COMENTÁRIO PRÉVIO

 

André F. Falleiro Garcia

 

     Há certas expressões cunhadas que exprimem com evidente acerto o significado profundo de uma determinada situação, despindo o mito talismânico que recobre o assunto e revelando a crueldade ali embutida e metamorfoseada. Uma delas é a expressão favela rural, lançada pelo advogado Atílio Guilherme Faoro, que tornou patente o estado calamitoso dos assentamentos da reforma agrária socialista e confiscatória. Com efeito, em notável obra lançada em julho de 1987, após esboçar uma visão de conjunto sobre esses assentamentos e tratar da legislação pertinente, apresentou "Sem véus nem mistérios: os amargos 'benefícios' da Reforma Agrária aos trabalhadores rurais". Todos esses supostos benefícios podem ser resumidos em duas palavras: favela rural. Posta a expressão em circulação, recebeu da parte do leitor brasileiro uma recepção consagradora e tornou-se moeda corrente.

     Outra expressão forte, zoológico indígena, exprimiu a pungente realidade das comunidades indígenas transformadas em "megaguetos", e assim condenadas a um estado forçado de segregação racial e primitivismo. Criada pelo coronel-aviador reformado Luís Mauro Ferreira Gomes em 2004, referiu-se ao cruel jardim zoológico humano que vai sendo formado nas extensas reservas indígenas. O julgamento sobre a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, localizada em Roraima, ainda está em curso no Supremo Tribunal Federal. O estado atual da causa é preocupante, pois indica a propensão dos Ministros no sentido de conceder a permissão jurídico-legal para a formação dessas áreas em terras contínuas.

     O Site da Sacralidade reproduz, a seguir, o artigo do coronel Luís Mauro sobre o anacrônico e cruel zoológico indígena e o julgamento no Supremo. Oxalá o uso corrente dessa expressão contribua para esclarecer os brasileiros e para denunciar a equivocada Política Indigenista do governo, tão lesiva à Pátria e ao bem-estar dos aborígenes.   


Fazem pressão em Brasília para alcançarem o direito de viver segregados no zoológico indígena

     Desde Nóbrega e Anchieta sabemos que o melhor bem que podemos fazer a eles é trazê-los à civilização e à Fé. E segregar os que já estão em processo de aculturação fazendo-os percorrer de volta o caminho à taba selvagem, é criar uma versão tupiniquim dos famigerados campos de concentração nazistas.

     Ao invés de supostos benefícios antropológicos para os brasileiros indígenas, seremos testemunhas do holocausto deles.

     Cruel julgamento poderá ser proferido no início de 2009 pelos onze Ministros do Supremo, oito deles indicados pelo presidente Lula. Milhares de seres humanos serão então condenados a viver na Idade da Pedra Lascada.

     O zoológico indígena é uma agressão à humanidade e não pode ser tolerado!  

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TERRAS INDÍGENAS VERSUS TERRAS BRASILEIRAS

    

Luís Mauro Ferreira Gomes *  

 

     A Política Indigenista (do governo federal) é tão sem sentido que, para ela, não resta explicação fora da teoria da conspiração. O que se faz em Roraima é um crime contra o patrimônio, contra a integridade, contra a economia e contra a cultura nacionais, com gravíssimos reflexos para a segurança do País.

     Para o índio, outra grande vítima, essa Política é, simplesmente, nefasta. Na natureza, tudo o que não evolui se extingue. Não se podem estagnar, impunemente, vários grupamentos humanos, negando-se-lhes os avanços científicos, tecnológicos e sociais da civilização, apenas para atender aos caprichos de alguns antropólogos estrangeiros, ou, quem sabe, facilitar a transferência futura para alienígenas de uma das mais ricas terras do Brasil.

     Além do mais, cria-se um problema insolúvel para as próximas gerações. Dentro de pouco tempo, a humanidade terá evoluído tanto, que será abismal a diferença entre o homem civilizado e os nativos excluídos, mantidos nos jardins zoológicos humanos em que querem transformar certas áreas do Território Nacional, o que tornaria extremamente difícil a assimilação que, mais cedo ou mais tarde, será inevitável.

     Aos estrangeiros que nos tentam impor essa segregação discriminatória, que fere, inexplicavelmente, os direitos de cidadãos brasileiros, deve-lhes ser dito que, no mínimo, são tendenciosos. Que essa preocupação que aparentam ter com a preservação dos aborígines, não têm para com a nossa própria cultura, invadida pelo lixo que eles mesmos produzem em seus países de origem.

     Que se lhes diga, também, que não aceitamos que nos neguem a soberania e a autodeterminação que nos querem forçar a dar aos autóctones.

