EVO MORALES QUER REFUNDAR A BOLÍVIA PASSANDO PELA DITADURA SINDICALISTA RUMO À AMERÍNDIA

André F. Falleiro Garcia   

 


Evo Morales

    O presidente boliviano Evo Morales recentemente deixou claro que sua permanência no governo não é passageira, e que seu partido MAS chegou ao poder para ali permanecer para sempre. A declaração foi feita durante a inauguração do VII Congresso do Movimiento Al Socialismo (MAS), realizado nas instalações do Palácio de Esportes da cidade de Oruro.[1]

     “Por mais de 500 anos esperamos, e afinal recuperamos o Palácio (de Governo). Não somos inquilinos, isto é para toda a vida”, disse. “Uma vez que recuperamos os Poderes do Estado, no Palácio não estamos de passagem, ou de visita, chegamos para toda a vida”, insistiu Morales, diante de representantes de organizações sociais indígenas, sindicalistas e de militantes do MAS.

     É evidente que essa explícita intenção de permanecer indefinidamente no poder desmascara qualquer aparência de "democracia bolivariana". O projeto de instalar uma ditadura, e de governar juntamente com um partido único, supostamente legitimado pela longa espera (mais de 500 anos ausente do poder...), é o que transparece em suas declarações.

     A preservação da pureza revolucionária dos integrantes do MAS evitaria o assalto aos cofres públicos. “Infelizmente temos companheiros que só buscam algum cargo para receber dinheiro, buscam algum benefício pessoal. O verdadeiro companheiro revolucionário não pede recompensa financeira, ele acompanha esta revolução”, afirmou Morales. E o presidente "cocalero" assegurou que tanto ele quanto o vice-presidente Álvaro García Linera têm suficiente "ética moral e autoridade para exigir que os militantes do partido trabalhem com honestidade e transparência".

     Este discurso é semelhante ao que utiliza o presidente Lula no Brasil, para justificar sua subida ao poder, a suposta legitimidade de mais de 500 anos para se perpetuar nele, e a postura de guardião da ética política para garantir que o seu partido, o PT, não se locupletará. A evidência dos fatos, por mais que desabone tais afirmações, não impede a sua incansável repetição.

     Lula parece no momento não buscar um terceiro mandato consecutivo e promove o lançamento da candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que acaba de passar por uma cirurgia plástica rejuvenescedora e eleitoreira. Mas quem pode ter certeza quanto aos projetos pessoais de alguém que já se autodefiniu como a "metamorfose ambulante"?

     A oposição boliviana parece não sofrer da crise de identidade que caracteriza a vida política brasileira, porquanto aqui não há nenhum partido político que represente com autenticidade o eleitorado conservador majoritário. Na Bolívia, as reações ao discurso de Evo Morales foram imediatas e carrregadas de indignação. Sua pretensão de permanecer indefinidamente no poder foram consideradas pelo presidente do Comitê Pró Santa Cruz, Branko Marinkovic, como uma confirmação das intenções do MAS de entronizar uma ditadura. "O objetivo do Presidente é perpetuar-se no poder, por isso não cuida de aspectos fundamentais" da vida nacional , afirmou.[2]

     Por sua vez, o governador do estado (departamento) de Santa Cruz, Rubén Costas, afirmou que "é mais uma mostra da ditadura de Evo Morales; o governo do MAS é hegemônico e ditatorial, disfarçado de democrata". Disse ainda que o que vem pela frente é "uma ditadura sindical que modificará o país e o destruirá". E afirmou que a vitória do Não, no referendo sobre a Constituição totalitária, representará uma "surra" na hegemonia do governo do MAS e de sua pretensão de perpetuar-se no poder.

     Reação análoga tiveram os parlamentares bolivianos da oposição, que integram a Brigada Parlamentar de Santa Cruz. Advertiram a população de que se prevalecer o voto Sim no referendo – que se realizará no dia 25 de janeiro próximo, sobre a nova Constituição – a vida de todos os bolivianos mudará radicalmente, para submeter-se a uma ditadura sindical.

     Na verdade, a ditadura boliviana não será unicamente sindical. Será a ditadura de um partido, o MAS, que controlará a vida política, os sindicatos e toda a sociedade civil para a implementação da hegemonia gramsciana.


Evo quer refundar a Bolívia: uma nação e várias nacionalidades

     Ao encerrar ontem (12/01/2008) o VII Congresso do Movimiento Al Socialismo (MAS) en Oruro, Evo afirmou que Cuba não está só, e que conta com a Bolívia para acompanhar o processo da revolução. "Quero dizer ao companheiro Fidel (Castro) e ao povo cubano, que não estão sós, e estamos aqui para continuar acompanhando essa luta, que nunca claudica, do povo cubano", declarou Morales. Disse ainda que, após a vitória do SIM no referendo, haverá a passagem "do processo de mudança para a refundação de uma nova Bolívia, de um novo Estado, com nação e nacionalidades, com uma nova Constituição Política do Estado".[3]

     Por detrás de todas as aparências institucionais, Hugo Chávez – que representa os interesses cubanos no continente e também quer permanecer no poder "por toda a vida" – continua a dirigir a Bolívia. Coadjuvado por Morales, implanta nela o "Socialismo do Século XXI". A quatro mãos, querem realizar a demolição completa de tudo quanto a civilização cristã levou 500 anos para construir na Bolívia. O resultado final será a integração à Ameríndia ou Abya Yala – a Nossa América comunista e tribal.[4]

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     NOTAS:

 

    [1] "Evo Morales asegura que se quedará en el Palacio para toda la vida", 11/01/2009. http://www.hoybolivia.com/   

    [2] "Rechazo a la intenciones de Morales de perpetuarse en el poder", 12/01/2009. http://www.hoybolivia.com/

    [3] "Morales le dice a Cuba que cuenta con Bolivia para acompañar la revolución", 13/01/2009. http://www.hoybolivia.com/

    [4] Sobre o projeto tribalista continental, ver o artigo:

    

 

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