ELEIÇÕES NA FLÓRIDA: OFENSIVA OBAMISTA E VOTO CUBANO

Dirigentes de esquerda na América Latina e no Caribe não escondem suas expectativas de vitória de Obama, que os deixaria com as mãos mais livres para atuarem na região

Destaque Internacional *

     O candidato presidencial Barack Obama desencadeou uma forte ofensiva eleitoral na Flórida, qualificada de “feroz”, segundo agências internacionais citadas pelo diário La Nación, de Buenos Aires. Obama enviou cinco de seus principais assessores à Flórida, com a missão de assegurar a sua vitória num Estado politicamente estratégico nas eleições presidenciais.

Hillary Clinton apoiou Obama em Orlando, Flórida

     A preocupação de Obama se justifica pelo papel histórico decisivo que a Flórida teve nas últimas eleições presidenciais.

     Esta preocupação é compartilhada por dirigentes de esquerda na América Latina e no Caribe, que não escondem suas expectativas de vitória desse candidato, que os deixaria com as mãos mais livres para atuarem na região.

     Em 2000, pouco antes das eleições presidenciais, de uma maneira ao mesmo tempo brutal e sintomática de sua política exterior concessiva, o presidente Clinton enviou o “balserito” Elián González de volta para Cuba.[1] Com isso houve uma espécie de terremoto político, cujo epicentro foi a Flórida, onde residem mais de um milhão de cubano-americanos. As eleições nacionais foram definidas precisamente na Flórida, e o candidato democrata, Al Gore, perdeu por umas poucas centenas de votos para o então candidato George W. Bush, que obteve dessa maneira seu primeiro mandato. O próprio Clinton reconheceu que o caso do menino Elián foi decisivo para essa derrota dos democratas.    

     Em 2004, para o resultado das eleições presidenciais também resultou decisivo o Estado da Flórida, ainda que nessa ocasião a diferença em favor do candidato republicano tenha sido mais folgada, com uma margem de 381.000 votos.

     Em 2008, os obamistas reconhecem que a Flórida também será decisiva. Segundo as últimas pesquisas, a vantagem que o republicano John McCain tinha algumas semanas atrás na Flórida foi reduzida consideravelmente, e uma pesquisa da CNN chegou a dar certa vantagem ao candidato democrata. Ainda assim, a incerteza permanece. Segundo Matthew Corrigan, professor de Ciências Políticas da Universidade do Norte da Flórida, é difícil fazer pesquisas na Flórida, onde em 2000 vários institutos de opinião pública declararam ganhador a Al Gore, com fundamento nas pesquisas de boca de urna, e depois tiveram que se retratar.

     Não obstante, o que está em jogo nestas eleições não é uma simples disputa partidária. A comunidade cubano-americana tem, novamente, uma enorme responsabilidade histórica perante os Estados Unidos, Cuba, América Latina e o mundo. Trata-se de uma responsabilidade que foi agravada pelas inéditas circunstâncias de instabilidade econômica institucional que atingem os Estados Unidos e a comunidade internacional. Nessa hora, não é prudente nem recomendável dar um salto político no escuro – para dizer apenas isso – como seria um governo obamista. É o que mostrou, por exemplo, o ex-preso político cubano e ex-embaixador americano na ONU, Armando Valladares, em recente artigo “Obama Presidente” (Diário Las Américas, 4 de outubro de 2008).

     Obama já anunciou que, se vencer, estará disposto a dialogar sem prévias condições com o governo autoritário da Venezuela e com o regime ditatorial de Cuba. O candidato democrata se conectaria facilmente com a nova posição concessiva da União Européia, encabeçada pela França e Espanha, que teve o lamentável impulso da diplomacia vaticana, segundo reconheceu o chanceler espanhol Angel Moratinos diante das Cortes espanholas. A UE acaba de receber com cordialidade o chanceler cubano, Pérez Roque, apesar de que este, antes de seu encontro com os representantes europeus, teve o descaramento de declarar que em Cuba não existem presos políticos.

     Os cubano-americanos e os latino-americanos residentes na Flórida têm que pedir a inspiração da Providência e fazer todos os esforços de propaganda que estejam em suas mãos para evitar a vitória de Obama. Isto constituiria um agradecimento ao país que os acolheu. No caso dos cubano-americanos, trata-se também de uma obrigação para com a causa da liberdade de Cuba.

 

     _________

 

     NOTAS

 

     1 – “Balserito”: menino que fugiu de Cuba, rumo à Flórida, numa balsa.

     ----------------


     * Destaque Internacional - Informes de Coyuntura - Año XI - No. 260 - San José - 22 de octubre de 2008 - Responsable: Javier González.

     - Tradução: André F. Falleiro Garcia

 

 

_________