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A beatificação de João Paulo II e Cuba:

Questão de consciência para os católicos cubanos

 

Armando F. Valladares

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Não me consta que durante o processo de beatificação deste Pontífice tenham sido dadas publicamente a conhecer interrogações sobre seu pensamento com relação ao comunismo cubano, pensamento que parece inclusive ir mais além do campo diplomático para adentrar-se no plano doutrinário; donde a necessidade de consciência de expor do modo mais respeitoso e filial possível as presentes reflexões.

Sei que nos processos de beatificação os teólogos esquadrinham os escritos dos candidatos a serem beatificados. É possível que esses teólogos tenham analisado os textos de João Paulo II que acabo respeitosa e filialmente de citar e comentar. Se assim o fizeram, queira Deus que os católicos cubanos possamos tomar conhecimento dessas sábias explicações.

Do contrário, a questão de consciência não fará senão aumentar, pois, como então compreender que um Pontífice que tanto fez pelo comunismo cubano chegue a ser proclamado Beato da Igreja? Peço e até suplico que os tão delicados ditos e fatos citados, de S.S. João Paulo II, sejam devidamente esclarecidos e explicados, sob pena de sua beatificação – anunciada para o próximo 1º de maio – vir a ficar indelevelmente marcada pelo sinal da perplexidade, da contradição e da confusão.

 

         A anunciada beatificação de S.S. João Paulo II, prevista para realizar-se no próximo 1º. de maio, coloca uma questão de consciência sem precedentes muitos fiéis católicos cubanos que, por causa de sua Fé, da veneração pela sua Pátria e do amor pelas suas famílias, se opõem ao comunismo. Com efeito, esses fiéis católicos vêem com perplexidade e com o coração dilacerado tudo aquilo que o referido Pontífice teria feito em algumas circunstâncias, e deixado de fazer em outras, para favorecer direta ou indiretamente o comunismo cubano.

     Cito a seguir, de modo resumido, alguns exemplos que tive ocasião de comentar extensamente ao longo dos anos, em diversos artigos sobre a colaboração eclesiástica com o comunismo na ilha-cárcere; e conto de antemão com a compreensão dos leitores. Eu o faço como fiel católico e como cubano, com todo o respeito possível para com a Igreja, disposto a ouvir e analisar eventuais explicações de fontes devidamente autorizadas – que até o momento não são de meu conhecimento – sobre os dolorosos fatos históricos suscintamente consignados a seguir.

     Elogios ao regime comunista

Prisioneiro político cubano antes de ser fuzilado
"Vocês ergueram pilares do edifício da paz". Acima: prisioneiro político recebendo o sacramento da Confissão diante do pelotão de fuzilamento

     No dia 8 de janeiro de 2005, ao receber as cartas credenciais do novo embaixador cubano, João Paulo II pronunciou uma alocução elogiando as "metas" que as "autoridades cubanas" teriam supostamente obtido em matéria de saúde, educação e cultura. Na realidade, trata-se de uma sinistra trilogia, que o regime utilizou como instrumento durante mais de meio século, para corromper as consciências de gerações inteiras de cubanos desde sua mais tenra idade, provocando um genocídio espiritual sem precedentes na história da Igreja nas Américas.

     Não obstante, na mesma alocução, João Paulo II insistiu em seus elogios, chegando a asseverar que mediante essa trilogia as "autoridades" de Cuba – ou seja, os membros do regime castrista – colocariam "pilares do edifício da paz" e incentivariam o "crescimento harmônico do corpo e do espírito". Com o qual o Pontífice pareceu ignorar que Fidel Castro, Che Guevara e seus sequazes, provocaram em nome dessa trilogia a destruição e a morte "do corpo e do espírito" de tantas pessoas, em tantos países da América Latina, África e Ásia.

     O elogio ao comunismo e aos integrantes da ditadura castrista não teria podido ser maior. Para os cubanos que sentiram e continuam sentindo em sua própria carne a obra destruidora da revolução comunista na sua Pátria, as referidas considerações papais resultam particularmente dolorosas, e sinceramente não consigo vislumbrar como justificá-las. Essas considerações, que vão além das mais benévolas fórmulas de cortesia diplomática, vistas desde uma perspectiva histórica, atingem de cheio e até laceram a memória daqueles jovens mártires católicos cubanos mortos nos "paredóns" de fuzilamento, gritando: "Viva Cristo Rei! Abaixo o comunismo!"

     Elogio à exportação da revolução cubana

     Na mesma alocução – uma das mais importantes sobre Cuba ao longo de seu Pontificado –, o reconhecimento de João Paulo II se estendeu a um alegado "espírito de solidariedade" do internacionalismo cubano, que se manifestaria no "envio de pessoal e recursos materiais" a outros povos, por ocasião de "calamidades naturais, conflitos ou pobreza".

Fidel Castro, o golpista granadino Maurice Bishop, Daniel Ortega

A revolução cubana exportada para Granada e Nicarágua

     De fato, como se acaba de recordar, longe de refletir um espírito de "solidariedade" cristã, o internacionalismo comunista colocou Cuba no triste papel de exportadora de conflitos para a América Latina, África e Ásia, com "pessoal e recursos materiais" utilizados não para solucionar conflitos ou diminuir a pobreza, mas para exacerbá-los, suscitando guerrilhas que por sua vez contribuíram para provocar sangrentas calamidades piores que as da natureza. Na realidade, o internacionalismo cubano contribuiu para afundar nações na pior "pobreza" material e espiritual, algo que historicamente resultou no contrário per diametrum de tirá-las dessa triste condição.

