HONDURAS E CHÁVEZ: O QUE A MÍDIA NÃO ESTÁ INFORMANDO NOS ESTADOS UNIDOS

 

Toby Westerman *

    

Os noticiários pouco informam sobre o intenso apoio que Chávez está dando ao deposto Zelaya.

E dão escassa atenção aos que se mostram temerosos com o envolvimento de Chávez na política interna de Honduras.

 


Zelaya (e), voou para a Nicarágua onde Ortega e Chávez promoveram uma conferência de imprensa, no mesmo 29 de junho, exigindo seu retorno ao poder

     O "golpe" na nação centro-americana de Honduras é o primeiro grande revés para a expansão marxista patrocinada por Hugo Chávez, mas o povo norte-americano em grande escala é mal informado pelos principais órgãos da mídia.

     A agência de notícias Associated Press — de quem depende a maioria das notícias publicadas nos Estados Unidos afora — tem direcionado seus noticiários para apoiar a versão pró-Chávez dos acontecimentos em Honduras.

     A AP nos diz que o mundo todo condenou a deposição de Manuel Zelaya. Também ouvimos falar que Hugo Chávez, presidente da rica Venezuela petrolífera, prometeu remover o novo presidente de Honduras, Roberto Micheletti, e que o presidente norte-americano Barack Obama classificou o governo de Micheletti de "ilegal".

     "Se as oligarquias quebram as regras do jogo ... o povo tem o direito de reagir e combater ... e nós estamos com ele", afirmou Chávez.

     Os noticiários da AP dizem pouco sobre o intenso apoio que Chávez está dando ao deposto Zelaya.  Inclusive, escassa atenção é dada para os que se mostram temerosos com o envolvimento de Chávez na política interna de Honduras.

     A presença política de Chávez em Honduras foi percebida mesmo pelos que estão na esfera espiritual. O bispo Darwin Andino, bispo auxiliar da capital de Honduras, Tegucigalpa, observou que "a mão do venezuelano Hugo Chávez" estava envolvida nos assuntos internos de Honduras, conforme informou a agência de notícias francesa AFP. O bispo Andino declarou que Honduras estava resistindo ao "chavismo" — a promoção de Chávez e sua revolução.


Como um novo Nero, Chávez agora decide o que é ou não legal nas três Américas. E Obama concorda.

     Ao defender sua posição como novo presidente, Micheletti apontou 12 "assessores" que chegaram a Honduras, provenientes da Venezuela e do regime da vizinha Nicarágua, agora dominada pelo abertamente marxista Daniel Ortega. Um fato que até agora não foi divulgado pela AP.

     Esses "assessores"  foram notados ajudando a construir a ditadura pró-Chávez em Honduras, seguindo o mesmo modelo do que já ocorreu na Bolívia sob Evo Morales e no Equador sob Rafael Correa.

     O referendo ilegal convocado por Zelaya pouco antes de sua expulsão se assemelhava ao modelo usado por Chávez, Morales e Correa para lhes assegurar prazo ilimitado de permanência no cargo.

     Os governos modernos com freqüência limitam os mandatos presidenciais com a intenção de evitar o surgimento de ditaduras populistas. Os Estados Unidos também modificaram sua constituição para evitar o abuso do poder presidencial. O que os regimes das nações pró-chavistas têm feito, é reformar suas constituições para tirar os obstáculos que as protegem de tais abusos e obter assim o "direito" de se perpetuar no poder.

     Zelaya também comprometeu Honduras como membro de uma organização fundada por Chávez, a Alternativa Bolivariana para as Américas, por vezes conhecida por seu acrônimo em espanhol, ALBA, que foi fundada para promover a revolução neocomunista, o "socialismo do século XXI".

     Seguindo outro modelo estabelecido por Chávez e seus aliados, Zelaya pretendeu controlar as informações da mídia exigindo que o governo tivesse pelo menos duas horas de tempo de programação diária para apresentar suas opiniões à nação. A agência AP foi negligente em informar seus leitores sobre este e outros fatores que desempenham um papel vital no que está acontecendo em Honduras.

     As ameaças de Chávez contra o novo governo hondurenho devem ser levadas a sério. A venda de sofisticado armamento leve, avançados caças a jato e tanques de batalha pela Rússia à Venezuela, transformou o regime de Chávez em significativo poder regional.

     Chávez estabeleceu íntimos vínculos com o mais importante grupo guerrilheiro da região, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, um exército narcoterrorista conhecido por seu acrônimo em espanhol, Farc. Embora tenham sido recentemente esgotadas pelos militares colombianos, as Farc permanecem como potente força na Colômbia e ainda mantém significante presença na América Latina.

     Operando da Nicarágua, os combatentes das Farc podem facilmente atravessar a fronteira para penetrar em Honduras e causar grandes sofrimentos e mortes.

     O presidente Micheletti e seus correligionários, como Chávez emocionalmente declarou, "quebraram as regras", mas apenas no sentido de se oporem ao abuso de poder e ao chavismo.

     Permanece incerto quanto tempo Micheletti conseguirá se opor aos assaltos das lideranças neocomunistas, mas uma valente postura foi tomada contra a tirania marxista, e o povo norte-americano deveria ser corretamente informado a esse respeito.

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      Artigo publicado em 30/06/09 com o título Honduras and Chavez: what you should know, what the centralized media is not telling you

    Tradução: André F. Falleiro Garcia.

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