CHORA, CORAÇÃO BRASILEIRO!

 

     O que mais dói na alma é a indiferença generalizada quanto ao esbulho à soberania!

Nenhuma reação com ressonância se fez ouvir da parte de qualquer instituição que represente as Expressões do Poder Nacional!

 Onde estão os heróis do Brasil, os cavaleiros com os estandartes verde-amarelos desfraldados aos ventos, prontos a afirmar, com garra, bravura e valor, a grandeza eterna da Pátria e o primado do Bem e da Justiça?

 

Almirante Sergio Tasso Vásquez de Aquino *

 

     O Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte de justiça do Brasil, por 10 votos a 1, frustrou a expectativa e a esperança dos patriotas. O dia 19 de março de 2009 passará à História como uma data trágica para a Pátria, pois que a decisão favorável à demarcação contínua das chamadas “terras indígenas” de Roraima poderá ter o efeito perverso e indesejado de dar reforço formal ao processo de entrega da Amazônia Brasileira. Isso, porque, na prática, poderá ter a conseqüência de conceder respaldo legal às pressões estrangeiras, que visam à internacionalização do nosso majestoso território amazônico, para facilitar e tornar possível o usufruto ilegítimo das suas riquezas por não-nacionais.

     Não por acaso, os dias que antecederam a infausta medida registraram mais uma “visita ao Brasil”, cercada, como das ocasiões anteriores, de todas as honras e deslumbramentos comuns às colônias mais dependentes, do herdeiro do trono britânico e figura de proa e porta-voz de sombrios interesses de usurpação internacional, dos grandes centros de poder mundial, sobre os indiscutíveis direitos seculares do Brasil sobre a Sua Amazônia. Desde o início, interesses estrangeiros poderosos estiveram por trás do apelo pela “demarcação das terras indígenas” e da “preservação da Amazônia”.

     Amazônia que é nossa de direito e por força da luta, do sangue, do suor e do sacrifício de bravos e abnegados ancestrais, portugueses e brasileiros, que a penetraram, desbravaram, plantaram marcos de posse e a vêm ocupando desde há tanto tempo! E do talento de outros brasileiros ilustres e ilustrados que, nos foros devidos, com sua garra e seu exemplar amor ao Brasil, e conhecimento profundo e Direito Internacional, História e Geografia, ganharam para nossa Pátria, com argumentos irretorquíveis, as disputas jurídicas havidas e os pareceres de sucessivos laudos arbitrais de Chefes de Estado, que vinham garantindo o reconhecimento internacional à posse mansa e completa do incomparavelmente rico e portentoso território amazônico pelo nosso País.

     Assim como é frágil o ecossistema amazônico, que exige todo o cuidado e atenção, para garantir sua pujança perene e a possibilidade de exploração racional, por muito tempo, de seus formidáveis recursos naturais em favor do desenvolvimento e do progresso do Brasil e dos brasileiros, assim também devem ser tomadas todas as cautelas no trato dos problemas legais, fundiários, envolvendo a posse de todas as porções do vasto e incomparável território, sujeito a declarada e desabrida cobiça internacional. Já existem relatos repetidos sobre extensas áreas na região, em que brasileiros são impedidos de entrar, guardadas que estão por mercenários internacionais a serviço dos “proprietários estrangeiros”!

     O que mais dói na alma é a indiferença generalizada quanto ao esbulho à soberania, que deve ser total sobre tudo o que nos pertence, e sem restrições de qualquer natureza e da parte de quem quer que seja, e à geração de mais que prováveis tentativas de criação de fraturas e secessões futuras do maior, mais importante e mais sagrado patrimônio nacional, o próprio território do Brasil. Nenhuma reação com ressonância se fez ouvir da parte de qualquer instituição que represente as Expressões do Poder Nacional: política, econômica, psicossocial, científico-tecnológica, militar! Nenhuma outra manifestação vigorosa de qualquer personalidade ou pessoa dotada de qualquer parcela de poder no cenário nacional, que acompanhasse as ponderadas palavras de alerta, proferidas pelo bravo Comandante Militar da Amazônia, tempos atrás!

