PARA HILLARY CLINTON, A IDEOLOGIA PERTENCE AO PASSADO.

OS NEOMARXISTAS DISCORDAM! *

 

Toby Westerman * *    

 

     A Secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton recentemente declarou que “ideologia ... é uma coisa do passado”. 

Enquanto Obama constrói "pontes" com os neomarxistas, Hillary tergiversa...

     Dias depois de Hillary ter feito esta declaração, Evo Morales, presidente da Bolívia, definiu-se publicamente como um “marxista-leninista” – uma nítida postura ideológica.

     Morales é aliado muito próximo do presidente Hugo Chávez, que fez sua própria versão do marxismo, que chamou de “socialismo do século XXI”, o dogma nacional da Venezuela.

     A observação de Hillary foi feita em resposta aos comentários de que o presidente Barack Obama estava construindo “pontes” com a Venezuela de Hugo Chávez e outros líderes hostis aos Estados Unidos.

     Chávez é um convicto adepto da causa neomarxista. Ele denomina esse tipo de marxismo como “Revolução Bolivariana”, que associa as teorias de Marx com o libertador latino-americano Simón Bolívar, e avançou tanto nessa linha que chegou a denominar oficialmente sua nação como República Bolivariana da Venezuela. Chama Fidel Castro, a quintessência do marxismo latino-americano, de seu “pai ideológico”.

     Descontentamentos populares levaram-no ao poder após as eleições de 1998, mas uma combinação de fraude, corrupção e intimidação física promovida pelas milícias chavistas conservaram-no no cargo. Todos esses fatores políticos estão agora a serviço de uma idéia ou ideologia, que sucessivamente domina quase todos os aspectos da vida do povo da Venezuela.

     Em sua própria nação, Chávez declarou guerra à empresa privada, denunciando-a em transmissões pelo rádio e televisão e pedindo que as escolas e universidades ensinem a mesma mensagem. A nova “Lei da Produção Social”, patrocinada por ele e comprometida com a teoria socialista, permite que o governo nacionalize qualquer empresa a qualquer hora.

     Não apenas Chávez busca o triunfo do marxismo, mas ele está ativamente procurando criar um “homem novo” que será conforme com o novo estado socialista. Em uma recente declaração para a Frente Francisco Miranda (FFM), um grupo ativista que apóia a “Revolução Bolivariana”, reafirmou sua convicção, frequentemente manifestada, de que o verdadeiro socialismo é impossível sem uma radical transformação do aspecto “espiritual” da humanidade. Ele e os que estão conectados com seu regime tentam abolir o “egoísmo natural”, que dizem que está por detrás do capitalismo e da tendência para uma melhor situação econômica.

     Seu principal opositor político, Manuel Rosales, foi forçado ao exílio. Acusado de “corrupção”, Rosales não confiou seu destino a uma corte judiciária controlada por Chávez. Procurou refúgio no Peru, que lhe concedeu status de asilado político. Em um lance audacioso que certamente o ex-ditador soviético Josef Stalin admiraria, Chávez tentou usar a organização internacional de polícia Interpol para capturar seu rival e trazê-lo de volta para a Venezuela, para o que prometia ser um julgamento-show. A outorga de asilo pelo Peru evitou que a Interpol capturasse Rosales, porque essa polícia internacional não atua em casos políticos.

     Chávez não limita seus esforços na implantação de sua revolução em seu próprio país, mas é um missionário socialista que usa dinheiro, tráfico de droga e revolução violenta para espalhar sua mensagem em todo o Ocidente, inclusive nos Estados Unidos.

Chávez, Correia e Evo Morales promovem a Revolução Bolivariana no continente

     Tem sido acusado de tentar manipular eleições em favor de candidatos socialistas ou pró-socialistas do México à Argentina.

     Embora negue, continua a ser o suporte para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia [sigla em espanhol, Farc], que se autodefinem como marxistas, e para as operações de venda de drogas do grupo rebelde.

     As forças guerrilheiras das Farc operam regularmente em ambos os lados da fronteira colombiano-venezuelana, atacando tropas colombianas e se refugiando no território venezuelano. Autoridades colombianas acreditam que o líder das Farc Ivan Márquez vive atualmente na Venezuela.

     A ajuda do marxista Chávez auxiliou a eleição de Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador, e o retorno ao poder na Nicarágua de Daniel Ortega, antigo líder da guerrilha sandinista.

     Os Estados Unidos, especialmente depois das eleições de 2008, não estão imunes à “Revolução Bolivariana”. Chávez tem amigos nos círculos intelectuais e políticos norte-americanos. Depois do caloroso encontro e o fraterno aperto de mãos com Obama na cúpula das Américas no último abril, ficou particularmente convencido de que “as mudanças que começaram na Venezuela na última década do século XX, tinham começado a chegar na América do Norte [termo frequentemente usado por ele e outros socialistas para os Estados Unidos da América]”.

     Chávez tem amigos que estão ideologicamente alinhados com ele. Admira a Coréia do Norte, uma relíquia stalinista controlada por um dos indivíduos mais paranóicos do mundo, Kim Jong II (o Amado Líder). O regime comunista da China forneceu assistência para a construção do sistema por satélite da rede de TV Telesur, dando-lhe uma ampla estrutura para seus esforços de propaganda.

     E a Rússia, governada por sua elite de espiões, abastece-o com as armas que ele pede, desde sofisticados armamentos de ataque até caças a jato de última geração.

     Ideologia não é “uma coisa do passado”, como afirmou a Secretária Clinton. Mais propriamente, como Chávez e seus amigos sustentam, é um excelente motivador da humanidade e assim permanecerá no futuro próximo.

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     * Publicação original em inglês: Clinton Says Ideology 'So Yesterday' – Marxists Disagree

      Tradução: André F. Falleiro Garcia

    

     * * Editor do site norte-americano International News Analysis Today  –   http://www.inatoday.com          

 

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