O PLANO MACABRO DE UM DELINQÜENTE INTERNACIONAL

 

Reinaldo Azevedo *

    

Chávez coordenou pessoalmente a tentativa de retorno do chicaneiro a Honduras e apostava num banho de sangue.

Honduras resiste a um impressionante cerco, que, acreditem, ainda tem no comando um bandido explícito como Hugo Chávez.

 

 

     A imprensa brasileira, com exceções aqui e ali, segue a sua rotina vergonhosa de submissão ao golpismo bolivariano, ignorando todas as evidências de que Manuel Zelaya preparava um assalto à Constituição democrática. Pior: ignora a sua confissão. Agora, deve dar de ombros também para o fato de que Chávez coordenou pessoalmente a tentativa de retorno do chicaneiro a Honduras e apostava num banho de sangue.

     A agência AFP captou o momento em que o ditador da Venezuela comandava, de seu gabinete, a operação. Até aí, já se sabia, não? O avião em que estava o ex-presidente hondurenho pertence ao braço da PDVSA nos Estados Unidos. Um repórter da TV de Chávez acompanhava a viagem, tudo transmitido ao vivo pela emissora oficial da Venezuela. O que não se tinha era a prova de que se planejava um massacre. Reportagem do jornal hondurenho El Heraldo.hn conta a história.

     Estão vendo aquela lousa ao lado de Chávez? Está tudo ali.

     Traduzo trechos de reportagem do jornal hondurenho

     Mais do que ver um ex-militar golpista apontando para seu televisor Panasonic e aplaudindo a “façanha” de Zelaya, que era transmitida ao vivo pela Rede Telesur, especialistas em temas políticos e segurança chamaram a atenção para a mensagem escrita na lousa de fórmica e que pode ser uma clara manifestação de que o objetivo era provocar um massacre.

     Afinado com as intenções que revela o escrito na lousa, Zelaya pedia, do avião, por intermédio de uma comunicação por satélite, que a população invadisse a pista do aeroporto para retirar os obstáculos que haviam sido colocado pelas forças militares. Houve a tentativa, mas a ação foi reprimida pelos soldados e pela polícia, que, segundo a Comissão de Direitos Humanos, usavam balas de borracha.

     A mensagem textual na lousa de Chávez diz: “051345JUL09 Enjambre de abejas africanas, Tribuna Presidencial, heridos por picadas y desesperación de las personas.”

     Mario Berríos, advogado e especialista em temas políticos e de segurança, assegura que se trata de uma mensagem escrita em código. O escrito “051345JUL09″, segundo ele, é o que se chama, em doutrina militar, “grupo-fecha-hora”. A mensagem revela o dia (05), o ano (2009) e a hora (13:45), e foi precisamente a hora em que a manifestação estava vencendo os policiais nas imediações de Camosa, sendo insuficientes os cordões de segurança para conter os que protestavam e impedir que se aproximassem do aeroporto Toncontín.

     “Enxame de abelhas (Enjambre de abejas) africanas” se refere à manifestação, que, em alguns países, tem sido capaz de derrubar governos. No caso da ocorrida no domingo, em frente ao aeroporto, Berríos observa que, com efeito, os manifestantes chegaram de todos os cantos do país e “felizmente, não foi tão numerosa a ponto de derrubar o governo e vencer as Forças Armadas e a polícia”.

     “Tribuna presidencial” significa que, ali mesmo, se daria posse a Zelaya, declarando-o novamente no poder da nação. A expressão “feridos por picadas”, segundo Berríos, pode ser o mais preocupante da mensagem e da Operação Chávez, já que denota que o objetivo era provocar uma resposta violenta das forças militares e policiais ou que, mesmo entre os manifestantes, haveria feridos, com tiros a queima-roupa para provocar novos mártires”.

     Cabe destacar que, um dia antes, o cardeal Óscar Rodriguez lembrou que não era recomendável o retorno de Zelaya. E observou que, afinal, no país, não havia um só morto em razão da crise política.

     “Desespero das pessoas” poderia significar que a estratégia final era provocar o caos e um estado de ingovernabilidade diante de mortos e feridos.

     Comento

     Qualquer leitor, eu inclusive, fica um pouco com o pé atrás, não? Há, acima, interpretação, é verdade. E se Chávez agora se interessa mesmo por abelhas africanas, não é mesmo? Ora, querem coisa mais comum do mundo do que um presidente ter em sua sala uma lousa de fórmica com os dizeres “abelhas africanas”, “feridos”, “desespero das pessoas” e “tribuna presidencial”? E isso no momento em que acompanha, ao vivo, uma operação em solo estrangeiro com a invasão do espaço aéreo daquele país, é bom notar.

