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OBAMA-CLINTON:

"POLÍTICA DE GARROTE" PARA HONDURAS E "POLÍTICA DE SORRISOS" PARA CUBA

 

         Versión en Español

         Version in English

 

Armando Valladares

    

O espírito intervencionista do recente comunicado do Departamento de Estado sobre Honduras não podia ser mais brutal, constituindo exemplo típico do retorno à "política do garrote"... contra o antichavismo, enquanto promove uma "política de sorrisos" suicida em relação ao "eixo do mal" latino-americano

 

Ian Kelly, porta-voz do Departamento de Estado
Ian Kelly, porta-voz do Departamento de Estado, em teleconferência

     Em nome da secretária de estado Hillary Clinton, em 3 de setembro último o Departamento de Estado divulgou um comunicado que tem como claro objetivo golpear o atual governo interino de Honduras, mas que, no fundo, pretende quebrar a resistência do heróico povo hondurenho em sua luta a favor da liberdade. Trata-se de comunicado que manifesta deplorável intervencionismo pró-chavista nos assuntos internos de outro país.[1]

     Nem mais nem menos é a cruel aplicação — contra Honduras, pequeno país centro-americano, tradicional aliado dos Estados Unidos — da "política do garrote", desta vez nas mãos kerenskianas do presidente Obama, o qual, ao mesmo tempo, promove uma "política de sorrisos" suicida em relação aos totalitarismos e populismos de viés esquerdista nas Américas, como Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua. São dois pesos e duas medidas, de uma injustiça que clama a Deus!

     Dias atrás, o presidente Obama havia qualificado de "hipócritas" aqueles que na América Latina exigiam até há pouco tempo que os Estados Unidos não interviessem nos assuntos latino-americanos, mas que agora imploravam que o governo interviesse no caso de Honduras. Não obstante, poucos dias depois, o presidente Obama cedeu diante da "hipocritadura" chavista, tal como Kerensky cedeu diante de Lênin no início do século XX e com isso provocou o desenlace histórico que todos conhecemos. Já tive oportunidade de definir em recente artigo o que entendo por "kerenskismo obamista", e por brevidade a ele remeto meus leitores.[2]

Obama e o "eixo do mal"

Nos vaivéns de Obama já se nota preocupante comprometimento suicida com o "eixo do mal"

     O comunicado do Departamento de Estado anunciou a "suspensão de grande parte da ajuda ao governo de Honduras", diante da alegada "necessidade de fortes medidas" para quebrar a "resistência" ao "Acordo de São José" por parte das atuais autoridades hondurenhas, e ante o que denomina "falta de restauração de um regime democrático e constitucional em Honduras".

     O espírito intervencionista do texto não podia ser mais brutal, constituindo exemplo típico do retorno à diplomacia do garrote... contra o antichavismo. Com efeito, um "acordo" significa conformidade de pareceres entre duas ou mais pessoas ou instituições. Se se pretende subjugar a qualquer preço as instituições e o povo hondurenho, então não se o chame hipocritamente de "acordo", mas sim, de "imposição", gesto de "neocolonialismo" ou "ucase" (do russo "ukaz", que os dicionários traduzem como "ordem despótica"). O comunicado do Departamento de Estado alega sair em defesa do sistema "democrático" e "constitucional" de Honduras, mas quer impor um "acordo" que, apesar de levar o nome do grande santo, que foi São José, termina sendo um "ucase" muito pouco santo, e, sem sombra de dúvida, sobretudo muito pouco "democrático".

     O comunicado estadunidense procura justificar seu intervencionismo alegando a necessidade de uma "restauração" da ordem democrática, parecendo ignorar que o deposto presidente Zelaya já havia ferido gravemente essa ordem democrática através do pisoteio das leis e da própria Constituição, diante da indiferença do Departamento de Estado, da OEA e dos governos das Américas que hoje farisaicamente rasgam suas próprias vestes.

