ESTRATAGEMA POLITIQUEIRO DE LULA, PIEDAD E OUTROS CONLUIADOS, NA LIBERTAÇÃO DO CABO MONCAYO *

 

Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido * *    

 

 

A colorida senadora colombiana, ao lado do senador Eduardo Suplicy, do PT, cumpre agenda fariana no Brasil

     Em contraste com as fortes declarações do presidente Uribe feitas no sábado passado em Facatativá e confirmadas depois na Espanha, segundo as quais só a Cruz Vermelha e a Igreja Católica estão autorizadas a contatar os terroristas para a libertação do cabo Moncayo e demais seqüestrados, a senadora Piedad Córdoba viajou ao Brasil, sem que haja clareza sobre quem financia tantas viagens suas ao exterior, para coordenar com o governo brasileiro, afirmou ela, toda a logística da montagem pró-Farc.

     A atitude de desafio da senadora do Partido Liberal Colombiano, é uma resposta calculada para a orientação dada pelo presidente colombiano. Uribe, no Conselho Comunal de Facatativá, sugeriu que como ela está vinculada à Farcpolítica [1], o povo colombiano não quer festins midiáticos a favor dos terroristas.

     Ademais, a arrogante conduta de Piedad Córdoba coincide com as destemperadas e mal-intencionadas declarações do presidente Lula que, sem ocultar sua simpatia pelas Farc, questiona: por que não poderiam chegar ao poder pela via eleitoral?

     Lula, do mesmo modo que Chávez, Ortega e Correa, “esquece” que as Farc são terroristas, seqüestradoras, narcotraficantes, extorsionárias etc. Mas as considera como uma força política rebelde. Sem deixar de apoiar em tudo o grupo criminoso, faz-se de desentendido, e afirma que sua intervenção dependerá da autorização do governo colombiano. Típico comportamento de um marxista-leninista convicto.

     A informação contida nos computadores de Raúl Reyes é muito comprometedora e esclarece as verdadeiras intenções do governo brasileiro. Por exemplo, enquanto os linguarudos presidentes do Equador e Venezuela tinham um de seus ministros em contato permanente com as Farc, Lula tinha cinco, além de seu secretário geral. Inclusive, Marco Aurélio Garcia é quem atua como anfitrião de Piedad Córdoba nesse périplo.

     E que coincidência! Nos computadores de Reyes aparece escrito muitas vezes o nome do comunista Marco Aurélio Garcia, como o intermediário ideal, o estafeta das Farc com Lula, o elo da cadeia de argúcias contra a Colômbia, tecidas pela ala radical do PT, os comunistas brasileiros e o próprio Lula, o qual pegou a mesma doença do ex-presidente Ernesto Samper, que o leva a dizer que tudo acontece pelas suas costas... Esta é a prova irrefutável de que “neste mato tem cachorro”. E tão grande, nessa “libertação unilateral”, quanto o elefante que ficou colado com Samper.

     As Farc e seu coro de proselitistas montaram outro episódio de opereta, com o qual pretendiam jogar o governo Uribe nas cordas durante a recente Cúpula das Américas. Mas, como já foi dito, a rutilante estrela midiática do presidente Barack Obama ofuscou o pretendido espetáculo.

     Não obstante, a diplomacia paralela das Farc continua a desenvolver o Plano Estratégico, enquanto a Chancelaria colombiana, os embaixadores e os cônsules ficam mascarados com a inépcia e a indiferença. O dardo que arremessou Piedad Córdoba sobre a participação de alguns congressistas norte-americanos na libertação de Moncayo, somado à existência de um território neutro dentro do Brasil, não é uma afirmação superficial nem gratuita.

     É o resultado do trabalho diplomático de respaldo do governo de Lula às Farc, e do lobby que o mandatário brasileiro mandou fazer dentro da bancada democrata norte-americana, em aras de que se retire o rótulo de terrorista, para que, como ele mesmo diz, possam as Farc chegar ao palácio de governo na Colômbia e realizar seu plano geopolítico de converter todos os governos da América Latina em súditos da ditadura cubana. Isto seria um retrocesso, similar ao vergonhoso estado de miséria, atraso e ignomínia ao qual o sátrapa Fidel Castro reduziu a ilha caribenha durante meio século, com a mentira de que tinham dignidade diante dos Estados Unidos.

