HONDURAS: BATALHA PELA ALMA CRISTÃ DA AMÉRICA LATINA

 

Comunicado da Associação dos Fundadores  

  

    Versión en Español

 

A diplomacia brasileira, num gesto inaudito e na contramão de suas tradições, decidiu intervir diretamente na situação de Honduras, numa agressão à soberania do país, em desrespeito às suas instituições, bem como às leis internacionais e numa inequívoca subserviência ao expansionismo chavista na região.

Em Honduras estivera de fato em marcha um golpe contra a Constituição e as instituições do país, conduzido pelo próprio Manuel Zelaya, com a íntima colaboração do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

A manobra de qualificar de “golpe” a destituição de Manuel Zelaya e a exigência de condenação do mesmo encerravam um ardil ideológico. Ao omitir astutamente todos os atentados de Manuel Zelaya à ordem constitucional de Honduras, pretendia-se convalidar os mesmos e, mais amplamente, a estratégia geopolítica de Hugo Chávez e de seu “socialismo do século XXI”.

A realização do pleito eleitoral, para a estratégia política do chavismo, seria a consumação da derrota em Honduras. Foi então que a diplomacia brasileira passou a tomar a dianteira e a defesa aberta dos interesses do bloco bolivariano, decidindo inviabilizar qualquer solução que não atendesse aos interesses chavistas.

Para reviver a crise tornava-se necessária uma cartada radical. Nada mais conveniente do que a volta clandestina de Zelaya ao país. A partir do momento em que Manuel Zelaya se “abrigou” na embaixada do Brasil em Tegucicalpa, o nosso País passou, pois, a participar visivelmente da empreitada chavista.

     Estará o chavismo com a eventual colaboração de Cuba, Nicarágua e outros aliados preparando um banho de sangue para Honduras? E, nessa eventualidade, estará nossa desvairada diplomacia decidida a ir adiante na aventura que pode degenerar em violência e num desfecho trágico?

A diplomacia lulo-petista acabou por revelar sua verdadeira face, demonstrando estar disposta a jogar pesado, acolitando ativamente o chavismo e seu “socialismo do século XXI”, colaborando com a desestabilização da América Latina e minando, cada vez mais, a influência dos Estados Unidos na região.

 Mais do que tudo importa que a pequena Honduras, o Brasil e toda a América Latina fiquem a salvo das intrigas, das ameaças, das incursões e, de futuro, de uma possível hegemonia do “socialismo do século XXI”.

 

Fora Zelaya!

A cobertura dada às atitudes de Zelaya fez com que se esboroasse o mito da moderação de Lula como contraponto à radicalidade de Chávez

     A leitura e análise dos jornais das últimas semanas torna claro o crescimento das tensões na América Latina, onde se trava uma batalha político-ideológica de grandes dimensões e de importante relevância para o destino de todos os países da região, de modo muito particular do Brasil.

     Por um desses paradoxos da História, é na pequena Honduras que esse embate tem, no presente momento, seu cenário mais encarniçado.

     A iniciativa capitaneada pelo venezuelano Hugo Chávez do retorno clandestino a Honduras do presidente deposto, Manuel Zelaya, e a subseqüente transformação da embaixada brasileira em quartel-general deste último e de seu grupo de seguidores mais próximos, elevaram as tensões a um grau inimaginável e fizeram nosso País transpor, nas relações internacionais, um umbral extremamente perigoso.

     A diplomacia brasileira, num gesto inaudito e na contramão de suas tradições, decidiu intervir diretamente na situação de Honduras, numa agressão à soberania do país, em desrespeito às suas instituições, bem como às leis internacionais e numa inequívoca subserviência ao expansionismo chavista na região.

