MONTAGEM PUBLICITÁRIA DAS FARC E SEUS CÚMPLICES EM TORNO DA LIBERTAÇÃO DE MONCAYO *

 

Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido * *    

 

A senadora Piedad Córdoba (c), o ex-presidente Daniel Samper (e) e Olga Amparo Sánchez (d), membros de Colombianos pela Paz

     A enorme atividade propagandística, publicitária e politiqueira desencadeada pelas mesmas pessoas que aparecem nos computadores de Raúl Reyes como conjurados contra a Colômbia, em torno da necessária libertação do cabo Moncayo, vem a confirmar, mais uma vez, que a chancelaria colombiana ainda está engatinhando em face da diplomacia paralela das Farc.

     E que a ditadura cubana manipula as redes do terrorismo na América Latina; os ineptos ex-presidentes Gaviria e Samper estão morrendo de inveja e com vontade de voltar a governar mal a Colômbia; os petrodólares venezuelanos têm servido de suporte para as persistentes campanhas de desprestígio contra Uribe promovidas pelo professor Moncayo, Piedad Córdoba, Yolanda Pulecio, e boa parte dos autodenominados Colombianos pela Paz. Vem confirmar que a todos os que vociferam críticas contra a reeleição de Uribe só lhes importa o ego, pois não têm a menor idéia de como resolver o problema do narcoterrorismo fariano etc., etc., etc.  

     Faz tempo que a Colômbia perdeu a capacidade de se indignar diante de tanta falta de vergonha dos dirigentes políticos egocêntricos, que nos governaram mal durante quase dois séculos. Mesmo assim, nunca faltou um chamado ao bom senso, para ver a situação com objetividade.

     Primeiro, esteve a senadora Piedad no Brasil, reunida com um dirigente comunista que aparece relacionado várias vezes, nos computadores de Raúl Reys, como cúmplice preferencial das Farc nesse país. E disse que a reunião que teve com esse personagem foi para buscar a ajuda brasileira para a libertação do cabo Moncayo. Depois, o Cardeal Castrillón disse uma mentirinha não muito piedosa, mas inaceitável para o seu cargo. Afirmou que falou com delegados das Farc e do Eln por telefone apenas cinco minutos com cada um. Sr. Cardeal, os bispos também pecam ao dizer meias verdades, não se esqueça!!!

     Agora apareceu o embaixador cubano em Bogotá, com o embuste de que a ilha empobrecida, submetida a cinqüenta anos de férrea e sanguinária ditadura comunista, poder ser o cenário para libertar Moncayo. E inclusive a senadora Córdoba tem contatos com políticos democratas mal orientados dos Estados Unidos, que, no fundo, querem condicionar o Tratado de Livre Comércio com a Colômbia a que haja negociação política com as Farc. Isto é produto da propaganda que fazem os agentes das Farc infiltrados entre os sindicalistas.

     No último encontro do Foro de São Paulo, em Montevidéu, todos os participantes encerraram o evento com uma declaração de intenção de trabalhar pela paz na Colômbia. Naqueles dias, Daniel Ortega pediu aos seus “irmãos das Farc, continuarem lutando pela paz na Colômbia”.

     Todos os patifes membros do Movimento Bolivariano das Farc e do PCCC infiltrados em Colombianos pela Paz, só pedem paz, com a curiosa coincidência de que suas colocações coincidem com os escritos incendiários do semanário Voz e as justificações teóricas de Alfonso Cano sobre a existência do terrorismo comunista na Colômbia.

     Mas vem a pergunta chave: quem quer a paz na Colômbia? Como a resposta óbvia é que todos os colombianos a querem, então, qual é o problema de fazer a paz como a propõem dentro e fora do país esses marxistas-leninistas?

     A resposta é simples, mas infelizmente é atacada pelos patifes e seus chefes, e pelos bobos de plantão que são inúmeros. A paz que as Farc e seus propagandistas querem, é a supressão total do estado de direito, para dar lugar a uma tirânica ditadura similar à de Cuba e aliada da revolução socialista do século XXI, urdida por Cuba, dirigida por Lula e apregoada pelos arrogantes mandatários da Nicarágua, Venezuela, Equador e Bolívia.

     O mesmo se passa com a estupidez costumeira do professor Moncayo, o qual, como a mamãe de Ingrid Betancourt, dedicou-se a ofender o presidente Uribe, e convertido em marionete nas mãos dos comunistas crioulos e estrangeiros, a legitimar as Farc e a colocar em suspeita a estratégia de segurança democrática, razão do crescente e contínuo debilitamento militar das Farc.

     Parece que os seus reduzidos neurônios – de quem deveria ter muitos mais por ser professor – não deixam o Sr. Moncayo perceber que sua torpeza, falta de tino, e o enfoque errado que dá ao problema, não só colocam em risco a já deteriorada estabilidade emocional de sua família (também foi o caso de Ingrid quando estava seqüestrada), como ameaçam a segurança nacional e a continuidade da vigência democrática, se na Colômbia chegar a triunfar um governo de transição desejado pelas Farc. Ou, no pior dos casos, se o país se alinhar ao “socialismo do século XXI”, por haver permitido o protagonismo midiático e eleitoreiro dos inimigos da pátria, mediante libertações a conta-gotas, que satisfazem os interesses estratégicos das Farc e daqueles que buscam a eleição presidencial com esse argumento.

