www.sacralidade.com
www.sacralidade.com

O "EIXO DA MODERAÇÃO"

A SERVIÇO DO "EIXO DO MAL"

 

Armando Valladares    

 

    Versión en Español

    Version in English

 

O Palácio do Itamaraty, a chancelaria brasileira outrora reconhecida por sua habilidade, tato e inteligência, contribuiu para criar um inédito "governo paralelo" pró-chavista em sua embaixada em Tegucigalpa, ao empurrar o "moderado" presidente Lula para o olho de um imprevisível furacão, o que, diante de Deus e da história, torna-o responsável direto pelo que possa ocorrer em Honduras

 

Zelaya na Embaixada brasileira
Zelaya entrou na embaixada atropelando a Constituição brasileira e o direito internacional

     O Palácio do Itamaraty, a chancelaria do "moderado" presidente do Brasil, Sr. Lula da Silva, ao autorizar o ingresso em sua embaixada em Tegucigalpa do deposto presidente pró-chavista Zelaya como "hóspede", e não como "asilado" [1], envolveu-se nos assuntos internos de Honduras da maneira mais brutal e menos diplomática possível. Contribuiu desse modo para criar em Honduras um inédito "governo paralelo" pró-chavista, sob o amparo da extraterritorialidade.

     Tal como advertem analistas brasileiros, a diplomacia do Itamaraty outrora reconhecida por sua habilidade, tato e inteligência acaba de empurrar Lula, talvez inadvertidamente, para o olho de um imprevisível furacão que pode afetar o perfil de "moderação", "conciliação", diálogo" e "espírito democrático", que vem exibindo nos últimos anos. Sobretudo, diante de Deus e da história, torna-o responsável direto pelo que possa ocorrer em Honduras.

     De fato, ao intervir dessa maneira nos assuntos internos de Honduras, a diplomacia do Itamaraty passa a assumir a culpa direta pelas conseqüências de sua decisão de usar a embaixada para hospedar o presidente deposto e criar um "governo paralelo". Torna-se responsável, inclusive, pelos fatos de violência e derramamento de sangue que possam ocorrer.

     O deposto presidente Zelaya tem utilizado o recinto diplomático para arengar aos seus seguidores, contribuindo para criar no país uma situação explosiva. O próprio presidente brasileiro, talvez percebendo de que maneira foi colocado no olho de um furacão por sua própria chancelaria, pediu para Zelaya  de Nova York, onde assistiu a inauguração da Assembléia Geral da ONU  moderar sua linguagem. Também exigiu o respeito pela extraterritorialidade da sede diplomática em Honduras, no mesmo momento em que o Itamaraty violava dessa maneira normas internacionais elementares.

     Com ainda maior ênfase do que emprega para insistir no levantamento do "embargo" ao regime comunista de Cuba, a chancelaria brasileira monta um inédito "embargo" contra o povo hondurenho que não deseja cair no abismo chavista. No momento em que escrevo estas linhas, o presidente Lula acaba de propor uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, para tratar da delicada situação que sua própria diplomacia, tão pouco diplomática, contribuiu de modo decisivo para criar. Só falta que a representante do Brasil na ONU peça uma intervenção militar em Honduras.

     Como advertiu o analista político brasileiro Roberto Lameirinhas nas páginas do influente "O Estado de São Paulo", a volta de Zelaya, cercada de um "show midiático", na realidade vai "ampliar a fratura social hondurenha", e os que apóiam o retorno do deposto presidente "parecem apostar numa popularidade que na realidade ele não tem", assim como numa suposta "disposição revolucionária" da população hondurenha que não existe.

     Sem dúvida, o povo hondurenho está pagando a conta de perdas humanas, sociais e econômicas, sujeito a uma incompreensão internacional talvez inédita na história. Mas a conta política, caso Honduras seja brutalmente arrastada para o abismo chavista, será o próprio governo brasileiro  seu atual presidente e sua chancelaria que a pagará em larga medida.

     Se hoje, na América do Norte, o kerenskismo favorecedor das esquerdas está representado pelo presidente Obama, tal como mostrei em recente artigo publicado no El Heraldo, de Honduras, o kerenskismo na América do Sul está encarnado emblematicamente no presidente Lula, do Brasil, a quem Obama, durante a Cúpula das Américas, qualificou como seu "campeão".