     Elogio a Che Guevara

     Para a Cuba comunista, o modelo "solidário" internacionalista teve como uma de suas principias figuras o guerrilheiro argentino-cubano Ernesto Che Guevara, que chegou a afirmar que o "ódio" é um motor capaz de transformar o revolucionário em "uma efetiva, violenta, seletiva e fria máquina de matar". Por isso, a alusão papal a esse suposto "espírito de solidariedade" do internacionalismo cubano não pode deixar de produzir consternação. (Cf. A. Valladares, "João Paulo II, Cuba e um dilema de consciência", Diario Las Américas, Miami, 15 de janeiro de 2005).

Guevara ensinava guerrilha no Congo: "servia aos pobres"...

Guevara ensinava técnicas de guerrilha no Congo: "servia aos pobres"...

     Na referida alocução, S.S. João Paulo II não citou Che Guevara. Mas já o havia feito em janeiro de 1998, em breves palavras elogiosas e até laudatórias, no avião que o conduzia a Cuba. Em conversa informal com os jornalistas, consultado a respeito de seu pensamento sobre Che Guevara, disse textualmente o referido Pontífice: "Deixemos a Ele, ao Senhor nosso, o juízo sobre seus méritos. Certamente, eu estou convencido de que queria servir aos pobres" (Vatican Information Service, "Os jornalistas entrevistam o Papa durante o vôo a Cuba", Cidade do Vaticano, 21 de janeiro de 1998).

     A fonte informativa – a própria agência de notícias da Santa Sé – não podia ser mais oficial, fazendo com que as palavras do Pontífice causem especial desconcerto. Como poderia uma má árvore dar bons frutos, como, por exemplo, o serviço cristão aos mais pobres e desamparados? (cf. São Mateus, 7,18). Porventura Che Guevara não foi um "satânico açoite" – segundo certeira expressão de S.S. Pio XI ao referir-se ao comunismo – para Cuba e tantos outros países, promovendo revoluções sangrentas que prejudicaram de modo especial aos mais pobres, precisamente àqueles a quem o Pontífice afirma que Guevara queria servir? (Cf. A. Valladares, "Monsenhor Céspedes: João Paulo II e o Che Guevara", Diario Las Américas, Miami, 26 de junho de 2008).

     Abandono dos cubanos exilados anticomunistas

     Por uma lamentável coincidência, essas declarações elogiosas ao Che Guevara foram feitas por João Paulo II precisamente quando o avião que o levava a Havana passava em frente às costas da Flórida, onde se concentra o maior número de cubanos desterrados. As referidas declarações resultaram, dessa maneira, especialmente dilacerantes do ponto de vista espiritual, para esses desterrados cubanos, que se viram obrigados a abandonar sua Pátria por causa da perseguição comunista.

     Desterrados cubanos que, 11 anos antes, quando da visita de João Paulo II a Miami, não puderam deixar de lembrar que se sentiram abandonados espiritualmente quando o Pontífice não visitou nessa cidade a tão simbólica Ermida da Caridade do Cobre [N.T.: onde se venera uma réplica da imagem de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, Padroeira de Cuba], não recebeu uma delegação representativa do desterro que lhe solicitou audiência, e pareceu não ver as dezenas de milhares de bandeirinhas cubanas empunhadas por cubanos desterrados que acorreram aos atos públicos para saudá-lo e em vão esperaram alguma palavra de consolo para si, para suas famílias e para sua querida Pátria escravizada.

     Os raios, os relâmpagos e as centelhas que interromperam a mais importante e concorrida dessas celebrações, por ocasião da visita de João Paulo II a Miami, contribuíram para formar um quadro tragicamente apropriado para interpretar o sentimento de abandono que sentiram essas dezenas de milhares de desterrados cubanos pelo fato de não terem ouvido uma palavra de consolo do Pontífice em face da tragédia de sua Pátria amada e de suas próprias tragédias pessoais e familiares.

     Promoção de uma síntese comuno-católica em Cuba

     Sobre a recepção oferecida ao ditador Castro em Roma, em 1996, e a posterior viagem de João Paulo II, em 1998, muito poderia se comentar – e de fato se comentou – do ponto de vista dos enormes dividendos publicitários e diplomáticos auferidos pelo regime de Havana. Opto então por destacar aqui, da viagem a Cuba, alguns aspectos pouco ou nada comentados de suas importantes alocuções. Baseio-me no estudo Cuba comunista depois da visita papal, editado em 1998 pela Comissão de Estudos Pela Liberdade de Cuba, de Miami.

Uma síntese católico-comunista em Cuba: Cardeal Ortega e Raúl Castro
Uma síntese católico-comunista em Cuba: Cardeal Ortega cumprimenta Raúl Castro

     Em Havana, numa de suas alocuções, após lançar a discutível premissa de um "diálogo fecundo" entre crentes e não crentes – ou seja, com os comunistas cubanos –, João Paulo II fez um apelo para encontrar uma "síntese" cultural, pelo fato de as partes em processo de "diálogo" supostamente terem "uma finalidade comum", a de "servir ao homem".

