COMENTÁRIO PRÉVIO

A VERGONHA OU A GLÓRIA

 

ANDRÉ F. FALLEIRO GARCIA

 

     "Força e coragem, quando a realidade bate à nossa porta". Foi o primeiro texto que li neste dia, escrito pela grande brasileira que assina como Rebecca Santoro.

     Uma página muito humana. Leva o leitor a se perguntar até que ponto se identifica com o Bem.

     "O vos omnes, qui transitis per viam, attendite, et videte si est dolor similis sicut dolor meus". Canta o responsório: "Ó vós todos que passai pelo caminho, prestai atenção e vede se há dor semelhante à minha dor".

     É o lamento do profeta do Antigo Testamento que prenuncia a dor de Cristo. Prenuncia também a dor de todos os que padecem grandes sofrimentos morais. Ser cristão no mundo atual  sem cair em relativismos e capitulações implica em padecer muitas dores morais.

     Cristo também passa por nós, na pessoa da guerreira envolta na luta e na dor, que nos pergunta: "Ó vós todos que passai pelo caminho, prestai atenção, e vede se vossa dor é semelhante à minha dor". Como nos sentimos e o que fazemos então?

     Até que ponto nos identificamos com os ideais pelos quais lutamos? Somos insensíveis à Verdade e ao Bem? Vemos o drama de nossa nação como espectadores que assistem um filme e saboreiam pipocas?

     Joana D’Arc, a guerreira francesa, passou por muitos dramas pessoais. Uma gesta não se faz sem grandes lutas, não é isenta de dramas pungentes.

     Os dramas pessoais são muito humanos. Quando a tessitura deles se confunde com a trama da gesta de uma nação, então deixam de ser apenas humanos e se tornam sublimes.

     O que dá a verdadeira medida de grandeza para a "gesta Dei per brasiliensis" é a identificação do guerreiro com seu elevado ideal. É isto que o sublima. A verdadeira glória nasce da dor. Quando seu drama pessoal se insere no contexto da luta épica, a sublimidade o redimensiona e a glória paira sobre ele, antes mesmo da derrota de seus adversários.

     Os que maquinam a revolução cultural ou que efetivam a conquista gramscista da sociedade estão em grande vantagem no plano da realidade imediata. Mas seu sucesso os recobre de vergonha, à vista de si mesmos e de toda a nação.  A corrupção envergonha e desmoraliza; a pobreza honrada ou a carência de meios de ação fazem sofrer, mas enobrecem.

     A direita brasileira precisa se convencer do que é mais importante para ela: a postura. Que tem como pressupostos a coerência e a estabilidade. Antes mesmo do fazer, ela tem que ser. Os políticos venais estão desacreditados, graças à contínua incoerência e instabilidade, dissimuladas como flexibilidade, governabilidade etc.

     No plano da realidade mediata, da trans-realidade, a vitória final será o apanágio dos que hoje buscam a sublimidade sem se deixar vencer pela dor. Pois quando a realidade dolorosa bate à porta, ao abri-la um raio penetra no interior das almas. É a graça sobrenatural, força divina, dom que vem revigorar a virtude humana da fortaleza e transformá-la em virtude divina. Vai-se então robustecido à luta. Deus dá a vitória.

 

FORÇA E CORAGEM QUANDO A REALIDADE BATE À NOSSA PORTA

 

REBECCA SANTORO

 

     Não tenho escrito muito e nem publicado os artigos de terceiros – tão importantes – que tenho vindo sempre divulgando. Parei um tempo para refletir sobre a realidade. É, chega uma hora em que ela é implacável e finalmente bate à nossa porta cobrando decisões inadiáveis. Chegou a minha. Pedi um tempo. A Realidade está parada em frente à minha porta, de braços cruzados, porém sem muita paciência, esperando para ouvir o que tenho a dizer sobre as decisões que terei que tomar. Encostei a porta e, neste momento, atrás dessa porta, olho para minha casa, para meus familiares, para minhas coisas. Filmes da vida inteira me vêm à mente. Rezo, peço sabedoria. Confronto-me com o que sou e com o que, talvez, terei que extirpar de dentro de mim, a um custo altíssimo, diga-se de passagem, para continuar minha caminhada pela vida.

