ORIENTE MÉDIO:

FALCÕES E POMBOS EM PERSPECTIVA *

 

Átila Sinke Guimarães * *

Livni (Kadima) não aceitou convite de Netanyahu (Likud) para formar governo de união nacional entre falcões e pombos

     Um leitor recentemente fez-me o seguinte pedido: “Poderia ajudar-me a entender, sob a perspectiva católica, o que está acontecendo no Oriente Médio? A mídia que informa sobre o assunto não apresenta os bastidores desses fatos. Peço-lhe sua ajuda a este respeito, porque li dois de seus artigos sobre os árabes e os judeus.[1] Eles me abriram os olhos, mas não tratam especificamente do cenário político árabe-israelense. Se puder me ajudar, ficarei muito agradecido. Atenciosamente. MC.”

     Apraz-me saber que alguns de meus anteriores artigos ainda continuem fazendo algum bem. Tratarei agora de corresponder às expectativas do Sr. MC, quer dizer, vou esboçar uma visão geral da recente história tanto israelita quanto palestina no Oriente Médio, de maneira que ele – e talvez outros leitores – possam acompanhar os acontecimentos na Faixa de Gaza sob o prisma católico como espero apresentar.

     Os bastidores da política internacional

     Em 1896, o jornalista húngaro-judeu Theodor Herzl escreveu o livro O Estado Judeu, no qual propunha que os judeus deveriam ter sua própria terra para assim evitar as perseguições endêmicas que sofrem onde se instalam. Herlz viveu na Áustria e Alemanha, e se tornou membro da Burschenschaft (Sociedade de Amigos), uma conhecida maçonaria alemã, vinculada à franco-maçonaria internacional, que apoiava suas idéias. O movimento que nasceu dessas idéias se chama sionismo.[2]

     Como fruto e apoio a esse livro, os judeus começaram a emigrar para a Palestina, comprando ali terras e estabelecendo granjas. Em 1909 foi fundado o primeiro kibutz – uma célula agrária socialista. Nesta época, a Palestina estava sob o domínio árabe, tal como vinha sendo há muito tempo. Posteriormente, em 1917 o primeiro-ministro britânico Arthur Balfour declarou seu apoio público à fundação de um Estado judeu juntamente com um Estado árabe-palestino. Pouco depois, sem o acordo dos árabes, a Liga das Nações decretou que a Palestina deveria ser administrada pelo Reino Unido. Entre 1929 e 1936 já haviam irrompido fortes conflitos entre os judeus e os árabes.

O plano de partilha feito pela ONU sem consulta aos árabes

     Durante a II Guerra Mundial, o sionismo foi beneficiado enormemente pela perseguição nazista. Um número considerável de judeus da Europa Central fugiu para a Palestina, aumentando sua população. Logo, depois da II Guerra Mundial, o Reino Unido pediu para a recém-criada ONU que resolvesse as constantes fricções entre judeus e árabes na Palestina.

     Novamente sem que os árabes tivessem sido consultados, a ONU decidiu em 1947 que a Palestina deveria dividir-se em dois Estados, um para os judeus, outro para os árabes. Estes rejeitaram esse plano. Sem embargo, com o apoio da Inglaterra e dos Estados Unidos, Israel foi fundada como Estado judaico em 14 de maio de 1948.

     Portanto, foi a franco-maçonaria internacional – atuando através da ONU e dos governos da Inglaterra e dos Estados Unidos – que tornou possível a fundação de Israel, apesar da constante oposição árabe. Este apoio invariável continua até os nossos dias.

     Quatro guerras regionais

     Em 1948, pouco depois da fundação do Estado judeu, cinco países árabes enviaram tropas para impedi-lo. Esta primeira guerra terminou em janeiro de 1949 com a vitória de Israel, armada pelos governos britânico e norte-americano. Nessa guerra, os judeus expulsaram os palestinos de suas terras, e 700.000 refugiados fugiram para as regiões da Cisjordânia e a Faixa de Gaza. O Egito incorporou Gaza ao seu território e a Jordânia fez o mesmo com a Cisjordânia.

