MOSCOU PROCLAMA A NOVA "ORDEM INTERNACIONAL" NA AMÉRICA LATINA *

 

Toby Westerman * *

    

     Uma longa semana de reuniões realizadas em Moscou contribuiu para solapar a posição dos Estados Unidos na América Latina e acelerar a chegada de uma nova – e antiamericana – “ordem internacional”. O presidente cubano Raúl Castro, irmão do cada vez mais enfermo Fidel, chegou a Moscou em 28 de janeiro para reunir-se com a elite da classe dominante na Rússia, para o que o ditador cubano descreveu como “acontecimento histórico” de “grande emoção”.

Um filme já visto na Guerra Fria

     Moscou sempre considerou Cuba como um “aliado chave” na América Latina, uma região cujos governos são, conforme o Ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov, “aliados naturais para a formação de uma mais justa e segura ordem internacional”.

     Raúl declarou que a América Latina tem um “crescente relacionamento estratégico” com Moscou. Havana já abriga uma grande e sofisticada base chinesa de espionagem eletrônica, que ocupou o lugar da base Lourdes dos tempos soviéticos fechada em 2001. Ainda não se sabe concretamente como Moscou estabelecerá esse “relacionamento estratégico” com Cuba. Forças navais russas visitaram recentemente Cuba, e há informações de que Moscou cogita instalar aviões de bombardeio na ilha.

     Moscou já prometeu ao regime cubano ajuda técnica e militar, incluindo assistência na área das medidas de “segurança interna”. Há anos Cuba possui uma bem merecida fama de gulag tropical. A crescente repressão aos dissidentes, entretanto, tem se mostrado incômoda para o regime comunista da ilha. Moscou tem um comprovado histórico de eliminação daqueles que criam problemas para a elite do Kremlin, e parece disposta a compartilhar sua experiência com Havana.

     Desde o colapso da União Soviética e os primeiros dias da “nova” Rússia, as pessoas que desafiam a elite política russa têm sido eliminadas de diversas maneiras, inclusive abatidas a tiros no centro de Moscou. Os jornalistas investigativos têm sido os alvos favoritos. Recentemente o jornal Novaya Gazeta pediu às autoridades estatais a permissão para o porte de armas pelos jornalistas.

     Mas os jornalistas não são os únicos alvos. Stanislav Markelov, um advogado conhecido por energicamente defender os direitos humanos de advogados e jornalistas investigativos, e por representar aqueles que acusam os militares russos de abusos, foi assassinado a tiros em Moscou ao meio-dia. No mesmo ataque também foi morta a valente jornalista Anastasia Baburova.

     Comentando os assassinatos, Igor Yakovlenko, dirigente da União dos Jornalistas da Rússia, assinalou que “é um repugnante símbolo de nossos tempos que um advogado e uma jornalista tenham sido mortos ao mesmo tempo”.

     A crescente influência russa na América Latina se estende à Venezuela, que gastou milhões de dólares em fuzis, helicópteros de combate e outros armamentos de apoio ao regime marxista de Hugo Chávez. Outros líderes esquerdistas da região estão trabalhando em estreita colaboração com Moscou: Cristina Fernández de Kirchner, presidente da Argentina; o ex-guerrilheiro comunista Daniel Ortega, presidente da Nicarágua; Evo Morales, presidente da Bolívia, que quer ser um outro Chávez em seu país; Michelle Bachelet do Chile e Rafael Correa do Equador.

     Os regimes de Cuba, Venezuela, Nicarágua e Equador, também mantém vínculos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), um exército comunista e narcoterrorista que vende ilegalmente drogas e armas para todo o norte e sul do continente americano. Entre os seus melhores clientes estão os cartéis de drogas mexicanos ao longo da fronteira com os Estados Unidos, que ameaçam a própria existência do Estado mexicano.

     Cuba e Venezuela também mantêm estreitos vínculos de relacionamento com a República Islâmica do Irã, que está disposta a compartilhar seus conhecimentos em matéria de energia nuclear com o governo de Chávez.

     A nova “ordem internacional” que Moscou e Havana defendem é manifestamente antiamericana e inclui os mais violentos grupos terroristas e os Estados mais opressores do mundo. É o socialismo em ação. Liderados por ditadores e apoiados por organizações policiais secretas, os governos socialistas latino-americanos buscam um sistema internacional socialista e o fim do sistema econômico e político dos Estados Unidos como agora o conhecemos.

     Estaremos em perigo se ignorarmos esta ameaça.

 

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     * Publicação original em inglês: http://www.inatoday.com

 

     * * Editor do site norte-americano International News Analysis Today              

 

     - Tradução: André F. Falleiro Garcia

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