     Com toda a veneração e o respeito devidos, não se compreende como se possa dar uma "síntese" entre elementos totalmente antagônicos e incompatíveis, como o são os princípios da fé católica e os da anticultura marxista. Como seria possível uma "síntese" entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, entre Jesus Cristo de um lado, e Karl Marx, Che Guevara e Fidel Castro do outro?

     Tampouco é possível compreender a afirmação de João Paulo II de que a Igreja e as "instituições culturais" do sistema comunista cubano possam ter uma "finalidade comum" a serviço do progresso espiritual dos cubanos, como se a "finalidade" do regime não tivesse sido a de aplicar metodicamente, durante 40 anos, todos os seus esforços para destruir a "alma cristã"; ou seja, uma "finalidade" que não somente não é comum, mas diametralmente o contrário.

     Favorecimento do comunismo por ações e omissões

João Paulo II apoiou Fidel Castro em 1998
João Paulo II apoiou Fidel em 1998

     Outro aspecto do Pontificado de João Paulo II que provocou perplexidade e desconcerto em inúmeros cubanos foi uma série de pedidos de perdão por aquilo que o Pontífice considerou como sendo pecados passados e presentes dos filhos da Igreja, nos quais, entretanto, não foi possível encontrar a menor referência à conivência ideológica e à cumplicidade estratégica de tantos eclesiásticos com o comunismo em Cuba, e também em outros países do mundo, por ação ou omissão, durante décadas. (Cf. A. Valladares, "O pedido de perdão que não houve: a colaboração eclesiástica com o comunismo", Diario Las Américas, Miami, 22 de março de 2000).

     Nesse sentido, durante todo o seu longo Pontificado, João Paulo II apoiou os colaboracionistas Bispos cubanos, especialmente por ocasião do Encontro Nacional Eclesial Cubano, em 1986. Em mensagem transmitida pelo Cardeal Pirónio, João Paulo II manifestou seu "merecido reconhecimento" ao extenso documento de trabalho, no qual se propunha como meta uma inédita e ousada "síntese vital" comuno-católica, reafirmada no documento final; e elevou ao cardinalato o arcebispo de Havana, D. Jaime Ortega e Alamino, um dos maiores artífices do processo de aproximação comuno-católica em Cuba.

     Nesta relação de exemplos de favorecimento de João Paulo II ao comunismo cubano – direta ou indiretamente, com palavras, obras e omissões – menciono finalmente, em ordem cronológica, três filiais e reverentes cartas de cubanos desterrados àquele Pontífice, que infelizmente ficaram sem resposta, todas elas assinadas por dezenas de personalidades representativas do desterro cubano:

 

  • Em 1987, em Miami, por ocasião da visita de João Paulo II a essa cidade: "Santo Padre, libertai Cuba!" (Diario Las Américas, Miami, 7 de agosto de 1987);
  • Em 1995, em Roma: "Os cubanos desterrados apelam a João Paulo II: Santidade, protegei-nos da atuação do Cardeal Ortega!" (Diario Las Américas, Miami, 24 de outubro de 1995);
  • E em 1999, também em Roma: "Santo Padre, resgatai do esquecimento os mártires cubanos, vítimas do comunismo!" (Diario Las Américas, Miami, 21 de setembro de 1999).

     A mim me consta que por ocasião do processo de beatificação de João Paulo II, personalidades católicas manifestaram publicamente perplexidade pelas palavras, obras e omissões do Pontífice no campo religioso. Mas não me consta que no decurso desse processo de beatificação tenham sido levantadas de público interrogações sobre o pensamento dele relativo ao comunismo cubano, pensamento que inclusive parece ir mais além do campo diplomático para adentrar-se no plano doutrinário. Donde a necessidade de consciência de expor do modo mais respeitoso e filial possível as presentes reflexões.

     Nesse sentido, sinceramente não vislumbro como os católicos cubanos – de dentro e de fora da Ilha – que concordaram com as teses de meus artigos, mas especialmente com as brilhantes análises e comentários de outros compatriotas na mesma linha, possam ver João Paulo II como um exemplo a ser seguido e imitado, em razão do tratamento que deu ao problema do comunismo na nossa Pátria, como se mostrou nos parágrafos anteriores.

     Sei que nos processos de beatificação os teólogos esquadrinham os escritos dos candidatos a serem beatificados. É possível que esses teólogos tenham analisado os textos de João Paulo II que acabo respeitosa e filialmente de citar e comentar. Se assim o fizeram, queira Deus que os católicos cubanos possamos tomar conhecimento dessas sábias explicações. Do contrário, a questão de consciência não fará senão aumentar, pois, como então compreender que um Pontífice que tanto fez pelo comunismo cubano chegue a ser proclamado Beato da Igreja? Peço e até suplico que os tão delicados ditos e fatos acima citados de S.S. João Paulo II sejam devidamente esclarecidos e explicados, sob pena de sua beatificação – anunciada para o próximo 1º de maio – vir a ficar indelevelmente marcada pelo sinal da perplexidade, da contradição e da confusão.

