AS FARC MASSACRAM INDÍGENAS, ENQUANTO OS "INOCENTES ÚTEIS" FALAM DE "ACORDO HUMANITÁRIO"

 

Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido *     

 


Pelo menos 17 Awás foram chacinados pelas Farc

     O massacre – até o momento, de uma indeterminada quantidade de indígenas Awa – foi realizado pelas Farc, ao mesmo tempo em que houve a manipulada libertação de seis seqüestrados em poder desse grupo terrorista, os meios de comunicação voltaram a tocar no tema do Plano Renascer, e a senadora esquerdista Piedad Córdoba e seus “intelectuais” cambaios anunciaram continuar empenhados na busca da paz na Colômbia.

     Torna-se o massacre não apenas um sintoma, mas também uma confirmação da dupla moral das Farc, cujas ações continuam a gravitar em torno de seu Plano Estratégico, tão ousado para o alto comando guerrilheiro quanto desconsiderado por aqueles que devem delinear a política e a estratégia integral do Estado para combatê-los.

     * Após as Farc libertarem seis colombianos que mantinham em cativeiro, a esquerda e os "inocentes úteis" se voltaram contra o governo de Uribe

     No dia seguinte ao término da comédia da libertação, a Telesur[1] e seus parceiros publicaram pela internet um vídeo singular. A senadora Piedad Córdoba e o escritor e jornalista Daniel Samper estavam desgostosos e se mostravam profundamente decepcionados com a conduta do Estado colombiano, ao qual por obrigação moral deveriam apoiar.

     Essa atitude de suposto desgosto dos dois personagens mencionados obedecia ao conteúdo de umas gravações divulgadas por um terrorista, que tramava enquanto tomava uma sopa e fazia um discurso de universitário iniciante nas lides marxistas.

     Inclusive Piedad anunciou com veemência que, ao final do show publicitário montado para lavar a imagem dos seqüestradores, faria uma roda de imprensa para denunciar tal irregularidade, enquanto movia a cabeça com trejeitos de desgosto, complementados por gestos de dignidade sensacionalista de Daniel Samper.

     * Enquanto as Farc faziam a libertação "humanitária", ao mesmo tempo realizavam um genocídio indígena e lançavam um carro-bomba


O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, pediu que a comunidade internacional condenasse o massacre executado pelas Farc

     Fato surpreendente: no dia seguinte, o governo de Nariño revelou que esses mesmos terroristas das Farc, que com cara de anjinhos falavam de seriedade e de humanizar a guerra, não só haviam massacrado mais de 15 indígenas, como também com o maior desembaraço reconheciam o aberrante genocídio étnico, e ao mesmo tempo confessavam a autoria de um carro-bomba explodido contra a sede da Secretaria de Polícia Judiciária e Investigação (DIJIN) em Cali.

     Ambas as ações terroristas procediam de uma ordem emitida por Alfonso Cano[2] ao Bloco Ocidental[3], consistente em cometer diversas ações criminosas para demonstrar poderio bélico e para desprestigiar a Política de Segurança Democrática do governo nacional.

       E é curioso, porque nem Piedad Córdoba nem Daniel Samper, nem Jorge Botero[4], nem Morris, saíram a público para denunciar o cinismo dos terroristas Jaime Martinez e Mosquera, que durante a farsa da libertação falaram com cara de seminaristas sobre sua suposta visão pacifista.

   * Os "inocentes úteis" causam um grave dano ao país

     Em contraste com a gravidade do macabro crime, os amigos da paz ou Colombianos pela Paz, como se autodenominam, limitaram-se a enviar um sucinto comunicado à mídia, para pedir um esclarecimento às Farc. Não para condená-los pelo covarde massacre, nem para exigir-lhes que libertem os seqüestrados. Pelo contrário, para fazer o jogo deles, e dar-lhes ambientação política com o argumento de que Lula da Silva está muito interessado em continuar na busca da paz na Colômbia. Desse modo os “inocentes úteis”, titulares da eterna bobeira colombiana, complementaram a jogada guerrilheira.

     A síndrome manifestada pela mãe de Ingrid Betancur parece haver se arraigado na consciência de muitos tolos. Em lugar de pressionar as Farc para que libertem os seqüestrados sem nenhuma compensação, e de exigir que a comunidade internacional não apenas os qualifique como terroristas, mas que os persiga nos países onde passeiam à vontade, os “intelectuais” e amigos duvidosos da Colômbia caíram na mesma estupidez crônica do pai do cabo Moncayo[5].

