O PERU NA MIRA DA NEO-REVOLUÇÃO PSEUDO-INDÍGENA

 

Tradición y Acción por un Perú Mayor

 

    O comunismo anárquico procura desorganizar e precipitar as nações ibero-americanas no caos.

     Em algumas delas a demolição tribalista bafejada pela Teologia da Libertação já está em pleno curso e vem produzindo resultados desastrosos.

 

     Os lamentáveis acontecimentos da Amazônia comoveram profundamente a Nação, ainda horrorizada ante uma explosão de violência sem precedentes no passado recente do país.

     Para se compreender devidamente essa tragédia, é necessário situá-la num panorama de conjunto, relacionado com o atual contexto revolucionário mundial.


O movimento tribalista indígena composto pelo novo proletariado que serve de massa de manobra da revolução neocomunista

     1. Quando ficou evidente o insanável fracasso da propaganda comunista — jamais um partido com essa bandeira venceu uma eleição livre em qualquer país do mundo —, as forças que impulsionam a Revolução anticristã se viram obrigadas a alterar sua estratégia. Perdida a ilusão do apoio das classes trabalhadoras e estudantis, cada vez mais refratárias à pregação marxista, ditas forças deliberaram criar um “novo proletariado”, desta vez composto de minorias marginais: simples carentes, feministas radicais, pervertidos sexuais, drogados, elementos da contracultura e outros, além de desajustados de vários tipos. Apresentam esse conglomerado heterogêneo como os oprimidos de hoje, rotulando-os de movimentos sociais, e os lançam contra a sociedade “opressora” com o apoio de milionárias ONGs. É a Revolução Cultural, nome dessa nova estratégia revolucionária.

     2. Na América Latina, tal estratégia inclui o aproveitamento de comunidades autóctones como massa de manobra para o velho plano anárquico de desmantelar os Estados nacionais. Já em 1928, o VI Congresso da Internacional Comunista instruía seus partidos filiados na América Latina a elaborar “medidas especiais relativas à autodeterminação dos índios”, das quais resultaram propostas para a criação das “repúblicas de Quechuan e Aymaran” no Peru, da “república de Arauco” no Chile, e de outras similares.[1]

     Mais tarde, em 1981, o 29º Congresso do Partido Socialista Operário Espanhol apresentou um detalhado elenco dos “movimentos sociais” a serem utilizados para essa Revolução Cultural. O mesmo inclui grupos “de ecologia, feministas, [...] homossexuais, associações culturais, minorias étnicas” (as quais compreendem os indígenas) etc.[2] Tais grupos serão utilizados como aríetes para demolir a civilização atual e implantar a anarquia sonhada por Marx e seus sucessores.

     3. Para alcançar esse desígnio, o comunismo encontrou na América Latina um precioso aliado: a Teologia da Libertação, cujos porta-vozes mais notórios pregam que, quanto mais uma comunidade aborígine for marcada pelo primitivismo e pela estagnação, tanto mais ela é uma obra-prima de sabedoria antropológica; e por isso não deve civilizar-se, nem progredir, nem praticar as virtudes cristãs, mas manter-se vegetando indefinidamente na sua secular inércia. Mais ainda, afirmam que a ausência nessas tribos de propriedade, de lucro e de instituições aproxima-as da sonhada sociedade comunista anárquica; e, seduzidos por esta visão idílica e irreal da vida selvagem, tornam-se ao mesmo tempo tribalistas e pró-comunistas.[3]

     4. Mas a pretensa afinidade tribal-comunista é só aparente: como bem observa o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira num best-seller de candente atualidade no Brasil,[4] uma comunidade indígena primitiva pode ser comparada a uma planta que não cresceu, mas que ainda poderá crescer e dar excelentes frutos, enquanto o “neocomunista” tribalista é exclusivamente um demolidor da sociedade atual.

     5. A crise da civilização moderna — globalizada, super-organizada e hipertrofiada — é antes de tudo uma crise moral, resultante do abandono dos ensinamentos da Igreja, com a conseqüente perda da sabedoria e das virtudes cardeais — como a temperança —, acarretando desequilíbrios de todo tipo, especialmente notórios nas atuais megalópoles massificadas. Os “neocomunistas” se servem desse desequilíbrio como pretexto para propor um salto em direção ao desequilíbrio oposto –– o tribalismo coletivista, inerte e improdutivo. Isso explica seus ataques ao capitalismo, ao “neoliberalismo”, à agroindústria e a todas as atividades produtivas em grande escala, próprias da civilização atual, tais como a exploração mineira e petrolífera.

     6. Ora, o contrário de um desequilíbrio não é o desequilíbrio oposto, mas o equilíbrio. E o equilíbrio, neste caso, só pode surgir do respeito às instituições que fundamentam a ordem social verdadeira: a família indissolúvel, a propriedade privada e a livre iniciativa.

     7. O bom senso impõe que, na difícil conjuntura que atravessa o país, esse equilíbrio seja buscado séria e empenhadamente. Para ele deve orientar-se o atual debate entre os que desejam explorar as riquezas da Amazônia para benefício de todo o país e uma parte dos habitantes da selva, que temem — em certos casos, com fundamento — que a exploração indiscriminada de ditos recursos afete negativamente suas vidas e suas comunidades. Não obstante, é óbvio que nesse conflito de interesses interferiu um fator de desequilíbrio, conduzindo aos trágicos fatos que enlutam a Nação.