     Como fiel católico cubano, creio ter não somente o direito, mas a obrigação de consciência de dar a conhecer estas considerações. Já o disse e o reitero nesta dramática conjuntura. Tenho um compromisso com aqueles jovens mártires católicos que morreram na sinistra prisão de La Cabaña gritando "Viva Cristo Rei! Abaixo o comunismo!"; com meus amigos assassinados nas prisões; com a luta pela liberdade de minha Pátria; com a História; e, acima de tudo, com Deus e a Virgem da Caridade do Cobre, Padroeira de Cuba. A análise da vida e morte de qualquer ser humano, por mais extraordinária que tenha podido ser, não deveria apagar, mudar, alterar ou ignorar as conseqüências dos atos que ela eventualmente praticou.

     _________

 

     Artigo divulgado por Armando Valladares em 10 de abril de 2011. Escritor, pintor e poeta, Valladares passou 22 anos nos cárceres políticos de Cuba. É autor do best-seller Contra toda a esperança, onde narra o horror das prisões castristas. Foi embaixador dos EUA ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU nas administrações Reagan e Bush. Recebeu a Medalha Presidencial do Cidadão e o Superior Award do Departamento de Estado. Escreveu numerosos artigos sobre a lamentável colaboração eclesiástica com o comunismo cubano e sobre a Ostpolitik vaticana em relação a Cuba.

Beatificación de Juan Pablo II y Cuba: dilema de conciencia para los católicos cubanos

 

Armando F. Valladares

 

No me consta que durante el proceso de beatificación de este Pontífice se hayan dado a conocer públicamente interrogaciones sobre su pensamiento con relación al comunismo cubano, pensamiento que inclusive parece ir más allá del campo diplomático y adentrarse en el plano doctrinario; de ahí la necesidad de conciencia de exponer, de la manera más respetuosa y filial posible, las presentes reflexiones.

 

     Miami, 10 de abril de 2011.

     La anunciada beatificación de S.S. Juan Pablo II, prevista para realizarse el próximo 1o. de mayo, coloca en un dilema de conciencia sin precedentes a muchos fieles católicos cubanos que por causa de su Fe, de la veneración por su Patria y del amor por sus familias se oponen al comunismo. En efecto, esos fieles católicos ven con perplejidad y con el corazón dilacerado todo aquello que el referido Pontífice habría hecho en algunas circunstancias, y dejado de hacer en otras, para favorecer directa o indirectamente al comunismo cubano. 

     Cito a continuación, resumidamente, algunos ejemplos que tuve ocasión de comentar extensamente, a lo largo de los años, en diversos artículos sobre la colaboración eclesiástica con el comunismo en la isla-cárcel; y solicito anticipadamente la comprensión de los lectores. Lo hago en cuanto fiel católico y en cuanto cubano, con todo el respeto posible hacia la Iglesia,  dispuesto a oír y a analizar eventuales explicaciones de fuentes debidamente autorizadas, que hasta el momento no son de mi conocimiento, sobre los dolorosos hechos históricos que se consignan sucintamente a continuación. 

     El 8 de enero de 2005, al recibir las cartas credenciales del nuevo embajador cubano, Juan Pablo II, pronunció una alocución elogiando las "metas" que las "autoridades cubanas" habrían supuestamente obtenido en materia de salud, educación y cultura. En realidad, se trata de una siniestra trilogía que el régimen ha utilizado como instrumento, durante más de medio siglo, para corromper las conciencias de generaciones enteras de cubanos desde su más tierna edad, provocando un genocidio espiritual sin precedentes en la historia de la Iglesia en las Américas.

     No obstante, Juan Pablo II, en la misma alocución, insistió en sus elogios llegando a aseverar que mediante esa trilogía las “autoridades” de Cuba - o sea, los miembros del régimen castrista -  colocarían "pilares del edificio de la paz" e incentivarían el “crecimiento armónico del cuerpo y de espíritu. Con lo cual el Pontífice pareció ignorar que Fidel Castro, el Che Guevara y sus secuaces, en nombre de esa trilogía, provocaron la destrucción y la muerte, “del cuerpo y del espíritu”, de tantas personas en tantos países de América Latina, África y Asia.

     El elogio al comunismo y a los integrantes de la dictadura castrista no habría podido ser mayor. Para los cubanos que han sentido y continúan sintiendo en su propia carne la obra destructora de la revolución comunista en su Patria, las referidas consideraciones papales resultan particularmente dolorosas, y sinceramente no consigo vislumbrar cómo justificarlas. Esas consideraciones, que van más allá de las más benévolas fórmulas de cortesía diplomáticas, vistas desde una perspectiva histórica, alcanzan de lleno y hasta laceran la memoria de aquellos jóvenes mártires católicos cubanos que murieron en los paredones de fusilamiento gritando “¡Viva Cristo Rey! ¡Abajo el comunismo!”

     En la misma alocución, una de las más importantes sobre Cuba en su largo Pontificado, el reconocimiento de Juan Pablo II se extendió a un alegado "espíritu de solidaridad" del internacionalismo cubano, que se manifestaría en el "envío de personal y recursos materiales" a otros pueblos por ocasión de "calamidades naturales, conflictos o pobreza". En realidad, como se acaba de recordar, lejos de reflejar un espíritu de "solidaridad" cristiana, el internacionalismo comunista colocó a Cuba en el triste papel de exportador de conflictos en América Latina, África y Asia, con "personal y recursos materiales" utilizados no para solucionar conflictos o disminuir la pobreza, sino para exacerbarlos, suscitando guerrillas que, a su vez, contribuyeron a provocar sangrientas calamidades peores que las de la naturaleza. En realidad, el internacionalismo cubano contribuyó a hundir naciones en la  peor "pobreza" material y espiritual, algo que históricamente resultó diametralmente lo contrario de sacarlas de esa triste condición.