     Ante a gravidade da atual conjuntura, animada de cristão patriotismo, a Associação dos Fundadores (discípulos de Plinio Corrêa de Oliveira) vem a público manifestar sua opinião a respeito dos rumos de nossa política externa, os quais vêm ocasionando perplexidade e angústia crescentes, em incontáveis brasileiros. Ao fazê-lo, inspira-se ela na linha de atuação ininterrupta e nos princípios que animaram o eminente e intrépido líder e pensador católico, Plinio Corrêa de Oliveira.

     I – A fabricação de um fantasma: o “golpismo”

     Há certos momentos em que a cena internacional é perpassada por um frenesi, a respeito de algum fato político ou religioso, que à maneira de um vendaval repentino tudo atinge e derruba. A opinião pública é envolta por um clima emotivo, em que a reflexão ponderada e o equilíbrio dos julgamentos se vêem prejudicados e são transmitidas, como realidades incontestes, impressões pouco razoáveis.

     Honduras, pequeno país da América Central para o qual a atenção do público não está habitualmente voltada, tornou-se o epicentro de um desses fenômenos. O pretexto foram os acontecimentos políticos que, em 28 de junho, p.p., levaram à deposição do então presidente Manuel Zelaya.

     Um caudaloso noticiário, inúmeras análises e abundantes reações políticas aos quais faltavam isenção e objetividade insistiam na idéia de se estar diante de um ato arbitrário e de barbárie política perpetrado contra um presidente que legítima e tranquilamente exercia o cargo para o qual fora eleito; falavam até alguns de um retorno à “época negra” dos golpes militares.

     Tendo à testa os membros da ALBA (Aliança Bolivariana para as Américas), certos atores políticos latino-americanos, falando em nome da democracia que boa parte deles viola de muitas maneiras, apontavam como imperiosa uma condenação veemente do “golpe” em Honduras. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva se somou ao coro dos que condenaram o dito “golpe”.

     Entretanto, mundo afora, vozes de considerável peso começaram a apontar a verdadeira natureza dos acontecimentos ocorridos naquele país. Em Honduras estivera de fato em marcha um golpe contra a Constituição e as instituições do país, conduzido pelo próprio Manuel Zelaya, com a íntima colaboração do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

     II – A verdade sobre Honduras: Zelaya investe contra a Constituição e desafia as instituições do país

     Em janeiro de 2006, Manuel Zelaya assumia a presidência de Honduras, após vencer as eleições como membro do Partido Liberal, de tendência conservadora.

     Condicionado por uma acentuada crise nas finanças públicas, fruto da corrupção e dos altos preços do barril de petróleo, iniciou ele uma aproximação com o líder venezuelano.

     Cooptado de início pelas tentadoras condições para aquisição de petróleo, e depois pelo convite para o país ingressar na ALBA o que aconteceu em agosto de 2008, após acirrada disputa no Congresso Nacional Zelaya renunciou a seu programa eleitoral, declarou-se de esquerda e anti-imperialista, manifestando crescente anuência às manobras com que Hugo Chávez vem desestabilizando diversos países da América Latina.

     Desgastado politicamente, alvo de denúncias graves de corrupção e de ligação ao narcotráfico, Zelaya lançou, em março de 2009, a idéia de um plebiscito para promover reformas na Constituição e perpetuar-se no poder, nos moldes da cartilha chavista já vitoriosa na Bolívia e no Equador.

     A Constituição hondurenha possui cláusulas pétreas, entre elas a obrigatoriedade da alternância no exercício da Presidência, cuja infração constitui “delito de traição à Pátria”. Dispõe igualmente que cessará de imediato o desempenho de seu cargo público (inclusive de presidente) todo aquele que propuser ou apoiar a reforma do dispositivo constitucional que impede ser novamente presidente da república.

     Indiferente a tais impedimentos constitucionais, o presidente Zelaya emitiu decreto convocando uma consulta popular para estabelecer uma Assembléia Constituinte.

     No final do mês de maio, o Tribunal de Letras do Contencioso Administrativo, em processo movido pelo Ministério Público e pela Procuradoria Geral do Estado, suspendia todos os efeitos de tal decreto, por considerá-lo inconstitucional.