     Os nossos indígenas, para o bem deles e para o nosso, devem ser incorporados à sociedade brasileira o mais rapidamente possível, sendo-lhes dada a cidadania plena, com os mesmos direitos e deveres dos demais, ainda que lhes deva ser dada a proteção e a ajuda indispensáveis durante a transição.

     (Trecho extraído do artigo do autor Para Maiores de Sessenta Anos, publicado na Revista Aeronáutica nº 244, Março-Abril/2004) [1].

     O Supremo Tribunal Federal retoma, hoje, o julgamento da petição que demanda a nulidade do decreto de demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol. E o faz em uma conjuntura desfavorável, em que estão em curso vários acontecimentos que vêm monopolizando a atenção dos brasileiros, ocupando quase todos os espaços nos meios de comunicação.

     Vejamos alguns: a ameaça aos interesses brasileiros pelos governos de esquerda que nos cercam e a tibieza com que o governo federal os tem tratado; a crise econômica que já está instalada, mas “não nos vai afetar”; os escandalosos casos de corrupção nos Estados Unidos, bem ao estilo petista de ser; os euros na cueca de um envolvido no mensalão “que nunca existiu”; a falta de compostura e o deboche presidenciais; as enchentes devastadoras que rivalizam com o poder destruidor dos governantes; a violência dos bandidos e dos políticos que nos infelicitam; a comemoração dos 40 anos do AI-5, entre tantos outros.

     O presidente e seus cúmplices, ao contrário da grande maioria dos brasileiros, não vêem qualquer risco à soberania ou à integridade territorial nacionais, “porque as terras indígenas são propriedade da União”. Talvez pretendam defendê-las com o mesmo entusiasmo com que zelam pelos nossos interesses, quando ameaçados por seus companheiros de subversão bolivianos, equatorianos e paraguaios. Quem sabe, entendam doá-las aos países ricos com a mesma generosidade com que perdoaram as dívidas de nações pobres em passado recente, estimulando as novas demandas por parte dos vizinhos.

     Embora tenham tido tempo de sobra para pressionar os Ministros do STF e o poder de corrupção do governo seja imenso, esperamos que o Supremo decida com a independência que a Nação dele espera. Qualquer que seja a deliberação, porém, o problema está longe de ser resolvido.

     Se a opção for pela demarcação de pequenas ilhas de terras indígenas cercadas de Estado por todos os lados - como se depreende do texto constitucional - aqueles que, encastelados no poder, defendem desesperadamente a demarcação contínua, porque, tudo indica, já “venderam” aquelas terras, jamais o aceitarão pacificamente, pois têm  de entregar o produto da rapinagem aos novos donos.

     Por outro lado, se a decisão for pela demarcação contínua, com a oficialização desses enclaves no nosso território e a conseqüente expulsão de suas terras dos cidadãos honestos e trabalhadores não comprometidos com a negociata, somos nós, os brasileiros verdadeiros, que não permitiremos que se pratique mais esse ultraje contra a nossa Pátria e não sossegaremos enquanto os traidores não sejam destruídos.

     Há, ainda, as soluções intermediárias, aquelas que procuram agradar a gregos e troianos, as famosas soluções salomônicas. Estas são, geralmente, tão ruins quanto as mais desfavoráveis, porquanto não preservam a vida da criança, isto é, o essencial, dando, contudo, a impressão que curam todos os males.

     Que o Supremo Tribunal Federal resolva definitivamente a questão, com solução que se sustente ao longo do tempo, bem além dos horizontes de um governo corrupto, mais interessado em defender a sua ideologia internacionalista do que os sagrados valores da nacionalidade.

     Estamos atentos.

     Como gostava de dizer o Brigadeiro Eduardo Gomes: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”.

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     NOTA:

    [1] É interessante observar que, há quase cinco anos, o autor chamou a Política Indigenista do governo Lula de nefasta e os “megaguetos” em que pretendem confinar os descendentes dos nossos indígenas, de jardins zoológicos humanos. Mais tarde, em uma comprovação de que essas idéias continuam muito atuais, o cientista social e membro da Academia Brasileira de Letras Hélio Jaguaribe viria a referir-se a “jardins zoológicos de indígenas”, no artigo A perda da Amazônia (Jornal do Brasil de 25 de fevereiro de 2007). Na mesma linha de pensamento, em 25 de abril de 2008, o ilustre acadêmico publicou, na Folha de São Paulo, o antológico texto O “jardim antropológico" é uma insensatez. Finalmente, o Comandante Militar da Amazônia, o bravo Gen. Heleno, em seu pronunciamento heróico do dia 16 de abril deste ano, no Clube Militar, com muita propriedade, classificou a política indigenista governamental como “lamentável, para não dizer caótica”.

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     * O autor é Coronel-Aviador reformado.

 

 

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