O FORO SOCIAL MUNDIAL DE BELÉM

E AS ESQUERDAS:

ESTRABISMO, DEDO E ABISMO *

 

DESTAQUE INTERNACIONAL

     

É indispensável conhecer as novas doutrinas e estratégias do FSM de uma maneira objetiva, com seus pontos fortes e seus calcanhares de Aquiles, evitando perigosos estrabismos que levem a fixar a vista no dedo que aponta o novo Leviatã, sem ver os abismos aonde ele nos conduz.

 


Painel da "Revolução Cubana" ao fundo da mesa dos conferencistas

     Realizou-se em Belém do Pará, de 27 de janeiro a 1º de fevereiro, na Amazônia brasileira, o 9º Foro Social Mundial (FSM). Em Porto Alegre (sul do Brasil) já haviam se realizado anteriormente quatro edições do FSM, uma em Mumbai na Índia, outra em Caracas na Venezuela.

     Segundo as cifras finais dos organizadores, o FSM de Belém reuniu 133 mil participantes, provenientes de 142 países dos cinco continentes, representando 5.808 organizações não governamentais (ONGs). Cobriram o evento 2500 jornalistas registrados, pertencentes a 800 meios de comunicação de 30 países. As cifras são expressivas. Trata-se, sem dúvida, da maior reunião mundial de representantes de todo tipo de esquerdas, incluindo as políticas, religiosas, clássicas, pós-modernas, indigenistas, feministas, de gênero, estruturalistas etc.

     Alguns grandes órgãos de comunicação, com uma visão estrábica do evento, sem perceber a essência e as finalidades do FSM, e sem compreender a periculosidade de suas novas estratégias revolucionárias, tentaram subestimá-lo alegando a diversidade de posições dos participantes, a ausência de planos concretos, a desorganização do programa, certos aspectos folclóricos do evento etc.  

Diversidade: cubanos, indígenas, feministas, massai quenianos etc.

          A este respeito, responderam dois dos fundadores do FSM, os brasileiros Chico Whitaker e Oded Grajew, dizendo que a finalidade do FSM não é a de estabelecer planos concretos nem posições uniformes, senão a de ser uma gigantesca “escola” de “diversidade” revolucionária, que “tem permitido articulações cada vez maiores e mais eficazes” entre os chamados “movimentos sociais” e ONGs ao redor do mundo.

     Na realidade, é neste sentido articulador, de adestramento de neomilitantes das neoesquerdas, e de intercâmbio de experiências, que se deve notar sua eficiência e periculosidade. “Quanto maior a diversidade, melhor”, destaca Whitaker, um crítico dos “monolitismos” das estratégias clássicas comunistas e um propulsor das novas formas de revolução “intersticial”, “cultural” e pós-gramsciana.

     Seria também um sintoma de estrabismo pretender subestimar a presença em Belém de 5 presidentes latino-americanos, autênticos filhos espirituais do FSM. Os presidentes Lula, do Brasil; Chávez, da Venezuela; Morales, da Bolívia; Correa, do Equador, e Lugo, do Paraguai, reuniram-se em Belém no dia 29 de janeiro. Fizeram uma mini-cúpula presidencial, participaram de uma reunião em conjunto com 12 mil militantes selecionados e marcaram com esses eventos um dos pontos auge do 9º FSM.

     Lula festejou o que denominou a “quebra” do “deus mercado” e disse que as esquerdas têm diante de si “uma extraordinária oportunidade na crise”.  Chegou a “hora das alternativas”, explicou, que deverão ser aproveitadas “com muita ação política do movimento social e sindical”, exercendo “pressão sobre os governos”.


Cartaz portado por integrantes da Liga Brasileira das Lésbicas SP

     Rafael Correa, em tom eufórico, proclamou que “estamos vivendo um momento mágico, com o surgimento de novos líderes e novos governos” de esquerda, no qual, segundo ele, se poderá concretizar a “segunda e efetiva independência” do continente. Aderindo a nova estratégia da “diversidade” revolucionária, Correa advertiu que “não cremos em dogma nem em fundamentalismos”, acrescentando que “para cada enfermidade, um remédio”.

     Chávez apresentou Lugo – atual Presidente do Paraguai e bispo reduzido ao estado laical – como sendo “o bispo dos pobres e o bispo das revoluções”. E acrescentou, em tom de brincadeira, que “somente um padre revolucionário é capaz de perdoar nossos pecados comunistas”.

     Morales se vangloriou pelo fato de que acabava de ganhar um plebiscito no qual se aprovou uma constituição indigenista-socialista.

     O governo brasileiro contribuiu com 50 milhões de dólares para a realização do FSM. E Lula levou a Belém 12 ministros, incluindo Dilma Rousseff, uma ex-guerrilheira, hoje devidamente metamorfoseada, que está sendo apresentada por ele como sua sucessora na presidência do Brasil.