     Quanto a Zelaya… Que tipo de governante incita seu próprio povo a confrontar soldados armados, pedindo que avancem contra equipamentos militares? Bem, é o tipo de governante que merece o apoio de líderes do mundo inteiro inclusive o de Barack Hussein, que reconhece antiamericanismo no sujeito, mas tudo bem…

     Ainda que a mensagem na lousa de Chávez nada significasse, o fato é que a foto o flagra acompanhando, numa transmissão via satélite, o que pode ser caracterizado como uma intervenção em solo estrangeiro.

     Alguma esperança

     Óscar Arias, presidente da Costa Rica, foi indicado como mediador da crise, como vocês já devem ter lido. Foi aceito pelas partes em conflito e deve começar por promover um encontro entre Manuel Zelaya e Roberto Micheletti, presidente interino de Honduras. Vamos ver. Até agora, os bolivarianos falharam em duas tacadas: a) no golpe que implantaria um regime chavista no país; b) na tentativa de induzir uma resposta violenta dos militares, que resultasse num banho de sangue.

     Honduras resiste a um impressionante cerco, que, acreditem, ainda tem no comando um bandido explícito como Hugo Chávez. Quanto à esmagadora maioria da imprensa brasileira, dizer o quê? A cobertura nunca foi tão parecida com a do Granma, o jornal do Partido Comunista de Cuba. Como não é Granma que se esforça para ter o padrão do jornalismo que se faz no Brasil, é, então, o jornalismo que se faz no Brasil que está se esforçando para ter o padrão do Granma. E está sendo muito bem-sucedida na tarefa.

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     * Publicado no Blog Reinaldo Azevedo em 08/07/2009.

 

 

A PROVA DA AÇÃO DE CHÁVEZ NOS DISTÚRBIOS DE HONDURAS. E É CHÁVEZ QUEM CONFESSA

 

Reinaldo Azevedo **

 

     Reproduzi ontem aqui parte de uma reportagem do El Heraldo.hn, jornal de Honduras, com uma interpretação de uma mensagem que aparecia numa lousa posta no gabinete de Chávez, uma prática militar identificada no texto como “grupo-fecha-hora”. Naquele momento, o ditador da Venezuela monitorava, por satélite, a tentativa de Manuel Zelaya de aterrissar em Honduras num avião venezuelano que violou, diga-se, o espaço aéreo hondurenho. Um repórter da TV de Chávez acompanhava a façanha, transmitida ao vivo pela… TV de Chávez.

     A estranha mensagem sugeria que o bandoleiro de Caracas contava com um banho de sangue em Honduras e tentava manipular os distúrbios de rua. Muita gente objetou: “Ah, mas é só interpretação”. É? Pois bem. Se você clicar aqui, ouvirá a voz do próprio Chávez confessando que, no dia da tentativa de retorno de Zelaya, esteve “em contato, desde a manhã, com várias lideranças populares” de Honduras para cuidar justamente do que chamou… “marcha”. Entenderam?

     Não querem acreditar em todas as evidências de que é Chávez a personagem que movimenta a mão e o bigode de um delinqüente político como Manuel Zelaya, acreditem ao menos na voz do próprio cacique bolivariano.

     O que está em curso é escandaloso! Chávez forneceu o modelo do golpe; depois forneceu o modelo da reação mundial; depois forneceu o avião; aí forneceu a manifestação “popular”. Chávez forneceu até o cadáver (embora ele possa dividir este feito com Barack Hussein). Sua lousa sugere que ele queria muito mais. Leiam o post de ontem.

     P.S. 1 Sou grato aos militares que me escreveram   sim, tenho muitos leitores entre os militares, o que me deixa feliz para me dizer que, no Brasil, em vez de “grupo-fecha-hora”, emprega-se “grupo data-hora”, mas o sentido é o mesmo: segundo o leitor Marcelo Viana, “resumir num grupo simples de indicadores a data e a hora de um determinado evento, às vezes vem acompanhado de uma letra que indica o fuso horário a que se refere”. De fato, eu não sabia. Repeti a expressão em espanhol, entre aspas, porque ignorava a forma que ela havia assumido por aqui.

     P.S. 2 Se você clicar no link para a voz de Chávez (confessando que coordenava a baderna em Honduras), atenção: há vários conteúdos no mesmo arquivo. O primeiro é um vídeo com os confrontos nas imediações do aeroporto. A gravação de Chávez vem em seguida.

     P.S. 3 São tantas as evidências das ações criminosas de Chávez num país estrangeiro, que o áudio acima nem seria necessário. Mas petralha acha que só há crime se há áudio. Eles deixarão de admirar Chávez por isso? Ora… Essa gente não é contra o crime por uma questão de princípio, mas apenas de oportunidade.

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    *  * Publicado no Blog Reinaldo Azevedo em 09/07/2009.

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     Matérias relacionadas com o contragolpe constitucionalista de Honduras:

 

 

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