     Para Cuba comunista, el modelo “solidario” internacionalista tuvo como una de sus principales figuras al guerrillero argentino-cubano Ernesto Che Guevara, quien llegó a afirmar que el "odio" es un motor capaz transformar al revolucionario en "una efectiva, violenta, selectiva y fría máquina de matar". Por ello, la alusión papal a ese supuesto "espíritu de solidaridad" del internacionalismo cubano no puede dejar de producir consternación (cf. A. Valladares, "Juan Pablo II, Cuba y un dilema de conciencia", Diario Las Américas, Miami, 15 de enero de 2005).

     En la referida alocución, S.S. Juan Pablo II no citó al Che Guevara. Pero sí ya lo había hecho en enero de 1998, en breves palabras elogiosas y hasta laudatorias, en el avión que lo conducía a Cuba. En conversación informal con los periodistas, consultado respecto de su pensamiento sobre el Che Guevara, dijo textualmente el referido Pontífice: "Dejemos a Él, al Señor nuestro, el juicio sobre sus méritos. Ciertamente, yo estoy convencido de que quería servir a los pobres" (Vatican Information Service, "Los periodistas entrevistan al Papa durante el vuelo a Cuba", Ciudad del Vaticano, 21 de enero de 1998).

     La fuente informativa, la propia agencia de noticias de la Santa Sede, no podía ser más oficial, y ello hace que las palabras del Pontífice causen especial desazón . ¿Cómo un árbol malo podría concebir buenos frutos como, por ejemplo, el cristiano servicio a los más pobres y desamparados? (cf. San Mateo 7,18) ¿Por ventura no fue Guevara un "satánico azote" - según certera expresión de S.S. Pío XI al referirse al comunismo - para Cuba y para tantos otros países, promoviendo revoluciones sangrientas que perjudicaron especialmente a los más pobres, precisamente a aquellos a quienes el Pontífice afirma que Guevara quería servir? (cf. A. Valladares, "Monseñor Céspedes: Juan Pablo II y el Che Guevara", Diario Las Américas, Miami, 26 de junio de 2008).

     Por una lamentable coincidencia, esas declaraciones elogiosas al Che Guevara fueron hechas por Juan Pablo II precisamente cuando el avión que lo llevaba a la Habana pasaba frente a las costas de la Florida, donde se concentra el mayor número de cubanos desterrados. Las referidas declaraciones resultaron de esa manera especialmente desgarradoras, del punto de vista espiritual, para esos desterrados cubanos que se vieron obligados a abandonar su Patria por causa de la persecución comunista. Desterrados cubanos que no pudieron dejar de recordar que 11 años antes, por ocasión de la visita de Juan Pablo II a Miami,  se sintieron abandonados espiritualmente cuando el Pontífice no visitó en esa ciudad la tan simbólica Ermita de la Caridad del Cobre, no recibió a una delegación representativa del destierro que le solicitó audiencia y pareció no ver las decenas de miles de banderitas cubanas, ondeadas por cubanos desterrados que fueron a saludarlo en los actos públicos, y que esperaron en vano una palabra de consuelo para sí mismos, para sus familias y para su querida Patria esclavizada.

     Los rayos, relámpagos y centellas que interrumpieron la más importante y concurrida de esas celebraciones por ocasión de la visita a Miami de Juan Pablo II contribuyeron a formar un marco trágicamente apropiado para interpretar el sentimiento de abandono que sintieron esas decenas de millares de desterrados cubanos por el hecho de no haber oído una palabra de consuelo del Pontífice ante la tragedia de su Patria amada y ante sus propias tragedias personales y familiares.

     De la recepción brindada al dictador Castro en Roma, en 1996, y del posterior viaje de Juan Pablo II a Cuba, en 1998, mucho se podría comentar, y de hecho se comentó, del punto de vista de los enormes dividendos publicitarios y diplomáticos obtenidos por el régimen de La Habana. Opto entonces por destacar aquí, del viaje a Cuba, algunos aspectos poco o nada comentados de sus importantes alocuciones. Me baso en el estudio "Cuba comunista después de la visita papal", editado en 1998 por la Comisión de Estudios Por la Libertad de Cuba", de Miami.

     En La Habana, en una de sus alocuciones, después de lanzar la discutible premisa de un "diálogo fecundo" entre creyentes y no creyentes, o sea, con los comunistas cubanos, Juan Pablo II hizo un llamado a encontrar una "síntesis" cultural por el hecho de que supuestamente las partes en proceso de "diálogo" tendrían "una finalidad común", la de "servir al hombre".

     Con toda la veneración y el respeto debidos, no se comprende cómo pueda darse una "síntesis" entre elementos totalmente antagónicos e incompatibles como lo son los principios de la fe católica y los de la anticultura marxista. ¿Cómo sería posible una "síntesis" entre el bien y el mal, entre la luz y las tinieblas, entre Jesucristo de un lado, y Carlos Marx, el Che Guevara y Fidel Castro del otro?