     Outro brasileiro, Cândido Grzyboswski, um dos maiores articuladores do FSM desde sua fundação e presidente do IBASE, um think tank da esquerda pós-moderna, ao comentar a presença dos cinco presidentes e sua filiação como seguidores do FSM, esclareceu que “não são eles que nos dão legitimidade, mas somos nós que damos a eles a legitimidade”.

     Destaque Internacional, desde o primeiro FSM de Porto Alegre, participou de cada um dos eventos com equipes de jornalistas especializados e publicou dezenas de artigos citando documentos e declarações inéditas, que mostram as novas estratégias revolucionárias pós-gramscianas de “diversidade”, “transversalidade”, “revolução intersticial”, “ecosocialismo”, feminismo, indigenismo etc. Nesses informes também foram analisados os novos tipos de articulações de ativistas, através das chamadas “redes nômades”, com táticas “liliputianas” e de “invisibilidade”, destinadas a levar a sociedade inadvertidamente ao caos e à anarquia, e foram descritas as metas de “reinvenção” do próprio ser humano.

     Trata-se de poderosos instrumentos de “desconstrução” do pensamento e da vida, rumo a uma sociedade comuno-anárquica diametralmente contrária aos 10 Mandamentos da Lei de Deus.  Trata-se também da criação de um “mundo novo” construído sobre uma “diversidade” que faça da relativização de toda verdade um valor absoluto, e dentro da qual não se sabe qual espaço será deixado para aqueles que discordam dessa visão, tão diametralmente contrária aos princípios da civilização cristã.

     Destaque Internacional oferece aos leitores interessados os links desses artigos[1], nos quais se analisa de maneira inédita e objetiva as novas doutrinas do FSM, com seus pontos fortes e seus talões de Aquiles. Os referidos artigos podem servir como elementos de juízo para analisar as atas do recém realizado Foro Social Mundial de Belém, que seus organizadores e numerosas ONGs colocaram à disposição na Internet, e cuja leitura recomendamos[2]. Diante do FSM, deve-se evitar os perigosos estrabismos que nos levem a fixar a vista no dedo que aponta o novo Leviatã, sem ver os abismos aonde ele nos conduz.[3]

 

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     * Foro Social Mundial de Belém e izquierdas: estrabismo, dedo y abismo

     http://www.cubdest.org

  

   - Tradução: André F. Falleiro Garcia

 

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   NOTAS DO TRADUTOR:

 

    [1] Referências básicas dos editoriais anteriores de Destaque Internacional sobre o tema, que podem ser acessadas no site www.cubdest.org


     "FSM 2006 de Caracas: tomografía de las izquierdas"; "FSM 2005: 'diversidad', 'revolución intersticial' y sueño anárquico"; "FSM 2003: laboratorio de la revolución"; "FSM, ‘transversalidad’ y caos"; "FSM, ‘diversidad’ y nuevos totalitarismos"; "FSM: las ‘redes’, sus metas y estrategias"; "Foro Social Brasileño (FSB): la meta de ‘desconstrucción’ y ‘reinvención’ del hombre y de la sociedad"; "FSM 2002: revolución cultural, feminismo e indigenismo". "FSM: las redes ‘nómades’ y su estrategia rumbo al caos".

    [2] Sites para pesquisa e fotos:

     

     

     

    [3] Uma descrição do ambiente reinante no Forum de Belém foi feita no Boletim QUE DEGRADAÇÃO doc. nº 41 – 2009, do Grupo Guararapes, do qual retiramos alguns trechos:

     "Um componente do GRUPO GUARARAPES foi procurado por jovens que estiveram no Forum Social de Belém. Voltaram tristes, decepcionados e até descrentes. Vamos tentar descrever a podridão contada por estes jovens, patrocinada pelo governo que gastou a soma de 120 milhões de reais. Desorganização, nada começava na hora, não se sabia o que ia acontecer. Mais da metade do que estava previsto não aconteceu. Esquerda radical, quilombolas, cubanos, MST, Via Campesina, ONGs indígenas etc. Chamavam a atenção as tendas pela liberalização do aborto e das drogas. As festas representavam o ponto alto da tal reunião. Droga e bebidas corriam livres. A liberdade sexual, até casamento coletivo de gays aconteceu. Para os jovens foi apenas um carnaval sexual; havia um movimento feminista em que as moças apresentavam-se com os seios de fora."

     "Não conseguiram assistir a reunião com a presença dos Presidentes Rafael Correa, Chávez, Evo Morales, Fernando Lugo e Lula. Só podia entrar bandeira vermelha, pessoal do MST, CUT, PT, CAMPESINA. Era uma festa da esquerda deslumbrante, bancada pelo governo brasileiro. Nenhuma bandeira do Brasil, ali presente. Desorganização e depravação organizada."

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