     O presidente Obama acaba de prometer, na última Cúpula das Américas, um "novo começo" com a sanguinária ditadura castrista. Estendeu pontes de diálogo com os regimes populistas e totalitários da Venezuela, Equador e Bolívia. Manifestou disposição de conversar com os regimes islâmicos mais radicalmente antiamericanos e até com o tirano da Coréia do Norte. Enfim, proclamou aos quatro ventos que o "diálogo" — e não a imposição — é o caminho preferencial e indispensável para a resolução  dos conflitos na ordem internacional, e que os Estados Unidos agora defendem o multilateralismo. Mas quando se trata de Honduras, a linguagem dulçorosa muda inteiramente e se torna amarga, com gosto de fel, agressiva, prepotente e intervencionista da pior espécie.

     Nas linhas seguintes, os redatores do comunicado do Departamento de Estado, talvez percebendo que abriram o flanco para a contradição e a fraude, tratam de adotar ar de imparcialidade, ao dizerem que "reconhecem" a "complicada natureza" das ações que levaram à deposição de Zelaya em 28 de junho. Não obstante, quanto a essas ações, de maneira incrivelmente tendenciosa só atribuem  responsabilidade e culpa ao "ramo legislativo", ao "ramo judiciário" e aos "militares", silenciando a responsabilidade primeira e fundamental do "ramo executivo" encabeçado por Zelaya. Apesar desse pretenso ar imparcial, cometem a maior das parcialidades quando omitem qualquer alusão ao fato de que em Honduras, em 28 de junho de 2009, também havia o "ramo executivo", e que à frente dele estava um presidente "democraticamente eleito", é verdade, mas que havia claramente se afastado da Constituição e das leis, e tratava de empurrar Honduras para o abismo chavista.

     É preciso insistir com invariável objetividade, na mesma proporção da insistente parcialidade do comunicado norte-americano: o "ramo executivo" encabeçado pelo deposto presidente Zelaya é o grande responsável pela atual encruzilhada de Honduras, assim como os grandes responsáveis pelo drama cubano são os irmãos Castro, e Chávez é o grande culpado pela deterioração das liberdades na Venezuela e em outros países da região, nos quais intervém com toda confiança e naturalidade sem que reclame o Departamento de Estado.

     O lamentável comunicado alude também a "complexas questões legais", mas não se dá ao trabalho de defini-las e nem sequer de mencioná-las. Se essas questões são tão "complexas", isso seria mais uma razão para defini-las ou, pelo menos, enumerá-las, e passar a analisá-las com o devido cuidado antes de adotar medidas que, além de serem intervencionistas e garroteadoras, são precipitadas e injustas para com a irmã Honduras. Outra prova da "política do garrote" e da unilateralidade do comunicado é precisamente o fato de esquivar a análise da "complexidade", lavando as mãos como Pilatos.

     Os indícios falam no sentido de que o Departamento de Estado evita abordar essa "complexidade" por que não lhe convém fazê-lo: a palavra "complexidade", no contexto do comunicado, é um eufemismo para não tocar no tema central, que é a enorme responsabilidade do presidente deposto Zelaya, um chavista no qual o presidente Obama e a secretária de estado Clinton depositaram suas esperanças.

     Trata-se de uma típica saída kerenskiana, entreguista, partidária do "ceder para não perder', pela qual protegem e absolvem Zelaya, o qual, como já foi dito, foi "democraticamente eleito", mas — convém repetir até o cansaço, na mesma proporção que seus defensores omitem até o cansaço — se afastou dos princípios constitucionais e das leis hondurenhas.

Hillary: garrote para os amigos e de sorrisos para os inimigos
Hillary compromete o futuro político do casal Clinton numa política de garrote para os amigos e de sorrisos para os inimigos

     Não menos lamentável é o fato de que o Departamento de Estado, aberto a "novos começos" com os mais sanguinários ditadores comunistas e com os déspotas islâmicos radicais, continue se negando a dialogar com as atuais autoridades hondurenhas e ameace não "respaldar" o "resultado" das próximas eleições nacionais desse país.

     É explicável, diante do exposto, que Hugo Chávez — o maior representante latino-americano do "eixo do mal" e atual presidente-ditador da Venezuela — tenha declarado com emoção de crocodilo no Irã, onde manteve reuniões conspiratórias contra os Estados Unidos, que "já era hora" do presidente Obama adotar essas medidas, e tenha manifestado sua complacência com esse lamentável comunicado, em boa medida fruto de suas pressões e reclamações. 