     Ultimamente o senhor Samper Pizano lança gracejos irreverentes contra um presidente que não há feito outra coisa senão solucionar incontáveis problemas deixados pelos antecessores, entre os quais o próprio Samper, o mais questionado, o mais improdutivo e inepto dos compatriotas que ocuparam o trono de Bolívar.

     Mas há mais. Esquece o senhor Samper que o cabo Moncayo foi seqüestrado em 1997, quer dizer, durante seu controvertido governo. Ele, como Comandante Supremo das Forças Armadas, é o principal responsável por este e pelo fracasso de Las Delicias, ponto de partida para o protagonismo midiático internacional das Farc, com as ruidosas libertações dos seqüestrados.

     O mesmo acontece com César Gaviria, o qual esquece que graças a sua incapacidade de governar a Colômbia, aceitou o co-governo do narcotraficante Pablo Escobar, que se deixou manobrar pelas Farc em Cravo Norte e Tlaxcala. Ademais, sua desatinada decisão politiqueira e ambiciosa vontade de manejar os elevados lucros do setor, ao nomear um civil despreparado para exercer o cargo do ministério da Defesa, foi o ponto de partida para as Farc começarem a concretizar os planos projetados, a partir da ação mole e incapaz de Belisario Betancur, frente ao Plano Estratégico dos terroristas.

     Esquecem todos os linguarudos que a oposição à reeleição, na qual se unem os patifes pró-Farc com os politiqueiros tradicionais, só busca tirar Uribe do caminho, para recuperar embaixadas, departamentos administrativos, ministérios e institutos descentralizados. Tudo isto, com fim egoísta, e certamente com o desejo de lucro derivado de 10% nos contratos, os superfaturamentos, as pontes onde não há rios, e todos os asquerosos arranjos, que levam o país aos níveis de pobreza, violência e subdesenvolvimento atuais.

     Em síntese, o que há por detrás de tanto espetáculo em torno da libertação do cabo Moncayo, é um estratagema das Farc e seus cúmplices, favorecido pelas posições apátridas dos politiqueiros de sempre e pelos interesses ocultos do Partido Comunista.

     A Colômbia não necessita de acompanhamento internacional para ressuscitar o cadáver político das Farc. Necessita do concurso internacional para combater em conjunto o terrorismo, e para injetar desenvolvimento no campo e na cidade.  

     Nem necessita de grupos, como os Colombianos pela Paz, empenhados em legitimar os terroristas que seqüestraram, destruíram povoados, roubaram, corromperam menores de idade na guerra, ordenaram milhares de abortos, assassinaram milhares de camponeses etc. A Colômbia necessita de grupos de pessoas que trabalhem pela verdadeira paz, não politizada, sem patifarias, mediante o desenvolvimento de micro empresas, cooperativas, projetos agroindustriais, instalações adequadas para o desenvolvimento turístico, educação, investigação científica na saúde, economia ou ciências exatas, etc.

     E uma dessas providências, é que os colombianos que estão em pé, e que somos a maioria, recordemos aos dirigentes políticos, aos clérigos desviados, aos pró-comunistas, que a libertação do cabo Moncayo e de todos os seqüestrados em poder das Farc, é uma exigência da cidadania, ordenada pelo povo colombiano, que se pôs a bradar em massa, em 4 de fevereiro de 2008: Farc nunca mais! Nem mais seqüestros! Nem terrorismo! Libertem já os seqüestrados![1]

     Recordemos que quando o presidente Uribe nomeou Hugo Chávez para estabelecer pontes de comunicação com as Farc para obter a libertação dos seqüestrados, o grotesco mandatário venezuelano confabulou com os terroristas para fazer espetáculo midiático, delongar o processo e buscar o reconhecimento político.

     Hoje, os Colombianos pela Paz atuam sem o aval do governo colombiano, mas no mesmo sentido da atuação de Chávez. E como o presidente Uribe não cede diante dessa enganadora “boa vontade”, inventam todas essas artimanhas, para o que se prestam Lula, Chávez, Correa, e até, quem poderia supor, um ministro de Deus.      

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     NOTA DO TRADUTOR:

 

    [1] Em 4 de fevereiro de 2008 milhões de pessoas foram às ruas na Colômbia, e em outros países da América e do mundo, para protestar contra as Farc.

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     * Publicação original em castelhano: www.eltiempo.com

     *  * Coronel aposentado do exército colombiano, escritor, analista de assuntos estratégicos, especialista em guerra assimétrica e contraterrorismo urbano e rural. www.luisvillamarin.co.nr    

     – Tradução: André F. Falleiro Garcia

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