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COMENTÁRIO PRÉVIO

 

André F. Falleiro Garcia

 


Houve protestos nas ruas contra a postura de Wilders

     O Site da Sacralidade conclui hoje a publicação da conferência realizada por Geert Wilders em Nova York em 25 de setembro de 2008.

     Na terceira parte, Wilders comenta as reações que pipocaram na Europa e no mundo muçulmano depois que anunciou o projeto de realizar um filme polêmico.

     Fitna é um pequeno filme de 17 minutos, que apresenta uma seleção de suras (capítulos) do Alcorão, intermeadas de clips e notícias de jornais mostrando ou descrevendo atos de violência cometidos por muçulmanos. Procura demonstrar que o Islã motiva seus seguidores a odiar tudo aquilo que viola o ensinamento islâmico e, consequentemente, encoraja atos de terrorismo, anti-semitismo, violência contra a mulher e contra os holandeses.

     Na parte final, Wilders apresenta o papel de Israel como fronteira avançada do Ocidente em relação ao Islã. E propõe uma medida concreta para salvaguardar os interesses europeus e norte-americanos.

 

ISRAEL, LINHA DE FRENTE DO OCIDENTE CONTRA A JIHAD *

GEERT WILDERS  

 

     O que acabamos de tratar nos conduz agora ao meu filme, Fitna. Sou um legislador e não um cineasta. Mas senti que teria a obrigação de educar a respeito do Islã. Teria o dever de esclarecer que o Alcorão está no âmago daquilo que alguns chamam de terrorismo, mas que na realidade é a jihad.[1] E de demonstrar que os problemas do Islã estão no cerne dele, não são coisas marginais.

     Terceira parte: as reações muçulmanas ao filme Fitna

     Desde o dia em que o meu projeto cinematográfico se tornou público, causou grande impacto na Holanda e em toda a Europa. Primeiro, houve uma tempestade política. Os líderes dos governos europeus entraram em completo estado de pânico. A Holanda foi posta em estado de alerta máximo, devido a possíveis ataques ou a uma rebelião de nossa população muçulmana. O ramo holandês da organização islâmica Hizb ut-Tahrir declarou que os Países Baixos mereciam ser atacados.

     No plano internacional houve uma série de incidentes. O Talibã ameaçou organizar novos ataques às tropas holandesas no Afeganistão; um site da internet, ligado à Al Qaeda, publicou uma mensagem que afirmava que eu deveria ser morto; diversos muftis [2] no Oriente Médio declararam que eu seria o responsável por todo o derramamento de sangue depois que o filme fosse exibido.

     No Afeganistão e Paquistão a bandeira holandesa foi queimada em diversas ocasiões. Bonecos que representavam a minha pessoa foram queimados. O presidente da Indonésia anunciou que eu nunca mais teria autorização para a entrada em seu país. O Secretário-geral da ONU e o da União Européia divulgaram covardes declarações, no mesmo sentido que as formuladas pelo governo holandês. Eu poderia prosseguir indefinidamente. Foi uma vergonha, uma capitulação.

     Uma pletora de problemas legais veio depois; entretanto, ainda não terminou. Atualmente o Estado da Jordânia está litigando contra mim. Foram atualizados somente na semana passada os informes da agência de segurança sobre o alerta máximo de terror para a Holanda por causa do filme Fitna.

     Quarta parte: Israel, linha de frente do Ocidente contra a jihad

     Agora gostaria de dizer algumas coisas sobre Israel, porque em breve estarei lá, com os congressistas israelenses. A melhor maneira para um político europeu perder votos é dizer algo positivo a respeito de Israel. De fato, o público com benevolência aceitou o discurso palestino, e vê Israel como sendo um agressor. Continuarei, entretanto, falando a favor de Israel. Vejo a defesa de Israel como uma questão de princípio. Vivi nesse país e o visitei dezenas de vezes. E o apóio. Primeiro, porque é a pátria dos judeus, depois de dois mil anos de exílio na dispersão, e por causa de Auschwitz. Segundo, porque é uma democracia. Terceiro, porque Israel é a nossa primeira linha de defesa.

     Samuel Huntington descreveu essa situação de maneira muito acertada: “Israel tem fronteiras sangrentas”. Está localizada precisamente nessa fronteira de defesa. Esse minúsculo país está situado na linha divisória da jihad, detendo o avanço territorial do Islã. Israel confronta a linha de frente da jihad, como também a Caxemira, o Kosovo, as Filipinas, o sul da Tailândia, Darfur no Sudão, o Líbano e Aceh na Indonésia. Israel está simplesmente atravessada no meio do caminho da jihad. Como Berlim Ocidental estava situada na linha divisória do comunismo durante a Guerra Fria.