     Tampoco resulta posible comprender la afirmación de Juan Pablo II de que la Iglesia y las "instituciones culturales" del sistema comunista cubano puedan tener una "finalidad común" al servicio de progreso espiritual de los cubanos, como si la "finalidad" del régimen no hubiese sido la de aplicar todos sus esfuerzos, de manera metódica, durante cuarenta años, para destruir el "alma cristiana"; o sea, una "finalidad" que no solamente no es común, sino que es diametralmente lo contrario.

     Otro aspecto del Pontificado de Juan Pablo II que provocó perplejidad y desazón en innumerables cubanos fue la serie de pedidos de perdón por aquello que el Pontífice consideró como pecados pasados y presentes de los hijos de la Iglesia, en los cuales, sin embargo, no fue posible encontrar la más mínima referencia a la connivencia ideológica y a la complicidad estratégica de tantos eclesiásticos con el comunismo en Cuba, y también en otros países del mundo, por acción u omisión, durante décadas (cf. A. Valladares, "El pedido de perdón que no hubo: la colaboración eclesiástica con el comunismo", Diario Las Américas, Miami, 22 de marzo de 2000).

     En ese sentido, Juan Pablo II apoyó, durante todo su largo Pontificado, a los colaboracionistas Obispos cubanos, especialmente por ocasión del Encuentro Nacional Eclesial Cubano, en 1986. En mensaje trasmitido por el cardenal Pironio, Juan Pablo II manifestó su "merecido reconocimiento" al extenso documento de trabajo, en el cual se planteaba como meta una inédita y osada "síntesis vital" comuno-católica, reafirmada en el documento final; y nombró cardenal al arzobispo de La Habana, monseñor Jaime Ortega y Alamino, uno de los mayores artífices del proceso de acercamiento comuno-católico en Cuba.

     En esta relación de ejemplos de favorecimiento de Juan Pablo II al comunismo cubano, directa o indirectamente, con palabras, obras y omisiones, menciono, finalmente, en orden cronológico, tres filiales y reverentes cartas de cubanos desterrados a Juan Pablo II que, lamentablemente, quedaron sin respuesta, las tres firmadas por decenas de personalidades representativas del destierro cubano. En 1987, en Miami, por ocasión de la visita de Juan Pablo II a esa ciudad: "¡Santo Padre, liberad a Cuba!" (Diario Las Américas, Miami, 7 de agosto de 1987). En 1995, en Roma: "Los cubanos desterrados apelan a Juan Pablo II: ¡Santidad, protegednos de la actuación del Cardenal Ortega!" (Diario Las Américas, Miami, 24 de octubre de 1995). Y en 1999, también en Roma: "¡Santo Padre, rescatad del olvido a los mártires cubanos, víctimas del comunismo!" (Diario Las Américas, Miami, 21 de septiembre de 1999).

     Me consta que, por ocasión del proceso de beatificación de Juan Pablo II, personalidades católicas manifestaron públicamente su perplejidad por palabras, obras y omisiones de Juan Pablo II en el campo religioso. Pero no me consta que durante el curso de ese proceso de beatificación se hayan planteado públicamente interrogaciones sobre el pensamiento de este Pontífice con relación al comunismo cubano, pensamiento que inclusive parece ir más allá del campo diplomático y adentrarse en el plano doctrinario. De ahí la necesidad de conciencia de exponer, de la manera más respetuosa y filial posible, las presentes reflexiones.

     En este sentido, sinceramente no vislumbro cómo los católicos cubanos de dentro y fuera de la isla, que concordaron con las tesis de mis artículos, pero especialmente con los brillantes análisis y comentarios de otros compatriotas en la misma línea, puedan ver a Juan Pablo II como un ejemplo a ser seguido e imitado, por causa del tratamiento que dio al problema del comunismo en nuestra Patria, según se mostró en los párrafos anteriores.

     Sé que en los procesos de beatificación los teólogos escudriñan los escritos de aquellos candidatos a ser beatificados. Es posible que esos teólogos hayan analizado los textos de Juan Pablo II que acabo de citar y de comentar respetuosa y filialmente. Si así lo hicieron, quiera Dios que los católicos cubanos podamos tomar conocimiento de esas sabias explicaciones. De otra manera, el dilema de conciencia no hará sino aumentar, porque ¿cómo comprender entonces que un Pontífice que tanto hizo por el comunismo cubano, llegue a ser proclamado Beato de la Iglesia? Pido y hasta suplico que los tan delicados dichos y hechos arriba citados de S.S. Juan Pablo II sean debidamente aclarados y explicados. De otra manera, la beatificación de Juan Pablo II, anunciada para el próximo 1o. de mayo, podrá estar indeleblemente marcada por el signo de la perplejidad, de la contradicción y de la confusión.

