661, completamente protestantes, pretenderam propiciar essa uniformidade, mas foram suplantados em anos recentes, e os anglicanos da alta igreja em grande parte os rejeitaram ou adaptaram, conforme uma variedade de combinações da nova liturgia anglicana com certos usos tomados de empréstimo, como o antigo e ressuscitado rito Sarum, em uso na Inglaterra antes da Reforma, ou o rito tridentino em inglês, ou a missa nova. Não há nenhuma tradição litúrgica anglicana além do livro de preces de 1661.

Arcebispo anglicano de Canterbury Rowan Williams

E depois o arcebispo anglicano afirmou que o documento do Papa "não é uma solução" para os Anglicanos-Católicos, mas sim uma "excêntrica opção teológica"

     Por que, então, estaria tão determinado o Papa a tratá-los do mesmo modo que aos ortodoxos orientais? Ele o explica muito claramente nesta mesma Constituição Apostólica; explicitamente pela nova definição da Igreja de Cristo dada pelo Vaticano II. Diz-se que ela “subsiste” na Igreja Católica, sem ser idêntica a ela. É por essa razão que as divisões entre os batizados devem considerar-se como divisões internas da Igreja e como danificadoras da nota de unidade que caracteriza a verdadeira Igreja. Donde Bento XVI afirmar na Anglicanorum coetibus que “toda e qualquer divisão entre os batizados em Jesus Cristo fere aquilo que a Igreja é e aquilo para o qual ela existe”. Daí que a unidade entre os batizados se transforme em algo absoluto, por buscar a qualquer preço, sendo agora a “unidade na diversidade”, portanto, o objetivo por alcançar. O ensinamento católico tradicional faz da Fé, do culto e dos sacramentos o absoluto e determinante da unidade da verdadeira Igreja Católica, como se pode ver pela definição de Igreja dada pelo catecismo. A separação de hereges e cismáticos, por deplorável e triste que possa ser, absolutamente não fere a Fé, o culto, os sacramentos e a autoridade hierárquica, porque a Igreja de Cristo é idêntica à Igreja Católica Romana.

     As conseqüências de tal urgente necessidade de falsa unidade com parca base real não são aceitáveis para o espírito católico. Eis algumas delas:

     ● Não haverá conversão alguma propriamente dita, com abjuração de heresia, profissão pública da Fé católica e absolvição da censura de excomunhão. Declara-se simplesmente que os fiéis leigos “originariamente pertencentes à Comunhão Anglicana que desejam pertencer ao Ordinariato Pessoal devem manifestar essa vontade por escrito” (IX). Não há nenhuma admissão de erro por estarem fora da única verdadeira Igreja, nem pedido de admissão na única Igreja verdadeira.

     ● Não há nenhuma profissão de Fé em nenhum dos artigos de Fé que foram negados pela igreja anglicana por 450 anos. Tudo quanto se exige é a aceitação implícita desta afirmação: “O Catecismo da Igreja Católica é a expressão autêntica da fé católica professada pelos membros do Ordinariato” (I, §5). Mas este catecismo do Vaticano II, de 1993, é bastante ambíguo, particularmente nos pontos de doutrina em que os protestantes discordam da Igreja Católica, e a aceitação implícita de tal declaração é algo muito distinto do juramento condenatório de todas as heresias protestantes que se encontra na Profissão de Fé tridentina de Pio IV.

     ● Permite-se aos anglicanos manter os livros litúrgicos e as preces anglicanos, a espiritualidade e os costumes pastorais anglicanos: “O Ordinariato tem a faculdade de celebrar a Eucaristia e os demais Sacramentos, a Liturgia das Horas e as demais celebrações litúrgicas de acordo com os livros litúrgicos próprios da tradição anglicana que foram aprovados pela Santa Sé, de modo que se mantenham as tradições espirituais, litúrgicas e pastorais da Comunhão Anglicana dentro da Igreja Católica” (III). A breve cláusula restritiva de aprovação pela Santa Sé nada tira do caráter profundamente inovador dessa disposição, que considera o protestantismo anticatólico e sua liturgia como uma tradição que se deve manter no interior da Igreja Católica. O documento declara ainda que tudo isso é um “dom precioso” e um “tesouro por partilhar”. Que insulto a católicos como São Tomás Morus, São João Fisher e Santo Edmundo Campion, que deram a vida por recusar-se a se tornar anglicanos, e a autênticos convertidos como o Cardeal Newman, que espontânea, mas necessariamente, deixaram as inválidas, heréticas e protestantes cerimônias anglicanas para tornar-se autênticos católicos!

     ● Padres casados continuarão a ser um modo de vida neste ordinariato, como na igreja anglicana. Ministros casados que entrem no ordinariato podem ser ordenados, e futuros padres que já sejam casados podem ser ordenados. Essa é uma forma bem eficiente de minar o tesouro do celibato clerical, um dos grandes sinais externos da santidade da Igreja. Se não podem ser aceitos bispos casados, homens casados, de qualquer modo, podem tornar-se padres com a jurisdição de um ordinário (cf. Nota publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé em 20 de outubro), contornando-se assim o “problema” do celibato clerical, que tais anglicanos não estão dispostos a abraçar.

