sacralidade.com
sacralidade.com

Gramsci, um comunista finório

 

Pe. David Francisquini

    

     No exercício de minhas atividades paroquiais, sobretudo no pastoreio de almas, não preciso fazer muito esforço para observar nas almas não apenas de meus fiéis, mas sociedade enquanto um todo que as pessoas vão sendo transformadas paulatinamente em suas mentalidades, em seus modos de ser e de viver.

Rock e Revolução Cultural
Imensa transformação das mentalidades alterou os modos de ser e de viver e provocou o afastamento das almas em relação a Deus e à religião católica

     Tais transformações se dão impreterivelmente no sentido oposto aos ensinamentos do Evangelho pregado por Nosso Senhor Jesus Cristo. Na prática, isso significa afastamento das almas em relação a Deus e à religião católica, em contraposição à adoção do ateísmo difuso através da sensualidade desenfreada.

     Tudo tende para o igualitarismo e o amor livre por meio de uma revolução nos costumes, na indumentária, nos adornos, na linguagem, no trato social. Ela se passa igualmente nas instituições sociais e culturais como na música, no teatro, nos shows, na família, na forma de propriedade, no ensino. E depois se transformam em leis.

     É fácil perceber nas almas o endurecimento dos corações em relação a religião e a Deus, tornando cada vez mais difícil aceitar as máximas do Evangelho, e, assim, cerceando o mais possível o apostolado. Tal fenômeno chegar a levar desânimo a muitos padres, tamanho o desafio. Outros são tentados a entrar na onda.

     Como? — Ao mesclar hábitos do mundo com a religião na vã tentativa de atrair fiéis. Diante da dificuldade de atraí-los em razão do forte apelo das paixões desregradas, procuram transformar suas igrejas em palcos de shows, com todos os exageros que podem ser vistos hoje em certos meios católicos.

     Há explicação para tal ocorrência? Ela seria espontânea ou dirigida? Quais seriam os mecanismos ou técnicas de manipulação da opinião pública utilizadas para atingir a meta em questão? Afinal, por que o mundo vem piorando dia a dia? Já atingimos o fundo do abismo? Ao ler e estudar Gramsci, pude entender muita coisa do que se passa.

Padre David Francisquini - Gramsci, um comunista finório

Para indiretamente destruir a Igreja Católica, Gramsci concebeu a mudança do "senso comum" da sociedade

     Ateu, materialista e anticatólico, Gramsci quis a destruição da Igreja ao empenhar-se na luta pela mudança social da Itália nas primeiras décadas do século XX rumo à sua meta comunista. Sagazmente, percebeu que para tal só um golpe de estado e a tomada do governo pelas armas não bastariam.

     Porquanto ali se encontrava a sede do Papado e a sociedade italiana, à época, se nutria ainda da seiva de séculos de religião católica. Contudo, Gramsci e seus comparsas anelavam destruir os pontos de resistência das almas. Como Arquimedes, ele poderia ter dito: “Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu mudarei o mundo”.

     Gramsci ensinou a seus companheiros o caminho para quebrar a resistência das almas, e só depois dessa indispensável ação demolidora implantar-se-ia o regime antinatural que pregava.

     Ao teorizar sobre o que ele chamou de ‘senso comum’ na sociedade organizada, ou seja, o conjunto de valores, hábitos culturais, religiosos, sociais e mentais que dominam o ambiente onde a pessoa nasce e vive, encontrou ele diabolicamente o calcanhar de Aquiles da opinião pública.

     No caso italiano, tratava-se da civilização cristã. Uma vez que todo homem possui o instinto de sociabilidade, ele tende a imitar o mundo à sua volta. Esse sentir comum se exerce com tal força no espírito do indivíduo que, dificilmente, alguém escapa a essa regra.Com efeito, quem dominar esse senso comum conquista a sociedade.

     Para Gramsci, era necessário então mudar tendenciosamente esse “senso comum” rumo à sociedade atéia e igualitária imaginada. Na medida em que houvesse um deslocamento desse senso para a esquerda, todas as pessoas passariam a viver de acordo com ele.

     Gramsci sugeriu uma guerra palmo a palmo à Igreja, minando-A na sua estrutura hierárquica. Propunha também demolir paulatinamente a sociedade: mudança de um costume aqui, uma moda mais imoral ali, com a conseqüente desintegração da família.

     Apregoava até um linguajar novo e contrário aos costumes cristãos, a instalação de professores revolucionários infiltrados nas escolas para a instilação de doutrinas maléficas nas mentes dos jovens, bem como a promoção de pessoas cujo pensamento fosse comunista ou afim.

     Com efeito, como o cupim que carcome a madeira, ao cabo de anos de aplicação de sua teoria mefistofélica a sociedade inteira seria pró-comunista, ou pelo menos estaria intoxicada dessas idéias e costumes. Para Gramsci, tão-só a partir desse momento o comunismo teria chance de triunfar.

     Prezado leitor, não é bem isso que assistimos no nosso Brasil? Basta olhar o panorama político para nos darmos conta que nenhum dos candidatos a cargos públicos — pelo menos entre os que mais aparecem — é integramente católico. Aliás, são todos de esquerda e, portanto, cheios de idéias contrárias às máximas do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

     Contudo, para muito além dessa crise que nos assola, devemos ter a confiança firme nas palavras de Nosso Divino Mestre de que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja Católica. Os políticos podem blefar, mas a palavra de Deus é eterna.

     _________

     Pe. David Francisquini é sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria — Cardoso Moreira, RJ.

     _________

 

     Outros artigos do mesmo autor:

 

Que utilidade há no Meu sangue?

Meditação sobre o mistério da Paixão e Morte de Nosso Senhor Pe. David Francisquini 01 abril 2010

Direito de decidir?

Pe. David ensina por uma parábola que a única política pública aceitável é a de evitar o aborto, com assistência moral e material durante a gravidez e o parto – Padre David Francisquini – 16 agosto 2009

     Fonte: Blog Pe. David Francisquini.

 

     _________