     Neste texto do Departamento de Estado, de 3 de setembro p. p., ficou explícito o deslize pró-chavista do "ramo executivo" do governo norte-americano. Por isso, seria desejável que o "ramo legislativo" desse país, a Câmara de Representantes e o Senado, através de suas respectivas comissões de relações exteriores, convoquem os representantes do Departamento de Estado para que expliquem as flagrantes contradições e omissões dessa recente atitude. E também, que estudem a possibilidade de convidar seus colegas representantes do "ramo legislativo" de Honduras para que tenham a oportunidade de exprimir suas opiniões, elementar direito de defesa que o "ramo executivo" do governo estadunidense lhes está negando.

     A política intervencionista do Departamento de Estado nos assuntos de Honduras deve cessar de imediato. O Congresso dos Estados Unidos deveria também convocar para uma audiência o embaixador norte-americano nesse país, Hugo Llorens, um cubano-americano com credenciais de moderado, que foi alto assessor da secretária de estado Condoleeza Rice, mas que agora se tem mostrado fiel e submisso defensor do deposto presidente chavista. Entre outras perguntas, poder-se-ia indagar ao embaixador Llorens se é verdade, sim ou não, que permitiu que a esposa do deposto presidente Zelaya utilizasse as instalações norte-americanas para, dali mesmo, arengar em prol de distúrbios e violência, enquanto fazia crer que estava resistindo nas montanhas. Também poderiam os congressistas convocar a Sra. María Otero, uma hispana de origem boliviana e antecedentes bolivarianos, recém-nomeada secretária de assuntos globais do Departamento de Estado, para interrogá-la se usou, sim ou não, um telefone da Secretaria de Estado e, sobretudo, a influência de seu cargo, para contatar empresários hondurenhos, coagindo-os e ameaçando-os por seu apoio ao atual governo provisório.

     Proclamar as verdades dolorosas para os Golias contemporâneos, em voz alta e clara, com argumentos e provas irrefutáveis, de maneira invariavelmente educada e respeitosa, é o modo mais efetivo de ajudar o pequeno e heróico David hondurenho. E também os povos irmãos latino-americanos, que sofrem debaixo dos malefícios do "eixo do mal" chavista.

     _________

     Notas:

    [1] U.S. DEPARTMENT OF STATE – Office of the Spokesman. For Immediate Release September 3, 2009 – 2009/871. BACKGROUND BRIEFING. Senior Administration Officials on Honduras – Via Teleconference, September 3, 2009.

    [2] Publicado em Sacralidade: "Kerenskismo obamista, Honduras e o abismo chavista". Diario Las Américas, Miami, EUA, 24/07/2009; El Heraldo, Tegucigalpa, Honduras, 23/07/2009; Destaque Internacional, Internet, 21/07/2009; texto reproduzido na Internet em vários idiomas, inclusive em lituano, em mais de 30 países.

     _________

     Artigo publicado no diário El Heraldo de Tegucigalpa, Honduras em 13/09/2009, com o título “Política del garrote” para Honduras y “política de sonrisas” hacia Cuba.

     Tradução: André F. Falleiro Garcia

     Armando Valladares, escritor e ex-preso político cubano, foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, durante as administrações Reagan e Bush.

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Obama-Clinton: "política del garrote" para Honduras y "política de sonrisas" hacia Cuba

 

 

Armando Valladares

    

El espíritu intervencionista del reciente comunicado del Departamento de Estado sobre Honduras no podía ser más brutal, constituyendo un ejemplo típico de vuelta de la "política del garrote"... contra el antichavismo, mientras se impulsa una suicida "política de sonrisas" hacia el "eje del mal" latinoamericano

 

 

Ian Kelly
El portavoz del Departamento de Estado, Ian Kelly, en una teleconferencia

     El 3 de septiembre pp., el Departamento de Estado norteamericano, en nombre de la secretaria de Estado Hillary Clinton, dio a conocer un comunicado que tiene como objetivo visible golpear al actual gobierno provisorio de Honduras pero que, en el fondo, pretende quebrar la resistencia del heroico pueblo hondureño, en su lucha a favor de la libertad. Se trata de un comunicado que refleja un deplorable intervencionismo prochavista en los asuntos internos de otro país.[3]

     Ni más ni menos, es la cruel aplicación contra Honduras, un pequeño país centroamericano, tradicional aliado de los Estados Unidos, de la "política del garrote", esta vez, en las manos del kerenskiano presidente Obama, quien al mismo tiempo impulsa una suicida "política de sonrisas" con relación a los totalitarismos y populismos de raíz izquierdista en las Américas, como Cuba, Venezuela, Bolivia, Ecuador y Nicaragua.

