DIA NACIONAL DO CIRCO, CHAMEM OS PALHAÇOS...

 

Paulo Ricardo Paúl *

 

Coronel Paúl: pelo menos não perdemos a capacidade de nos indignar, diante de tantos escândalos!

     Dia 27 de março, o dia nacional do circo!

     Pão e circo ensinavam os antigos, como fórmula para agradar o povo e mantê-lo quieto. Nos nossos tristes dias talvez o ensinamento seja “futebol e uma bolsa qualquer coisa”.

     Povo marcado, povo feliz.

     Nós, nascidos nesta pátria amada, de solo tão gentil, temos nos sentido verdadeiros “palhaços” diante dos escândalos políticos e dos desgovernos que assolam o Brasil.

     Temos olhos azuis, negros, castanhos e somos cegos, impotentes, diante de tanta roubalheira. Cada um de nós só pensa no “seu quadrado”, temendo as ímpias falanges, que apresentam face hostil, quem sabe somos “frouxos”.

     Somos fracos, somos cegos e somos impotentes diante das “autoridades” que conduzem a pátria amada, idolatrada a um salve-se quem puder.

     Somos palhaços, palhaços de carteirinha – título de eleitor – acreditando que vivemos em uma democracia, quando na verdade vivemos em uma oligarquia dos poderosos políticos e seus asseclas.

     O Jornalista Nelson Motta publica hoje no jornal O Globo (página 7), o artigo “Intocáveis e Invencíveis”, que transcrevo agora:

     - "Não tenho mais nenhuma ilusão de um dia ver algum desses criminosos travestidos de parlamentares atrás das grades e devolvendo o que nos roubou. Eles são muitos, e invencíveis. Sob fogo cruzado de denúncias, juntam-se para se defender, como fizeram o PT e o PMDB no Senado, embora digam sempre que é pela instituição, a mesma que eles aviltam e apequenam com seus atos.

     O dinheiro roubado de nossos impostos, teoricamente, pode até ser recuperado, mas o crime de desmoralizar uma instituição democrática não tem preço.

     O que nos resta? Confiar na Justiça? Confiar na Polícia? No ladrão? Com Sarney e Renan comandando o Senado e espantados com a descoberta de 181 diretorias? A maior parte foi criada pelos dois. O resto, por Jader, ACM e Lobão. E pior. Foram criadas por resoluções da Mesa e ninguém reclamou. E mesmo se reclamasse não adiantaria nada. Tudo dentro da lei, na liturgia do cargo.

     Seria um exagero comparar as disputas pelo poder no Congresso com as guerras de quadrilhas pelos pontos de venda de drogas nas favelas cariocas? Só porque uns vendem crack e cocaína e outros, privilégios e ilegalidades? Guerra é guerra, vale tudo na disputa pelos pontos do poder. Se um tiroteio é de balas, o outro é de números e nomes, mas sempre sobram balas perdidas. Mas, quando o cerco aperta, os dois bandos acertam um armistício: o verdadeiro inimigo é a polícia. Ou, no caso do Senado, a opinião pública. Porque eles não temem a Polícia. Nem a Justiça. Eles só têm medo de perder eleição.

     Diante do pacto de não agressão entre os dois bandos, esta-nos confiar nos ódios, nas invejas e nos ressentimentos das legiões de apadrinhados que estão perdendo a boca e se vingando de seus traidores. Que muitas falas perdidas encontrem seus alvos.

     Diante da certeza de que eles vencerão, que jamais pagarão, que continuarão ricos e corruptos, e até mesmo respeitáveis, resta-nos ridicularizar suas figuras toscas, seus figurinos grotescos, seus cabelos tingidos, suas caras botocadas. Para que suas esposas e amantes leiam, e seus filhos se envergonhem deles no colégio. Como nós nos envergonhamos todo dia”.

     NELSON MOTTA – JORNALISTA.

     Parabéns, Nelson Motta, pelo menos não perdemos a capacidade de nos indignar, diante de tantos escândalos.

     Eu aproveito para aplacar a inveja dos poderosos, citando que os outros poderes da república vivem a mesma realidade do legislativo, conforme a mídia informa dia após dia.

     Por favor, alguém me ajude a estender a lona para cobrir todo o Brasil, pois o espetáculo deve continuar!

     Peço desculpas aos profissionais do verdadeiro circo, e aproveito para agradecê-los pela alegria que nos proporcionam ao longo da vida, uma sensação diretamente oposta a que experimentamos no “Circo Brasil”.

     PÁTRIA AMADA, BRASIL!


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     * Paulo Ricardo Paúl é coronel da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Está na ativa, na Diretoria Geral de Pessoal, até o dia 21/04/2009, quando será transferido compulsoriamente para a inatividade. É editor de um blog destinado à discussão sobre segurança pública e resgate da dignidade do Policial Militar do RJ.

     http://celprpaul.blogspot.com/

 

 

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