HONDURAS-CUBA:

KERENSKISMO POLÍTICO E KERENSKISMO ECLESIÁSTICO

 

Armando Valladares

    

         Versión en Español

         Version in English

     O kerenskismo político e o kerenskismo eclesiástico formam neste momento, independentemente das intenções de seus protagonistas, as duas hastes de uma mesma tenaz que comprime a causa da liberdade em Honduras e também na Venezuela, Bolívia e Equador

 

     A América Central e o Caribe vivem uma das situações mais paradoxais de toda sua história: enquanto o "kerenskismo político" procura de todos os modos dobrar a Honduras anticomunista e empurrá-la para o abismo chavista, o "kerenskismo eclesiástico" estende suas mãos à Cuba comunista para conservá-la no atoleiro castrista.

A delegação eclesiástica norte-americana que visitou Cuba

A delegação eclesiástica norte-americana. O cardeal O'Malley (d) deu a sagrada comunhão, anos atrás, para o senador abortista Ted Kennedy e participou de seus recentes funerais

     Uma importante comissão de eclesiásticos estadunidenses, encabeçada pelo "moderado" cardeal Sean O'Malley (arcebispo de Boston), e integrada por D. Thomas Wenski (bispo de Orlando, Flórida),  D. Oscar Cantu (bispo de San Antonio, Texas), Pe. Andrew Small (encarregado do episcopado norte-americano para as relações com a Igreja latino-americana e caribenha), e o Pe. Jonathan Gaspar, acaba de realizar prolongada visita à ilha-prisão de Cuba, de 17 a 21 de agosto último.

     Desde sua chegada à ilha-cárcere, os altos prelados cobraram do presidente Obama a promessa que fizera de um "novo começo" nas relações dos Estados Unidos com Cuba comunista; acrescentaram que Obama está sendo "muito lento" em cumprir com a promessa de reconciliação com o regime e recomendaram que "não se desperdice a oportunidade" de suspender o chamado "embargo" econômico norte-americano. Não foi em vão que o Granma, órgão oficial do Partido Comunista de Cuba (PCC), apresentou essas notícias de modo quase eufórico [1]. Ao mesmo tempo, a Rádio Vaticana, citando como fonte o secretário da Conferência Episcopal Cubana, D. Juan de Dios Hernández, ressaltou o "clima de amizade e cordialidade" que imperou no encontro dos altos prelados com Ricardo Alarcón, presidente do Parlamento comunista, insistindo na "grande cordialidade'" e "diálogo fraterno" [2] entre os Pastores e o representante dos lobos.

     Pouco faltou para o cardeal O'Malley — ele revelou que há 20 anos viaja a Cuba — dizer que viu milagres nas relações entre a hierarquia da Igreja cubana e os ditadores castristas, ao afirmar que existe uma "notável melhora". Mas fez silêncio sobre a continuação da perseguição psicológica, política e policialesca contra os fiéis católicos abandonados por seus Pastores, e contra a população em geral.[3]

D. Thomas Wenski pediu o levantamento do "embargo"

D. Thomas Wenski (d) defendeu os interesses dos lobos comunistas sem se preocupar com as ovelhas católicas

     D. Thomas Wenski, membro do comitê de política internacional da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos, pediu explicitamente o levantamento do "embargo" externo norte-americano, sem dizer uma só palavra sobre a causa do problema cubano, que é o implacável "embargo" interno, que já passa de meio século, contra a população cubana [4]. O alto prelado invocou também a "liberdade", não precisamente para os fiéis católicos e o povo escravizado, mas para o intercâmbio entre Cuba e os Estados Unidos, meio com que o regime contaria, para não sucumbir economicamente. Por fim, D. Wenski desejou também que "ambas as partes", governo estadunidense e regime comunista, cheguem a um entendimento e conciliação, e concluiu que para isso seria preciso que "escutem seus melhores anjos" [5].

     Quem serão os "anjos" dos tiranos comunistas de Cuba, que D. Wenski ingenuamente invoca como mediadores-iluminadores, se considerarmos que o Papa Pio XI, na sua célebre Encíclica Divini Redeptoris, qualificou o comunismo não somente como "intrinsicamente perverso", mas também como "açoite satânico"?

