Analista colombiano de assuntos estratégicos comenta a tática guerrilheira de se apresentarem na mídia como pessoas simplórias para despertar compaixão

MARTÍN SOMBRA É TÃO CÍNICO COMO RAFAEL CORREA, HUGO CHÁVEZ E OS DEMAIS CÚMPLICES DAS FARC *

 

Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido * *    

 


Sombra, outro "peixe gordo" das Farc capturado, guerrilheiro muito escolado, apresentou-se na mídia como se fosse um camponês simplório

     Nas rotineiras entrevistas gravadas no Cárcere Modelo para o programa A Noite da RCN e para a W Rádio, o terrorista Helí Mejía, mais conhecido como Martín Sombra, exibiu uma elevada dose de histrionice premeditada, com a finalidade de dissimular seu sanguinário passado de 42 anos de militância criminosa nas Farc, de atrair a atenção dos incautos que poderiam considerá-lo um humilde camponês que se viu obrigado a pegar em armas, e de suprimir com artimanhas a responsabilidade que lhe cabe em muitos delitos de lesa-humanidade que foram cometidos.

     As velhacas respostas de Martín Sombra trouxeram à memória coletiva colombiana a recordação das atitudes teatrais de Tirofijo quando dizia: “deve-se fazer o que tem que ser feito”, ou, “vocês sabem que, a mim, me roubaram umas galinhazinhas e uns porquinhos”. Ambas, ditas com a intenção de criar uma opinião distorcida, que o apresentasse como um camponês obrigado a pegar em armas contra o Estado, e não como quem na realidade era: um membro do Comitê Central do Partido Comunista Colombiano, encarregado de dirigir a ação terrorista contra o Estado legítimo, para tomar o poder e instaurar uma anacrônica ditadura totalitária similar à cubana.

     Tal atitude parece ter sido uma linha de conduta metódica da primeira geração fariana. Em 1994, tropas da Brigada Móvel 1 capturaram – nos limites do Páramo del Sumapaz e de Uribe-Meta – José Joaquín Hachipis, aliás “Juaco Cauca”, um dos terroristas mais antigos das Farc, compadre do sargento Pascuas e mensageiro de confiança de Tirofijo.

     No local da captura as tropas encontraram uma pistola calibre de nove milímetros com mais de 100 cartuchos de munição, documentos das Farc, e perto de sua casa, um buraco com os equipamentos de retransmissão da emissora clandestina Resistência.

     Levado ante as autoridades judiciais, o calejado terrorista assumiu uma atitude similar à de Martín Sombra. Durante todo o tempo falou de uma maneira simples e cordial. Disse ignorar completamente as leis colombianas e ter sido ingênuo ao guardar a pistola de um camponês que partiu sem dizer quando voltaria. Nunca havia visto as Farc, nunca foi guerrilheiro etc.

     Mas a questão não se encerra na simploriedade dos três terroristas de origem camponesa mencionados. Todos os indícios apontam no sentido de que esses traços de comportamento constituem uma norma diretriz para a conduta dos comunistas. Isto é confirmado pelo descarado cinismo dos presidentes comunistas Rafael Correa do Equador, Hugo Chávez da Venezuela, e pelos demais integrantes do sinistro complô contra a Colômbia.

     Rafael Correa assume atitude de vítima. Nega que sabia que Reyes vivia à vontade no Equador. Diz que se Ignácio Chauvín se reuniu com Reyes, foi pelas suas costas; fora isso, diz que Ignácio traiu a pátria. Inventou, ademais, cinco condições para restabelecer as relações diplomáticas com a Colômbia, das quais a mais importante é que o governo colombiano retire as acusações contra ele por ser favorecedor do terrorismo de acordo com as anotações encontradas nos computadores de Raul Reyes.

