UNOAMÉRICA REALIZOU EVENTO NO RIO DE JANEIRO

 

ANDRÉ F. FALLEIRO GARCIA

 

Alejandro Peña Esclusa (e) com Jorge Roberto Pereira (d)

     A organização de âmbito sul-americano UnoAmérica, presidida pelo líder venezuelano de oposição Alejandro Peña Esclusa, e o Farol da Democracia Representativa, dirigido por Jorge Roberto Pereira, uniram esforços para realizar em 25/04/2009 no Rio de Janeiro um importante e bem sucedido evento: “UnoAmérica e o Eixo do Mal Latino-Americano”. A numerosa presença de jovens que compareceram e participaram ativamente dos debates deu especial nota de alegria e esperança ao encontro.

     Pela primeira vez Alejandro Peña Esclusa veio ao Rio de Janeiro. Não foi sua primeira vinda ao Brasil. Disse-me Peña Esclusa que em visitas anteriores esteve em São Paulo, a convite da Associação Comercial dessa cidade e de empresários liderados por Guilherme Afif Domingos. De fato, foi memorável sua participação, em maio de 2006, no seminário “Democracia, Liberdade e o Império das Leis”, realizado na sede da Associação Comercial paulista. Nessa ocasião, Peña Esclusa advertira: “a ditadura de Hugo Chávez não é um fenômeno isolado, é apenas a realização local, um pouco mais avançada no tempo, do plano estratégico abrangente do Foro de São Paulo”.

João Ricardo Moderno, presidente da Academia Brasileira de Filosofia

     O encontro promovido por UnoAmérica e Farol da Democracia deveria ser realizado no auditório do Barrashopping, situado na Barra da Tijuca, bairro onde hoje se localiza o novo centro da vida carioca. Todavia o local foi interditado devido ao grande temporal ocorrido na véspera. Por isso, realizou-se na casa que pertenceu ao marechal Osório, Marquês do Herval, sede atual da Academia Brasileira de Filosofia. Seu presidente, João Ricardo Moderno, não só cedeu o local, nessa emergência, como também participou do evento.

     Assim, em vez das instalações modernas do Barrashopping, as portas da tradição se abriram de par em par para receber os conservadores no solar de Osório. O ambiente mercantilista, próprio aos shoppings centers, cedeu lugar para a atmosfera impregnada do feliz consórcio da tradição militar imperial com a filosofia do estado de direito. Não fomos recepcionados pelos funcionários do shopping, foi-nos proporcionado algo superior: a acolhida generosa e amiga de João Ricardo Moderno.

     O conteúdo da mensagem de Peña Esclusa tem grande importância e fornece uma valiosa chave para a compreensão do panorama latino-americano não só na sua atualidade como também numa perspectiva conjetural para os próximos anos. Farei a seguir um resumo de suas palavras.

Perspectivas de mudanças na América Latina

Alejandro Peña Esclusa

 

     A América Latina em breve passará por um momento de crucial importância histórica: o punctum saliens

Peña Esclusa: o punctum saliens será o momento histórico em que a América Latina fará a opção pelo caos ou pelo retorno à ordem

     Aproxima-se para a América Latina a ocasião de grandes mudanças.

     Punctum saliens é o ponto mais importante de uma questão. Toda obra de arte tem um punctum saliens, um ponto culminante. Toda a América Latina em breve vai passar por um punctum saliens, por um momento culminante.

     Conforme isto aconteça, poderemos reconstruir o continente segundo as vias da civilização cristã, ou entraremos numa situação de anarquia e guerras civis desagregadoras.

     A minha opinião é de que o Brasil terá um papel preponderante no punctum saliens.

     Com efeito, em 1989 caiu o Muro de Berlim e depois foi extinta a URSS. As esquerdas latino-americanas ficaram sem o apoio de Moscou. Por uma misteriosa razão, a pequena Cuba comunista não caiu. Em 3 e 4 de julho de 1990, reuniram-se dirigentes do Partido Comunista Cubano e do Partido dos Trabalhadores (PT) para a fundação de uma nova organização de porte sul-americano, o Foro de São Paulo (FSP). Na mesa de trabalho da direção dessa organização estavam também as FARC colombianas.