     Son dos pesos y dos medidas de una injusticia que clama a Dios.

     Días atrás, el presidente Obama había calificado de "hipócritas" a aquellos que en América Latina exigían hasta hace poco que los Estados Unidos no intervinieran en los asuntos latinoamericanos, mientras que ahora imploraban que el gobierno interviniese en el caso de Honduras. No obstante, pocos días después, el presidente Obama cedía ante la "hipocritadura" chavista, tal como Kerensky cedió ante Lenin a comienzos del siglo XX, con lo cual se precipitó el desenlace histórico que todos conocemos. Ya tuve oportunidad de definir en reciente artículo lo que entiendo por "kerenskismo obamista" y, para mayor brevedad, a él remito a mis lectores [4].

Presidente Barack Obama

 El presidente Obama: cuando se trata de Honduras, el lenguaje dulzuroso cambia totalmente y queda amargo, con gusto a hiel, agresivo, prepotente e intervencionista de la peor calaña.

     El comunicado del Departamento de Estado anunció "la suspensión de una amplia gama de ayuda al gobierno de Honduras", ante la alegada "necesidad de fuertes medidas" para quebrar la "resistencia" al "Acuerdo de San José" por parte de las actuales autoridades hondureñas, y ante lo que denomina "falta de restauración de un régimen democrático y constitucional en Honduras".

     El espíritu intervencionista del texto no podía ser más brutal, constituyendo un ejemplo típico de vuelta de la diplomacia del garrote... contra el antichavismo. En efecto, un "acuerdo" significa conformidad de pareceres entre dos o más personas o instituciones. Si se pretende doblegar a cualquier precio a las instituciones y al pueblo hondureño, entonces, no se lo llame hipócritamente un "acuerdo" y sí una "imposición", un gesto de "neocolonialismo" o un "ucase" (del ruso, "ukaz", que los diccionarios traducen como "orden despótica"). El comunicado del Departamento de Estado alega salir en defensa del sistema "democrático" y "constitucional" de Honduras, pero quiere imponer un "acuerdo" que, a pesar de llevar el nombre de ese gran santo que fue San José, terminaría siendo un ucase muy poco santo y, sin lugar a dudas, sobre todo muy poco "democrático".

     El comunicado estadounidense trata de justificar su intervencionismo alegando la necesidad de una "restauración" del orden democrático, pareciendo ignorar que el depuesto presidente Zelaya ya había herido gravemente ese orden democrático, a través del pisoteo de las leyes y de la propia Constitución, delante de la indiferencia del Departamento de Estado, de la OEA y de los gobiernos de las Américas que hoy farisaicamente rasgan sus vestiduras.

     El presidente Obama acaba de prometer en la última Cumbre de las Américas un "nuevo comienzo" con la sanguinaria dictadura castrista; ha tendido puentes de diálogo con los regímenes populistas-totalitarios de Venezuela, Ecuador y Bolivia; ha manifestado su disposición de conversar con los regímenes islámicos más radicalmente antiestadounidenses y hasta con el tirano de Corea del Norte; en fin, ha proclamado a los cuatro vientos que el "diálogo", no la imposición, es el camino primero e indispensable para la resolución de conflictos en el orden internacional; y que los Estados Unidos han pasado a defender el multilateralismo. Pero, cuando se trata de Honduras, el lenguaje dulzuroso cambia totalmente y queda amargo, con gusto a hiel, agresivo, prepotente e intervencionista de la peor calaña.