     Nessa ordem de idéias, não são gratuitas as condições desrespeitosas que Hillary Clinton e a bancada democrata imprimem ao Tratado de Livre Comércio (TLC) com a Colômbia. O argumento dos sindicalistas mortos é o produto da propaganda fariana e da dupla moral daqueles que, dentro da Colômbia e nos acampamentos das Farc, falam asneiras contra o “império norte-americano”, e logo vão aos Estados Unidos com cara de cordeiro preocupado, para buscar a queda do governo de Álvaro Uribe.

     Mas é curioso como ninguém esclarece a Secretária de Estado e o séqüito de democratas norte-americanos contrários a Uribe, de que a forma para evitar as lamentáveis mortes de sindicalistas, deve começar pela autodepuração dos sindicatos, para impedir a ocorrência de casos como o da Fenusagro. Pois os terroristas pertencentes ao Movimento Bolivariano e ao Partido Comunista Clandestino se infiltram com o objetivo de transformá-los em participantes da guerra política contra o Estado colombiano, e por causa disso os sindicatos se convertem em alvos dos grupos de justiça privada, nascidos como conseqüência dos constantes abusos e atrocidades das Farc contra a população civil desarmada.

     Nos computadores de Raúl Reyes se encontram sólidas provas das mentiras montadas por um acadêmico esquerdista norte-americano, em conluio com alguns senadores democratas, e inclusive a existência de um projeto para propor que os terroristas libertem os três norte-americanos seqüestrados em troca de um grande favor político, que seria o reconhecimento de status de beligerância para as Farc.

     Nenhuma dessas realidades deve causar estranheza. A frente internacional das Farc conta com o apoio de vários governos do continente favoráveis ao terrorismo. Está em gestação um complô contra a Colômbia, disso os gestores do Foro de São Paulo não se arrependeram. E também as Farc não renunciaram aos objetivos de seu Plano Estratégico.

     Com o intento de libertação do cabo Moncayo e a entrega dos restos mortais do major Julian Guevara, os terroristas e seus conhecidos cúmplices jogam com a dor humana, com a debilidade sentimental da opinião pública, e com o futuro do país, pois seguem empenhados na imposição de um governo de transição para o “socialismo do século XXI”. Para isso, como consta dos documentos eletrônicos de Raúl Reyes, as Farc e Hugo Chávez têm candidata própria. E agora, Lula da Silva, de forma descarada, uniu-se a eles.

     Aqui vem outro beliscão na Chancelaria. É hora dos acomodados cônsules e embaixadores se sacudirem. Que movam todos os fios que não moveram até agora, para que a comunidade internacional pressione os terroristas das Farc no sentido de cumprirem a vontade do povo colombiano manifestada nas ruas em 4 de fevereiro de 2008. [2]

     Também é um apelo aos juízes e magistrados encarregados dos aberrantes casos do escândalo da Farcpolítica, para que cessem o enfrentamento premeditado contra o presidente Uribe. E se dediquem a julgar e colocar por detrás das grades aqueles que, além de estar conluiados com terroristas e governos marxistas, chamam às Farc terroristas com o qualificativo de insurgentes, e aos seqüestrados, chamam de “prisioneiros de guerra” ou “presos políticos”.

     O ético, o lógico e o que quer o povo colombiano, é que não haja mais seqüestros, nem mais Farc, nem governos com mentalidade arcaica na Colômbia. Quase seis décadas de terrorismo comunista deixaram fartas todas as gerações de colombianos.

     Só as Farc e seus retrógrados simpatizantes e correligionários continuam convencidos de que o comunismo tem atualidade; que os terroristas representam os menos favorecidos; que a origem do conflito são as desigualdades sociais, e não a ambiciosa estratégia do partido comunista para implantar uma ditadura similar à cubana;  que o problema do país é o presidente Uribe.