     Se Cuba comunista sobrevive até hoje, talvez mais ainda que ao apoio de Chávez, deve isto ao colossal apoio político, diplomático e econômico do kerenskismo lulista.

     Se Chávez chegou aonde chegou, é porque em boa medida o kerenskismo lulista  sempre alegando moderação, espírito de diálogo e contemporização  deu-lhe sua anuência e público apoio nos momentos de maior dificuldade interna, contribuindo para desmoralizar a oposição venezuelana.

     Se os governos populistas-indigenistas da Bolívia e Equador estão realizando as atuais arbitrariedades, contribuindo para a autodemolição social, política e moral de ambos os países, devem isso ao kerenskismo lulista que lhes proporcionou decisivo respaldo em matéria política e econômica.

     Se as pressões internacionais contra Honduras chegaram ao ponto em que chegaram, isso se deve às articulações do neo-imperialismo kerenskiano lulista, que por detrás dos bastidores, e até na frente deles sem o menor pudor, empenhou-se em pressionar o governo norte-americano, para asfixiar essa pequena grande nação que os partidários da liberdade no mundo inteiro qualificam justamente como sendo o pequeno grande David do século XXI.

     O "moderado" presidente brasileiro integra, junto com o presidente Obama, o "eixo da moderação" que, objetiva e independentemente das intenções de seus protagonistas, está a serviço do "eixo do mal" chavista. Com seu espírito concessivo, permite que avance o "eixo do mal".

     Há quase 7 anos, em 8 de outubro de 2002, no conhecido programa televisivo do jornalista Boris Casoy, pelo então candidato presidencial Lula da Silva fui chamado de "picareta de Miami", porque eu tinha denunciado numa série de artigos, de maneira documentada e invariavelmente respeitosa, o vergonhoso apoio de Lula a Cuba comunista e sua política a favor do "eixo do mal" latino-americano. Nessa ocasião, por falta de argumentos, Lula respondeu por meio dessa grosseria.

     A política externa do Itamaraty, durante os dois períodos presidenciais do presidente Lula à frente do governo do Brasil, confirmou minhas apreensões. Agora, com a precipitação da aventura hondurenha, a diplomacia brasileira mais uma vez confirmou-as.

     É hora de proclamar verdades que doem aos Golias contemporâneos, em alta voz, claramente, argumentando e apresentando provas irrefutáveis, tudo isso feito de maneira invariavelmente educada e respeitosa. Usei palavras fortes que não dão margem a dúvidas, mas penso que foram proporcionadas à gravidade da situação e sempre respeitosas.

     Em recentes declarações para o Washington Post, o embaixador Jeffrey Davidow, alto assessor do presidente Obama, reconheceu que na América Latina de hoje o populismo do tipo chavista é um perigo maior do que o militarismo. O embaixador Davidow disse uma meia verdade. De fato, sob vários pontos de vista, o maior perigo é o "kerenskismo", que prepara o caminho para o populismo, o indigenismo e outros ismos pós-modernos que estão tomando o lugar do comunismo clássico.

     A heróica resistência do povo hondurenho, negando-se a vestir o "uniforme" zelayista-chavista apesar das brutais pressões de dirigentes internacionais, fez-me lembrar da epopéia de um punhado de presos políticos cubanos que, não obstante surras brutais e torturas, negou-se durante anos a colocar o "uniforme" dos presos comuns. O tirano Castro não conseguiu dobrá-los, e passaram para a história como os "presos obstinados".

     Que a Divina Providência proteja a obstinada Honduras, que se nega a vestir o "uniforme" chavista, e continue lhe dando forças e inspiração para resistir, do mesmo modo como David resistiu e se defendeu contra Golias.

     _________

     NOTA DE SACRALIDADE:

 

    [1] É ilegal a presença de Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa na atual situação. Segundo o advogado Durval de Noronha Goyos, especialista em direito internacional, tanto Zelaya, ao usar a embaixada para incitar a população a lutar contra o governo interino, quanto o Brasil, ferem normas internacionais. Ver a entrevista concedida por Durval de Noronha Goyos Jr. para UOL Notícias, reproduzida em Sacralidade: Presença de Zelaya em embaixada brasileira é ilegal, diz especialista.

