O PLANO DE SAÚDE DO SOCIALISTA OBAMA: O ESTADO SERÁ O SENHOR DA VIDA E DA MORTE?

 

Raymond de Souza *

 

O novo plano pretende cortar custos para os contribuintes. Mas não reduzirá, simplesmente recusará pagar o custo.

A conta do serviço social de saúde será paga às custas dos idosos e deficientes, que serão empurrados para a eutanásia e suicídio assistido.

O aborto será disponibilizado pelo Obamacare.

 


Para Sarah Palin, o Obamacare é "francamente perverso"

     O Obamacare [1] — como o novo plano do serviço social de saúde é conhecido aqui nos Estados Unidos — deveria trazer o alerta do chefe da saúde pública sobre o fumo do cigarro: "Consumir este produto traz risco para a sua saúde". Quem fez esta contundente afirmação foi o Dr. Dave Janda, M.D., cirurgião ortopédico de renome mundial e escritor que publicou obras consagradas na área da medicina social preventiva.

     Dr. Janda foi o principal orador num Jantar de Congressistas realizado no Capitólio em Washington (17/08/2009). Suas palavras sobre o Obamacare, ditas aos congressistas nesse evento, apresentaram análise lúcida e objetiva do projeto de lei que está sendo discutido em cinco comissões parlamentares.

     Vou utilizar esta e outras fontes de informação, com a intenção de esclarecer meus leitores de língua portuguesa a respeito do Obamacare, até agora o mais avançado passo na linha da revolução cultural  — da Cultura da Morte — neste primeiro ano de mandato presidencial de Barack Obama.[2]

     De fato, o novo plano pretende cortar custos para os contribuintes. Soa bem. Mas seu corte de custos é baseado em racionamento e recusa de assistência. "Os Democratas prometeram que o sistema social de assistência à saúde reduziria o custo dos tratamentos de saúde; mas, como ponderou o economista Thomas Sowell, o novo sistema não reduzirá o custo, ele simplesmente recusará pagar o custo", afirmou Sarah Palin, que foi candidata a vice-presidente nas últimas eleições. E Sarah concluiu: "tal sistema é francamente perverso".[3]


Ezekiel Emanuel sorri nas fotos, mas recusa tratamento de saúde aos idosos e portadores de demência como o Mal de Alzheimer etc.

     O presidente do conselho do sistema de saúde, Ezekiel Emanuel, parece estar impregnado do pensamento orweliano. A maioria dos norte-americanos provavelmente nunca ouviu o seu nome, mas ele tem o poder de planejar o panorama do serviço social de saúde para os usuários. Ezekiel — que é irmão do Chefe de Gabinete da Casa Branca, Rahm Israel Emanuel — é um dos conselheiros de Obama, e coordena no congresso o debate parlamentar na tramitação do novo plano do serviço social de saúde.

     Segundo Bradley Mattes, diretor executivo do Life Issues Institute, Ezekiel Emanuel afirmou em 1996 que os benefícios de um plano de saúde social controlado pelo governo não deveriam ser concedidos para "indivíduos que são irreversivelmente impedidos de existir ou se tornarem cidadãos participantes". Emanuel esclareceu sua postura ao acrescentar "Um exemplo óbvio é não dar acesso aos serviços de saúde pública no caso de pacientes com demência".[4]

     Mattes aponta comentários mais recentes de Emanuel, que defendeu a discriminação contra os idosos em artigo publicado em 31 de janeiro de 2009, numa edição do jornal médico Lancet: "Ao contrário da classificação por sexo ou raça, a alocação por idade não é uma discriminação ofensiva". Como Mattes explica, quando Emanuel se refere à alocação, ele "está falando sobre os serviços de saúde, muitos dos quais são cruciais para a manutenção da vida, ou ao menos, para uma melhor qualidade de vida. Nós estamos falando de tudo, desde a manutenção da vida até cirurgias para reimplantes".[5]

     O plano do serviço social de saúde de Barack Obama e seus líderes no Congresso resultará numa generalizada diminuição da prestação de serviços médicos. Eliminar os idosos pode ser uma maneira de evitar gasto de dinheiro no que se acredita que seria um tratamento de saúde "desnecessário". É a mesma lógica usada pelos nazistas para exterminar os deficientes físicos e mentais.