     Em 1956, Israel tirou vantagem da crise a propósito do Canal de Suez, na qual a França e a Inglaterra se opuseram ao Egito. Israel fez uma aliança com a França e a Inglaterra, e atacaram o Egito na Faixa de Gaza e na Península do Sinai, conquistando e reclamando esses territórios para Israel. Sem embargo, pressionado pela URSS, os Estados Unidos obrigaram Israel a retirar suas tropas desses territórios.

A Faixa de Gaza e a Cisjordânia (West Bank) ocupadas por Israel desde 1967

     Israel, em junho de 1967 – de novo fortemente armada pelos Estados Unidos – fez um novo ataque aos seus vizinhos árabes. Seguiu-se a Guerra dos Seis Dias, no curso da qual Israel se apoderou do Sinai e da Faixa de Gaza que pertenciam ao Egito; da Cisjordânia que pertencia à Jordânia, e das Colinas de Golan que eram da Síria. Também capturou e anexou Jerusalém Oriental que pertencia à Jordânia. Nesta época, só a parte ocidental de Jerusalém estava sob o controle dos judeus, e Tel Aviv era a capital judaica.

     Uma resolução da ONU exigiu que Israel devolvesse os territórios conquistados, mas impunha como uma de suas condições o reconhecimento árabe do Estado de Israel. Os árabes não aceitaram a resolução. E assim, os territórios conquistados em 1967 não foram devolvidos. Em 1980 Israel declarou como sua capital “a completa e unificada” Jerusalém. Até o dia de hoje, a Cisjordânia, Jerusalém Oriental, a Faixa de Gaza e as colinas do Golan continuam sendo territórios sob ocupação de Israel.

     Em outubro de 1973 o Egito e a Síria atacaram Israel para recuperar seus territórios, mas não obtiveram êxito.

     O lançamento de foguetes contra alvos em Israel e a retaliação judaica 

     Dado o contínuo e ilimitado fornecimento de armamento militar por parte dos Estados Unidos para Israel, e a generalizada falta de disciplina árabe, estes não conseguiam ganhar a guerra convencional contra os judeus. Então, recorreram a duas respostas imediatas à usurpação judaica: primeiro, com o esporádico lançamento de foguetes de Gaza e do sul do Líbano contra alvos em Israel; segundo, com as guerrilhas urbanas nos territórios conquistados por Israel.

     A primeira resposta, o lançamento de foguetes a partir do sul do Líbano, foi promovida pela Organização de Libertação da Palestina – OLP – cujo quartel-general estava em Beirute, capital do Líbano. Como o número de foguetes aumentou, Israel respondeu invadindo o Líbano em 1982 e destruindo as instalações da OLP em Beirute. O quartel-general da OLP foi em seguida transferido para a Tunísia.

Israel invadiu novamente o Líbano em 2006 para castigar o Hezbollah e a população civil

     Em 1985, Israel retirou suas tropas do Líbano, se bem que manteve uma faixa na fronteira sul para prevenir o lançamento de foguetes. Um novo grupo palestino – o Hezbollah (o Partido de Deus) – foi formado para atacar aquelas tropas. Quando finalmente Israel se retirou dessa faixa em 2000, o Hezbollah, tomando o lugar da OLP, começou a lançar foguetes a partir do sul do Líbano.

     Em 2006 Israel invadiu novamente o Líbano, desta vez com o objetivo de destruir o Hezbollah e castigar a população por apoiar a este grupo. Um mês antes, Israel havia feito o mesmo na Faixa de Gaza para castigar o Hamas por seus ataques com foguetes. A recente ofensiva israelense em Gaza, levada a cabo sob o mesmo pretexto, começou no final de dezembro de 2008 e continuou até poucos dias antes da posse de Obama.

     As intifadas e a represália israelense

     A segunda resposta foi chamada intifada (levantamento ou motim). A primeira intifada contra Israel durou de 1987 a 1993. Seu objetivo era sabotar a estabilidade de Israel em todas as partes, mas principalmente em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Usando táticas de agitação, a população palestina fustigava e apedrejava as tropas israelitas, fazendo sua ocupação difícil de ser mantida. Esta primeira intifada variou de intensidade, seguindo os altos e baixos dos palestinos em suas esperanças de estabelecer seu próprio Estado.