 

     _________

     Artigo divulgado em 23/09/2009, com o título Kerenskismo obamista-lulista y Honduras: "eje de la moderación" al servicio del "eje del mal". Publicado no jornal Diario Las Américas em 25/09/2009 em Miami, e em El Heraldo, de Tegucigalpa, em 27/09/2009.

     Tradução: André F. Falleiro Garcia.

     Armando Valladares, escritor e ex-preso político cubano, foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, durante as administrações Reagan e Bush.

     _________

     Artigos relacionados:

 

Honduras: erros táticos comprometem a estratégia continental neocomunista

Honduras e o Sangue de Cristo

UnoAmérica critica os que apoiaram o regresso clandestino de Zelaya

Brasil investe na guerra civil em Honduras

Súplica por Honduras a Nossa Senhora de Guadalupe Protetora da América

Presença de Zelaya em embaixada brasileira é ilegal, diz especialista

Honduras: caso emblemático de escandalosa intervenção chavista

Kerenskismo obamista, Honduras e o abismo chavista

Os amigos hondurenhos das Farc

O caminho a seguir para Honduras

O plano macabro de um delinqüente internacional

Aonde vai a OEA?

Chávez e o paradoxo de Insulza

Honduras

Golpe de Estado em Honduras?

Golpe em Honduras? Que golpe?

Honduras e Chávez: o que a mídia não está informando nos Estados Unidos

Carta de renúncia de Valladares à Fundação de Direitos Humanos

 

Kerenskismo obamista-lulista y Honduras:

"eje de la moderación" al servicio del "eje del mal"

 

El Palacio de Itamaraty, la cancillería brasileña -otrora reconocida por su habilidad, tacto e inteligencia- contribuyendo a crear un inédito "gobierno paralelo" prochavista en su embajada en Tegucigalpa, empujó al "moderado" presidente Lula al ojo de un imprevisible huracán, lo cual, ante Dios y ante la Historia, lo hace responsable directo por lo que pueda acontecer en Honduras

 

Armando Valladares    

 

Manuel Zelaya
Manuel Zelaya se ha dedicado a usar el recinto diplomático para arengar a sus seguidores

     El Palacio de Itamaraty, la cancillería del "moderado" presidente del Brasil, Sr. Lula da Silva, al autorizar el ingreso a su embajada en Tegucigalpa del depuesto presidente prochavista Zelaya como "huesped", y no como "asilado", se involucró en los asuntos internos de Honduras de la manera más brutal y menos diplomática posible. Contribuyó de esa manera a crear en Honduras un inédito "gobierno paralelo" prochavista, bajo el amparo de la extraterritorialidad.

     Tal como advierten analistas brasileños, la diplomacia de Itamaraty -otrora reconocida por su habilidad, tacto e inteligencia- acaba de empujar a Lula, tal vez inadvertidamente, al ojo de un imprevisible huracán que puede afectar el perfil de "moderación", "conciliación", "diálogo" y "espíritu democrático" que ha estado cultivando en los últimos años. Y, sobre todo, lo hace responsable directo, ante Dios y ante la Historia, por lo que pueda acontecer en Honduras.

     De hecho, interviniendo de esa manera en los asuntos internos de Honduras, la diplomacia de Itamaraty pasa a asumir la culpa directa por las consecuencias de la decisión de usar su embajada para hospedar al presidente depuesto y crear un "gobierno paralelo"; responsable, inclusive, por hechos de violencia y hasta de sangre que puedan ocurrir.

     El depuesto presidente Zelaya se ha dedicado a usar el recinto diplomático para arengar a sus seguidores, contribuyendo a crear en el país una situación explosiva. El propio presidente brasileño, tal vez percibiendo de qué manera ha sido colocado en el ojo de un huracán por su cancillería, desde Nueva York, donde asistió a la inauguración de la Asamblea General de la ONU, pidió a Zelaya que moderase su lenguaje. Y también exigió el respeto de la extraterritorialidad de su sede diplomática en Honduras, en el mismo momento en que Itamaraty está violando elementales normas internacionales en ese país.

     Con mayor énfasis aún que el colocado para insistir sobre el levantamiento del "embargo" al régimen comunista de Cuba, la cancillería brasileña monta un históricamente inédito "embargo" contra el pueblo hondureño, simplemente porque éste no desea caer en el abismo chavista. En momentos en que escribo estas líneas, el presidente Lula ha propuesto una reunión de emergencia del Consejo de Seguridad de la ONU, para analizar una delicada situacion que su propia diplomacia, tan poco diplomáticamente, ha contribuido decisivamente a crear. Solamente falta que la actual embajadora del Brasil en la ONU pida una intervención militar en Honduras.