     A guerra contra Israel não é apenas uma guerra contra Israel. É uma guerra contra o Ocidente. É a jihad. Israel simplesmente está recebendo os golpes que seriam direcionados a todos nós. Se não existisse, o imperialismo islâmico encontraria outros lugares para liberar sua energia e seus desejos de conquista. Graças aos pais israelenses que enviam seus filhos para o exército onde passam a noite em alerta, os pais na Europa e na América podem dormir tranqüilos e sonhar, ignorando o perigo que se aproxima.

     Muitos na Europa argumentam a favor de abandonar Israel, a fim de atender às queixas de nossas minorias muçulmanas. Mas se isso acontecesse, Deus não o permita, e Israel caísse, não traria nenhuma vantagem para o Ocidente. Não acarretaria, da parte de nossas minorias muçulmanas, uma repentina mudança de comportamento ou aceitação de nossos valores. Pelo contrário, o fim de Israel traria um enorme encorajamento das forças do Islã. Eles – e com razão – veriam o desaparecimento de Israel como uma prova de que o Ocidente está fraco e condenado.

     O fim de Israel não significa o fim de nossos problemas com o Islã, mas apenas o começo. Significa o começo da batalha final para o domínio do mundo. Se eles puderem dar conta de Israel, darão conta de todo o mundo. Portanto, não é dizer que o Ocidente é a estaca que mantém Israel em pé. Israel é que é a estaca do Ocidente.

     É muito difícil ser otimista diante da crescente islamização da Europa. Todas as marés estão contra nós. Nós estamos perdendo em todas as frentes. O impulso demográfico está com o Islã. A imigração muçulmana é inclusive motivo de orgulho dentro dos partidos governantes esquerdistas. A academia, as artes, a mídia, os sindicatos, as igrejas, o mundo dos negócios, todo o establishment político se converteu à teoria suicida do multiculturalismo. Os assim chamados “jornalistas voluntários” classificam todo e qualquer crítico da islamização como “extrema-direita” ou “racista”.  Todo o establishment se colocou do lado de nossos inimigos. Esquerdistas, democratas norte-americanos e democratas-cristãos agora coabitam com o Islã.

     É a coisa mais dolorosa de se ver: a traição de nossas elites dirigentes. Neste momento da história européia, supõe-se que nossas elites deveriam nos guiar. Para defender séculos de civilização. Para defender nossa herança. Para honrar nossos valores judaico-cristãos eternos que fizeram a Europa ser o que hoje ela é. Mas há muito poucos sinais de esperança no nível governamental. Sarkozy, Merkel, Brown, Berlusconi: no seu íntimo provavelmente conhecem a gravidade da situação. Mas quando a pequena luz vermelha está acesa, olham fixamente para a câmera e dizem para nós que o Islã é uma religião de paz. E todos nós devemos partir amavelmente e cantar Kumbaya.[3] Eles de boa vontade participam daquilo que o presidente Reagan  acertadamente chamou de “a traição de nosso passado e o desperdício de nossa liberdade”.

     Se há esperança na Europa, provém do povo, não das elites dirigentes. A mudança só pode vir das bases. Tem que vir dos próprios cidadãos. Ainda que esses patriotas tenham que tomar conta de todo o establishment político, legal e midiático.

     Nos últimos anos tem havido pequenos – mas alentadores – sinais de renascimento do espírito europeu conforme suas raízes. Talvez as elites voltem as costas para a liberdade, mas o público não. Em meu país, a Holanda, 60% da população agora vêem a imigração em massa de muçulmanos como o maior erro político que se cometeu desde a Segunda Guerra Mundial. E 60% consideram o Islã como a maior ameaça para a nossa identidade nacional. Não creio que a opinião pública da Holanda seja muito diferente de outros países europeus.

     Partidos patrióticos que se opõem à jihad estão crescendo, contra todo prognóstico. Meu próprio partido começou há dois anos, com cerca de 5% dos votos. Agora está com 10% nas pesquisas. O mesmo pode-se dizer de todos os partidos similares na Europa. Eles estão lutando contra o establishment esquerdista. Estão ganhando pontos de apoio na arena política, nesse momento: o eleitor.