     O próprio governo, admitindo a ilegalidade de dito Decreto, decidiu apresentar um novo, levemente modificado, mas eivado dos mesmos vícios legais.

     O Tribunal Superior Eleitoral declarou ilegal a consulta popular que o Poder Executivo planejava e cujos preparativos levava a cabo, principalmente por usurpar prerrogativas de outros poderes, o que constitui delito grave, segundo a Constituição hondurenha.

     Anunciou então o presidente Manuel Zelaya sua intenção de não respeitar as decisões do Poder Judiciário e recorreu a Hugo Chávez para auxiliá-lo na organização da consulta popular, tendo sido trazido da Venezuela o material destinado à mesma.

     Zelaya tentou uma derradeira manobra ordenando às Forças Armadas apoiar a consulta popular, declarada ilegal. Ao receber a negativa de colaboração com suas ilícitas pretensões, demitiu sumariamente o Chefe de Estado Maior das Forças Armadas.

     No dia 26 de junho, o Fiscal Geral da República solicitou à Corte Suprema de Justiça uma ordem de captura contra Manuel Zelaya, sob a acusação de traição à pátria, de conspiração contra a forma de governo, abuso de autoridade e usurpação de função. A referida Corte ordenou às Forças Armadas a captura de Zelaya por tais delitos.

     No dia 28 de junho, Zelaya foi preso e retirado do país. O Congresso Nacional de Honduras, em sua maioria (apenas cinco votos contrários), empossou Roberto Micheletti, como novo presidente constitucional de Honduras [1].

     A exposição, ainda que sumária, da crise institucional em Honduras não convinha a Zelaya, a Chávez e a seus “companheiros de viagem”, razão pela qual era preciso alimentar a idéia simplista e facciosa de um “golpe” de Estado perpetrado por militares. Papel ao qual se prestou de bom grado, entre nós, considerável parte do capitalismo macro-publicitário.

     Na verdade, a manobra de qualificar de “golpe” a destituição de Manuel Zelaya e a exigência de condenação do mesmo encerravam um ardil ideológico. Ao omitir astutamente todos os atentados de Manuel Zelaya à ordem constitucional de Honduras, pretendia-se convalidar os mesmos e, mais amplamente, a estratégia geopolítica de Hugo Chávez e de seu “socialismo do século XXI”.

     À medida que a realidade foi emergindo, passou a tornar-se claro que em Honduras se dera uma série de atos institucionais em defesa do Estado de Direito, e começou a ruir a versão de um ato de arbítrio perpetrado por militares.

     É de ressaltar que, apesar de censurar o fato político, o Departamento de Estado norte-americano jamais qualificou o ocorrido em Honduras como golpe de Estado.

     Nestes dias um estudo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos um órgão consultivo sem caráter político considerou constitucional a destituição do presidente Manuel Zelaya. O estudo objeta apenas a legalidade de sua expulsão do país.

     Talvez o documento de maior relevância nesse ponto tenha sido o publicado pela Conferência Episcopal de Honduras.

     Em nota lida pelo Cardeal Oscar Andrés Rodríguez, os Bispos hondurenhos afirmavam ter procurado informações em todas as instâncias competentes do Estado e em organizações da sociedade civil, devendo concluir que as determinações que levaram à deposição de Manuel Zelaya foram legais e que as instituições do Estado democrático estão em plena vigência. Os Bispos acrescentavam aguardar uma explicação em relação à expulsão do país do ex-presidente.

     III – Pressões diplomáticas e eleições

     A partir da deposição de Manuel Zelaya, iniciaram-se inúmeras gestões e pressões diplomáticas sobre o governo de Roberto Micheletti, cujo histórico não seria o momento de mencionar.

     Cabe, entretanto, salientar a orquestração pró-Zelaya encabeçada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), sob a direção do socialista José Miguel Insulza.