     Tal como advirtió desde las páginas del influyente O Estado de S. Paulo el analista político brasileño Roberto Lameirinhas, el retorno de Zelaya, rodeado de un "show mediático", en realidad va a "ampliar la fractura social hondureña"; y los que apostaron en la vuelta del depuesto presidente "parecen apostar en una popularidad que en realidad no tiene", así como en una supuesta "disposición revolucionaria" de la población hondureña que tampoco existe.

     Sin duda, la cuenta de pérdidas humanas, sociales y económicas la está pagando el pueblo hondureño, sujeto a una incomprensión internacional tal vez inédita en la Historia. Pero la cuenta política, ante Dios y ante la Historia, en el caso de que Honduras sea brutalmente arrastrada al abismo chavista, será el propio gobierno brasileño, su actual presidente y su diplomacia los que tendrán que pagarla en buena medida.

     Si hoy, en América del Norte, el kerenskismo favorecedor de las izquierdas está representado por el presidente Obama, tal como mostré en reciente artículo publicado en El Heraldo, de Honduras, en América del Sur, el kerenskismo talvez esté encarnado prototípicamente en el presidente Lula, del Brasil, a quien Obama, durante la Cumbre de las Américas, calificó como su "campeón".

     Si Cuba comunista sobrevive hasta hoy, en buena medida ello se debe, tal vez más aún que al apoyo de Chávez, al colosal sustento político, diplomático y económico del kerenskismo lulista.

     Si Chávez llegó hasta donde ha llegado, es porque en buena medida el kerenskismo lulista, siempre alegando moderación, espíritu de diálogo y necesidad de contemporización, le dio su anuencia y lo apoyó públicamente en los momentos de más dificultad interna, contribuyendo a desmoralizar a la oposición venezolana.

     Si los gobiernos populistas-indigenistas de Bolivia y Ecuador están efectuando las tropelías actuales, contribuyendo a la autodemolición social, política y moral de ambos países, ello también se debe al kerenskismo lulista que les ha proporcionado un respaldo decisivo, en materia política y económica.

     Si las presiones internacionales contra Honduras han llegado al punto al que llegaron, ello se debe a las articulaciones del neoimperialismo kerenskiano lulista, que por detrás de las bambalinas, y hasta por delante de ellas, sin el menor pudor, se ha dedicado a a presionar al gobierno estadounidense para asfixiar a esa pequeña gran nación que los partidarios de la libertad en el mundo entero califican justamente como un pequeño gran David del siglo XXI.

     El "moderado" presidente brasileño integra junto con el presidente Obama un "eje de la moderación" que objetivamente, e independientemente de las intenciones de sus protagonistas, está al servicio del "eje del mal" chavista y permite, con su espíritu concesivo, que el "eje del mal" avance.

     Hace casi 7 años, el 8 de octubre de 2002, en el conocido programa televisivo del periodista Boris Casoy, el entonces candidato presidencial Lula da Silva me llamó de "embustero de Miami" (en portugués, "picareta") porque yo había contribuido a denunciar en una serie de artículos, de una manera documentada e invariablemente respetuosa, el vergonzoso apoyo de Lula a Cuba comunista y su política en favor del "eje del mal" latinoamericano. En la ocasión, a falta de argumentos, Lula respondió con un exabrupto.

     La política externa de Itamaraty, durante los dos períodos del presidente Lula al frente del gobierno del Brasil, fue confirmando esas aprensiones. Hoy, con la precipitación de la aventura hondureña, la diplomacia brasileña no ha hecho sino confirmar esas aprensiones.

     Es la hora de proclamar las verdades que duelen a los Goliats contemporáneos, en alta voz, claramente, argumentando y dando pruebas irrefutables, todo ello hecho de una manera invariablemente educada y respetuosa. He usado palabras sin lugar a dudas fuertes, pero pienso que ellas son proporcionadas a la gravedad de la situación, y han sido invariablemente respetuosas.

