O COMPLÔ CONTRA A COLÔMBIA

UM ANO DEPOIS DA MORTE DE

RAÚL REYES *

 

Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido * *    

 

     Acaba de ser lançado no mercado literário o livro de minha autoria, intitulado Complô contra a Colômbia, com o subtítulo Segredos dos computadores de Raúl Reyes.

     Com 276 páginas valorizadas por mais de 100 ilustrações, a obra analisa ao longo de 10 capítulos a história do acampamento “de passagem” Pedro Martínez[1], a diplomacia paralela das Farc, a abrangência da Coordenadoria Continental Bolivariana (CCB), as conturbadas fronteiras da Colômbia com o Equador e a Venezuela, a Operação Fênix e a morte do terrorista Reyes. Ademais, examina as ligações internacionais das Farc, a Farc-política, o terrorismo farino e o Informe Técnico da Interpol.

     Concatenar e enlaçar em rigorosa cronologia as mensagens trocadas pelos membros do Secretariado das Farc – publicadas com a autorização do Governo colombiano – conduz à demonstração da existência de uma sinistra aliança, com conteúdo ideológico fornecido pela ditadura cubana e aparência de honestidade garantida pelos mandatários marxistas da Nicarágua, Brasil, Bolívia, Equador e Venezuela, em franco complô com as Farc e "Teodora Bolívar"[2], com o claro propósito de derrotar o governo legítimo colombiano e instaurar uma ditadura comunista no país.

     A obra publicada revisa e conceitua, com sólidos argumentos, os lineamentos básicos do Plano Estratégico das Farc, no âmbito da conjuração internacional e da intervenção do governo de Hugo Chávez e seu aporte de 300 milhões de dólares para financiar o projeto subversivo. Também analisa a dupla moral do governo de Rafael Correa, que ainda continua empenhado em fortalecer a presença do Partido Comunista Clandestino binacional na fronteira colombiano-equatoriana, com o apoio aberto e sistemático da Associação Latino-Americana de Direitos Humanos (ALDHU) dirigida por Gustavo Larrea, o ex-ministro da Segurança do Equador, reconhecido alcoviteiro das Farc.

     No texto fica clara a estratégia de propaganda e recrutamento de jovens de diferentes países do mundo, realizada pelos partidos comunistas e movimentos políticos esquerdistas afins com a Coordenadoria Continental Bolivariana (CCB), conjugada com uma enorme campanha de diplomacia paralela executada pelos delegados da Frente Internacional das Farc, inclusive em contubérnio com dois europeus – que de mediadores da paz se converteram em estafetas das Farc.

     Em todos os capítulos do livro fica demonstrada a conivência de muitos funcionários públicos equatorianos com as Farc – que mantêm acampamentos há mais de duas décadas na selva – cujos dirigentes se movem como peixe na água no território equatoriano com a cumplicidade dos movimentos comunistas desse país.

     Isto comprova que o espernear do presidente Correa e os altos e baixos de suas ameaças e exigências desrespeitosas em relação à Colômbia, não são outra coisa senão uma cortina de fumaça, para evitar que o presidente Uribe leve o caso ao Tribunal Penal Internacional, ou para que não declare em público que há certeza sobre o que foi revelado quanto ao conteúdo dos computadores de Reyes.

Iván Márquez, porta-voz das Farc (esq.), Hugo Chávez e "Teodora Bolívar", a senadora esquerdista

    A extensa correspondência enviada por Iván Márquez[3] para os demais terroristas do Secretariado das Farc, tornou evidente algumas realidades.

     A primeira e a mais importante é a calculada intenção de Chávez e seus correligionários de mediar um acordo humanitário, que culminaria no reconhecimento do status de beligerância das Farc, com a conseqüente agressão armada da Venezuela e da Nicarágua contra a Colômbia, o que explica o desmesurado armamentismo venezuelano e a ardilosa manipulação que Lula da Silva faz do tema da “OTAN” sul-americana, enfocada em promover a saída da Colômbia desse organismo, com o objetivo, de longo prazo, de respaldar as Farc durante a fase final da Ofensiva Generalizada.

     Os documentos analisados demonstram que Iván Márquez e Rodrigo Granda fizeram, em menos de um ano, um trabalho muito mais produtivo para o Plano Estratégico das Farc que o feito pelo próprio Raúl Reyes em 15 anos. Ao mesmo tempo, confirmam a investigação feita pelo jornal espanhol El País, segundo a qual a Venezuela é um santuário narcoterrorista das Farc.

     Por outro lado, tornam patente a assessoria política que a ditadura cubana tem prestado para a revolução venezuelana e o permanente fluxo de terroristas das Farc pelos hospitais de Havana, como fruto da solidariedade revolucionária.