     Honduras foi sumariamente expulsa da OEA, poucas semanas depois de ter sido aprovado o retorno incondicional da ditadura castrista aquela organização. Sem falar do seu clamoroso silêncio ante as manobras golpistas de Zelaya e as ameaças militares de Chávez ao país, o que valeu à OEA uma advertência da própria Conferência dos Bispos de Honduras, para que desse mais atenção a tudo o que vinha acontecendo, fora da legalidade, antes de 28 de junho.

     Com sua parcialidade despudorada, a OEA se desacreditou para qualquer papel mediador, o que levou as partes a um diálogo direto, iniciado sob os auspícios do presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

     Manuel Zelaya, fazendo abstração de suas afrontas às instituições de Honduras e das violações à lei fundamental do país, mantinha-se inflexível em sua postura de uma volta ao poder sem quaisquer condições, o que colaborou de modo possante para o fracasso de todas as tentativas de negociação.

     Enquanto decorriam as tratativas diplomáticas, grandes manifestações tomavam as ruas de Honduras, muito especialmente de Tegucicalpa, nas quais hondurenhos de todas as classes sociais exibiam ao mundo seu repúdio à intervenção de Hugo Chávez nos assuntos de Honduras e sua recusa ideológica ao “socialismo do século XXI”.

     Diante do fracasso das negociações e da ampla oposição do povo hondurenho às manobras de Zelaya, restava como solução pacífica a realização das eleições de novembro. Diversos países viam com bons olhos esta solução e o próprio Departamento de Estado norte-americano não descartava aceitá-la.

     Com a realização do pleito eleitoral, marcado antes da deposição de Manuel Zelaya e mantido pelo governo de Roberto Micheletti, acabariam por ruir as alegações de golpismo. Para a estratégia política do chavismo seria a consumação da derrota em Honduras.

     Foi então que a diplomacia brasileira passou a tomar a dianteira e a defesa aberta dos interesses do bloco bolivariano, decidindo inviabilizar qualquer solução que não atendesse aos interesses chavistas.

     IV - Cartada radical: a volta clandestina de Zelaya


A desvairada diplomacia lulo-petista prepara um banho de sangue para Honduras? Como terminará a aventura do “socialismo do século XXI”?

     Reinava a paz social e política em Honduras. Urgia, pois, convulsionar o quadro político e impedir a realização das eleições.

     Para reviver a crise tornava-se necessária uma cartada radical. Nada mais conveniente do que a volta clandestina de Zelaya ao país.

     Tudo indica que a logística da operação que permitiu o retorno do ex-presidente ao país teve a participação ativa de Hugo Chávez. Ele próprio admitiu ter conhecimento de tudo e revelou ter-se tratado de “uma operação secreta, uma grande operação de dissimulação”.

     As confissões de Chávez só reforçam a certeza de que Zelaya é uma marionete política nas mãos do caudilho venezuelano, a cujos interesses serve.

     A partir do momento em que Manuel Zelaya se “abrigou” na embaixada do Brasil em Tegucicalpa, o nosso País passou, pois, a participar visivelmente da empreitada chavista.

     Torna-se cada vez mais árduo acreditar que a “materialização” de Zelaya à porta da embaixada brasileira tenha sido fruto do acaso, de tal maneira sua permanência ali e a colaboração ativa do governo serviram a seus interesses. Inclusive pela coincidência com o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembléia Geral da ONU, durante o qual exigiu a imediata restituição de Manuel Zelaya ao cargo, condenando “golpes de Estado” como o de Honduras, ao mesmo tempo em que tomava a defesa do regime castrista.

     Em entrevista a uma rádio hondurenha, Zelaya afirmou que seu plano de retorno a Honduras foi elaborado em consultas a Lula e a Celso Amorim. Mas ainda que estivesse mentindo, a confiança demonstrada por Hugo Chávez em relação ao Brasil, indica bem quanto o líder bolivariano conta com a diplomacia brasileira para a realização de suas aventuras e como esta é conivente com seus interesses geo-políticos. É compreensível, pois, que Manuel Zelaya tenha reafirmado como indispensável o apoio do Brasil e reiterado seus agradecimentos ao presidente Lula.