     Certo estava Jesus (que grande novidade!) que, ainda que muito mal interpretado até hoje sobre sua atitude neste episódio, disse para um homem que lhe perguntara o que deveria fazer para lhe seguir, que este deveria vender tudo o que tivesse e deixar sua família para trás. O homem, entristecido, se foi, pois não teria como fazer aquilo que o mestre lhe dissera, para lhe acompanhar em suas peregrinações. Tem gente, até hoje, que pensa que Jesus estivesse dizendo que só poderia estar a seu lado aquele que se dispusesse a não possuir bens terrenos e nem apegos familiares, porque estas coisas seriam de importância pequena, sem valor espiritual elevado. Errado. Sabiamente, Jesus estava a dizer, em poucas palavras, que, para estar a seu lado, fisicamente, no combate que estava a travar, o homem cujos bens e familiares dele dependessem para sobreviver, física e espiritualmente, não poderia estar inteiro no ‘combate’ e nem livre para fazer o que tivesse que ser feito. Isso, entretanto, jamais significou dizer que não se pudesse estar espiritualmente a seu lado, seguindo os ensinamentos do Mestre, mas na missão que possam e que devam cumprir os homens com bens e com famílias. Se fosse hoje, talvez, Jesus dissesse ao homem: ‘cada um no seu quadrado’, cada um fazendo com presteza a parte que lhe cabe.

     Também me lembrei de uma pregação do Padre Fábio de Melo, no programa semanal Direção Espiritual, na qual ele contava uma parte de sua própria estória de vida. Falava, então, a respeito de exorcizarmos certas memórias do passado que nos fazem sofrer, tendo a coragem de falar sobre elas. Contava o Padre Fábio sobre uma passagem em que, atravessando um momento de grande pobreza, ele e sua família – pai, mãe e sete filhos – haviam ido morar numa cidade nova, para tentar a vida. Mais uma dessas cidades pequenas, como tantas das que tínhamos e que hoje ainda temos por este Brasil a fora.

     Não tendo quase nada para comer em casa e não podendo ir aos mercadinhos da cidade, ele, então com uns 14/15 anos, e sua mãe, foram procurar um sítio onde houvesse máquinas de arroz, que vendia o produto, exposto em sacas, em porções avulsas. Na casa de venda, havia várias sacas, cada uma com um tipo de arroz. Talvez nem o mais barato desse para comprar em quantidade suficiente para levar para casa e alimentar toda a família. Entretanto, numa daquelas sacas, havia um tipo de arroz com grãos muito pequenos, talvez porque estivessem quebrados e esfarelados, cujo preço a mãe do Padre poderia pagar para levar para casa pelo menos uns 5 kg do produto – era muita gente para alimentar. Ela olhou para o vendedor que lhe atendia e a ele pediu que embrulhasse a quantidade que desejava. O homem, inocentemente, perguntou: “É para alimentar os porcos?”. Padre Fábio disse que, na ocasião, morreu de vergonha da própria condição de sua família e da atitude de sua mãe, que, olhando o homem nos olhos, lhe disse: “Não. É para nós comermos mesmo”. De tão sem graça e comovido com a situação, bem como com a sinceridade daquela até então desconhecida senhora, o vendedor lhe deu o que pedira, mas também lhe ofertou, gratuitamente, um saco com um punhado de um arroz de boa qualidade. Padre Fábio levou mais de 20 anos para conseguir contar esta estória para alguém e o fez durante uma missa que rezava em sua cidade natal – Formiga (MG).

     Durante muito tempo, confessou Padre Fábio, lembrou daquele acontecimento com imensa tristeza, até que pôde perceber a lição daquele momento: como é que a coragem pode fazer a diferença em determinadas ocasiões e o quanto podemos perder se não a tivermos. Quanta diferença pode haver em dizer a verdade, de cabeça erguida, deixando a vergonha (quando realmente não há motivo real para que ela se apodere de nós) de lado. O quanto pode ser possível usar os meios certos para se conseguir aquilo que se deseja e/ou aquilo que é preciso. Há tantos que usam a frase “os fins justificam os meios” para se livrar de culpa por algo de errado que se tenha feito ou para dar “nobreza” a práticas atrozes...