     En las líneas siguientes, los redactores del comunicado del Departamento de Estado, tal vez percibiendo el flanco de contradicción y de fraude que abrían, tratan de adoptar un aire de imparcialidad cuando dicen que se "reconoce" la "complicada naturaleza" de las acciones que llevaron a la deposición de Zelaya, el 28 de junio. No obstante, en esas acciones, de una manera increíblemente tendenciosa, solamente atribuye la responsabilidad y la culpa a la "rama legislativa", a la "rama judicial" y a "los militares", silenciando la responsabilidad primera y fundamental de la "rama ejecutiva" encabezada por Zelaya.

     A pesar de ese pretendido aire imparcial, se comete la mayor de las parcialidades cuando se omite siquiera una alusión al hecho de que en Honduras, el día 28 de junio de 2009, también existía esa "rama ejecutiva", y que al frente de la misma estaba un presidente "democráticamente electo", es verdad, pero que se había apartado nítidamente de la Constitución y de las leyes, y trataba de empujar a Honduras al abismo chavista.

     Es preciso insistir con invariable objetividad, en la misma proporción de la insistente parcialidad del comunicado estadounidense: es la "rama ejecutiva" encabezada por el depuesto presidente Zelaya la gran responsable por la actual encrucijada de Honduras, así como los hermanos Castro son los grandes responsables por el drama cubano, y Chávez es el gran culpable por el deterioro de las libertades en Venezuela y en otros países de la región en los que interviene como Pedro por su casa, sin que el Departamento de Estado abra la boca.

     El lamentable comunicado del Departamento de Estado alude también a "complejas cuestiones legales", que no se toma el trabajo de definir y ni siquiera de mencionar. Si esas cuestiones son tan "complejas", es una razón más para definirlas o, por lo menos, enumerarlas, y pasar a analizarlas con el debido cuidado antes de adoptar medidas que, además de ser intervencionistas y garrotistas, son precipitadas e injustas contra la hermana Honduras.

     Otra de las pruebas del garrotismo y la unilateralidad de este comunicado del Departamento de Estado es precisamente el hecho de que eluda el análisis de esa "complejidad", lavándose las manos como Pilatos.

     Los indicios hablan en el sentido de que el Departamento de Estado elude abordar esa "complejidad" porque no le conviene hacerlo: la palabra "complejidad", en el contexto del comunicado del Departamento de Estado, es un eufemismo para no tocar el tema central, el de la responsabilidad enorme del depuesto presidente Zelaya, un chavista en el cual el presidente Obama y la secretaria de Estado Clinton han depositado sus esperanzas.

     Se trata de una típica salida kerenskiana, entreguista, partidaria de ceder para no perder, con lo cual se protege y absuelve a Zelaya quien, como ya se dijo, fue "democráticamente electo" pero que -conviene reiterarlo hasta el cansancio, en la misma proporción en que sus defensores lo omiten también hasta el cansancio- se apartó de los principios constitucionales y de las leyes hondureñas.

Hillary Clinton
Hillary: la cruel aplicación contra Honduras, de la "política del garrote", y al mismo tiempo impulsa una suicida "política de sonrisas" con relación a los totalitarismos y populismos de raíz izquierdista

     No menos lamentable es el hecho de que el Departamento de Estado, abierto a "nuevos comienzos" con los más sanguinarios dictadores comunistas y con déspotas islámicos radicales, continúe negándose a dialogar con las actuales autoridades hondureñas y amenace con no "respaldar" el "resultado" de las próximas elecciones nacionales de ese país.

     Se explica que, delante de lo anterior, el mayor representante latinoamericano del "eje del mal" y actual presidente-dictador de Venezuela, Hugo Chávez, con una emoción de cocodrilo, haya declarado desde Irán, donde mantenía reuniones conspiradoras contra los Estados Unidos, que "ya era hora" que el presidente Obama adoptara esas medidas, y haya manifestado su complacencia con ese lamentable comunicado del Departamento de Estado, en buena medida, fruto de sus presiones y reclamos.