     Em 1995 houve uma mudança de fisionomia no FSP. Hugo Chávez recém havia saído do cárcere, onde permanecera após o insucesso do golpe de estado por ele promovido. Foi recebido em Havana por Fidel Castro com honras de chefe de estado. Em seguida, Chávez compareceu à reunião do FSP e se inscreveu nele. Fez-se então um pacto: as esquerdas apoiariam Chávez em seus planos de chegar ao poder, e este, quando chegasse à Presidência, apoiaria o FSP.

     Em 1998, houve uma segunda mudança: Chávez vence a disputa presidencial e no ano seguinte concretiza o acordo com o FSP. Começa a utilizar os recursos do Estado venezuelano para financiar todos os candidatos do FSP. Hoje, o Foro controla o governo de 15 países.

     Pode-se notar, nas cúpulas políticas que dirigem essas 15 nações, duas alas: a radical e a moderada. Há nações que são dirigidas por integrantes da ala radical do FSP, como Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua. E há outras em que seus dirigentes apresentam um viés considerado moderado, como o Brasil e o Chile. Os líderes moderados são moderados por exigência das circunstâncias internas desses países, mas eles mesmos, em seu coração, são radicais. Moderados e radicais entre si são amigos, relacionam-se e trabalham em conjunto a favor de uma mesma causa.

     Um aspecto de grande importância deve ser ressaltado: o FSP cometeu gravíssimo erro, e daí vem a questão do punctum saliens. Desde o primeiro dia do Foro nele se dizia: "o socialismo real ruiu no Leste Europeu, mas vamos recuperar aqui na América o que perdemos por lá. Virá uma crise do capitalismo, e quando ela estalar, vamos aproveitar esse momento. Caiu o Muro de Berlim, mas também vai cair o Muro de Wall Street. E nessa hora nós representaremos a solução para a crise final do capitalismo".

Peña Esclusa e Heitor de Paola

     Mas acontece que Chávez acelerou os acontecimentos latino-americanos muito além do previsto e chegou rapidamente ao poder. Sem isso, não teria acontecido a subida ao poder de Evo Morales e outros. Os petrodólares venezuelanos tiveram grande papel para a vitória das esquerdas.

     Agora a crise econômico-financeira já surgiu. E os líderes do FSP não estão mais na oposição em seus respectivos países. Não podem apresentar o socialismo como solução para a crise. Cabe-lhes, como governo, resolver eles mesmos a crise. E isso não sabem fazer.

     O preço do barril de petróleo caiu muito, como também o valor das commodities (matérias-primas ou com pequeno grau de industrialização). Nessa conjuntura, os líderes da ala radical que estão na chefia dos governos latino-americanos tendem a aumentar a repressão interna e fortalecer o regime ditatorial.

     Chávez, por exemplo, vem tentando enfraquecer as Forças Armadas de seu país, para substituí-las por milícias bolivarianas. Quando o preço do petróleo esteve alto, fez má gestão dos recursos financeiros assegurados pela exportação petrolífera. 45% das indústrias venezuelanas fecharam, graças a essa má gestão, e à perseguição estatal contra o empresariado. Virão protestos sociais, quando a crise se intensificar. Pois o povo irá reclamar da falta de comida, de casa própria e o mais. E a única saída para Chávez será o aumento da repressão e da ditadura. É o punctum saliens.

     E o que se passará, nessa hora, nos países de governos ditos moderados? Nesses países também haverá forte crise econômica com reflexos sociais, e por causa disso a ala moderada do FSP poderá perder as eleições no Uruguai, Panamá, Chile etc.

     A organização UnoAmérica se prepara para o momento do punctum saliens, para apresentar propostas de saída para a crise, e desde já procura coordenar as forças democráticas para enfrentar essa situação.

     Um ponto que causa preocupação, nesse cenário, é o começo da invasão do islamismo radical em nosso continente. O Irã tem relações estreitas com o regime chavista, que entrega passaportes para ativistas radicais islâmicos se movimentarem livremente pela América do Sul.  Lula receberá o presidente iraniano Ahmadinejad que virá em visita oficial em 6 de maio.

Vista parcial do auditório

     O Brasil, oitava economia mundial, o que fará? Não há só o governo de Lula e do PT.

     Há no país muitas associações civis e culturais.

     Venho pedir-lhes que as forças internas sadias da sociedade brasileira assumam papel protagonista no punctum saliens. É preciso promover valores e princípios, como o amor à pátria, à família, a defesa da livre iniciativa etc.