     En recientes declaraciones al Washington Post, el embajador Jeffrey Davidow, alto asesor del presidente Obama, reconoció que en la América Latina de hoy un peligro mayor que el militarismo es el populismo de tipo chavista. El embajador Davidoff dijo una media verdad. De hecho, bajo varios puntos de vista, el mayor peligro es el "kerenskismo", que prepara el camino para el populismo, el indigenismo y otros "ismos" posmodernos que están tomando el lugar del comunismo clásico.

     La heroica resistencia del pueblo hondureño negándose a ponerse el "uniforme" zelayista-chavista, a pesar de las brutales presiones de dirigentes internacionales, me recuerda la epopeya de un puñado de presos políticos cubanos que, pese a brutales golpizas y torturas, se negó durante años a vestirse con el "uniforme" de presos comunes. El tirano Castro no pudo doblegarlos, y pasaron a la Historia como los "presos plantados".

     Que la Divina Providencia proteja a Honduras "plantada", que se niega a ponerse el "uniforme" chavista y le continúe dando fuerzas e inspiración para resistir, de la misma manera como David resistió y se defendió contra Goliat.

     _________

     Armando Valladares, ex preso político cubano "plantado", fue embajador de Estados Unidos ante la Comisión de Derechos Humanos de la ONU, en Ginebra, durante las administraciones Reagan y Bush. Acaba de recibir en Roma un importante premio de periodismo por sus artículos en favor de la libertad en Cuba y en el mundo entero.

     _________

     El Heraldo, Tegucigalpa, Honduras, 27 de septiembre de 2009; Diario Las Américas, Miami (FL), 25 de septiembre de 2009.

 

Obama's and Lula's Kerenskyism and Honduras:

"axis of moderation" to the service of the "axis of evil"

 

 

Armando Valladares    

 

The Palace of Itamaraty, the Brazilian chancery - in the past acknowledged for its ability, tact and intelligence - contributing to create an unedited pro-Chavist "parallel government" in its embassy in Tegucigalpa, placed the "moderate" president Lula in the eye of an unpredictable hurricane, and makes him, before God and the History, directly responsible for whatever may happen in Honduras

 

Manuel Zelaya
Deposed president Zelaya has used the diplomatic facilities to harangue his followers

     The Palace of Itamaraty, the chancery of the "moderate" president of Brazil, Mr. Lula da Silva, by authorizing deposed pro-Chavist president Zelaya to enter its embassy in Tegucigalpa as a "guest", instead of a "refugee", involved itself in the internal affairs of Honduras on the most brutal and less diplomatic possible way. Thus, it has contributed to create in Honduras an unedited "parallel government" pro-Chavist, under the protection of the extraterritoriality.

     As advised by Brazilian analysts, the Itamaraty diplomacy - formerly acknowledged by its ability, tact and intelligence - has just placed Lula, possibly unintentionally, in the eye of an unpredictable hurricane which may affect the profile of "moderation", "conciliation", "dialogue", and "democratic spirit" cultivated by him in the last years. And, above all, this makes him directly responsible, before God and History, for whatever may take place in Honduras.

     Indeed, thus intervening in Honduras internal affairs, the Itamaraty diplomacy assumes the direct responsibility for the consequences of its decision of using the embassy to receive the deposed president as a guest and to create a "parallel government", including for any acts of violence and bloody events that may take place.

     Deposed president Zelaya has used the diplomatic facilities to harangue his followers, contributing to create in the country an explosive situation. The Brazilian president himself, possibly understanding how he was placed in the eye of a hurricane by his chancery, from New York, where he attended the NU General Assembly, asked Zelaya to moderate his speech. And he also requested the respect to the extraterritoriality of the diplomatic facilities in Honduras, while Itamaraty is violating elementary international rules in that country.

     With an emphasis even greater than when insisting on the end the "embargo" to the communist regime of Cuba, the Brazilian chancery establishes a historically unedited "embargo" against the Honduran people, simply because this one does not want to fall the Chavist abysm. While I write these lines, President Lula proposes an emergence meeting of the United Nations Security Council to analyze a delicate situation that his own diplomacy, so little diplomatically, has decisively contributed to create. The only thing left to do is that the Brazilian ambassador to the UN asks for a military intervention in Honduras.

     As warned by Brazilian political analyst Roberto Lameirinhas in the influent newspaper O Estado de S. Paulo, the return of Zelaya, surrounded by a "media show", will indeed "enlarge the Honduran social fracture"; and those who bet on the return of the deposed president "seem to bet on a popularity that in fact does not exist", and on an also nonexistent alleged "revolutionary inclination" of the Honduran people.