     En este texto del Departamento de Estado, del 3 de septiembre pp., ha quedado al descubierto la claudicación prochavista de la "rama ejecutiva" del gobierno estadounidense. Por ello, sería de desear que la "rama legislativa" de este país, Cámara de Representantes y Senado, a través de sus respectivas comisiones de Relaciones Exteriores, convoquen a los representantes del Departamento de Estado para que expliquen las flagrantes contradicciones y omisiones de este reciente engendro. Y también, que estudien la posibilidad de convidar a sus colegas representantes de la "rama legislativa" de Honduras, para que tengan oportunidad de expresar su opinión, un elemental derecho de defensa que la "rama ejecutiva" del gobierno estadounidense le está negando.

     La política intervencionista del Departamento de Estado en los asuntos de Honduras debe cesar de inmediato. El Congreso de los Estados Unidos debería también convocar a una audiencia al embajador norteamericano en ese país, Hugo Llorens, un cubanoamericano con credenciales de moderado, que fue alto asesor de la secretaria de Estado Condoleeza Rice, pero que ahora se ha mostrado fiel y sumiso defensor del depuesto presidente chavista. Entre otras preguntas, se podría interrogar al embajador Llorens si es verdad, sí o no, que permitió a la esposa del depuesto presidente Zelaya utilizar las instalaciones diplomáticas norteamericanas para, desde allí, arengar en favor de disturbios y de violencia, mientras hacía creer que estaba resistiendo en las montañas. También podrían los congresistas convocar a la Sra. María Otero, una hispana de origen boliviano y antecedentes bolivarianos, recién nombrada Secretaria de Asuntos Globales del Departamento de Estado, para interrogarla si usó, sí o no, un teléfono de la Secretaría de Estado y, sobre todo, la influencia de su cargo para llamar por teléfono a empresarios hondureños, coaccionándolos y amenazándolos por su apoyo al actual gobierno provisorio.

     Proclamar las verdades que duelen a los Goliats contemporáneos, en alta voz, claramente, con argumentos y pruebas irrefutables, de una manera invariablemente educada y respetuosa, es la más efectiva manera de ayudar al pequeño y heroico David hondureño, así como a los pueblos hermanos latinoamericanos que sufren bajo los maleficios del "eje del mal" chavista.

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     Notas:

    [3] U.S. DEPARTMENT OF STATE – Office of the Spokesman. For Immediate Release September 3, 2009 – 2009/871. BACKGROUND BRIEFING. Senior Administration Officials on Honduras – Via Teleconference, September 3, 2009.

    [4] Postado en Sacralidad: "Kerenskismo obamista, Honduras y abismo chavista". Diario Las Américas, Miami, EUA, Julio 24, 2009; El Heraldo, Tegucigalpa, Honduras, Julio 23, 2009; Destaque Internacional, Internet, Julio 21, 2009; texto reproducido en Internet en varios idiomas, inclusive el lituano, en más de 30 países.

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     Postado en El Heraldo, Tegucigalpa, Honduras, 13 de septiembre de 2009.

     Armando Valladares, ex-preso político cubano, sirvió como embajador de los Estados Unidos ante la Comisión de Derechos Humanos de la ONU en las administraciones Reagan y Bush, habiendo recibido la Medalla Presidencial del Ciudadano y el Superior Award del Departamento de Estado. En julio pp., en Italia, fue el primer hispano honrado con el prestigioso Premio ISCHIA de periodismo internacional.

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Obama-Clinton: "Big Stick Policy" for Honduras and "Smiling Policy" for Cuba

 

Armando Valladares

    

The interventionist spirit of the recent Department of State's note on Honduras couldn't have been more brutal, being a typical example of the return of the "big stick policy"... against anti-Chavism, while a suicidal "smiling policy" is being implemented for the Latin American "axle of evil"

 

 

Ian Kelly, Department Spokesman
Ian Kelly, Department Spokesman

State Department

     On behalf of Secretary of State Hillary Clinton, last September 3, the US Department of State released a note visibly aiming at hurting the temporary government of Honduras but which, as a matter of fact, intends to break the resistance of the heroic Honduran people in their fight for freedom. It is all about a note that at the same time reflects a not less deplorable pro-Chávez interventionism in the internal affairs of another country.[5]

     No more no less, it is the cruel application against Honduras -- a small Central America country, a traditional US ally -- of the "big stick policy", now under the hands of Kerenskynian president Obama, who at the same time implements a suicidal "smiling policy" towards totalitarian and populist leftist countries in the Americas, like Cuba, Venezuela, Bolivia, Ecuador and Nicaragua.