     De qualquer maneira, estamos em presença de um dos mais lamentáveis episódios de colaboração comuno-católica com face eclesiokerenskiana, que, do lado norte-americano, remonta às viagens que fizeram a Cuba os "conservadores" cardeais Law (de Boston) e O'Connor (de Nova York), com suas respectivas entrevistas com o ditador Fidel Castro e posteriores declarações elogiosas em relação a esse tirano. Tudo isso forma parte de uma sucessão de fatos que foram narrados cronologicamente e devidamente documentados em livro editado por cubanos exilados, e que agora alcança sua maior atualidade [6].

     O kerenskismo eclesiástico simula ignorar a causa do problema cubano, que é o implacável "embargo interno" do regime comunista contra toda a população cubana, e dessa maneira desvia a atenção e as críticas para um dos efeitos da instauração do regime comunista na ilha-prisão, o chamado "embargo externo". É a triste cena de Pastores que fortalecem os lobos e deixam as ovelhas famintas e indefesas.

     Assim também age o kerenskismo político, quando finge ignorar a raiz do problema hondurenho: as reiteradas ações inconstitucionais do destituído presidente Zelaya para tornar Honduras chavista, por meio de eleições populistas à margem da Constituição, de leis e de um sistema eleitoral que lhe permitiriam perpetuar-se no poder e impor o chamado "socialismo do século XXI", que não é senão um substitutivo do moribundo regime castro-comunista.

     O recente informe sobre Honduras feito pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA, que acaba de visitar esse país, é o mais recente exemplo da longa sucessão de parcialidades, marcadas pela indignante política de "dois pesos e duas medidas", que funde num desprestígio moral ainda maior tanto a OEA quanto os governos dos países que se prestam a essas manobras. Se os membros da CIDH reconhecem o destituído Zelaya como legítimo presidente, esta é mais uma razão para que analisem com honestidade e imparcialidade não somente as alegadas violações de direitos por parte do governo interino, mas sobretudo para que assinalem a causa do problema, radicada nas atitudes inconstitucionais de Zelaya, o verdadeiro e maior responsável pela encruzilhada em que se encontra Honduras, como de maneira análoga os ditadores Castro são os principais responsáveis pela tragédia de Cuba.

     Escrevo este artigo horas antes da chegada a Honduras de uma comissão de chanceleres, no momento em que a Corte Suprema de Justiça já emitiu importante pronunciamento, no qual afirma, entre outros pontos, que "a aplicação do Acordo de San José somente pode ser feita se vinculada com a legislação nacional", e adverte que os processos judiciais já iniciados — por delitos contra a forma de governo, traição à pátria, abuso de autoridade e usurpação de funções — devem ser realizados, caso contrário seria um "verdadeiro contra-senso que a busca e a realização de acordos no estado de direito se façam violando ou deixando de lado a Constituição e as leis"[7].

     O kerenskismo político e o kerenskismo eclesiástico formam neste momento, independentemente das intenções de seus protagonistas, as duas hastes de uma mesma tenaz que comprime a causa da liberdade em Honduras e também na Venezuela, Bolívia e Equador. Inclusive, o chamado "eixo do mal" somente tem conseguido avançar na América Latina pela complacência e apoio, ora implícito, ora explícito, do "eixo kerenskista" ou "eixo da moderação", dos Obamas, Insulzas, Arias e Lulas.

     Alexander Fyodorovich Kerensky (1881-1970), um socialista "moderado", ocupou o cargo de último Presidente da Rússia antes da revolução bolchevista de outubro de 1917, tendo facilitado a tomada do poder por parte do comunismo com sua política de concessões e, segundo alguns historiadores, até de traições. Seu espectro parece ter voltado a rondar as Américas, por onde vaga periodicamente desde que se "encarnou" no presidente chileno Eduardo Frei Montalva, que pavimentou o caminho para o comunismo allendista e por isto passou para a História com o merecido cognome de "Kerensky chileno" estampado indelevelmente em sua fronte. Tive a oportunidade de revelar um aspecto desse delicado problema no recente artigo "Kerenskismo obamista, Honduras e o abismo chavista" [8].