     Lembrei da minha trajetória de vida. Das dificuldades. Das conquistas. Dos sonhos. Lembrei dos que me deram oportunidade – todas, Graças a Deus, aproveitadas. Recordei daqueles cujas vidas pude ajudar, de um jeito ou de outro.

     Lembrei de muitas coisas. Mas, a Realidade ainda está lá fora, apressada, esperando minhas respostas...

     Tenho tido tanto apreço pela verdade em tudo o que publico, em tudo o que produzo, em tudo o que tento passar adiante para as novas gerações, conversando com os jovens estudantes de hoje. Eles são muito mais espertos e inteligentes do que possa parecer. Têm sede de verdade. Já perceberam o mundo de mentiras e de incongruências que lhes tentam empurrar goela abaixo. Voltando... Por que tenho tanta dificuldade em dizer a verdade sobre mim, sobre minhas condições de trabalho e do quanto preciso de ajuda para continuar?

     Lá no meu site, já há bastante tempo, há um link na barra lateral – FAÇA A SUA PARTE – que leva a uma página dentro da qual eu redigi um texto completo falando sobre a necessidade da ajuda e da união de todos aqueles que pretendam ver o Brasil liberto da esquerdização internacionalista, liberto da esquerda corrupta que nos governa. Portanto, não vou repetir o que gostaria que todos fizessem a gentileza e tivessem a paciência de ler ou de reler AQUI. Mas, leiam tudo, até o fim.

     Não. Eu não sou miserável e, devo reconhecer, tive e ainda tenho condições de vida muito melhores do que a maioria dos brasileiros. Mas, o fato é que não tenho mais condições de manter meu trabalho sozinha e sem nenhuma ajuda financeira. Minha luta, assim como a de tantos outros brasileiros, pela nossa liberdade e pelo nosso pleno desenvolvimento como país e como nação, não pode ser genuinamente travada se continuar a ser encarada por tantas testemunhas como se um hobby fosse. Nunca o foi, pelo menos para mim.

     Muitos, eu sei (talvez a maioria), dos que travam a mesma batalha possuem outras fontes de renda e/ou vivem o mesmo dilema que eu, tendo que dedicar grande parte do tempo a outras atividades remuneradas. Apesar de não possuir nenhuma outra fonte renda além da que vem do salário de meu marido – que há muito já não é suficiente para sustentar a família com padrão de classe-média (média mesmo, sem grandes luxos) – e de poder contar com alguma ajuda de meus pais e de meus sogros, insisti no ‘chamado interior’ de continuar lutando para levar a verdade a todos a quem ela pudesse chegar. Porém, agora, estou no limite do suportável.

     Não dá mais para continuar se não conseguir colocar nenhuma contribuição financeira dentro de casa, nem mesmo a que já seria necessária para sanear as despesas que tenho com o trabalho que venho fazendo já há alguns anos. Não me arrependo de nada. Gostaria de continuar nesta luta, de muitos a ela agregar e de muito poder expandi-la. Por isso, enquanto a Realidade espera lá fora, impaciente, minhas respostas, resolvi tomar coragem para expor a situação, publicamente, a todos, e para pedir a ajuda daqueles que quiserem e que puderem, fazendo doações, colocando anúncios no site, etc.

     Não. Eu não sumirei do ‘mapa’ e nem deixarei de continuar escrevendo aqui e ali, publicando o que der, e quando der, se a ajuda não chegar (e ela precisa ser permanente, é bom lembrar). Continuarei recebendo e lendo e-mails (e respondendo, na medida do possível, ainda que com atraso, a todos os que a mim se dirigem, com questões, com pedidos, com denúncias, etc.).  Porém, nem ao site IMORTAIS GUERREIROS e nem ao livro público, de Christina Fontenelle (que já está no oitavo capítulo, há séculos, por falta de tempo e de dinheiro) poderá haver a dedicação necessária para que se trate de um trabalho atualizado e realmente engajado na luta pela verdade e pela liberdade neste país. Assim, calando, um por um, a todos nós, covardemente, com chantagem financeira, a esquerdalha corrupta tomará conta de tudo e de todos, até que testemunhemos as conseqüências de termos tratado como ‘hobby’ uma luta que deveria ser encarada com a maior seriedade – HOJE, AGORA – no futuro de nossos filhos e de nossos netos.

 

 

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