     They are two weights and two measures of an injustice that cries out for God.

     Days ago, president Obama had qualified as "hypocrites" those who just a while ago demanded the US not to intervene in Latin-American matters and are now begging the United States government to intervene in the case of Honduras. However, just a few days later president Obama surrendered before the Chavist "hypocriticaldictatorship", just like Kerensky surrendered before Lenin in the beginning of the twentieth century, which triggered the historical events that we all know. I have already had the chance to define, in a recent article, what I understand as "Obama Kerenskyism" and, in short, I refer it to my readers [6].

President Barack Obama

Obama: when dealing with Honduras, the mellow language changes totally and becomes bitter, tasting bile, aggressive, prepotent and utterly interventionist

     The Department of State's note announced the "termination of a broad range of assistance to the government of Honduras", with the alleged need for "strong measures" to break the "resistance" to the adoption of the "San Jose Accord" by the current Honduran authorities and for what is mentioned as "continuing failure to restore a democratic and constitutional rule to Honduras".

     The interventionist spirit of the text couldn't have been more brutal, being a typical example of the return to the big stick policy diplomacy... against anti-Chavism. In fact, an "accord" means conformity of opinions between two or more people or institutions. If one intends to submit at any cost the institutions and the Honduran people, then let's not hypocritically call it an "accord" but rather an "imposition", a touch of "neocolonialism" or a ukase (from Russian, ukaz, that dictionaries translate for "despotic rule"). The Department of State's note says it is defending the "democratic" and "constitutional" Honduran system, but means to impose an "accord" which, in spite of carrying the name of that great saint that was Saint Joseph, would end up being a not too holy ukase and, without any doubt, quite little "democratic".

     The US note tries to justify its interventionism by alleging the need of a "restoration" of the democratic rule, ignoring that the ousted president Zelaya had already damaged seriously that democratic rule through passing over the laws and the Constitution itself with the indifference of the Department of State, the OAS and the governments of the Americas which pharisaical tear down their gowns.

     In the last Summit of the Americas, president Obama promised a "new beginning" for bloody Castro dictatorship; has extended bridges of dialogues with the totalitarian-populist regimes of Venezuela, Ecuador and Bolivia; has revealed its willing to talk with the most radical anti-US Islamic regimes and even with North Korea's tyrant; well, he has proclaimed to the four winds that "dialogue", not "imposition, is the very first and indispensable choice to solve international conflicts; and that the United States are defending multilateralism. However, when dealing with Honduras, the mellow language changes totally and becomes bitter, tasting bile, aggressive, prepotent and utterly interventionist.

     On the following lines, maybe perceiving the breach of contradictions and fraud that they had opened, the writers of the Department of State's note adopt a tone of impartiality when saying they do "recognize" the "complicated nature" of the actions that took to the Zelaya ousting from power on June 28. Even so, those actions are solely liable and blamed to a "legislative branch", the "judicial branch" and to the "military", being silent on the very first and key responsibility of the "executive branch" headed by Zelaya.

     In spite of that pretentious impartial tone, one commits the largest partiality when omitting a single allusion to the fact that in Honduras, on June 28, 2009, there also existed that "executive branch", and that heading it there was a "democratically elected" president, which is true, but who had clearly jeopardized the Constitution and the law, and was pushing Honduras on its path to the Chávez abyss.

     We have to insist with an invariable objectivity, with the same proportion of the insisting partiality of the US note: it's the "executive branch", headed by president Zelaya, the great responsible for the existing Honduran crossroads, just like the Castro brothers are the great responsible for the Cuban drama, and Chávez is the great one to blame for the deterioration of freedom in Venezuela and in other countries of the region where he butts in, without the Department of State saying a word about it.

     The unfortunate Department of State's note also refers to "complex factual and legal questions" which it does not care for defining or even clarifying. If those are really so "complex" matters, that is one more reason for defining them or at least clarifying them and then analyzing them properly before taking any measures which, in addition to being interventionists and big-sticking, are overhasty and unfair against sister Honduras.