     Agora, pela primeira vez, esses partidos patrióticos se reuniram para trocar experiências. Isto pode ser o começo de algo grande. Algo que poderá mudar o mapa da Europa nas próximas décadas. Também poderá ser a ultima oportunidade para ela.

     Em dezembro haverá uma conferência em Jerusalém. Graças ao professor Aryeh Eldad, membro do Knesset, será possível assistir Fitna no próprio edifício do Parlamento (Knesset) em Jerusalém, e discutir sobre a jihad. Estamos organizando esse evento em Israel para enfatizar o fato de que estamos todos no mesmo barco, e que Israel é parte de nossa herança comum.

     Esta conferência será o início de uma Aliança de patriotas europeus. Esta Aliança servirá de suporte principal para todas as organizações e partidos políticos que se oponham à jihad e à islamização. Para essa Aliança busco o apoio de vocês.

     Este apoio pode ser crucial para a América e o Ocidente. A América pode apegar-se o sonho de que, graças a sua especial localização, encontra-se a salvo da jihad e da sharia. Porém, sete anos atrás, havia fumo se elevando do marco zero (WTC), por causa dos ataques que para sempre destruíram o sonho. Mas ainda há um perigo maior do que os ataques terroristas: o cenário da América como o último homem que permanece em pé. As luzes podem se apagar na Europa mais rápido do que vocês imaginam. Uma Europa islâmica significa uma Europa sem liberdade e democracia, uma economia improdutiva, um pesadelo intelectual. E uma perda da supremacia militar norte-americana – como no caso de seus aliados se tornarem inimigos, e inimigos com armas nucleares. Com uma Europa islâmica, os Estados Unidos ficariam sós, para preservarem a herança de Roma, de Atenas e de Jerusalém.

     Queridos amigos, a liberdade é o mais precioso dos dons. Minha geração nunca teve que lutar por essa liberdade, que nos foi oferecida em bandeja de prata, por pessoas que perderam a sua vida lutando por ela. Por toda a América e a Europa os cemitérios nos recordam jovens que nunca voltaram para casa e cuja memória veneramos. Minha geração não é dona dessa liberdade, somos meramente seus guardiões. Somente podemos entregar para nossas crianças européias essa liberdade, tão arduamente conquistada, no mesmo estado que foi dada para nós. Não podemos fazer um acordo com ulemás e imãs.[4] As futuras gerações jamais nos perdoarão. Não podemos desperdiçar nossas liberdades. Nós simplesmente não temos o direito de fazê-lo.

     Esta não é a primeira vez que nossa civilização está sob ameaça. Já estivemos outras vezes expostos ao perigo. Fomos traídos antes por nossas elites. Elas estiveram ao lado de nossos inimigos. Não obstante, a liberdade prevaleceu.

     Estes não são tempos de tomar lições de conciliação e capitulação, de entregas, desistências e concessões. Nem de tomar lições de Chamberlain. São tempos que nos chamam para receber lições de Churchill, de suas palavras pronunciadas em 1942:

     “Nunca ceder, nunca, nunca, nunca, nunca; em nada de grande ou pequeno, de importante ou insignificante. Nunca ceder, a não ser aos princípios da honra e do bom senso. Nunca concordar obrigado pela força, nunca ceder ante o poder aparentemente esmagador do inimigo.” 

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NOTAS DO TRADUTOR:

 

    [1] Jihad, conhecida no Ocidente como a “guerra santa” para a expansão do Islã, é a ação de proselitismo desenvolvida pelos muçulmanos, que pode incluir também a expansão territorial pela força das armas.

    [2] Muftis: grandes conhecedores da lei islâmica, responsáveis pela emissão de pareceres (fatwa), a quem compete resolver em última instância as controvérsias civis ou religiosas.

    [3] A canção Kumbaya  é um “spiritual” dos anos 30, recentemente associada de modo sarcástico à visão otimista e ingênua do mundo e da natureza humana.

    [4] Imãs: ministros da religião muçulmana, ou título de certos soberanos muçulmanos.  Ulemás: pessoas reconhecidas entre os muçulmanos como autoridades em matéria da lei (sharia) e da religião. 

   

     Tradução: André F. Falleiro Garcia

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     * Publicado em: http://europenews.dk/en/node/14505

 

     Parte 1 e Parte 2:

          

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     FILME FITNA:

     PARTE 01 EM PORTUGUES

     PARTE 02 EM PORTUGUES

 

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