     Undoubtedly, the account of human, social and economic losses is being paid by the Honduran people, subject to an international incomprehension possibly unedited in History. However, the political account, before God and History, in the case Honduras is brutally dragged into the Chavist abysm, to a large extent, will have to be paid by the Brazilian government, its current President and its diplomacy.

     If today, in North America, the Kerenskyism favoring the left is represented by President Obama, as proven in my recent article published in El Heraldo, Honduras, in South America, the Kerenskyism perhaps is prototypically embodied in President Lula, of Brazil, who was called by Obama, at the last Summit of the Americas, as his "champion".

     If the communist Cuba survives up to our days, to a large extent, this is due, perhaps even more than for the support of Chávez, to the colossal political, diplomatic and economic support given by the Lulist Kerenskyism.

     If Chávez has arrived where he is, this is because, to a large extent, the Lulist Kerenskyism, always alleging moderation, spirit of dialogue and need to temporize, gave his approval and publically supported him in the most difficult internal moments, contributing to demoralize the Venezuelan opposition.

     If the indigenous-populist governments of Bolivia and Ecuador are carrying out their current turbulences, contributing to the social, political and moral self-demolishment of both countries, this is also due to the Lulist Kerenskyism which provided them with a decisive support in the political and economical fields.

     If the international pressures against Honduras have arrived where they are now, this is due to the articulations of the neo-Lulist Kerenskyist imperialism, that, behind the scenes, and even at the stage, with no pudency, has dedicated itself to make pressure on the US government to asphyxiate this small great nation that the partisans of freedom in the whole world fairly classify as the small great David of the 21th century.

     The "moderate" Brazilian president integrates, together with President Obama, an "axis of moderation" that, objectively, and regardless the intentions of their protagonists, serves the Chavist "axis of evil" and allows, with its concessive spirit, that the "axis of evil" advances.

     Almost 7 years ago, on October 8, 2002, in a renowned TV program with journalist Boris Casoy, the then-presidential candidate Lula da Silva called me the "chiseler of Miami" (in Portuguese, "picareta") because I had contributed to denounce, through a series of articles, on a documented and constantly respectful way, the Lula's shameful support to Communist Cuba and his policy in favor of the Latin American "axis of evil". On that occasion, lacking arguments, Lula answered with rudeness.

     The external policy of Itamaraty, during the two terms of President Lula at the Government of Brazil, has confirmed these apprehensions. Today, with the precipitation of the Honduran adventure, the Brazilian diplomacy only confirms these apprehensions.

     This is the time to proclaim the truths that hurt the contemporary Goliaths, aloud, clearly, arguing and giving irrefutable evidences, all this done on a invariably polite and respectful way. I have undoubtedly used strong words, but I believe that they are proportional to the seriousness of the situation, and they have been always respectful.

     In recent statements to the Washington Post, Ambassador Jeffrey Davidow, high advisor of President Obama, acknowledged that for Latin America today the Chavist-type populism is a danger greater than militarism. Ambassador Davidoff said a half-truth. Indeed, from several points of view, the greatest danger is the "kerenskyism", which prepares the way for the populism, the indigenism and other post-modern "isms" which replace the classical communism.

     The heroic resistance of the Honduran people refusing to wear the Zelayaist-Chavist "uniform", despite the brutal pressures by international leaders, reminds me the epic fact in which a bunch of Cuban political prisoners, despite brutal beatings and tortures, refused for years to wear the "uniform" of regular prisoners. The tyrant Castro could not submit them, and they entered the History as the "resisting prisoners".

     May the Divine Providence protect the "resisting" Honduras, which refuses to wear the Chavist "uniform" and continue to give it strength and inspiration to resist, on the same way David resisted and defended himself against Goliath.

     _________

     Armando Valladares, former "resisting" Cuban political prisoner, was the US ambassador to the United Nations Commission on Human Rights, in Geneve, during the Reagan and Bush governments. He just received in Rome an important prize of journalism for his articles in favor of freedom in Cuba and in the whole world.

     _________

     

     El Heraldo, Tegucigalpa, Honduras, Sept. 27, 2009; Diario Las Américas, Miami (FL), Sept. 25, 2009.

 

 

     _________