OBAMA PRESIDENTE *

 

Armando Valladares * *

 

...“minhas idéias mudam a cada dia, mas não o meu coração”

(Barack Obama)

 

     As próximas eleições serão únicas na história dos Estados Unidos. Não se trata de uma simples disputa entre o Partido Democrata e o Republicano. Pela primeira vez estão em jogo os valores, os princípios, os ideais que formaram esta grande nação.

     Destruir os fundamentos deste país foi o velho sonho das ideologias totalitárias, dos líderes fracassados. Karl Marx recomendava encher as ruas da América com drogas e pornografia para aviltar e debilitar a juventude.

     Os muçulmanos, sem exceção, vêem os Estados Unidos como infiéis que devem ser exterminados, e crêem que com o terrorismo o conseguirão. Outros, com um enfoque mais “civilizado”, pensam minar por dentro nossas estruturas morais, sociais e políticas.

     O que está acontecendo com o candidato à presidência, Barack Hussein Obama, faz-me lembrar, inevitavelmente, o que aconteceu com Fidel Castro, e o que depois sucedeu com Chávez. Quando advertimos nossos amigos venezuelanos que o preço da “mudança” poderiam pagar com a privação da liberdade, nos acusaram de ver ameaças até dentro de um prato de sopa... Tínhamos razão, mas já era tarde demais...

     Para Obama, os fins justificam os meios, basta recordar algumas de suas atuações e declarações. No início, disse que isso era uma hipocrisia, quando lhe perguntaram por que não levava uma bandeira americana na lapela. Mas no primeiro debate com o candidato republicano McCain, Obama tinha a bandeira americana na lapela. Prova irrefutável de sua inconsistência e de seu oportunismo. A moral de Obama está subordinada aos seus interesses políticos.

     Se Obama fosse eleito presidente, nossa sociedade estaria mais do que nunca em grande perigo. Um dos seus objetivos é a dissolução da família e dos seus valores. Ele apóia a união civil entre os de mesmo sexo. Quer introduzi-la na Constituição. Está a favor da adoção de crianças pelos casais homossexuais. Diz não, para a oração nos colégios; mas sim, para a distribuição de preservativos.

     Quanto ao aborto, votou em todas as ocasiões a favor de todo tipo e em qualquer circunstância. É favorável a que não se comunique aos pais se suas filhas de 13 ou 14 anos decidem abortar. Quer descriminalizar o ato de levar menores de idade de um estado a outro para a realização do aborto.

     Creio que não há crime mais abominável do que o aborto parcial, que consiste em extrair o bebê até metade de seu corpo fora do útero, para poderem alegar que não nasceu. Pratica-se no final da gravidez, o recém-nascido está vivo, mas lhe perfuram o crânio e com um aspirador de sucção lhe extraem o cérebro. Só verdadeiros criminosos desalmados podem aprovar esses assassinatos da mais débil das criaturas: o bebê. Obama é o mais fervoroso defensor desses crimes. Seus seguidores agora estão dizendo que ele não apóia o aborto. Mas os registros de suas votações no Congresso desmentem essa farsa.

     Se Obama se tornar presidente, como dois dos magistrados da Suprema Corte têm muitas possibilidades de se aposentar, ele escolheria os seus substitutos, que teriam que pensar como ele pensa sobre o aborto, a homossexualidade e outros temas.

     Mas o mais grave é a apologia que faz dos terroristas. William “Bill” Ayers foi um dos fundadores da organização esquerdista The Weathermen. Foram eles que puseram a bomba no quartel da polícia de Nova York em 1970. E a bomba no Capitólio de Washington em 1971, como também a do Pentágono em 1972, entre outros atos terroristas.

     Ayers declarou em 1995: “sou um radical esquerdista, pequeno comunista” (sic). Aliado do movimento negro de libertação, visava a destruição do imperialismo norte-americano. Em junho de 1974 o movimento “Weather underground” redigiu um documento que afirmava: Nós somos uma organização de guerrilheiros, somos homens e mulheres comunistas, embora na clandestinidade...” (sic).

     Há mais. Obama e Ayers atuaram juntos em uma organização de extrema-esquerda, Woods Fund Board, de 1999 a 2002. Ayers apresentou-o para os seus amigos terroristas, e com eles organizou eventos em sua casa para angariar dinheiro para a primeira campanha do candidato ao Senado em Illinois, o seu amigo Obama. Juntos apareceram muitas vezes em conferências públicas e em painéis. Ayers foi doador da campanha de Obama em 2001.

     Ayers agora é um celebrado professor da Universidade de Illinois em Chicago. Leciona Justiça Social, reforma da educação, reforma sexual etc. etc. Se Obama se tornar presidente, Ayers terá um cargo importante na administração. Porque Obama disse em 1993 que Ayers era "uma pessoa respeitável" e que estava "orgulhoso de sua amizade”.

     Obama pertenceu a uma igreja racista, a Trinity United Church of Christ, que defende a Teologia da Libertação, inspirada no livro de James H. Cone, “Blacks Power and Black Theology”. Como não lhe convinha, mais uma vez subordinou sua “moral” às suas ambições políticas, e afastou-se dessa igreja, mas seu coração continuou com ela... Obama jurou os 12 preceitos ou mandamentos dela, depois negou-os, mas seu guia espiritual, o racista Jeremiah Wright, o desmentiu. “Nós somos africanos e devemos ser leais a nossa terra nativa, o Continente Mãe (África), o berço da civilização”.

     A lealdade de Obama pertence à África, e é por isto que se nega a saudar a bandeira e a colocar sua mão no coração quando é tocado o Hino Nacional Norte-Americano. Por isso não queria colocar a bandeira na sua lapela; por esse motivo mandou apagar a bandeira americana na cauda do avião de campanha, conforme lhe ditava seu coração...

     Para Obama, a máxima marxista de “o fim justifica os meios” é um recurso que emprega continuamente: engana, se tiver que enganar; mente, se tiver que mentir, como faz no dia-a-dia. E num auge de cinismo declarou o seguinte: “Minhas idéias mudam a cada dia, mas não o meu coração...”[1], e então colocou a bandeirinha na lapela.

 

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     NOTA:

    [1] Artigo de Paula Neal Mooney, 25 de outubro de 2006.

    

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     * Publicado em Diário Las Américas, 04.10.2008.

     * * Armando Valladares é escritor, pintor e poeta. Passou 22 anos como prisioneiro político nas masmorras de Fidel Castro. Depois de liberto foi embaixador dos Estados Unidos nas administrações Reagan e Bush. Atualmente é Chairman de Human Rigths Foundation.

     Tradução: André F. Falleiro Garcia.

 

 

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