     O fato é que a diplomacia brasileira, em vez de exigir a discrição e ausência de qualquer manifestação política, permitiu que Manuel Zelaya transformasse a embaixada do País num verdadeiro quartel-general, de onde passou a conclamar a uma insurreição em Honduras e à derrubada de Micheletti. Aventou-se até a possibilidade de que Zelaya instalasse ali um governo paralelo. A gravidade da situação criada se acentua ao se considerar que, juntamente com Zelaya, se instalaram na embaixada dezenas e dezenas de seguidores seus, muitos dos quais usam panos para esconder o rosto, enquanto vigiam a entrada do local, não havendo sequer a certeza de que todos sejam hondurenhos.

     Logo após os primeiros apelos de Zelaya, dirigidos a seus seguidores da varanda da embaixada e em entrevistas concedidas no interior da mesma, os zelaystas saquearam estabelecimentos comerciais, destruíram propriedades, queimaram pneus e bloqueram estradas, causando esses distúrbios a perda de duas vidas.

     É compreensível que, em comunicado divulgado pela chancelaria de Honduras, o governo do presidente Lula tenha sido acusado de intromissão em assuntos internos de Honduras; e que o próprio chanceler hondurenho, Carlos López Contreras, tenha declarado em entrevista que “há uma grave responsabilidade internacional do governo do presidente Lula não só com o governo de Honduras, mas também com a população e o comércio que foi saqueado pelas turbas instigadas de dentro da missão do Brasil em Tegucicalpa” (Chanceler de regime de facto acusa Brasil, “O Estado de S. Paulo”, 26/9/2009).

     De fato, o Brasil, numa agressão à soberania de Honduras, passou a interferir de forma explícita nos assuntos internos do país, violando as normas do direito internacional, como destacaram vários especialistas. Atitude que foi reforçada pelas declarações do presidente Lula de que Zelaya não tem prazo para ir embora da embaixada e que “o Brasil não tem o que conversar com esses senhores que usurparam o poder”.

     A vontade de fazer fracassar qualquer solução negociada que não atenda aos interesses de Hugo Chávez, se consolidou na reunião de emergência da OEA, em que o Brasil se alinhou com a Venezuela rejeitando as propostas da diplomacia norte-americana.

     A gravidade da situação permanece. Na verdade, o plano de retorno de Manuel Zelaya contava com a adesão nas ruas de dezenas ou talvez centenas de milhares de seguidores, como destacou o jornal “ABC” de Madrid. Mas, uma vez mais, patenteou-se o fracasso do apoio popular às manobras da esquerda.

     Só resta a Zelaya convocar, sempre a partir da embaixada brasileira, uma ofensiva final dos movimentos sociais e pregar atos de desobediência civil, como o fez nestes dias. Isso no preciso momento em que o deputado que preside a Comissão de Segurança e Narcotráfico denunciou no Congresso de Honduras, baseado em relatórios de inteligência militar e policial de países centro-americanos, um tráfico maciço de armas, procedente de El Salvador, para a execução de atos terroristas no país (cfr. “El Heraldo”, 29/9/2009, Denuncian masivo tráfico de armas hacia Honduras).

     Estará o chavismo com a eventual colaboração de Cuba, Nicarágua e outros aliados preparando um banho de sangue para Honduras? E, nessa eventualidade, estará nossa desvairada diplomacia decidida a ir adiante na aventura que pode degenerar em violência e num desfecho trágico?

     É compreensível que o embaixador americano na OEA, Lewis Amselem, tenha classificado o retorno clandestino de Zelaya como “irresponsável”, além de não servir “aos interesses do seu povo e daqueles que defendem uma solução pacífica para o restabelecimento da ordem democrática”.