     Neste sentido, são cegos diante da realidade atual e a História. Enquanto milhões de pessoas rejeitam e exteriorizam esse repúdio contra as Farc e seus cúmplices, estes estultos de plantão, conluiados, procedem como os fundamentalistas talibãs, que se crêem guerreiros enviados pelos céus com a solução para a miséria que, entre outras coisas, eles mesmos produziram, em parte por meio da violência irracional.

     A Colômbia necessita que sejam libertados o cabo Moncayo, o general Mendieta e todos os demais seqüestrados, inclusive os que estão cativos por razões extorsivas. Não necessita as palhaçadas nem as jogadas sujas por debaixo da mesa por parte dos confabulados com as Farc. Não necessita do protagonismo midiático dos que se denominam Colombianos pela Paz. E nem mais dos ardis enganosos que confundem os familiares dos seqüestrados e o povo colombiano em geral.

     O acompanhamento internacional que a Colômbia requer – e conseguir isto é obrigação da Chancelaria e dos corpos diplomáticos acreditados no exterior – é a luta frontal e combinada de todos os países do hemisfério sul contra o terrorismo, somada ao investimento social nas zonas onde o terrorismo comunista tem impedido o acesso das facilidades do mundo moderno, graças à incompetência e falta de visão estratégica dos sucessivos governantes colombianos.

     A Colômbia não necessita senadores democratas norte-americanos que venham legitimar terroristas. Necessita que esses senadores deixem de lado o ânimo vingativo anti-Bush – que aplicam contra o único aliado leal que têm os Estados Unidos na região – e em conseqüência aprovem o TLC. E que não ameacem com um Plano Colômbia a conta-gotas, e como se fossem migalhas de uma esmola obrigatória para eles. Além disso, que entendam e atuem em conseqüência contra o narcoterrorismo; pois, se Lula não é sincero com Uribe, tampouco o será com Obama, nem com mais ninguém. Afinal de contas é um comunista formado na escola do utilitarismo marxista, e isso é o que sabe fazer.

     É hora de a modorrenta diplomacia colombiana reagir e fazer entender ao mundo inteiro que as Farc encarnam o narcotráfico e o terrorismo, que o continente americano está em grave risco quanto à estabilidade e desenvolvimento. E de Lula dizer claramente que está longe dos parâmetros da guerra fria: ele e seus arcaicos seguidores marxistas-leninistas veneram o ditador Fidel Castro, planejam a desapropriação da terra e dos demais recursos, para passá-los para uns Estados parasitários, burocráticos e parados no trem da História, pretendem estatizar a economia etc. etc. E de os embaixadores e cônsules dizerem, desde agora, que tudo isso é nefasto para o mundo globalizado atual.

     Pão, pão, queijo, queijo.

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     NOTAS DO TRADUTOR:

 

    [1] Farcpolítica é um neologismo criado a partir das descobertas realizadas nos computadores de Raúl Reyes em março de 2008, que revelaram estreitas relações de certos políticos, jornalistas e estrangeiros com a guerrilha narcoterrorista. A Farcpolítica é a escandalosa revelação da existência de um braço político das Farc, com intensa atividade no exterior, inclusive na Europa. Cerca de doze pessoas passaram a ser inicialmente investigadas pelos promotores públicos encarregados da Farcpolítica. Entre os políticos, estão a senadora Piedad Córdoba, Wilson Borja e Álvaro Leyva que foi ministro e disputou campanha presidencial. Nos computadores de Reyes encontrou-se mais de 900 e-mails trocados entre Piedad e as Farc.

     [2] Nesta data milhões de pessoas foram às ruas na Colômbia, e em outros países da América e do mundo, para protestar contra as Farc. 

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     * Publicação original em castelhano: www.eltiempo.com

     *  * Coronel aposentado do exército colombiano, escritor, analista de assuntos estratégicos, especialista em guerra assimétrica e contraterrorismo urbano e rural. www.luisvillamarin.co.nr    

     – Tradução: André F. Falleiro Garcia

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