     Alguns estão conscientes do estratagema. Outros, os “inocentes úteis”, parecem não se dar conta de que, quanto mais pressionem o governo nacional para que ceda à farsa do acordo humanitário nas condições desejadas por Chávez, Correa, Piedad Córdoba e as Farc, estas tanto mais serão duras, não cederão e manterão no cativeiro esses seqüestrados como se fossem as jóias da coroa que lhes permitirão sua ressurreição política.

     São tão mesquinhos esses personagens, que por estarem absortos em derrubar o presidente Uribe, ignoram o grave dano que causam às instituições, ao estado de direito e ao futuro da liberdade na Colômbia.

     E o que é pior: continuam obcecados em considerar Cuba como paradigma, o empobrecido e oprimido país que depois de meio século de ditadura comunista sobrevive, graças aos dólares que diariamente são enviados para a ilha pelos chamados “gusanos” considerados como inimigos pela tirania castrista, aos calorosos dinheiros recolhidos pelas garotas de programa por prostituírem seus corpos com os turista europeus e norte-americanos, e à enorme ajuda do regime chavista.

     O fato é que as Farc massacraram uma etnia com a circunstância agravante de que seus líderes naturais dizem condenar as Farc, mas ao mesmo tempo cometem uma tolice. Crêem que para eles não vigem as leis colombianas, nem pode o Exército nacional entrar em seus povoados. Aqui está o tragicômico drama da Colômbia. Enquanto cada um puxar a sardinha para o seu prato, a anarquia será superior à capacidade de pensar e atuar com prudência e sensatez e à ordem sociopolítica.

   * Revelações muito comprometedoras para o governo equatoriano foram abafadas

     Enquanto este drama fustiga a etnia Awa, perto do lugar do execrável genocídio, o ex-vice-ministro de segurança equatoriana Ignacio Chauvín colocou o dedo na chaga. Reconheceu que o governo de Correa se reunia com Raúl Reyes, que alguns setores do regime de Correa estão corrompidos até a medula pelo narcotráfico, e que, tal como aparece escrito nos computadores do terrorista abatido, a Associação Latino-Americana de Direitos Humanos (ALDHU) cadastra os equatorianos que se vincularam aos círculos e milícias bolivarianas das Farc, infiltradas no país vizinho, com a autorização das autoridades conluiadas com os terroristas colombianos, as quais, além da agressão contra a Colômbia descoberta nos arquivos de Reyes, estão ali “vivinhas da silva”.

     Neste ponto toma força uma segunda coisa curiosa. Nem Piedad Córdoba e Daniel Samper, nem nenhum dos “intelectuais” se manifestaram a respeito. É como se essas revelações não fossem transcendentais para a paz no país.

     Mas há outros cúmplices. São os meios de comunicação, habituados a viver da denúncia, da oportunidade momentânea e da publicação de notícias sem profundidade analítica. Tudo isso, em nome da liberdade de imprensa. Situação da qual as Farc retiram importantes dividendos publicitários.

   * Por que há um silêncio cúmplice em certos setores colombianos?

     Em síntese, as Farc massacraram uma porção de uma etnia que se recusou a incorporar jovens nas guerrilhas comunistas, enquanto ficava a descoberto a atividade narcoterrorista de Rafael Correa, um de seus mais importantes cúmplices. Não obstante, os promotores da “paz”, os “divulgadores do acordo humanitário com cavalo de Tróia incluso”, e os pesarosos “inocentes úteis” do estratagema, todos guardaram silêncio cúmplice a esse respeito. Por algo será!

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     NOTAS DO TRADUTOR:

 

    [1] A Telesur é uma rede multi-estatal de televisão de âmbito latino-americano com sede na Venezuela, criada por iniciativa e sob comando de Hugo Chávez.

    [2] Alfonso Cano é a cabeça visível da chamada segunda geração fariana, integrada por quadros com sólida formação político-terrorista no seio do Partido Comunista.

    [3] Bloco Ocidental é o nome de um importante contingente de combate das Farc.

    [4] Jorge Botero é um jornalista de destaque na Colômbia.

    [5] O professor Moncayo, como a mãe de Ingrid, em vez de incriminar as Farc, fustiga o governo colombiano. 

 

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    * Publicação original em castelhano: Las Farc masacran indígenas Awa, mientras sus idiotas útiles hablan del "acuerdo humanitario"

     http://www.eltiempo.com/

     – Tradução de André F. Falleiro Garcia

 

     *  * Coronel aposentado do exército colombiano, escritor, analista de assuntos estratégicos, especialista em guerra assimétrica e contraterrorismo urbano e rural. www.luisvillamarin.co.nr


 

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