A UNOAMÉRICA DENUNCIA A UNASUL E O FORO DE SÃO PAULO

 

André F. Falleiro Garcia

    

     O panorama latino-americano vem sendo marcado por uma constante diminuição da influência norte-americana e um contínuo aumento da presença russa. O vácuo norte-americano em parte é explicado pela hostilidade declarada de algumas nações componentes do chamado "eixo do mal" latino-americano, e pelo distanciamento progressivo de outras que gravitam em torno desse mesmo eixo.

    Rússia e China ocupam espaços na América

     Como já referimos [1], em outubro de 2008 a Rússia solicitou sua admissão, na qualidade de observadora, no Conselho de Defesa Sul-Americano da Unasul, conforme informou o Ministério de Defesa da Argentina. Em novembro, especialistas em defesa russos e argentinos se reuniram na Comissão Mista de Cooperação Técnico-Militar. E neste mês de dezembro, na visita da presidente Cristina Kirchner a Moscou, os dois países assinaram um acordo de cooperação, incluindo a ajuda russa para a construção de um gasoduto entre a Argentina e a Bolívia e um acordo sobre a energia nuclear.

Chávez com Medvedev: por detrás da teatralização bolivariana, a submissão ao Kremlin

     Na recente visita do presidente russo Dmitri Medvedev a Hugo Chávez em novembro, foi assinado um acordo de cooperação nuclear para fins pacíficos.

     Na ocasião, quatro navios de guerra enviados por Moscou participaram de exercícios militares binacionais. Teve conotação simbólica a presença de um cruzador de propulsão nuclear — Pedro, o Grande — em águas venezuelanas: a América já não é mais só dos americanos. A Rússia e a China ocupam espaços.

     De fato, em julho de 2008, em visita à Rússia, Chávez afirmou que a Venezuela aceitaria abrigar uma base militar russa, caso Moscou solicitasse.


Alan Garcia em 2007 anunciou seu propósito de tornar-se o maior parceiro da China

     O dragão chinês também veio aqui saciar seu apetite: comprou por três bilhões de dólares, em junho de 2008, a mina de cobre do Monte Toromocho, que possui reservas de 2 bilhões de toneladas. Vendida a preço de banana pelo presidente Alan Garcia para a empresa Chinalco, em quatro anos será a maior mina de cobre do planeta. Negócio da China!

     Os chineses, que importam do Chile o cobre a US$ 8.255 por tonelada, desse modo reduzirão esse custo a US$ 420, valor vinte vezes inferior. A BBC de Londres informou que a população do entorno da mina está sendo transferida, para dar lugar à nova população chinesa. O pesado custo social dessa transferência não foi levado em conta.[2]

     Cumprindo a agenda russa, em novembro o chanceler Sergei Lavrov, em visita ao Equador, propôs a abertura de negociações, para um acordo de cooperação bilateral em diversas áreas, inclusive a energia nuclear.

     A turnê russa em 2008 incluiu ainda a visita ao Rio de Janeiro, durante dois dias, de Sergei Kiriyenko, diretor da estatal nuclear Rosatom. Veio, no final de novembro, oferecer ao Brasil a ajuda tecnológica em matéria nuclear.

     As manifestações populares que trouxeram esperanças

Dez milhões foram às ruas para protestar contra as FARCs

     As esperanças maiores, neste ano de 2008, vieram das manifestações populares. Dez milhões de pessoas, nas principais cidades colombianas e outras da América Latina, em fevereiro de 2008, repudiaram as FARCs.

     Na Bolívia também houve manifestações, após os referendos sobre a questão da autonomia dos departamentos, mas foram esmagadas pelo estado-policial. A manifestação dos ruralistas, na Argentina, foi muito mais movida pela intenção de conservar o pão e o queijo, do que por razões ideológicas ou patrióticas. Tanto na Argentina quanto na Bolívia, as manifestações acabaram ultrapassando os estritos limites da lei e da ordem, e de algum modo contribuíram para o aumento do caos.

     Não é razoável que a sadia manifestação popular contra governos pró-marxistas seja orientada para uma espécie de terrorismo ilegal. Tal atitude confunde ainda mais a opinião pública. E disso se valem esses governantes, para então se apresentarem como vítimas, heróis ou defensores da pátria. As lideranças sadias devem conhecer e respeitar os limites da lei e da ordem, sob pena de combaterem o caos com o caos, e assim comprometerem o bom sucesso das legítimas reivindicações populares.

     A formação de uma confederação de ONGs para barrar o avanço do Foro de São Paulo   


Logo da nova associação

     Acaba de ser criada em Bogotá, em 14 de dezembro, uma confederação internacional de organizações não-governamentais, denominada União de Organizações Democráticas da América — UNOAMÉRICA. Seu objetivo principal será a defesa da democracia e da liberdade, ameaçadas pela expansão do castro-comunismo e sua nova versão, o Socialismo do Século XXI, através do Foro de São Paulo.

     Os delegados - provenientes da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, El Salvador, Peru, Uruguai e da Venezuela - denunciaram os métodos que os integrantes do Foro de São Paulo usam para destruir as democracias e acabar com as liberdades, utilizando mecanismos como as reformas constitucionais e a fraude eleitoral, para controlar os poderes públicos e eternizar-se no poder.

     Acusaram também a UNASUL de ser um instrumento do Foro de São Paulo para intervir nos assuntos internos de outras nações e favorecer os seus membros, como ocorre na Bolívia, onde a UNASUL avalizou a gestão totalitária de Evo Morales e tergiversou os fatos sobre o massacre de Pando (Informe Mattarollo), culpando injustamente o governador Leopoldo Fernández.