A entrada de Sharon no Monte do Templo desencadeou a segunda intifada

     A segunda intifada teve lugar em setembro de 2000, quando Ariel Sharon, então primeiro-ministro israelita, entrou no Monte do Templo (ou Esplanada das Mesquitas) com tropas fazendo valer as reclamações israelitas sobre esse lugar. Ora, o Monte do Templo[3] supervisionado pelas autoridades religiosas muçulmanas, tem duas mesquitas consideradas sagradas pelos árabes, a mesquita Al Aqsa e a Cúpula da Rocha. Portanto, os árabes viram a intrusão de Sharon como uma afronta religiosa, o que detonou a segunda intifada, muito mais violenta do que a primeira.

     Esta segunda intifada passou dos distúrbios para as guerrilhas urbanas. Os palestinos acrescentaram novas iniciativas – os ataques terroristas e os atentados suicidas – à costumeira oposição contra a dominação judaica. Estas ações radicais que continuam até hoje têm sido fortemente incentivadas pelos religiosos muftis.[4]

     É interessante notar que, com o correr dos anos, ambas as partes se tornaram mais radicais. As retaliações israelitas contra o Líbano (2006) e a Faixa de Gaza (2008-2009) prejudicaram cada vez mais a população civil e os edifícios públicos. Esta escalada de violência estéril não fez mais do que aumentar a fúria islâmica, provocar a instabilidade política em Israel e promover o terrorismo internacional muçulmano.

     Fruto indireto dessa inútil política foram os ataques árabes às Torres Gêmeas em 2001, às estações de trens de Madrid em 2004, as explosões de bombas em Londres em 2005, os distúrbios nas ruas de Paris em 2006 e os seqüestros em Mumbai, na Índia em 2008.

     O tabuleiro político internacional: os pombos e os falcões

     Quais são os parâmetros para o conflito palestino-israelita? Creio que são dois. Em primeiro lugar, ao contrário da maioria dos países ocidentais, nem os árabes nem os judeus levam a sério a separação da Igreja e o Estado. A religião é o fator principal na política.[5]

Fundador do Hamas, o sheik Ahmed Yassim encorajou os homens-bomba

     Em segundo lugar, ambos os povos alegam possuir direito total sobre a terra. Na medida em que um judeu crê que Israel deveria ter plenos direitos sobre o território da Grande Israel conquistado por David e governado por Salomão, é um falcão e toma a posição de direita na política. Na medida em que ele admite que parte do território deveria ser compartilhado com os palestinos, é um pombo e se posiciona à esquerda. Simetricamente, o mesmo acontece entre os árabes: na medida em que reconhecem o Estado de Israel, eles se tornam pombos; na medida em que negam esse direito de existência, são falcões.

     David Ben-Gurion, o primeiro primeiro-ministro de Israel, foi um falcão durante seu largo mandato. Seus sucessores no Partido Trabalhista foram também falcões por cerca de 20 anos. Em 1977, o Partido Trabalhista já havia amolecido, tomado a posição de pombo e abandonado seu anterior discurso messiânico. Então, uma coalizão política liderado pelo direitista Partido Likud (falcões) ganhou as eleições.

     Sob pressão internacional, o Likud por sua vez também suavizou sua posição. Em 1982, Menahem Begin devolveu o Sinai ao Egito e começou a esvaziar as colônias judaicas em Gaza e na Cisjordânia. Depois de vários altos e baixos, o Partido Trabalhista (pombos) voltou ao poder em 1992, e Yitzhak Rabin voltou a entrar em conversações de paz com os árabes.

     Em 1993 os Acordos de Oslo foram assinados e estabeleceram a retirada de Israel da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Os Acordos também estabeleceram a criação da Autoridade Palestina (AP), que seria o governo do Estado Palestino. Um ano mais tarde, Israel e Jordânia firmaram um acordo de paz. Mas os falcões se rebelaram e, em 1995, Rabin foi assassinado por causa dessas concessões territoriais.

     Desde então, de um lado está o pombo Shimon Perez, favorável à paz e à retirada dos territórios ocupados; e do outro lado, está o falcão Benjamin Netanyahu (Likud) que defende a conservação dos territórios.