     Toda a situação gerada com o “abrigo” dado ao ex-presidente Manuel Zelaya na embaixada brasileira deixa entrever que a diplomacia do governo Lula decidiu transpor um umbral muito perigoso e assumir a liderança da estratégia geopolítica e ideológica do assim chamado eixo bolivariano. Como bem ressaltou em seu editorial a revista “Veja”, “apoiar Zelaya não significa defender a democracia, significa apoiar a ditadura de Chávez” (30/9/2009).

     V – Dois mitos que se esboroam

     No firmamento diplomático latino-americano duas máximas foram se fixando e se tornando aceitas quase como evidências.

     A primeira apresentava o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, como um líder histriônico e excêntrico, conduzindo uma revolução confusa em seus conceitos e de práticas inócuas. Segundo tal versão, as ameaças de Chávez, de um radicalismo desvairado, não passariam de mera retórica.

     A segunda máxima apresentava o presidente Lula como um contraponto à radicalidade de Chávez, disposto a conter os arroubos do venezuelano, um esquerdista moderado e pragmático, ator confiável na região e líder imprescindível para a resolução das disputas regionais.

     A esquerda na América Latina estaria, pois, dividida em dois blocos, um da esquerda radical (liderado por Hugo Chávez) e outro da esquerda moderada (liderado por Lula).

     A verdade é que, tanto uma quanto outra máxima, eram de molde a desmobilizar e enfraquecer qualquer resistência ao avanço das esquerdas na América Latina.

     Enquanto isso, os dois líderes obtinham avanços substanciais em suas estratégias, cujas diferenças não passavam de duas faces de uma mesma moeda.

     Quem se debruçasse com mais acuidade sobre a realidade diplomática da região perceberia que, nos momentos de desgaste e nos lances mais ousados do assim chamado bolivarianismo, o presidente Lula e sua diplomacia, acorriam sistematicamente em auxílio de Chávez ou dos integrantes de seu bloco.

     Apesar disso, misteriosamente, muitos veículos de comunicação e analistas políticos continuavam a repetir as duas máximas, quase como um mantra.

     Transcorridos vários anos, os acontecimentos se encarregaram de dar um desmentido a essas versões e, a bem dizer, os dois mitos se esboroaram.

     Lula, na verdade, jamais moderou seriamente as atitudes de Chávez. E a prova está em que o caudilho venezuelano conseguiu levar adiante seu programa radical na Venezuela, onde vai implantando a olhos vistos um regime ditatorial e socialista (que Lula classifica como “excesso de democracia”); estendendo sua influência ou ingerência a diversos países; dando cobertura aberta às FARC; e tecendo alianças, inclusive militares, com a Rússia, a China, a Líbia, a Argélia e o Irã, num eixo anti-americano.

     Em recente análise, a conceituada revista “The Economist”, alertou que existe método na aparente loucura de Chávez: “Seu cálculo confessado é que ajudando a provocar dificuldades para os Estados Unidos, simultaneamente em muitos lugares, pode provocar o colapso do ‘império’. Os regimes com que ele busca assiduamente uma aliança são, neste cálculo, o núcleo de uma nova ordem mundial”. E a revista alerta que o mundo deve levar mais a sério os desígnios do venezuelano (Friends in low places, 15/9/2009).

     É no contexto apontado pela “Economist” que se insere a manobra do retorno clandestino de Manuel Zelaya a Honduras e sua acolhida na embaixada brasileira.

     Em um arroubo, a diplomacia lulo-petista acabou por revelar sua verdadeira face, demonstrando estar disposta a jogar pesado, acolitando ativamente o chavismo e seu “socialismo do século XXI”, colaborando com a desestabilização da América Latina e minando, cada vez mais, a influência dos Estados Unidos na região.

