A ESCALADA DA PRESENÇA MILITAR RUSSA

NA AMÉRICA LATINA

André F. Falleiro Garcia

 

     A UNASUL (União de Nações Sul-Americanas) é um organização internacional criada formalmente em 23 de maio de 2008 em Brasília, com o objetivo de realizar a coordenação política, econômica e social da região. Possui 12 membros: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai, Venezuela. Dois países comparecem como observadores: México e Panamá.

 

China e Unasur: semelhança de cores nas bandeiras

     Em matéria econômica, tem em vista estabelecer uma zona de livre comércio continental abrangendo o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações, além do Chile, Guiana e Suriname. Sua sede será estabelecida em Quito, Equador; o seu banco (Banco do Sul), em Caracas, Venezuela; o seu parlamento, em Cochabamba, Bolívia.

     A reunião de cúpula realizada no mês passado em Santiago - seu primeiro teste de eficiência - contou com a presença de 9 presidentes, que declararam apoio unânime a Evo Morales quanto ao conflito político interno boliviano, relacionado aos departamentos que buscam maior autonomia em relação ao governo central. A primeira atuação política da UNASUL, em sintonia com os interesses ideológicos do Foro de São Paulo, fortaleceu Evo em detrimento de seus opositores.

     A idéia da criação do Conselho de Defesa da América do Sul foi apresentada oficialmente pelo Brasil, mas rejeitada pela Colômbia. O Conselho, que está em formação, terá como função a elaboração de políticas de defesa conjunta, intercâmbio de pessoal entre as diversas Forças Armadas continentais, realização de exercícios militares conjuntos, participação em operações de paz da ONU, troca de análises sobre os cenários mundiais e integração das indústrias de material bélico. A primeira atuação do Conselho no campo da defesa militar, poderá ser justamente a admissão da presença russa, em detrimento da influência norte-americana na região.

     O relacionamento na área militar entre o governo venezuelano e o russo já é um fato consumado. Agora, a Rússia estreita relações político-militares com a Argentina e, por meio dela, com a UNASUL. Pois pede para ser admitida como observadora em seu Conselho de Defesa. Manifesta-se, mais uma vez, o seu interesse em se servir da Argentina para intervir na América do Sul. Sua tentativa anterior fracassou, por ocasião da Guerra das Malvinas em 1982, quando ensaiou sem sucesso a intervenção militar numa aliança com a Junta Militar argentina que foi abortada e não se efetivou.

     Haverá um reacender dos anseios nacionalistas com a nova aproximação político-militar entre a Rússia e a Argentina? Estaria sendo preparado um novo foco de conflito internacional na Argentina, concretizando as ameaças de Hugo Chávez com relação à formação de "vários Vietnãs" sul-americanos? A transformação da América do Sul num teatro de operações para as forças militares norte-americanas, inglesas e russas é uma hipótese tormentosa, que não favorece a idéia de que à distância assistiremos com tranqüilidade às conflagrações do novo milênio.

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RÚSSIA PEDE PARA SER ADMITIDA COMO OBSERVADORA NO CONSELHO DE DEFESA DA UNASUL

 

     Agência France-Presse

     14 Outubro 2008

 

     O governo russo solicitou sua admissão, na qualidade de observador, no Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), informou nesta quarta-feira o Ministério de Defesa da Argentina, em um comunicado de imprensa.

     A solicitação foi feita pelo Secretário do Conselho de Segurança russo, Nikolay Patruscev, durante uma reunião em Buenos Aires com a ministra da Defesa, Nilda Garré.

     "A delegação russa se mostrou interessada no desenvolvimento do Conselho de Defesa da União das Nações Sul Americanas (Unasul) e da Associação Latino-Americana de Centros de treinamento para Operações de Paz (Alcopaz) e pediu a admissão russa em ambos os organismos como observadora", assinalou a nota de imprensa.

     A Unasul foi formalmente fundada em maio passado, em Brasília, e ficou constituída pela Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

     No referido encontro, os países deram seu apoio à criação do Conselho de Defesa Sul-Americano, cujos objetivos seriam trocar experiências em defesa, realizar exercícios militares em conjunto com os países membros e reforçar as missões de paz feitas pelas Forças Armadas da região.  

     O Conselho - que se encontra em formação - não seria uma aliança militar convencional, como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), mas uma instância de diálogo entre os ministros de Defesa e os governos para formar uma política regional de defesa, segundo os organizadores.  

     Na reunião, Garré e Patruscev analisaram a possibilidade de aumentar a colaboração com a Rússia em matéria de Defesa. E consideraram que o tema pode ser "um componente importantíssimo" da reunião entre os presidentes de ambos os países, durante a visita de Cristina Kirchner a Moscou no fim do ano.

     Argentina e Rússia concordaram em reunir previamente em Buenos Aires os especialistas em defesa, no dia 4 de novembro, como preparação para a reunião da Comissão Mista de Cooperação Técnico-Militar que se realizará em 17 e 18 do mesmo mês.

     Outro tema examinado na reunião foi a possibilidade de comprar helicópteros pesados russos, especialmente valiosos para missões antárticas, assim como a eventual formação de aviadores argentinos como astronautas, segundo o comunicado.  

 

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     Tradução: André F. Falleiro Garcia.

 

 

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