     Também criticaram o intervencionismo de Chávez, que financia ilegalmente seus aliados, como o fez com Cristina de Kirchner e o faz agora com o salvadorenho Mauricio Funes, da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN).

     Quanto à direção da UnoAmérica, será presidida por Alejandro Peña Esclusa, presidente da ONG venezuelana Fuerza Solidaria [3]. A Secretaria Executiva da nova entidade ficará a cargo da Federação de Organizações Não-Governamentais Verdad Colombia.

     Cabe uma referência especial aos dois delegados brasileiros. São dois articulistas com notória atuação com sentido conservador e anticomunista no site Mídia Sem Máscara. Graça Salgueiro, psicóloga e jornalista, tornou-se uma especialista nos assuntos políticos sul-americanos e cubanos. Edita o blog Notalatina [4]. Heitor de Paola, médico, psicanalista, escritor e comentarista político, publica artigos nos jornais Inconfidência e Visão Judaica. Heitor edita o site Papéis Avulsos[5].

     Mais do que nunca a América Latina necessita da formação de lideranças capazes de realizar um trabalho contrário à revolução cultural. É indispensável que tenham certo conhecimento da guerra psicológica revolucionária e da contra-revolução. E que atuem dentro da lei e da ordem. Com essa bagagem de conhecimentos e diretrizes de ação será possível galvanizarem e orientarem o clamor popular, sobretudo na Colômbia, Bolívia, Venezuela e Argentina, nações em que a opinião pública tem se mostrado mais reativa. Oxalá a UnoAmérica realize um bom trabalho de articulação e formação de lideranças em tempo de tanta demolição e caos.

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     NOTAS:

 

    [1] Ver o artigo: As novas cabeças-de-ponte do Kremlin na América Latina.

    [2] Cobre peruano en manos chinas.  

 

    [3] Sobre a atuação de Alejandro Peña Esclusa ver Ingerência da Unasul na Bolívia.

    [4] http://notalatina.blogspot.com.

    [5] http://www.heitordepaola.com.

 

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DECLARAÇÃO FINAL DE UNOAMÉRICA

 


UnoAmérica

      Nos dias 12, 13 e 14 de dezembro de 2008, delegações de diversos países latino-americanos se reuniram na cidade de Santa Fé de Bogotá, com o objetivo de conformar uma organização capaz de defender a democracia e a liberdade em nosso continente que se encontra sob ameaça.

     O fracasso dos governos em resolver os problemas de pobreza da região, em que pese ser o continente mais rico do planeta, permitiu o crescimento e avanço do Foro de São Paulo, organização que agrupa todos os movimentos de esquerda da América Latina, inclusive as FARC colombianas.

     O Foro de São Paulo se aproveita das necessidades dos povos para manipular os mais pobres, prometendo melhoras econômicas e justiça social. Porém, uma vez no poder, não soluciona nenhum dos problemas cruciais dos nossos países, senão que introduzem um modelo ideológico socialista que divide a sociedade, a polariza em dois lados e provoca violência e anarquia.

     Atualmente, há quatorze países latino-americanos cujos governos pertencem ou estão vinculados ao Foro de São Paulo e, embora tenham chegado ao poder pela via democrática, muitos deles estão destruindo a democracia e restringindo as liberdades, como é o caso de Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, Cristina de Kirchner e Daniel Ortega.

     Para conseguir isso não recorrem ao “paredón” de fuzilamento, como o fez em Cuba o principal mentor do Foro de São Paulo, Fidel Castro, mas utilizam métodos mais modernos e sofisticados, como as reformas constitucionais, os quais lhes permitem controlar os poderes públicos e eternizar-se no poder, ante o olhar complacente dos integrantes mais moderados do Foro como Lula da Silva (co-fundador junto com Fidel), Tabaré Vázquez e Michelle Bachelet.

     O Foro de São Paulo tem um projeto supranacional que não respeita fronteiras, nem soberanias nacionais. Para alcançar seus fins, todos os seus integrantes intervêm flagrantemente nos assuntos internos das demais nações, quer seja financiando candidatos, enviando apetrechos militares, ou dirimindo conflitos, valendo-se de organizações subsidiárias como a UNASUL, enquanto que as forças democráticas da região atuam isoladamente, limitando-se a seu próprio terreno.

     Estas diferentes formas de atuação colocam os democratas da América Latina em uma situação de franca desvantagem, pois se vêem impossibilitados de fazer frente aos planos de expansão do Foro de São Paulo.

     O objetivo de UnoAmérica que decidimos construir durante este Encontro, é proporcionar aos setores democráticos da América Latina um mecanismo de intercâmbio de informação, coordenação permanente e apoio mútuo, sem ferir — como costumam nossos adversários — os princípios de soberania e auto-determinação dos povos.

     Adicionalmente, UnoAmérica se propôs a elaborar e oferecer aos povos da América um programa de desenvolvimento e industrialização que resolva os problemas de fundo da região, particularmente o da pobreza, como verdadeiro antídoto ao totalitarismo.

     A democracia e a liberdade se afiançarão em nossos países na medida em que os cidadãos se libertem da escravidão da pobreza e da ignorância. Não há nenhum motivo que impeça um continente tão rico como o nosso, com idiomas similares e culturas quase idênticas, a alcançar os níveis de desenvolvimento e industrialização que alcançaram as nações do norte.

     Convidamos todas as forças democráticas da América Latina a se incorporar ativa e entusiasticamente a esta iniciativa. Convidamos-lhes a construir um futuro maravilhoso, onde prevaleça a liberdade, a justiça social, a solidariedade e a integração.

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     Tradução: G. Salgueiro

 

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