     Mas o espectro de Kerensky ronda outros governos e chancelarias importantes das Américas, o que, conforme as circunstâncias, poderia ser tema para futuros artigos-denúncia, quantos sejam necessários, doa a quem doer, embora invariavelmente escritos de maneira respeitosa e documentada. Que a Providência ajude e fortaleça os defensores da liberdade em Honduras, em Cuba e no resto das Américas — mas neste momento crucial especialmente os hondurenhos — dando-lhes o cêntuplo do espírito concedido a David na sua luta desigual contra Golias.

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     Armando Valladares, escritor e ex-preso político cubano, foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, durante as administrações Reagan e Bush.

     Artigo publicado no diário Las Americas, em Miami, com o título Cuba-Honduras: kerenskismo eclesiástico y kerenskismo político, e no diário El Heraldo, em Honduras, com o título Kerenskismo político y kerenskismo eclesiástico.

     Tradução: André F. Falleiro Garcia.

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     Notas:

    [1] Cf. Granma, Cuba, 19/08/2009.

    [2] Cf. Radio Vaticana, 22/08/2009, edição em italiano.

    [3] Cf. Associated Press, 18/08/2009.

    [4] Idem, ibid.

    [5] Cf. Granma, Cuba, 19/08/2009.

    [6] Cf. "Dos décadas de progresivo acercamiento comuno-católico en la isla-presidio del Caribe", Cubanos Desterrados, Miami-Nueva York, 1990.

    [7] Cf. El Heraldo, Tegucigalpa, 22/08/2009.

    [8] Cf. Diario Las Américas, Miami, EUA, 24/07/2009; El Heraldo, Tegucigalpa, Honduras, 23/07/2009; Destaque Internacional, Internet, 21/07/2009, texto reproduzido e multiplicado na Internet, traduzido em vários idiomas, como o lituano, com a ajuda de uma rede de voluntários, através de milhares de blogs, twitters, facebooks, orkut e páginas da web em mais de 30 países, especialmente do Brasil.

 

 

Honduras-Cuba: kerenskismo político y kerenskismo eclesiástico

 

El kerenskismo político y el kerenskismo eclesiástico forman en este momento, independientemente de las intenciones de sus protagonistas, los dos dientes de una misma tenaza que se esgrime contra la causa de la libertad en Honduras y Cuba, pero también en Venezuela, Bolivia y Ecuador

 

 

Armando Valladares

    

     América Central y el Caribe viven una de las situaciones más paradójicas de toda su historia: mientras el "kerenskismo político" trata por todos los medios de doblegar a Honduras anticomunista y empujarla al abismo chavista, el "kerenskismo eclesiástico" tiende sus manos a Cuba comunista para perpetuarla en la ciénaga castrista.

La delegación de eclesiásticos estadounidenses

La delegación de eclesiásticos estadounidenses. A Ted Kennedy, senador abortista, el cardenal O'Malley (d) le dio la santa comunión, hace años.

     Una importante comisión de eclesiásticos estadounidenses encabezada por el "moderado" cardenal Sean O'Malley, arzobispo de Boston, e integrada por monseñor Thomas Wenski, obispo de Orlando, Florida, monseñor Oscar Cantu, obispo de San Antonio, Texas, el padre Andrew Small, encargado del episcopado estadounidense para las relaciones con la Iglesia latinoamericana y caribeña, y el padre Jonathan Gaspar, acaba de hacer una prolongada visita a la isla-cárcel de Cuba, del 17 al 21 de agosto pp.

     Desde su llegada a la isla-cárcel, los altos prelados cobraron del presidente Obama la promesa que hiciera de "un nuevo comienzo" en las relaciones de los Estados Unidos con Cuba comunista; añadieron que Obama está siendo "muy lento" en cumplir esa promesa de reconciliación con el régimen y le recomendaron "que no desperdicie la oportunidad" de levantar el llamado "embargo" económico estadounidense. No en vano el Granma, órgano oficial del PCC cubano, presentó esas noticias de una manera casi eufórica (cf. Granma, Cuba, Agosto 19, 2009). Al mismo tiempo, la Radio Vaticana, citando como fuente al secretario de la Conferencia de Obispos de Cuba, monseñor Juan de Dios Hernández, resaltó el "clima de amistad y cordialidad" que imperó en el encuentro de los altos prelados con Ricardo Alarcón, presidente del Parlamento comunista, insistiendo en la "gran cordialidad" y "diálogo fraterno" (cf. Radio Vaticana, Agosto 22, 2009, ed. en italiano, www.oecumene.radiovaticana.org) entre los Pastores y el representante de los Lobos.