     En cuanto fiel católico cubano, creo que tengo no solamente el derecho, sino la obligación de conciencia de dar a conocer estas consideraciones. Ya lo he dicho, y lo reitero en esta dramática coyuntura. Tengo un compromiso con aquellos jóvenes mártires católicos que murieron en la siniestra prisión de La Cabaña gritando “¡Viva Cristo Rey! !Abajo el comunismo!”; con mis amigos asesinados en la prisiones; con la lucha por la libertad de mi Patria; con la Historia; y, por encima de todo, con Dios y la Virgen de la Caridad del Cobre, Patrona de Cuba. El análisis de la vida y la muerte de cualquier ser humano, por extraordinaria que haya podido ser, no debería borrar, cambiar, alterar o ignorar las consecuencias de los actos que eventualmente practicó.

     _________

     Armando Valladares, escritor, pintor y poeta. Pasó 22 años en las cárceles políticas de Cuba. Es autor del best-seller "Contra toda esperanza", donde narra el horror de las prisiones castristas. Fue embajador de los Estados Unidos ante la Comisión de Derechos Humanos de la ONU bajo las administraciones Reagan y Bush. Recibió la Medalla Presidencial del Ciudadano y el Superior Award del Departamento de Estado. Ha escrito numerosos artículos sobre la lamentable colaboración eclesiástica con el comunismo cubano y sobre la "ostpolitik" vaticana hacia Cuba.

 

 

Cuba and the Beatification of John Paul II:
A Problem of Conscience for Catholics

 

Armando F. Valladares


The announced beatification of H.H. John Paul II on May 1 presents an unprecedented problem of conscience for many Cuban Catholics, who oppose Communism for reasons of Faith, love of country or love of family. Heartbroken and perplexed, those Catholics consider all that this Pontiff did or omitted doing in order to directly or indirectly favor Cuban Communism.

In this article I will cite some examples - which I have analyzed more extensively elsewhere – showing the papal collaboration with Communism on the Island-prison. I list these painful facts as a Catholic and a Cuban with all possible respect toward the Church, always open to hear explanations from duly authorized sources, which until this moment I do not know.

Praising the Communist regime

Cuban political prisoner before a firing squad

"You erected pillars in the house of peace;" above, a Cuban political prisoner before being shot by a firing squad
On January 8, 2005, while receiving the credentials of the new Cuban ambassador, John Paul II praised the “goals” that the “Cuban authorities” supposedly accomplished in the fields of health, education and culture. Actually, for more than a half-century this trilogy has been touted by the regime to corrupt the consciences of whole generations of Cubans since childhood, causing a spiritual genocide without precedent in the history of the Church in the three Americas.

Notwithstanding, on that same occasion John Paul II praised the regime, stressing that through that trilogy the “authorities” of Cuba - that is, the members of the Castro regime - “erected pillars in the house of peace” and promoted “harmonic growth of the body and the spirit.” He seemed to ignore that Fidel Castro and Che Guevara, in the name of that same trilogy, caused the destruction and death of “body and spirit” of countless persons in many countries of Latin America, Africa and Asia.

His praise for members of the Castro dictatorship could not have been higher. For the Cubans who suffered - and continue to suffer - the damage of the communist revolution in their country, these papal words are particularly painful, and I sincerely cannot find any justification for them. Those words go far beyond courteous diplomatic formulas. They shock and shatter the memory of those young Cuban Catholic martyrs who were shot by firing squads and died shouting: “Viva Cristo Rey! Abajo el Comunismo!” [Long live Christ the King! Down with Communism!]

Praising Cuba for exporting the Communist revolution

In that same speech, one of the most important about Cuba in his long pontificate, John Paul II extended his recognition to an alleged “spirit of solidarity” of Cuban internationalism supposedly manifested by “the shipment of personnel and resources of basic necessities” to other nations when they suffered “natural calamities, conflicts or poverty.”

Fidel Castro, Maurice Bishop, Daniel Ortega

Exporting revolution to Grenada and Nicaragua
In reality, far from reflecting Christian solidarity, the mentioned internationalism assigned Cuba the sad role of exporting conflicts to Latin America, Africa and Asia. It has used “personnel and resources” not to end strife or diminish poverty, but to exacerbate them by rearing guerillas, thus provoking bloody calamities much worse than any natural disaster. As history demonstrates, Cuban internationalism has helped to drag nations into the worst possible material and spiritual poverty, rather than to draw them out of this sad condition.

Praising Che Guevara

One of the principal Cuban models of international “solidarity” is the Argentine-Cuban guerilla Ernesto Che Guevara, who went so far as to praise hated as a motor that can transform the revolutionary into “an effective, violent and selective killing machine.”

In face of this reality, the Pope’s reference to the supposed “spirit of solidarity” marking Cuban internationalism only causes consternation. (cf. A. Valladares, "John Paul II, Cuba and a Problem of Conscience," Diario las Americas, January 15, 2005).

H.H. John Paul II did not mention Che Guevara in that allocution. But he did speak of him in January 1998, when he made some brief eulogies of him during his flight to Cuba.