     Aqui e ali, vozes isoladas erguem-se altaneiras, bradando justos inconformismo e indignação, partidas de particulares pertencentes ao segmento esclarecido do povo, aquele comprometido com o passado, o presente e o futuro do Brasil, e que teima em clamar por sensatez e pela defesa do que é nosso. Todas, porém, minoritárias e sem maiores capacidades de influência ou de meios para arregimentarem seguidores e imporem comportamentos e ações que sustem a desatinada marcha, rumo ao caos, que vimos trilhando desde 1990. Entre os que não renunciam ao dever de defesa da Pátria, destacam-se bravos, encanecidos e combativos militares da reserva e reformados, sempre fiéis ao Brasil!

     Onde está o patriotismo, onde está o amor ao Brasil? “Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste! Criança, não verás País nenhum como este!” Os inspirados versos do poeta embalavam nossos sonhos nos tempos de antanho, ajudando a cimentar o elo profundo, visceral, que unia os brasileiros à terra dadivosa que os vira nascer, sem paralela no mundo e tão amada!

     Hoje, depois de tanto tempo de deseducação em massa, de culto desenfreado do materialismo, do hedonismo, do prazer a qualquer custo e a qualquer preço, o egoísmo e a falta de vergonha imperam. O eu vem em primeiro lugar, junto com a necessidade de satisfazer, sem culpa e sem remorsos, todos os caprichos, apetites e desejos pessoais.

     No pensamento e nas ações da maioria, entorpecida e embrutecida, não há mais lugar para altruísmo, solidariedade, compaixão, patriotismo. Só interessa “vencer”, “ter prestígio e poder”, “enriquecer” de qualquer maneira, mesmo que atropelando o semelhante, a ética e a moral e olvidando os compromissos com o Bem Comum e o futuro, o progresso, a grandeza da Pátria, a serem construídos com a colaboração, o trabalho honrado e o sacrifício de todos.

     No predomínio da nefasta e pervertida “nova moral” que nos foi, paulatinamente, imposta, está a razão de tantos males que nos assolam: as ameaças constantes à ordem democrática; os projetos em marcha de eternização no poder do Executivo, com o emprego de todo o arsenal de apelos populistas, demagógicos e ideológicos; a incrível corrupção que infesta o poder público, nas três esferas administrativas, federal, estadual e municipal, e destina ao lixo do desperdício e a bolsos indevidos os impostos tão sofridamente pagos pelos cidadãos; a violência crescente nas cidades e nos campos, que mantém refém a parte sadia da população e que bem pode ser interpretada como ensaio para ações futuras de terrorismo e guerrilha e embrião de malfadadas “Forças Armadas Revolucionárias do Brasil - FARB”; a generalizada e crescente desmoralização dos políticos, principalmente aqueles em funções públicas, no Executivo e no Legislativo, por fazerem do Erário coisa própria e não terem limites à sede de mordomias, vantagens e benesses indevidas; a sensação de impunidade reinante, que beneficia ricos e poderosos por excelência...

     Por tudo isso, CHORA E SANGRA O CORAÇÃO BRASILEIRO! A quem apelar? Parece ser inútil pedir socorro à sensibilidade e à justiça dos homens, que, há tanto tempo, tudo vêem, nada fazem e parece considerarem normal o que se está passando...

     Onde estão os heróis do Brasil, os cavaleiros com os estandartes verde-amarelos desfraldados aos ventos, prontos a afirmar, com garra, bravura e valor, a grandeza eterna da Pátria e o primado do Bem e da Justiça?

     Resta-nos rezar muito, pedir a Deus Todo-Poderoso que proteja Sua Terra de Santa Cruz e que não permita que sobre ela triunfem a maldade, a iniqüidade e a injustiça. O Senhor é Misericordioso, Infinitamente Bom e há de zelar pelo Brasil!

     Oferecendo a doação da luta e do exemplo diários de vida, todos os brasileiros de bem, não importa quão minoritários aparentem ser no momento presente, apaixonados pela Pátria e confiantes num futuro que ainda será radioso, apesar de todos os percalços, provações e amarguras do presente, auxiliarão a Obra Divina, “combatendo o Bom Combate”.

     O dever de quem tem Fé é ter Esperança: cremos que o sol da justiça e da paz, afinal, há de raiar, esplendoroso, sobre nossa Terra! Vai demorar, o preço a ser pago será alto, mas o mal e os maus serão vencidos e passarão! Com a Graça de Deus e a perseverança das nossas crenças e do nosso valor!

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     * V. Alte. (Ref) Sérgio Tasso Vásquez de Aquino.

     

     Texto publicado em 23 de março de 2009.

 

 

 

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