     Sinto-me otimista quanto ao futuro. Mas vejo que vamos passar por um momento culminante difícil, ao qual me referi. Se na hora do punctum saliens várias nações sul-americanas caírem na anarquia e na guerra civil, esses fatores desagregadores acabarão repercutindo no Brasil.

     O relativismo é o ponto em comum entre o governo de Obama e a orientação dos líderes latino-americanos que seguem o Foro de São Paulo

     Há uma relação de ordem cultural entre o governo de Obama e o governo das 15 nações da América Latina cujos líderes estão filiados ao Foro de São Paulo. O ponto em comum é o relativismo.

     Nosso principal inimigo é o relativismo, cujas raízes se encontram na Revolução Francesa e no iluminismo que a inspirou. Nessa ocasião foram estabelecidos novos parâmetros: "Não queremos um rei, queremos a participação do povo no governo". Quer dizer, entrou em evidência a vontade da maioria popular. O relativismo é a filosofia que considera que tudo depende da vontade da maioria, e não de valores transcendentes.

     A vontade popular não é fixa, pode mudar. O que esta vontade determina, se transforma em valor cultural. Mas os valores universais e perenes que constituem o fundamento de nossa civilização não dependem da maioria popular. Não podemos aceitar esse relativismo.

     Obama é o resultado do relativismo norte-americano, que tem a mesma origem do relativismo sul-americano. O relativismo na política produz erros gravíssimos. Anos mais tarde vai se perceber o resultado nefasto dos erros políticos provocados pelo relativismo.

     Conclusão

     Não há solução individual para cada uma das nações latino-americanas. Só é viável uma solução continental, para um problema de âmbito continental. UnoAmérica é uma organização que procura avivar e coordenar as forças vivas continentais. Convido a parcela dessas forças que aqui está presente a fazerem parte da UnoAmérica.

 

Jorge Roberto Pereira e Graça Salgueiro

     O evento foi inaugurado por Jorge Roberto Pereira, do Farol da Democracia Representativa, que apresentou, através de slides, o papel do farol na orientação dos navios durante a noite e a tempestade, e fez uma analogia disso com a situação atual da América Latina.

     Uma breve saudação foi realizada por João Ricardo Moderno, presidente da Academia Brasileira de Filosofia. A seguir, Alejandro Peña Esclusa desenvolveu o tema "Perspectivas de mudanças na América Latina", que resumi acima.

     Coube a Graça Salgueiro abordar o caso colombiano: "As Farc e o narcoterrorismo na América Latina". Analisou a evolução do plano estratégico das FARC e apresentou fotografias chocantes mostrando a realidade sangrenta dos ataques cruéis terroristas contra a população civil desarmada.

     Após o coffee break, Heitor de Paola coordenou o debate, e as perguntas feitas pelo auditório foram respondidas pelos integrantes da Mesa que dirigiu os trabalhos. A maioria delas foi feita por jovens.

     Resta dizer uma palavra sobre a UnoAmérica no Brasil. Respondem pela entidade em nosso país seus dois Delegados, Heitor de Paola e Graça Salgueiro. Outras associações ou pessoas podem aderir e apoiar essa entidade de âmbito sul-americano.

     Graça Salgueiro, quando o evento já havia terminado, honrou o Site da Sacralidade com o convite da adesão, aceito de imediato. Dado o caráter de frente ampla da UnoAmérica, as associações ou sites aderentes mantém completa independência e autonomia, ao mesmo tempo que a apóiam em todas as suas iniciativas que estejam voltadas para a defesa das raízes cristãs de nosso continente e sejam realizadas dentro da legalidade no estado de direito.

     O Site da Sacralidade augura sucesso ao incansável líder anticomunista Alejandro Peña Esclusa em sua próxima viagem para Córdoba, Argentina. A conferência que ali fará, neste mês de maio, será promovida por Jorge Mones Ruiz, Delegado de UnoAmérica para a Argentina e pelos participantes do "Movimento pela Verdadeira História".

     Oxalá os Delegados brasileiros, Heitor e Graça, emprestem o melhor de sua capacidade de trabalho e seus grandes dotes intelectuais e morais para a campanha de esclarecimento e formação de opinião, não só de nosso país, como do continente americano inserido na civilização cristã por nossos ancestrais portugueses e espanhóis, mas hoje ameaçado pela revolução comuno-tribalista. 

 

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     Crédito das fotografias: Adriano Moreira da Fonseca Neto.

 

     Matéria relacionada: Galeria de fotos do evento

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