Che Guevara

Guevara teaching guerillas in Congo - "serving the poor"...
In an informal conversation with journalists who asked him about Che Guevara, the Pontiff answered: “He is now before God’s Tribunal. Let us leave Our Lord to judge his merits. I am certain that he wanted to serve the poor.” (Vatican Information Service, “Journalists interview the Pope during his flight to Cuba, January 21, 1998)

The source of this reply - the news agency of the Holy See itself - could not be more official, which makes these words especially daunting. How could a bad tree produce good fruits, such as Christian service to the poor and abandoned? Was not Che Guevara a “satanic scourge” – the expression used by Pius XI to describe Communism - of Cuba and so many other countries? Did he not promote bloody revolutions that principally harmed the poor, the ones whom the Pontiff claimed Guevara wanted to serve? (cf. A. Valladares, Msgr. Cespedes, "John Paul II & Che Guevara," Diario las Americas, June 26, 2008)

Abandoning the anti-Communists in exile

By a lamentable coincidence, these eulogies of Che Guevara were made by John Paul II precisely when his plane to Havana was passing over Florida, where the greatest number of Cuban refugees lives in exile. Those eulogies were spiritually harmful to those refugees who had been obliged to abandon their country to escape Communist persecution.

The incident was a vivid reminder of when John Paul II visited Miami 11 years earlier in 1987 and did not visit the symbolic Shrine of the Virgin of Charity of Cobre, patroness of Cuba. He did not grant a requested audience to a delegation representing the refugees, nor did he offer a single word of consolation to all the Cubans in exile. He also appeared to not notice the thousands of Cuban banners waved by multitudes of refugees during the public ceremonies of his visit.

The severe lightning and thunderstorm that interrupted the public papal Mass when John Paul II was in Miami symbolized well the sense of abandonment felt by those thousands of refugees.

Promoting a Catholic-Communist synthesis in Cuba

After warm reception given to the dictator Castro in Rome in 1996 as well as John Paul II’s trip to Cuba in 1998, there were many reports about the publicity and diplomatic benefits they produced for the Communist regime of Havana. Here I select only a few less publicized comments by John Paul II during his papal visit to Castro. The data are taken from the document “Communist Cuba after the Papal Visit,” published in 1998 by The Cuban Liberty Council located in Miami.

Card. Ortega greeting Raul Castro

A Catholic-Communist synthesis: above, Card. Ortega greeting Raul Castro
In one of his speeches in Havana, after proposing a “fruitful dialogue” between believers and non-believers – that is, Cuban Communists, the Pope encouraged the two parties to seek a cultural “synthesis” under the presupposition that both shared the common goal of “serving man.” (Speech at the University of Havana, Jan. 23, 1998)

With all due respect, I cannot understand how a synthesis can be made between two completely opposed and incompatible cultures such as the one born from the Catholic Faith and the other a Marxist anti-culture. How is it possible to form a “synthesis” between good and evil, light and darkness, Jesus Christ on one side and Karl Marx, Che Guevara and Fidel Castro on the other?

It is also impossible to understand John Paul II’s affirmation that the Church and the cultural institutions of the Cuban Communist system could share the “common goal” of fostering the spiritual progress of Cubans. For 40 years, the “goal’ of the regime has been to methodically destroy the “Christian soul,” utilizing all its resources for this end. This goal has nothing in common with the Catholic goal, but is diametrically opposed to it.

Favoring Communism by actions and omissions

John Paul II supporting Castro in 1998

John Paul II supporting Castro in 1998
Another aspect of John Paul II’s pontificate that caused perplexity and disappointment among countless Cubans was the series of pardons he asked for supposed past and present sins of the Church’s children. Among these, however, not the least reference was made to the ideological connivance and strategic complicity of so many ecclesiastics with Communism in Cuba - as well as in other countries - by either action or omission. (Cf. "The Request for Pardon that Did Not Take Place: Church Collaboration with Communism," Diario las Americas, March 22, 2000)

Throughout his long pontificate, John Paul II supported the collaborationist Cuban Bishops, especially at the National Meeting of the Cuban Church in February 1986. In the message transmitted by Cardinal Eduardo Pironio, John Paul II expressed his “merited recognition” of the final Document that proposed the bold and astonishing aim of forging a “vital synthesis” between Catholics and Communists. He also raised to a Cardinal the Archbishop of Havana [Jaime Lucas Ortega], one of the principal architects of the Catholic-Communist merge.

Among the examples showing how John Paul II directly or indirectly favored Cuban Communism by his actions and omissions, I mention three filial messages of Cubans in exile sent to him that unfortunately remained unanswered. These letters bore the signatures of many public figures representing exiled Cubans:
  • A 1987 letter titled “Holy Father, Free Cuba” addressed to John Paul II during his visit to Miami (Diario las Americas, August 7, 1987);
  • A 1995 letter to the Pope in Rome titled “Cubans in Exile Appeal to John Paul II: Holy Father, Protect Us from the Actions of Cardinal Ortega! (Diario las Americas, October 24, 1995);
  • And another letter in 1999 titled “Holy Father, Save from Oblivion the Cuban Martyrs, Victims of Communism!” (Diario las Americas, September, 1999).

I heard that during the process of beatification of John Paul II, many Catholics publicly expressed perplexity over his words, actions and omissions in the religious sphere. But I have not heard such comments regarding his position on Cuban Communism, not only on the diplomatic level, but also the doctrinal. For this reason I feel compelled by conscience to filially and respectfully make these reflections.

In all sincerity, I cannot see how Cuban Catholics inside or outside the Island who follow the general thesis presented here and by other fellow compatriots could consider John Paul II a model to be imitated and followed, given his conduct regarding Communism in our country.

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Valladares, a former Cuban political prisoner, was U. S. Ambassador to the U. N. Commission on Human Rights in Geneva during the Reagan and Bush administrations.

 

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