     Al cardenal O'Malley, quien reveló que viaja a Cuba desde hace 20 años, poco le faltó para ver milagros en las relaciones entre la jerarquía de la Iglesia cubana y los dictadores cubanos, diciendo que existe una "mejoría notable", pero hizo silencio sobre la continuación de la persecución psicológica, política y policialesca contra los fieles católicos abandonados por sus Pastores, y contra la población en general (cf. Associated Press, Agosto 18, 2009).

Monseñor Wenski pidió el levantamiento del "embargo"

Es la triste escena de Pastores que fortalecen a los lobos y dejan a las ovejas hambrientas e indefensas

     Monseñor Wenski, miembro del comité de política internacional de la Conferencia de Obispos Católicos de los Estados Unidos, pidió explícitamente el levantamiento del "embargo" externo estadounidense, sin decir una palabra sobre la causa del problema cubano, que es el implacable "embargo" interno, que ya pasa de medio siglo, contra la población cubana (cf. Associated Press, idem, ibíd.). El alto prelado invocó también la "libertad", no precisamente para los fieles católicos y el pueblo esclavizado, sino para el intercambio entre Cuba y los Estados Unidos, un medio con el cual el régimen cuenta para no sucumbir económicamente. Por fin, monseñor Wenski deseó también que "ambas partes", gobierno estadounidense y régimen comunista, lleguen a un entendimiento y conciliación, y concluyó que para ello sería preciso que "escuchen a sus mejores ángeles" (cf. Granma, idem, ibíd.).

     ¿Quiénes podrán ser los "ángeles" de los tiranos comunistas de Cuba, a los que ingenuamente monseñor Wenski invoca como mediadores-iluminadores, si consideramos que el Papa Pio XI, en su célebre Encíclica "Divini Redemptoris", calificó el comunismo no solamente como "intrínsecamente perverso", sino como "satánico azote"?

     De cualquier manera, estamos en presencia de uno de los más lamentables episodios de colaboración comuno-católica, con rostro eclesiokerenskiano, que, del lado estadounidense, se remonta a los viajes a Cuba de los "conservadores" cardenales Law, de Boston y O'Connor, de Nueva York, con sus respectivas entrevistas con el dictador Castro y sus posteriores declaraciones elogiosas con relación a ese tirano. Todo ello forma parte de una sucesión de hechos que fueron narrados cronológicamente y debidamente documentados en un libro editado por exiliados cubanos, y que ahora alcanza su mayor actualidad (cf., "Dos décadas de progresivo acercamiento comuno-católico en la isla-presidio del Caribe", Cubanos Desterrados, Miami-Nueva York, 1990).

     El kerenskismo eclesiástico simula ignorar la causa del problema cubano, que es el implacable "embargo interno" del régimen comunista contra toda la población cubana, y de esa manera desvía la atención y las críticas hacia uno de los efectos de la instauración del régimen comunista en la isla-cárcel, el llamado "embargo externo". Es la triste escena de Pastores que fortalecen a los lobos y dejan a las ovejas hambrientas e indefensas.

     Así también, el kerenskismo político finge ignorar la raíz del problema hondureño, las reiteradas acciones inconstitucionales del destituido presidente Zelaya para chavizar Honduras, con elecciones populistas al márgen de la Constitución, las leyes y el sistema electoral, que le permitirían perpetuarse en el poder e imponer el llamado "socialismo del siglo XXI", que no es sino un sucedáneo del moribundo régimen castro-comunista.