     Ao mesmo tempo, evidenciam que o governo esquerdista de Lula da Silva é cúmplice das Farc, pois vê nelas um ás estratégico para seu projeto esquerdista de longo prazo na América Latina, principalmente por que o atual governo colombiano é uma pedra no sapato para essa pretendida liderança.

     Prova disso é que, enquanto Chávez e Correa só tinham cada qual um ministro envolvido nas relações políticas com as Farc, Lula da Silva tinha cinco funcionários de alto nível comprometidos com o mesmo objetivo, com a diferença que Lula não se expõe publicamente, nem é tão falastrão quanto os outros dois mandatários conluiados.

     A presença de terroristas mexicanos mortos e da sobrevivente Lucía Morett, confirmou a existência de células guerrilheiras das Farc na Universidade Autônoma do México, não como pesquisadores sociais, fachada que pretendem apresentar, mas como elementos ativos da multiplicação do apoio ideológico e logístico do terrorismo comunista na América Latina. Não obstante, alguns setores políticos mexicanos não querem ver a verdade, ou fazem vista grossa.

     O mesmo acontece em relação às ligações das Farc com alguns dissimulados democratas norte-americanos relacionados com sindicalistas infiltrados pelo Partido Comunista Clandestino e pelo Movimento Bolivariano das Farc, razão pela qual a bancada democrata norte-americana tem sido enrolada e, portanto, tem sido bloqueado o Tratado de Livre Comércio (TLC) com a Colômbia.

     A comprovada relação das Farc com o desmobilizado terrorista salvadorenho Luis Merino, confirmou a existência não só da Coordenadoria Continental Bolivariana (CCB), como também do plano para formar uma coordenadoria guerrilheira continental financiada pelo governo venezuelano e pela coca das Farc, com conteúdo ideológico fornecido pela ditadura cubana. As Forças Bolivarianas de Libertação – dirigidas por Hugo Chávez e treinadas pelas Farc e pelo Eln – seriam o elemento motriz desse plano.

     As descobertas dos arquivos eletrônicos de Raúl Reyes confirmam a existência da Farc-política, da sempre negada ligação delas com o Partido Comunista Colombiano, a alta porcentagem do dinheiro do narcotráfico em suas finanças e a dupla moral de alguns sindicalistas. Comprovam a proximidade do canal televisivo venezuelano Telesur com as Farc, além de esclarecerem os atentados terroristas contra o Clube El Nogal e o presidente Uribe, assim como o massacre em cativeiro de 11 deputados da Assembléia do Vale do Cauca.

     Desde a Operação Colômbia contra Casa Verde[4], os organismos de segurança colombianos não tinham à disposição um acervo cronológico tão concreto sobre as intenções estratégicas das Farc. Sem dúvida, os arquivos encontrados nos computadores são mais importantes que a morte de Raúl Reyes, pois em menos de uma semana o governo colombiano desmascarou o complô, enquanto as Farc perdiam a iniciativa estratégica e passavam à defensiva, assinalando o marco histórico do começo do fim de sua existência narcoterrorista.

     Em síntese, Complô contra a Colômbia é um texto da história contemporânea desse país e um resumo concreto da metodologia marxista-leninista aplicada em uma audaciosa conjuração, em aras de derrotar as instituições colombianas.

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     NOTAS DO TRADUTOR:

 

    [1] Pedro Martínez morreu em combate e os guerrilheiros por ele comandados deram o seu nome para a Frente 48 e para o local onde foi planejada a ação. Doze anos depois, ali mesmo Raúl Reyes foi abatido; segundo Chávez e Rafael Correa, era um acampamento “de passagem”, no qual havia inclusive um letreiro rústico Campamento  Pedro  Martínez Farc-EP.

    [2] “Teodora Bolívar” é o codinome – empregado nas Farc – da senadora esquerdista Piedad Córdoba, que criou e dirige a organização Colombianos pela Paz.

    [3] Iván Márquez, membro do Secretariado e porta-voz das Farc, foi comandante de bloco. O conteúdo dos computadores de Reyes revelou que também promoveu a criação de federações universitárias e estudantis para a infiltração comunista. Participa nas "libertações humanitárias" como mediador. Comenta-se que estaria abrigado na Venezuela sob proteção de Chávez.

    [4] Operação Casa Verde, chamada oficialmente Operação Colômbia, foi uma operação militar realizada pelo exército colombiano contra a sede do Secretariado e os acampamentos das Farc localizados no povoado Casa Verde, departamento de Meta, em 1990.

 

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    * Publicação original em castelhano: El complot contra Colombia un año después de la muerte de Raúl Reyes. http://www.eltiempo.com/

 

     – Tradução de André F. Falleiro Garcia

 

     * * Coronel aposentado do exército colombiano, escritor, analista de assuntos estratégicos, especialista em guerra assimétrica e contraterrorismo urbano e rural. www.luisvillamarin.co.nr


 

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