     A tragédia de tudo isso é que esses anglicanos serão considerados católicos e anglicanos ao mesmo tempo, apagando-se grandemente, desse modo, a distinção entre verdade e erro, Fé e infidelidade, submissão e independência. O próprio Cardeal Levada o admite, quando descreve a vaga e tênue base dessa unidade: “Eles declararam compartilhar a Fé Católica comum tal como expressa no Catecismo da Igreja Católica e aceitar o ministério petrino como querido por Cristo para a Igreja. [O que significa isso? Infalibilidade papal? Verdadeiro poder de governo, ou apenas um posto honorífico?] Para eles chegou o momento de exprimir essa unidade implícita na forma visível da plena comunhão.” (Ib. in zenit.org).

     Se certamente devemos recear que tal aceitação confunda os católicos e apenas confirme ainda mais esses anglicanos em seus falsos princípios e tradições, devemos porém rezar para que eles um dia se convertam verdadeiramente à prática plena e integral da Fé católica, fora da qual não há salvação.
   

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     Tradução: Carlos Nougué.

     O Pe. Peter Scott foi Superior da FSSPX nos Estados Unidos, e depois reitor do Seminário da Santa Cruz, na Austrália.

 

Can one be now Anglican and Catholic at the same time?

 

Fr. Peter Scott, SSPX

 

Pope Benedict XVI and the Archbishop of Canterbury, Dr Rowan Williams
The meeting between Pope Benedict XVI and the Archbishop of Canterbury, Dr Rowan Williams, at the Vatican on 21 November 2009, at which they reaffirmed their desire to strengthen ecumenical relations between Anglicans and Roman Catholics

     The November 4 Apostolic Constitution of Pope Benedict XVI opened up a new path for Anglicans “to be received into full Catholic communion individually as well as corporately” (Anglicanorum coetibus). It is a revolutionary new approach to the problem of “separated brethren”, and one which some have called the Church’s boldest move since the reformation.

     The novelty here is that Anglicans are being treated in the same way as the schismatic Eastern Orthodox when they return to the true Church. They will be allowed to retain their Anglican identity at the same time as becoming Catholic. They will be canonically and liturgically distinct from the rest of the Catholic Church, and will consequently be allowed their own parishes, bishops, married priests, liturgical and spiritual customs. This is normal for the Eastern rite Christians who return from schism to the bosom of the Church, for their liturgy, spirituality and traditions are ancient, just as those of the Latin rite. Moreover, they are essentially schismatics, not heretics, the few heresies being of recent origin and easy to correct (such as the denial of Purgatory, the Immaculate Conception or Papal Infallibility).

     Is this a just and correct analogy? A careful examination shows a multitude of differences:

     1) There is first of all the motivation. The majority of those who request to enter into the Catholic Church have already separated themselves from the Anglican “Communion”, such as it is. They have done so not so much because of their rejection of Anglicanism itself, but because of the new orientation of the Anglican church since 1991, that has opened the priesthood and episcopate to women and active homosexuals, and blessed same sex unions, all of which are manifestly opposed to the Bible, foundation principle of Protestantism.

     2) The second major difference is that Anglicanism has invalid orders and consequently no other sacraments than baptism and matrimony, unlike the Orthodox who have all seven valid sacraments.

     3) A third difference is that Anglicanism is from its very origin entirely heretical and protestant. From the time of Thomas Cranmer down, all the Anglican divines embraces the theories of Luther and the other Protestant reformers. Anglicanism truly is a form of Protestantism, which is why intercommunnion with all protestant sects has always been accepted. If it is true that the Oxford movement in the mid 19th century, brought a return towards a more traditional form of spirituality, worship and piety, this was not a rekindling of interest in Catholic aspects of Anglicanism, for these never existed. It was a discovery of some of the treasures of the Catholic Church. However, these high church Anglicans, as they became called, did not follow Cardinal Newman’s conversion of 1845, but chose to stay Anglican. High Church Anglicans then did not have the courage to convert to the true Church, just as now.

     4) A fourth difference and consequence of the fact that Anglicanism is a protestant sect, is that it has no doctrinal authority or unity. There are as many different brands of Anglicanism as there are Anglicans. It is this broad latitude that they like, so that each one can chose his religious practice for himself.

     5) A fifth difference is that Anglicanism does not have the spiritual and monastic Tradition of the Eastern rites. It was the founder of Anglicanism, Henry VIII, who was responsible for the destruction of 1,000 monasteries in England. If in the past century some little effort has been made to form some religious communities, it is only by the rubbing off of some Catholic spirituality, not because it is an Anglican tradition.