     Em 2001, os falcões – representados por Ariel Sharon – ganharam as eleições. Sharon logo ampliou as colônias judaicas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, aumentou os controles nas estradas dos territórios árabes e rompeu as negociações com a Autoridade Palestina. Mais tarde, sob pressão internacional dos Estados Unidos, Rússia e União Européia, restabeleceu essas relações e concordou em dar continuidade ao plano de pacificação. Para demonstrar boa vontade, fechou os assentamentos judeus na Faixa de Gaza e alguns poucos na Cisjordânia (2005).

     Entretanto, as tropas israelitas mataram o fundador do Hamas, o xeque Ahmed Yassim, e seu sucessor. Em agosto de 2004, Arafat morreu como pombo e outro pombo – Mahmud Abbas – foi eleito presidente da Autoridade Palestina.

     Depois de haver tirado as colônias judias de Gaza, Sharon perdeu o apoio do Likud e dos falcões, e teve que fundar um novo partido centrista chamado Kadima. Em 2006 Sharon sofreu um derrame cerebral e abandonou o palco político. Foi substituído pelo seu vice-presidente Ehud Olmert, que continuou as negociações com o presidente da Autoridade Palestina.

     Em 2005, Shimon Perez abandonou o Partido Trabalhista e ingressou no centrista Partido Kadima, e foi eleito presidente de Israel. Olmert foi eleito primeiro-ministro. Em novembro de 2007 uma nova conferência de paz foi realizada nos Estados Unidos, a Conferência de Annapolis. Foi aceita a solução de dois Estados para resolver o conflito árabe-israelense, e Israel deu sua palavra para haver o Estado Palestino em 2008.

     Seguindo essas diretrizes, os pombos da Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Síria e Turquia, concordaram em chegar a um acordo geral para o reconhecimento do Estado de Israel, quando então o exército israelita invadiu Gaza em 27 de dezembro de 2008, adiando sine die todos os acordos feitos em Annapolis.

     Novas eleições em Israel estão marcadas para fevereiro de 2009 e o favorito é Benjamin Netanyahu, falcão do Partido Likud. Alguns analistas sustentam que a recente invasão de Gaza foi lançada pelo governo centrista Kadima (Olmert-Perez) em uma tentativa de tirar os votos do Likud (The Tablet, 10/01/2009, p. 4). Não estou de acordo com a opinião deles, como depois vou explicar.

Yasser Arafat era um falcão quando fundou a organização terrorista Fatah para destruir Israel
Arafat depois tornou-se pombo e aceitou o Estado Judeu

     As únicas peças que faltam neste tabuleiro de xadrez político são os partidos palestinos. Aqui é mais fácil acompanhar os jogadores. Fatah (“vitória”), o antigo grupo terrorista de Arafat, aceitou os Acordos de Oslo e subiu ao poder na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Não obstante, por aceitar a possibilidade de um Estado judeu, o Fatah passou a ser visto como pombo. Por esta razão, em 2006 perdeu as eleições na Palestina e o Hamas (“resistência”), o novo movimento de falcões, tomou o poder. Hamas se negou a reconhecer Israel e nunca aceitou os termos dos Acordos de Oslo.

     Este é, em resumo, o cenário político.

     A situação atual: falcões versus pombos

O plano pombo combinado na Conferência de Annapolis foi detonado pelos falcões que invadiram Gaza em dezembro de 2008

     Creio que a invasão de Gaza em dezembro passado foi um golpe dado pelos falcões judeus para impedir que os pombos judeus dividam Israel e se estabeleça um Estado palestino. Tudo estava disposto para prosseguirem com as concessões mútuas estipuladas em Annapolis. Todavia, no último momento, os falcões viraram o tabuleiro de xadrez, e o jogo terminou. Os falcões repetiram a manobra que haviam utilizado antes, quando Rabin foi assassinado para impedir que Israel fosse dividida em dois Estados conforme os Acordos de Oslo.

     O núcleo do conflito árabe-israelense é a disputa dos pombos e falcões – tanto do lado dos judeus quanto dos árabes. Os pombos de ambas as partes fazem concessões mútuas para alcançar uma paz provisória. Mas nem os falcões árabes, nem os israelenses, reconhecem ao outro lado o direito a um Estado.