     El reciente informe de la Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH) de la OEA sobre Honduras, que acaba de visitar ese país, es el más reciente ejemplo de una larga sucesión de parcialidades, marcadas por dos indignantes pesos y medidas que hunden en un desprestigo moral mayor aún a la OEA y a los gobiernos de los países que se prestan a esas maniobras. Si los miembros de la CIDH reconocen al destituido presidente Zelaya como el legítimo presidente, eso es una razón más para analizar con honestidad e imparcialidad no solamente las alegadas violaciones de derechos del actual gobierno, sino sobre todo para señalar la causa del problema, que radica en las actitudes inconstitucionales de Zelaya, el verdadero y gran responsable por la encrucijada en la que se encuentra Honduras, así como de similar manera los dictadores Castro son los mayores responsables por la tragedia de Cuba.

     Escribo este artículo en horas previas al arribo a Honduras de una comisión de cancilleres y en momentos en que la Corte Suprema de Justicia de Honduras ha emitido un importante pronunciamiento, en el que se afirma, entre otros aspectos, que "la aplicación del plan San José solamente se puede hacer si se apega a la legislación nacional"; y se advierte que los juicios incoados por delitos contra la forma de gobierno, traición a la patria, abuso de autoridad y usurpación de funciones deben realizarse, porque, en caso contrario, "sería un auténtico contrasentido que la búsqueda y construcción de acuerdos en un estado de derecho se haga violentando o dejando a un lado la Constitución y las leyes" (cf. El Heraldo, Tegucigalpa, Agosto 22, 2009).

     El kerenskismo político y el kerenskismo eclesiástico forman en este momento, independientemente de las intenciones de sus protagonistas, los dos dientes de una misma tenaza que se esgrime contra la causa de la libertad en Honduras y Cuba, pero también en Venezuela, Bolivia y Ecuador. Inclusive, el llamado "eje del mal" solamente ha conseguido avanzar en América Latina por la complacencia y el apoyo a veces implícito, a veces explícito del "eje kerenskista" o "eje de la moderación" de los Obamas, Insulzas, Arias y Lulas.

     Alexander Fyodorovich Kerensky (1881-1970), un socialista "moderado", ocupó el cargo de último Presidente de Rusia antes de la revolución bolchevique de octubre de 1917, habiendo preparado la toma del poder por parte del comunismo con su política de concesiones y, según algunos historiadores, hasta de traiciones.

     El espectro de Alexander Fyodorovich Kerensky parece haber vuelto a rondar en las Américas, por donde vaga periódicamente desde que se "encarnó" en el presidente chileno Eduardo Frei Montalva, quien pavimentó el camino al comunismo allendista y pasó por ello a la Historia con la merecida marca de "el Kerensky chileno" estampada indeleblemente en su frente. Tuve ocasión de describir un aspecto de ese delicado problema en reciente artículo "Kerenskismo obamista, Honduras y abismo chavista" (cf. Diario Las Américas, Miami, EUA, Julio 24, 2009; El Heraldo de Tegucigalpa, Honduras, Julio 23, 2009; Destaque Internacional, Internet, Julio 21, 2009; texto reproducido y multiplicado en Internet en varios idiomas, inclusive el lituano, con la ayuda de una red de voluntarios, a través de millares de blogs, twitters, facebooks, orkuts y páginas web de más de 30 países, especialmente, del Brasil).

     Pero el espectro de Kerensky merodea en otros importantes gobiernos y cancillerías de las Américas, lo cual, dependiendo de las circunstancias, podrá llegar ser motivo de próximos artículos-denuncia, todos los que sean necesarios, duela a quien duela, aunque invariablemente escritos de una manera respetuosa y documentada. Que la Providencia ayude y fortalezca a los defensores de la libertad en Honduras, en Cuba y en el resto de las Américas, pero, en este momento crucial, especialmente a los hondureños, dándoles el céntuplo del espíritu que dio a David en su desigual lucha contra Goliat.

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     Armando Valladares, ex preso político cubano, fue embajador de Estados Unidos ante la Comisión de Derechos Humanos de la ONU, en Ginebra, durante las administraciones Reagan y Bush. Acaba de recibir en Roma un importante premio de periodismo por sus artículos en favor de la libertad en Cuba y en el mundo entero.