     Conclusão

     A crise hondurenha é altamente reveladora e constitui um grave sinal de alerta. O governo do Presidente Lula, apesar de certas aparências, não está interessado em solucioná-la pela via institucional. Está desejoso, isso sim, de impor ao pequeno país centro-americano uma rendição ao chavismo.

     Em sua subserviência aos desígnios de uma ideologia de esquerda, a diplomacia nacional não reflete o pulsar de coração do Brasil como um todo, pois as políticas oficiais de há muito deixaram de levar em conta a fibra conservadora e cristã, uma das mais prestigiosas e incontestáveis componentes da mentalidade nacional.

     A agressividade e a radicalização que, de modo crescente, marcam nossa política diplomática, além de poderem afetar nossa Nação, arrastando-a a uma indesejável posição de beligerância, são avessas à mentalidade do brasileiro médio.

     O que pensarão nossos compatriotas quando se virem envolvidos em conflitos que eles nunca buscaram, apenas porque o fanatismo ideológico de alguns os levou a aventuras como a presente?

     Que estranheza, que desconcerto, que sensação alucinante de estarem desidentificados da missão histórica da Terra de Santa Cruz, sentirão os brasileiros quando notarem que os recursos táticos da configuração geográfica do País, as infindáveis riquezas de seu subsolo, de sua pujante agricultura e de sua dinâmica indústria, estarão sendo úteis à implantação de uma ideologia estranha a seus anseios e contrária a seus princípios cristãos?

     Torna-se urgente que Manuel Zelaya abandone a legação brasileira e deixe de fazer dela o quartel-general de onde lança seus apelos a uma insurreição que pode conduzir a uma luta fratricida entre hondurenhos. Luta da qual será responsável, em grande medida, nosso governo, se continuar a ser o patrocinador da aventura chavista de Manuel Zelaya.

     Honduras necessita de paz e de respeito à sua soberania e não de gritos de guerra partidos da embaixada brasileira em Tegucicalpa.

     Mais do que tudo importa que a pequena Honduras, o Brasil e toda a América Latina fiquem a salvo das intrigas, das ameaças, das incursões e, de futuro, de uma possível hegemonia do “socialismo do século XXI”.

     A nosso ver, é necessário que se forme uma frente ampla no País fundada não tanto em filiações partidárias mas nos autênticos interesses do Brasil a qual se oponha de modo efetivo aos desmandos de uma política diplomática que há muito deixou para trás os legítimos interesses nacionais e os trocou por uma ideologia imperialista. Ideologia esta que tenta ressuscitar em nosso continente, habitualmente pacífico, a esteira de humilhações, de confrontos, de misérias e de dores que as idéias marxistas impuseram à Rússia, aos países do Leste Europeu, à China, à Coréia do Norte e a Cuba, para mencionar apenas alguns deles.

     Encerramos este pronunciamento elevando nossas preces a Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil, suplicando-Lhe que não permita que ideologias alienígenas perturbem a paz da América Latina e transformem a Terra de Santa Cruz em foco de insegurança e de desagregação.

     São Paulo, 3 de outubro de 2009

     Associação dos Fundadores

     _________

     NOTA:

    [1] A designação seguiu a ordem estabelecida pela Constituição de Honduras, uma vez que o vice-presidente havia renunciado meses antes para ser candidato nas eleições de novembro.

 

     _________

 

Honduras: batalla por el alma cristiana de América Latina

 


La diplomacia brasileña pasó a tomar la delantera y la abierta defensa del bloque bolivariano, decidiendo impedir cualquier solución que no atienda los intereses chavistas

     La lectura y el análisis de los diarios de las últimas semanas muestra claramente el crecimiento de las tensiones en Latinoamérica, donde se está trabando una batalla político-ideológica de grandes dimensiones y relevancia para el destino de todos los países de la región, muy especialmente del Brasil.

     Por una de esas paradojas de la Historia, es en la pequeña Honduras que ese embate encuentra, en el momento actual, su escenario más encarnizado.