     Another evidence of the big stick policy and its unilateralism of this Department of State note is precisely the fact that it avoids the analysis of that "complication", washing its hands like Pilate.

     Chances are the Department of State avoids talking on that "complication" because it's not good to do it: the word "complication", in the Department of State's note is an euphemism for not addressing the core theme, which is the huge responsibility of ousted president Zelaya, a Chavist in whom president Obama and Secretary of State Clinton are depositing their hopes.

     It's a typical Kerensky salad, a scalawag one, which would rather give to avoid loosing, with which Zelaya is protected and acquitted, who, as said before, was truly "democratically elected" but who -- and it takes insisting wearily upon that, in the same way his defenders omit it, also wearily -- diverged from Honduras constitutional principles and laws.


Hillary' policy: it is the cruel application against Honduras of the "big stick policy", at the same time implements a suicidal "smiling policy" towards totalitarian and populist leftist countries in the Americas

     Not less unfortunate is the fact that the Department of State, open for "new beginnings" with the most bloody Communist dictators and with radical Islamic despotic leaders, keeps on dialoguing with the current Honduran authorities and threatens not to "support" the "result" of the scheduled elections of that country.

     It's rather explainable why, in view of what was mentioned, the greatest Latin American representative of the "axle of evil" and present president of Venezuela, Hugo Chávez, with crocodile tears has declared in Iran, where he had conspiracy meetings against the United States, that it "was time" for president Obama to take those measures, and stated his complacency with that unfortunate note of the Department of State, which in a good measure, is a fruit of his pressure and claims.

     In that September 3 Department of State text, it remained open the pro-Chávez consent of the "executive branch" of the US government. So, it would be desirable that the "legislative branch" of that country, the House of Representatives and Senate, through their respective commissions of Foreign Relations, invited the representatives of the Department of State to explain the flagrant contradictions and omissions of this recent imbroglio. And also, to study the possibility of inviting their representative colleagues of the Honduran "legislative branch" to express their opinion, an elementary right of defense that the US government's "executive branch" is denying them.

     The Department of State's interventionist policy in Honduras affairs must cease immediately. The United States Congress should also set up a meeting with the US ambassador to that country, Hugo Llorens, a moderate Cuban American, who was a high counsel of Secretary of State Condoleeeza Rice, but who is now a faithful and submitted defender of the ousted Chavist president. Among other questions, one could interrogate ambassador Llorens whether it is true or not that it was permitted to the wife of ousted president Zelaya to use the North-American diplomatic facilities for right there preaching in favor of disturbances and violence, while making us believe that he was resisting on the mountains. Congressmen could also invite Mrs. María Otero, a Hispanic from Bolivian origin and Bolivarian background, recently appointed Under Secretary of Global Affairs of the Department of State, to interrogate her whether or not she used a Department of State telephone to call Honduran businessmen, coercing and threatening them for their support to the current temporary government.

     Proclaiming loud and clear the truth facts that hurt the contemporary Goliaths, with irrefutable arguments and evidence, in an invariably educated and respectful way, is the most effective manner to help up the small and heroic Honduran David, as well as the brother Latin-American peoples who suffer under the malign effects of Chavist "axle of evil".

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     Notes:

 

    [5] U.S. DEPARTMENT OF STATE – Office of the Spokesman. For Immediate Release September 3, 2009 – 2009/871. BACKGROUND BRIEFING. Senior Administration Officials on Honduras – Via Teleconference, September 3, 2009.

    [6] See "Obama Kerenskyism, Honduras and the Chávez Abyss", Diario Las Américas, Miami, USA, July 24, 2009; El Heraldo, Tegucigalpa, Honduras, July 23, 2009; Destaque Internacional, Internet, July 21, 2009; a text reproduced in many languages, including Lithuanian, in more than 30 countries.

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     Armando Valladares, former Cuban political prisoner, was the US ambassador with the United Nations Commission on Human Rights during the Reagan and Bush governments and was granted the Citizen's Presidential Medal and the Superior Award of the Department of State. Late July, in Italy, he was the first Hispanic honored with the distinguished Ischia International Award for Journalism.

 

 

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