     Além do mais, Correa se contradiz, por causa do sinistro arranjo que por sua ordem o ministro Gustavo Larrea estabeleceu com as Farc. Não diz nada sobre o trabalho político organizativo que a Associação Latino-Americana de Direitos Humanos (ALDHU) realizou na linha da fronteira entre Colômbia e Equador. Inclusive, não menciona a autorização que deu às Farc para matarem qualquer equatoriano residente nessa zona que se oponha ao trabalho organizativo de massas que elas realizam em combinação com alguns delegados clandestinos de Alianza País, o movimento político que o levou à presidência do Equador.

     De acréscimo, Correa desafia com loquacidade a Colômbia e os Estados Unidos e se esquiva com relação ao tema do narcotráfico. De maneira reiterada assume atitudes histriônicas similares às de Martín Sombra, com o argumento de que é inocente, e que foi a Colômbia que o agrediu, e que o Equador não tem nada a ver na guerra contra a Colômbia. E diz que seu país não considera as Farc terroristas, e que, implicitamente, não as vai combater, porque ele quer a paz para a Colômbia, quer dizer, quer a artificiosa paz comunista. A única paz verdadeira, para os comunistas, ocorre quando tomam o poder e instauram uma ditadura totalitária, desaparece a propriedade privada e é imposto o marxismo-leninismo.

     O mesmo acontece com Hugo Chávez. Atira a pedra e esconde a mão. Com pleno conhecimento de que ninguém acredita nas suas fanfarronadas, abraça o presidente Uribe em público, afirma que não tem e nunca teve nada com as Farc, diz que a Venezuela não é um santuário dos terroristas, apesar de proporcionar-lhes até escritório no Fuerte Tiuna de Caracas, e assim sucessivamente.

     Por sua vez, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva é ainda mais dissimulado e, portanto, mais cauto. Ciente da gravidade que tem o apoio aberto a um grupo terrorista, coloca os seus subalternos para falar com os delegados das Farc e os apóia ocultamente. Lula, enquanto se vale da liderança que a economia brasileira alcançou no hemisfério, com o estilo bonacheirão de Martín Sombra esconde a proximidade que tem dos terroristas.

     Prova disso é a farsa montada para a suposta participação humanitária do governo brasileiro na libertação de seis seqüestrados, cujo verdadeiro objetivo era ressuscitar o cadáver político das Farc e fortalecer a ambiciosa candidatura eleitoral da senadora Piedad Córdoba à presidência da Colômbia.

     Em síntese, não se pode acreditar em Martín Sombra, pois sua atuação é trapaceira e trânsfuga, direcionada aos benefícios legais concedidos pela Lei de Justiça e Paz, com a intenção de continuar dedicado à subversão. Tampouco se pode crer na boa fé de Chávez, Correa e Lula. São três peças de uma mesma estratégia totalitária contra o hemisfério sul.

     Enquanto o Foro de São Paulo busca escravizar nas vias do marxismo-leninismo toda a América Latina sob a direção do dissimulado Lula da Silva, o Plano Estratégico das Farc (que não apresenta até agora nenhum sinal fidedigno de mudança) visa a tomada violenta do poder e a manipulação do acordo humanitário para proveito da conjuração internacional de viés marxista-leninista.

     Quanto aos intelectuais de esquerda, aos amigos das Farc, e aos que se autodenominam mediadores, procuram de todas as maneiras desprestigiarem o governo colombiano, com a intenção de se apresentarem como os legítimos salvadores da pátria. É a mesma atitude velhaca de Martín Sombra, Hugo Chávez e Rafael Correa, mas sob outro ângulo.

 

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    * Publicação original em castelhano: Martín Sombra es tan cínico como Rafael Correa, Hugo Chávez y los demás cómplices de las Farc

     http://www.eltiempo.com/

     – Tradução de André F. Falleiro Garcia

 

     *  * Coronel aposentado do exército colombiano, escritor, analista de assuntos estratégicos, especialista em guerra assimétrica e contraterrorismo urbano e rural. www.luisvillamarin.co.nr


 

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