     Chuck Colson, um colunista que milita no movimento pró-vida, afirma que o ponto de vista de Emanuel esquece o valor e a dignidade dos seres humanos: "uma dignidade que não é derivada da opinião da maioria (ou de uma definição governamental) sobre a qualidade de suas vidas ou sua contribuição para a sociedade". Ele teme que a visão de Emanuel sobre o serviço público de saúde possibilite "decisões sobre a prestação do serviço de saúde, inclusive para qualquer área da vida humana” que se tornem "ocasiões para o jovem e o forte imporem suas vontades sobre o velho e o fraco".[6]

     Isto poderia estar certo? Ou é a sobrevivência do mais forte, de acordo com Charles Darwin? Poderia ser adequado para animais, mas certamente não para seres humanos. Emanuel quer que os médicos olhem para além das necessidades de seus pacientes e considerem a "justiça social". Como se o dinheiro público pudesse ser gasto de maneira melhor, se aplicado em outra coisa!

     De acordo com o plano, o racionamento no serviço de saúde é implementado através do conselho nacional de saúde pública. Este conselho "aprovará ou rejeitará tratamento para pacientes, baseado no custo por tratamento dividido pelo número de anos em que o paciente será beneficiado com o tratamento". Em bom inglês: se você tem mais de 65 anos ou recentemente foi diagnosticada uma forma avançada de enfermidade cardíaca ou câncer agressivo... esqueça a possibilidade de obter tratamento. Antecipe-se e escolha seu caixão de defunto.[7]

     O plano estabelece se serão em pequena quantidade ou não os tratamentos avançados a serem disponibilizados no futuro. Cria o conselho federal de coordenação para pesquisa de eficácia comparativa, cujo propósito é "atrasar o desenvolvimento de novos medicamentos e tecnologias a fim de reduzir custos". Em vez de buscar novos e melhores medicamentos, planeja evitar sua produção. Isso pode reduzir gastos. Mas não salva vidas.

     O plano também estabelece que os médicos e os hospitais devem ser inspecionados e examinados pela coordenação nacional para informação e tecnologia da saúde. Essa coordenação nacional monitorará os tratamentos a serem disponibilizados, para garantir que médicos e hospitais sigam estritamente os protocolos médicos governamentais pertinentes. Qualquer semelhança com o controle da KGB sobre o sistema soviético de saúde tem que ser mera coincidência!

     Assim, as normas governamentais decidirão que tratamento os médicos devem prestar aos pacientes. E se os médicos preferirem usar sua própria experiência profissional ao invés de seguir o protocolo médico governamental, o que acontece? "Médicos e hospitais que não aderirem ao protocolo serão penalizados". De acordo com congressistas, as penalidades poderão incluir seis tipos de multa e possível prisão.

     O pesadelo do livro "1984" de G. Orwell está chegando ao hospital que fica perto de sua casa.


     Conseqüentemente, de acordo com o plano social de saúde de Obama, se o seu médico salvar sua vida em desrespeito ao protocolo médico governamental, ele corre o risco de ir para a prisão, e você pode ter que ir à prisão para vê-lo e concluir o tratamento. A este respeito Dr. Janda comentou: "Creio que este é o mesmo modelo que Stalin implantou na antiga União Soviética".[8] Certamente Fidel Castro amaria a aplicação de tal lei.

     Há ainda a Seção 1233 do plano social de saúde de Obama, que trata do planejamento avançado de saúde. Após completar 65 anos, cada americano terá que se apresentar ao programa compulsório de orientação que discute a idéia de abreviar a vida do cidadão.

     Essa sessão deve ser realizada a cada cinco anos, a não ser que a pessoa tenha desenvolvido uma doença crônica, pois neste caso deve ser feita todo ano. A pauta nessas sessões deve incluir "como recusar hidratação e nutrição, e como fazer o internamento num hospital para doentes terminais". Quer dizer, os idosos serão submetidos ao aconselhamento para decidirem se suas vidas são ou não ainda viáveis. O governo com certeza amavelmente lhes proporcionará informações sobre como eles poderão se suicidar.

     Isto não é prestar auxílio — é eliminar o povo!