 

 

Honduras-Cuba: Political Kerenskyism and Ecclesiastic Kerenskyism

 

Apart from the intentions of their players, both the political and the ecclesiastic Kerenskyism are right now forming the two teeth of the same jaws used against the cause of freedom not only in Honduras and Cuba, but also in Venezuela, Bolivia and Ecuador

 

Armando Valladares

 

        Central America and Caribbean are living up one of the most paradoxical situations of their whole history: while the "political Kerenskyism" tries by all means to void anti-Communist Honduras and push it down to the Chávez Abyss, the "ecclesiastic Kerenskyism" extends its hand to Communist Cuba to perpetuate the Castro quagmire.

US ecclesiastic commission have made a long visit to prison-island Cuba

US ecclesiastic commission. Cardinal O'Malley (r) gave the holy communion, years ago, to pro-abortion Senator Ted Kennedy and participated in its recent funerals.

     An important US ecclesiastic commission headed by "moderate" Cardinal Sean O'Malley, Archbishop of Boston, and formed by Monsignor Thomas Wenski, Bishop of Orlando, Florida, Monsignor Oscar Cantu, Bishop of San Antonio, Texas, Father Andrew Small, in charge of the American episcopate for the relationships with the Latin American and Caribbean church, as well as by Father Jonathan Gaspar, have just made a long visit to prison-island Cuba from August 17 thru 21.

     Since their arrival in the prison-island, the high prelates asked President Obama about his promise for a "new beginning" in the US relations with Communist Cuba; they added that Obama is being "too slow" in keeping that promise of reconciliation with the regime and recommended "not to waste the opportunity" to ban the so called US economic embargo. No surprise Granma, official medium of the Cuban Communist Party, presented that news in an almost euphoric way (refer to Granma, Cuba, August 19, 2009). At the same time, Radio Vaticana, quoting the Secretary of the Bishops' Conference of Cuba, Monsignor Juan de Dios Hernández, as the source, emphasized the "friendly and cordial climate" of the meeting of the high prelates with Ricardo Alarcón, president of the Communist parliament, highlighting the "strong cordiality" and "brotherly dialog" (refer to Radio Vaticana, August 22, 2009, Italian edition, www.oecumene.radiovaticana.org) between the Pastors and the representative of the wolves.

     Cardinal O'Malley, who unveiled he has been traveling to Cuba for 20 years, almost saw miracles in the relations among the Cuban church hierarchy and the Cuban dictators, saying that there is a "remarkable improvement", but then was rather silent on the continuation of the psychological, political and police-like persecution against Catholics abandoned by their pastors, and against the people in general (refer to Associated Press, August 18, 2009).

Monsignor Wenski asked the end of the external American embargo

Monsignor Wenski, a member of the international political commission of the US Catholic bishops, explicitly asked the end of the external American embargo

     Monsignor Wenski, a member of the international political commission of the US Catholic bishops, explicitly asked the end of the external American embargo, without a word on the Cuban problem's root cause, which is the implacable internal embargo that has extended for more than a half century against the Cuban people (refer to Associated Press, idem, ibidem). The high prelate also invoked "freedom", not precisely for the catholic believers and the slaved people, but for an interchange between Cuba and the United States, something the regime is counting on, not to economically succumb. At last, Monsignor Wenski also wished that "both parties", the US government and the Communist regime, would reach understanding and conciliation, completing that they ought to "listen to their best angels" (refer to Granma, idem, ibidem.).

     Who would ever be the "angels" of the Cuba Communist tyrants, whom Monsignor Wenski so naively invokes as shining mediators, if one considers that Pope Pius XI, in his famous "Divini Redemptoris" Encyclical, qualified communism not just as "intrinsically evil", but also "Satan's scourge"?

     Anyway, we are living up one of the most unfortunate episodes of Communist-Catholic collaboration with an ecclesiastic-Kerenskyism face which, on the US side, recalls the travels to Cuba of "conservative" Cardinals Law, of Boston, and O'Connor, of New York, with their interviews with Dictator Castro and their later flattering declarations regarding the tyrant. It is all part of a series of facts that were chronologically narrated and duly documented in a book published by exiled Cubans and that is now reaching its greatest updating (refer to Two Decades of Progressive Communist-Catholic Nearness at the Caribbean Prison-Island", Exiled Cubans, Miami-New York, 1990).

     The ecclesiastic Kerenskyism pretends to ignore the Cuban problem's root cause, which is the implacable "internal embargo" of the Communist regime against all Cuban people, thus deviating the attention and criticism on one of the effects of the Communist regime instauration at the prison-island, the so-called "external embargo". That is the gloomy scenario of the pastors who strengthen the wolves and leave the sheep hungry and helpless.