     6) A sixth difference is that there is in Anglicanism no liturgical uniformity. The entirely protestant prayer books of 1549 and 1661 pretended to give such uniformity, but they have been supplanted in recent years, and the high church Anglicans have in large part rejected or adapted them, following a variety of combinations between the new Anglican liturgy, and certain borrowed uses such as resurrecting the old Sarum rite in use in England before the Reformation, or the Tridentine rite in English, or the New Mass. There is no such thing as an Anglican liturgical Tradition, if it not be the 1661 prayer book.

     Why, then, would the Pope be so determined to treat them in the same way as the Eastern Orthodox? He gives the explanation very clearly in this very Apostolic Constitution; namely the new definition of the Church of Christ given by Vatican II. It is said to “subsists in” the Catholic Church, rather than to be identical to it. It is for this reason that divisions among the baptized are to be considered as divisions within the Church, and are considered to harm the mark of unity that characteristizes the true Church. Hence it is that Benedict XVI states in Anglicanorum coetibus that “every division among the baptized in Jesus Christ wounds that which the Church is and that for which the Church exists”. Hence it is that unity amongst the baptized is an absolute to be sought after at any cost, so much so that it is now “unity in diversity“ that is the goal to be sought after. Traditional Catholic teaching makes the Faith, worship and sacraments the absolute, that determine the unity of the true and Catholic Church, as can be seen from the definition of the Church in the catechism. The separation of heretics and schismatics, as deplorable and sad as it might be, in no way harms the Faith, worship, sacraments and hierarchical authority because the Church of Christ is identical to the Roman and Catholic Church.

     The consequences of this urgent need for a false unity with little real foundation cannot be acceptable to the Catholic mind. Hence are some of them:

     ● There is to be no conversion properly speaking, with abjuration of heresy, public profession of the Catholic Faith and absolution from the censure of excommunication. It is simply stated that the lay faithful “originally part of the Anglican Communion, who wish to enter the Personal Ordinariate, must manifest this desire in writing.” (IX) There is no admission of fault in being outside the one true Church, nor request to be admitted into the one true Church.

     ● There is no profession of Faith in any of the articles of Faith that have been denied by the Anglican church for 450 years. All that is required is the implicit acceptance of this statement: “The Catechism of the Catholic Church is the authoritative expression of the Catholic Faith professed by members of the Ordinariate”(I, §5) . This 1993 Vatican II catechism is quite ambiguous, especially on points of doctrine in which protestants disagree with the Catholic Church, and the implicit acceptance of this statement is something quite different than the oath condemning all the protestant heresies found in the Tridentine Profession of Faith of Pius IV.

     ● Anglicans are allowed to retain their Anglican liturgical books and prayers, their Anglican spirituality and pastoral customs: “The ordinariate has the faculty to celebrate the Holy Eucharist and the other Sacraments, the Liturgy of the Hours and other liturgical celebrations according to the liturgical books proper to the Anglican tradition, which have been approved by the Holy See, so as to maintain the liturgical, spiritual and pastoral traditions of the Anglican Communion within the Catholic Church” (III). The small proviso of approval by the Holy See does not take away from the profoundly novel character of this provision that considers anti-Catholic Protestantism and liturgy to be a tradition that is to be maintained within the Catholic Church. The document goes on to state that all of this is a “precious gift” and “a treasure to be shared”. What an insult to Catholics such as St. Thomas More, St. John Fisher and St. Edmund Campion who gave their lives rather than become Anglican, and to true converts such as Cardinal Newman, who willingly, but necessarily, abandoned the invalid, heretical protestant Anglican ceremonies to become true Catholics.

     ● Married priests are to continue to be a way of life in this ordinariate, as in the Anglican church. Married ministers who enter the Ordinariate can be ordained, and future priests who are already married can be ordained. This is a very effective way of undermining the treasure of clerical celibacy, one of the great outward signs of the Church’s holiness. If married bishops cannot be accepted, such men can become priests with jurisdiction of an Ordinary all the same (Cf. Note published by the Congregation of the Doctrine of the Faith on October 20), thus getting around the “problem“ of clerical celibacy that these Anglicans are not willing to embrace.

     The tragedy of all this is that these Anglicans will be considered as Catholics and as Anglicans at the same time, thus blurring greatly the distinction between truth and error, Faith and infidelity, submission and independence. Cardinal Levada himself admits this, when he describes the tenuous and vague basis of this unity: “They have declared that they share the common Catholic Faith as it is expressed in the catechism of the Catholic Church and accept the Petrine ministry as something Christ willed for the Church. (What does that mean? Papal infallibility? Real power of government, or just a place of honor?) For them, the time has come to express this implicit unity in the visible form of full communion.” (Ib. in zenit.org).

     If we must certainly fear that this acceptance confuse Catholics and only confirm these Anglicans even more in their false principles and traditions, we must nevertheless pray that they eventually truly convert to the full and entire practice of the Catholic Faith, outside of which there is no salvation.

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     Posted in Angelqueen.org.

 

 

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