CAOS APÁTICO E FACTUAL

NA ESPANHA

 

André F. Falleiro Garcia    

 


     O blog Libertatum honrou o Site da Sacralidade com a outorga do PRÊMIO RED HISPANIA.

     A comenda virtual foi criada pelo blog espanhol Red Hispania, que congrega uma coletividade de blogs e sites, tendo como ponto de união a unidade da Espanha e o enfrentamento dos diversos fatores que conturbam a realidade dessa gloriosa nação. O amor à pátria espanhola é o vínculo comum dos diversos enfoques peculiares a cada um dos membros dessa rede.

     A defesa da identidade multissecular espanhola hoje se faz num cenário no qual não está ausente o caos proteiforme. A este respeito, desenvolvemos uma tese que nos é muito cara, em artigo publicado com o título

     Análise do caos no caso espanhol: a exacerbação dos fatores heterogêneos na questão dos separatismos 

    Um dos métodos do caos revolucionário — induzido e não espontâneo — é a implosão da ordem nas estruturas do Estado ou nas instituições da sociedade civil pela exacerbação de fatores heterogêneos ou homogêneos. O caso espanhol é paradigmático no sentido da exacerbação dos fatores heterogêneos. O sentimento separatista de maneira intencional e artificial é intensificado pelos protagonistas locais do caos factual. O convívio harmônico e respeitoso para com as legítimas diversidades regionais é conturbado pela criação de um clima generalizado de instabilidade institucional, insegurança e terror. A explosão do caos factual de tempos em tempos sacode a Espanha, tanto em suas estruturas político-sociais quanto psicológicas.

     A anestesia habitual e os episódicos lances de caos factual

     A Espanha herdeira da alma do Cid Campeador continua no seu dia a dia sob o caos apático, anestesiada sem que perceba, amordaçada sem seu consentimento, extraviada sem saber que segue a rota de sua própria ruína. E esse estado habitual e mórbido de tempos em tempos é sacudido pelas explosões provocadas pelas redor do terror separatista ou islâmico.

     Se o terremoto que atingiu a região de Abruzzo, na vizinha Itália, até agora produziu infelizmente quase 300 vítimas fatais, além de incalculável prejuízo econômico, na Espanha a sucessão de abalos psicossociais episódicos produzidos pelo caos factual tem resultado em algo muitíssimo mais nefasto. Pois provoca efeito análogo ao de choques elétricos aplicados sobre um paciente anestesiado e privado da inteira lucidez sem a intenção de buscar a sua cura.

     É oportuno lembrar que o socialista Zapatero chegou pela primeira vez ao poder após sua vitória nas eleições gerais da Espanha em março de 2004. Até as vésperas dessa eleição era considerado candidato derrotado. Saiu vitorioso graças aos 200 mortos do atentado com bombas na estação de trens de Madrid, produzido pelas redes de terror islâmico difusoras do caos factual violento. Parcela importante da opinião pública espanhola ficou chocada, e mudou de voto com medo da ameaça do terror islâmico.

     Como relatou na ocasião o diário El Mundo, de Madrid, na primeira roda de imprensa após as eleições, jornalistas estrangeiros perguntaram diretamente a Zapatero: "Se um atentado pôde mudar o resultado das eleições, então, não foi uma vitória do terrorismo?" Houve um silêncio sepulcral da parte do vitorioso Zapatero, seguido de ambígua explicação sobre o "desejo de mudanças" dos espanhóis.

     A recente reeleição de Zapatero — que levou adiante a "revolução assombrosa" nesse país durante o seu primeiro mandato, inclusive foi aprovado o "casamento homossexual" — ocorreu sem que tenha havido atentado sangrento. Respondam os espanhóis agredidos pela realidade: será que desta vez o estado de anestesia se revelou suficiente, não sendo necessária a produção de nenhum fato-surpresa bombástico e literalmente explosivo?

     — Caro amigo Klauber Cristofen Pires, editor de Libertatum: mais uma vez agradecemos a homenagem e nos orgulhamos por estar ao seu lado na luta ideológica.

 

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