     By the same token, the political Kerenskyism pretends to ignore the Honduran root cause of the problem, the stubborn institutional actions of ousted president Zelaya to 'Chavezize' Honduras with populist elections at the margin of the Constitution, the laws and the poll system, for enabling them to perpetuate in power and enforce the so called "21st Century Socialism", which is nothing but a replacement of the dieing Castro-Communist regime.

     The recent report on Honduras by OAS Inter-American Commission on Human Rights (IACHR), that has just visited that country, is the latest example of a long succession of partialities, marked by two raging weights and measures that merge into a moral lack of prestige mostly to OAS and the governments of countries that are prone for those maneuvers. If the IACHR members recognize ousted president Zelaya as a legitimate president, that is one more reason for analyzing honestly and impartially not just the alleged violations of rights by the present government, but also to signalize the problem's root cause, which is in the unconstitutional attitudes of Zelaya, the truly great responsible for the crossroad Honduras is at, as well as, by the same token, why dictators like Castro are the true responsible for the Cuban tragedy.

     I am writing this article a few hours before the arrival of a commission of chancellors and in a moment when the Supreme Court of Justice of Honduras has issued an important manifest wherein, among other aspects, it states that, the "application of San José Plan can only be done if complying with the national legislation"; and it warns that any judgments based on acts against the regime, treason against the country, abuse of authority and usurpation of functions must be completed or else "it would be an authentic nonsense that the search and building of agreements in a state of right are carried out by violating or putting aside the Constitution and the law " (refer to El Heraldo, Tegucigalpa, August 22, 2009).

     Apart from the intentions of their players, both the political and the ecclesiastic Kerenskyism are right now forming the two teeth of the same jaws used against the cause of freedom not just in Honduras and Cuba but also in Venezuela, Bolivia and Ecuador. By the same token, the so called "axle of evil" has only succeeded in Latin America thanks to the complacency and support, at times implicit and at times explicit, of the "Kerenskyism axle", or the "axle of the moderation" by Obamas, Insulzas, Arias and Lulas.

     Alexander Fyodorovich Kerensky (1881-1970), a "moderate socialist", was Russia's last president before the Bolshevik revolution of October 1917, who prepared the taking of power by Communism with its politics of concessions and, according to some historians, of treasons.

     The specter of Alexander Fyodorovich Kerensky seems to have recommenced to round up the Americas, where it has been periodically roaming since it has "embodied" Chilean president Eduardo Frei Montalva, who has paved the way to Allendean Communism and thus passed to history with the well-deserved stigma of "Chilean Kerenskyism" stamped indelibly on his forehead. I had the chance to describe an aspect of that delicate problem in a recent article, "Obama Kerenskyism, Honduras and the Chávez Abyss" (refer to Diario Las Américas, Miami, USA, July 24, 2009; El Heraldo de Tegucigalpa, Honduras, July 23, 2009; Destaque Internacional, Internet, July 21, 2009; a news story reproduced and spread out over the Web in several languages, including Lithuanian, with the help of a spontaneous network covering thousands of blogs, twitters, Facebooks, Orkuts and webpages of more than 30 countries, especially of Brazil).

     However, the specter of Kerensky wanders in other important governments and chancelleries of the Americas which, depending on the circumstances, may become a reason for forthcoming indicting articles, all deemed required no matter what, although invariably written in a respectful tone and duly documented. Let us hope the Lord helps up and strengthen the defenders of freedom in Honduras, Cuba and the rest of the Americas but, right now, at this crucial moment, especially Hondurans, providing them with a hundred fold the spirit that supported David in his unbalanced fight against Goliath.

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     Armando Valladares, a former Cuban political prisoner, was ambassador of the United States with the UN Commission on Human Rights, in Geneva, during the Reagan and Bush administrations. He has just been granted an important journalism award in Rome for his articles on behalf of freedom in Cuba and in the whole world.

     Posted in Diario Las Américas, Miami (FL), August 26, 2009. El Heraldo, Tegucigalpa, Honduras, August 30, 2009.

 

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