     Por detrás desta intransigência estão as convicções religiosas. Os falcões judeus consideram o Estado de Israel como algo sagrado, como parte do cumprimento de suas promessas messiânicas. Eles também pretendem reconstruir o Templo de Salomão, o que só será possível depois da destruição das duas mesquitas árabes que estão no Monte do Templo, onde supõem que deve ser reconstruído.

     Não creio que o conflito árabe-israelense chegue ao fim antes que Deus intervenha e desterre os dois povos da Terra Santa. Como e quando? Não tenho resposta a esta questão. Mas estou certo de que a Terra Santa brilhará com um novo brilho católico e que dará a devida glória a Deus no Reino de Maria, previsto em Fátima.[6]

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     NOTAS DO TRADUTOR:

 

    [1] Os dois artigos referidos são:

     

     

     

    [2] O sionismo não tem a unanimidade no mundo judaico. Há grupos religiosos que consideram a fundação do Estado judaico como uma tarefa específica do Messias cuja vinda futura aguardam.

    [3] O Monte do Templo, local do Primeiro e do Segundo Templo, é identificado tanto na tradição judaico-cristã quanto na muçulmana como o Monte Moriá, onde Abrahão ofereceu seu filho Isaac em sacrifício (Gênesis 22:1-18; Alcorão, Surata Al-Safat 37:102-110).

    [4] Muftis: grandes conhecedores da lei islâmica, responsáveis pela emissão de pareceres (fatwa), a quem compete resolver em última instância as controvérsias civis ou religiosas.

    [5] O católico deve saber distinguir, em relação ao judaísmo, a oposição enquanto raça, da oposição enquanto religião. Qualquer oposição aos judeus por motivo racial é intolerável. Jesus, Maria, José, vieram dessa raça – e da sua melhor cepa porquanto pertenciam à família real de David. Também os Apóstolos eram judeus de raça, como tantos outros que realizaram a difusão do cristianismo nascente. Enquanto raça o povo judeu tem os mesmos direitos que os europeus, africanos, japoneses etc. A coletividade judaica apresenta qualidades e defeitos como é próprio à natureza humana. Atos como violações e profanações em cemitérios e sinagogas são inaceitáveis.

     De outro lado, no campo religioso, o católico deve afirmar a sua fé diante do judeu – como também diante do muçulmano, do budista etc. No Brasil, desde a república, vigora o regime da separação entre a Igreja e o Estado. Nas atuais circunstâncias, tal regime se configura como o mais apropriado. Em relação às outras religiões, os católicos devem observar o princípio da tolerância religiosa, matéria que foi abordada em alguns artigos neste site.

     O termo "anti-semitismo", com suas conotações biológicas e raciais, foi criado em 1879 por Wilmer Marr, fundador da famosa Liga Anti-semita. Nas últimas décadas, tem sido geralmente empregado para designar a perseguição movida contra os judeus pelos nazistas. Sem embargo, em 1947, Theodor Adorno, pensador judeu marxista e membro da Escola de Frankfurt, em seu livro Dialética do Esclarecimento pretendeu que qualquer oposição ao judaísmo enquanto religião deveria ser previamente qualificada de anti-semitismo.

     Essa manobra de propaganda anticatólica infelizmente encontrou apoio nos progressistas infiltrados na Igreja Católica. Estes pretendem cancelar na Igreja todas as diferenças religiosas que a separam do judaísmo – como por exemplo as diferenças nas Sagradas Escrituras. Aceitar a imposição da agenda progressista por meio do engodo ecumênico, seria permitir a conquista da Igreja Católica pelo judaísmo, e com isto não podemos concordar.

    [6] O Autor ao final do artigo remete o leitor aos páramos sublimes da Teologia da História. Estaria prevista nos planos divinos a aplicação de um tremendo castigo sobre os judeus e palestinos, banindo-os definitivamente da Terra Santa? Poder-se-ia também conjeturar: seria possível – por um insondável perdão divino – a conversão e o ingresso desses povos nas veredas da civilização cristã? As duas hipóteses seriam cabíveis no grandioso panorama de fé descortinado na conclusão dessa visão de conjunto.

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     * Publicação original em inglês:

    

     – Tradução: André F. Falleiro Garcia

 

     *  * Escritor católico tradicionalista e editor do site norte-americano Tradition in Action

 

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