     Assim, a conta do serviço social de saúde será paga às custas dos idosos e deficientes, que pela via da redução de custos dos tratamentos de saúde serão conduzidos para a eutanásia e o suicídio assistido.

Obamacare ou a metástase do socialismo, visualizada nos dois gráficos divulgados pela U. S. Chamber of Commerce, que ilustram a mudança do atual sistema para o novo plano de Obama

     "Os burocratas do 'painel da morte' de Obama decidirão, baseados no julgamento subjetivo sobre seu 'nível de produtividade para a sociedade', se idosos e deficientes físicos serão merecedores de tratamento de saúde", disse Sarah Palin.[9] E ela tem razão.

     Por fim, a questão não menos importante do aborto, que será disponibilizado pelo novo Obamacare. Se aprovado, todos os cidadãos norte-americanos, sem consideração pelos seus pontos de vista sobre o aborto, contribuirão para o assassinato legalizado dos fetos ou embriões. Como se o aborto fizesse parte de um serviço público de saúde!

     Após encerrar sua apresentação do plano social de saúde de Obama, Dr. Dave Janda foi questionado por um congressista, no momento das perguntas e respostas, que disse: "Participarei de uma série de entrevistas nos meios de comunicação sobre o plano de saúde de Obama. Se eu for interrogado sobre qual é a palavra que descreve o plano, o que eu deverei responder?".

     Respondeu Dr. Janda: "A resposta é simples, honesta, direta, analítica, deplorável, mas verdadeira. A palavra é: FASCISTA". E acrescentou, dirigindo-se ao congressista: "Pode-se esperar que o congressista tenha a coragem de usar essa palavra. Nenhuma outra é mais apropriada".

     Realmente é uma palavra apropriada para qualificar certos aspectos desumanos e cruéis do plano de saúde de Obama. Outros aspectos dele podem ser resumidos numa outra palavra, que tem provocado crescente preocupação na opinião pública norte-americana: SOCIALISTA.

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     A Cultura da Morte está ganhando cidadania num país onde as vidas das águias, golfinhos e ursos polares gozam de total proteção por parte da lei.

     O proposto sistema fascista e socialista de saúde norte-americano certamente dará ocasião a barulhentas gargalhadas da parte de Hitler e Lenin, se eles, de onde quer que agora estejam, puderem saber que o seu maior inimigo — a América do Norte –- resolveu seguir suas pegadas, afinal!

     Mas os Pais Fundadores deste país certamente se revirarão em seus túmulos, convocando o povo norte-americano a resistir à legislação "Grim Reaper".[10]

     OK, pessoal, a festa acabou. É hora de curar a ressaca e pôr a casa em ordem.

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     NOTAS:

 

    [1] O Obamacare realiza –- conforme seus idealizadores –- a "reforma" do sistema público de saúde norte-americano, garante o acesso universal e gratuito de toda a população, reduz as despesas federais e não agrava o déficit público de 1,8 trilhões de dólares previsto para este ano. A primeira parte do Obamacare já se tornou lei, sancionada em fevereiro deste ano; a segunda parte está em debate nas comissões do congresso. Os comentários deste artigo se aplicam às duas partes.

    [2] Cf. artigo escrito pelo cirurgião Dr. Dave Janda, intitulado "The  oneword to describe Obamacare".

    [3] Sarah Palin on Obamacare: "Such a System Is Downright Evil"

    [4] Rationing Certain to Follow, por Bradley Mattes.

    [5] Idem. Ibidem.

    [6] Obama Advisor, Health Care Architect, Criticized as Backing Rationing for Disabled, por Steven Ertelt.

    [7] A íntegra do Obamacare, o plano de reforma do serviço social de saúde, está neste endereço.

    [8] Dr. Dave Janda, "The  oneword to describe Obamacare".

    [9] Sarah Palin on Obamacare: "Such a System Is Downright Evil"

    [10] Grim Reaper, o sombrio ceifador, é uma figura alegórica que personifica a Morte. Aparece no folclore como um esqueleto que veste longo manto, seu crânio é recoberto por capuz, tem nas mãos uma foice.

 

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     * Raymond de Souza é líder pró-vida, conferencista internacional e polemista católico. Ver suas atividades neste endereço.

     Tradução: André F. Falleiro Garcia

 

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