O neocomunismo através do movimento tribalista visa provocar a desorganização social e institucional, para precipitar as nações ibero-americanas no caos

     8. Qual é esse fator? Não é difícil ver que, por detrás do protesto indígena, atua uma força ideológica extra-indígena. Essa força é a que põe, na boca dos nativos, palavras como “insurgência”; a que os incita a propor exigências políticas descabeladas, alheias por completo às suas reais aspirações e necessidades, como a “vacância presidencial”, a “renúncia de todo o gabinete” ou a “reforma da Constituição”; a que empurra alguns de seus líderes a violar flagrantemente a lei, bloqueando estradas, apoderando-se de estações de bombeamento, fazendo reféns, chantageando autoridades, instigando à violência. Em suma, uma força que utiliza os nativos ao mesmo tempo como massa de manobra e bucha de canhão.

     9. De que força se trata? Só pode ser a mesma força revolucionária que hoje convulsiona internamente as outras nações sul-americanas: o comunismo anárquico. Ele procura desorganizar e precipitar essas nações no caos. Em algumas delas, como no vizinho Brasil, a demolição tribalista bafejada pela Teologia da Libertação já está em pleno curso, e vem produzindo resultados desastrosos para sua unidade e organização nacional.

     10. Esta visão geral, embora necessariamente resumida, proporciona a chave de interpretação para um conjunto de fatos ocorridos no país. Estamos –– não tenhamos dúvida — ante uma agressão revolucionária com ramificações internacionais, que poderá pôr em xeque todo o progresso alcançado pelo Peru nos últimos anos.

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     Nestas circunstâncias, e para além do indispensável deslindamento de responsabilidades por essa assombrosa explosão de violência, esperamos que as autoridades nacionais, conscientes da real dimensão do problema, prosseguirão seus esforços tendentes a um apaziguamento dos espíritos, para que a discussão do tema amazônico se dê numa atmosfera de concórdia, onde todas as partes envolvidas possam expor livre e serenamente suas opiniões. Naturalmente isso demandará tempo, estudo, reflexão, tato. Qualquer decisão adotada com precipitação e imediatismo será superficial, falseada, só conduzindo a novas frustrações.

     Esse debate deve dar-se exclusivamente entre peruanos — portanto, excluindo ingerências de pessoas e entidades estrangeiras ou a serviço destas —, circunscrever-se aos temas que são motivo de preocupação dos povos amazônicos, e não ser ideologizado. Dele devem participar, do lado indígena, os verdadeiros representantes das comunidades, devidamente advertidos para não se deixarem manipular por pseudo-líderes que procuram instrumentalizá-los a favor do caos.

     Neste sentido, cabe às autoridades nacionais identificar e denunciar ante a opinião pública nacional e internacional os que insuflaram a violência nos cruentos episódios de Bágua; os vínculos desses elementos com a Revolução Cultural neocomunista e sua irmã gêmea, a Teologia da Libertação; as estratégias revolucionárias que aplicaram, e com que apoios financeiros contaram; que papel tiveram nesses fatos pessoas, organismos e governos estrangeiros, etc. Isto deve ficar meridianamente claro, a fim de prevenir qualquer nova manipulação de nativos a favor do caos revolucionário.

     Os peruanos somos um povo pacífico, profundamente amante da concórdia. A imensa maioria dos nossos compatriotas, incluídos nossos irmãos indígenas da selva, só aspira a viver e trabalhar em paz e com ordem. Terra de santos e de heróis, nossa maneira de ser, nossa história e nossos recursos nos indicam que somos chamados a ser uma grande nação católica. E por certo o seremos se, para além das crises que hoje nos afligem, soubermos olhar o futuro com os olhos postos na Santíssima Virgem do Rosário, Rainha e Padroeira do Peru.

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     Notas:

    [1] Cfr. Walter Kolarz, Comunismo e colonialismo, Ed. Dominus, São Paulo, 1965, p. 99. O autor, especialista da BBC em assuntos de comunismo, lembra que uma proposta análoga sobre os indígenas foi formulada em 1962 por Fidel Castro e incluída na “Declaración de La Habana”. Nessa época, o objetivo era utilizar os nativos “como matéria-prima sociológica e política para promover a ascensão dos partidos comunistas latino-americanos ao poder” (idem); hoje, contudo, são igualmente usados, mas com um fim ainda mais radical: precipitar as nações americanas na anarquia.

    [2] Partido Socialista Operário Espanhol, 29º Congresso do PSOE, Resoluções – 1981, p. 201.

    [3] Para se medir bem o radicalismo anárquico desses pseudo-teólogos, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, publicou um livro sobre os 500 anos do descobrimento daquele país, no qual sustenta que, aglutinando-se numa frente única “os povos indígenas” e “toda a população marginalizada [ou seja, o novo proletariado ao qual nos referimos], quando estivermos todos unidos em torno desta causa, os governantes não serão mais ninguém, apenas uma névoa que um dia manchou a História desta terra e os horizontes desta gente” (Cfr. CIMI, Outros 500 – Construindo uma nova história, Ed. Salesiana, São Paulo, 2001).

    [4] Cfr. Plinio Corrêa de Oliveira, Tribalismo indígena, ideal comuno-missionário para o Brasil do século XXI, 8ª edição, Artpress, São Paulo, 2008, pp. 35-36. Desta obra foram divulgados mais de 80 mil exemplares.

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     Fonte: Manifesto publicado no jornal Correo em 19/06/2009. Publicado em Tradición y Acción por un Perú Mayor: El Perú en la mira de la neo-revolución seudo-indígena.

     Tradução: O Peru na mira da neo-revolução pseudo-indígena.

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