     La iniciativa –capitaneada por el venezolano Hugo Chávez- del retorno clandestino a Honduras del presidente depuesto, Manuel Zelaya, y la subsiguiente transformación de la embajada brasileña en cuartel general de éste y de su grupo de seguidores más próximos, elevaron las tensiones a un grado inimaginable e hicieron que nuestro País transponga, en las relaciones internacionales, un umbral extremadamente peligroso.

     La diplomacia brasileña, en gesto inaudito y a contramano de sus tradiciones, decidió intervenir directamente en la situación de Honduras, en agresión a la soberanía del país, en falta de respeto a sus instituciones y a las leyes internacionales, en inequívoca servidumbre al expansionismo chavista en la región.

     Ante la gravedad de la actual coyuntura, animada de cristiano patriotismo, la Asociación de los Fundadores (discípulos de Plinio Corrêa de Oliveira), viene a manifestar públicamente su opinión con respecto a los rumbos de nuestra política exterior, que están causando perplejidad y creciente angustia a incontables brasileros. Haciéndolo, se inspira en la línea de actuación ininterrumpida y en los principios que animaron al eminente e intrépido líder y pensador católico, Plinio Corrêa de Oliveira.

     I – La fabricación de un fantasma: el “golpismo”

     Existen determinados momentos en que la escena internacional es sacudida por un frenesí con relación a un hecho político o religioso que, al modo de un vendaval repentino, lo alcanza y lo derrumba a todo. La opinión pública se halla envuelta en un clima emotivo, en el que la reflexión ponderada y el equilibrio de juicio se ven perjudicados, y pasan a ser transmitidas impresiones poco razonables como si fuesen realidades incuestionables.

     Honduras, pequeño país de América Central que no constituye habitualmente el foco de atención del público, se transformó en epicentro de uno de esos fenómenos. El pretexto han sido los acontecimientos políticos que, el 28 de junio p.p., condujeron a la deposición del entonces presidente Manuel Zelaya.

     El caudaloso noticiero, innumerables análisis y abundantes reacciones políticas –carentes de exención de espíritu y objetividad- insistían en la idea de que nos encontrábamos ante un acto arbitrario de
barbarie política perpetrado contra un presidente que legítima y tranquilamente ejercía el cargo para el que había sido elegido; llegaron en algunos casos a referirse a esto como un retorno a la “época negra” de los golpes militares.

     Teniendo a la cabeza los miembros de ALBA (Alianza Bolivariana para las Américas), ciertos actores políticos latinoamericanos, hablando en nombre de una democracia que buena parte de ellos viola de muchas maneras, apuntaban como imperiosa una vehemente condena del “golpe” en Honduras. El propio presidente Luis Ignacio da Silva se sumó al coro de los que condenaron tal “golpe”.

     No obstante, en el resto del mundo, voces de considerable peso comenzaron a señalar la verdadera naturaleza de los acontecimientos ocurridos en aquel país; en Honduras había estado en curso un golpe contra la Constitución y las instituciones, pero conducido por el propio Manuel Zelaya, con la íntima colaboración del presidente venezolano, Hugo Chávez.

     II – La verdad sobre Honduras: Zelaya embiste contra la Constitución y desafía las instituciones del país

     En el mes de enero de 2006, Manuel Zelaya asumía la presidencia de
Honduras, luego de ganar las elecciones como miembro del Parido Liberal, de tendencia conservadora.

     Condicionado por una acentuada crisis de las finanzas públicas, fruto de los altos precios del barril de petróleo, inició una aproximación con el
líder venezolano.

     Cooptado inicialmente por las tentadoras condiciones para adquirir el petróleo, y luego por la invitación a que su país ingresara al ALBA –lo que ocurrió en agosto de 2008, luego de una fuerte disputa en el Congreso Nacional- Zelaya renunció a su programa electoral, se declaró de izquierda y antiimperialista, mostrando creciente anuencia a las maniobras con las que Hugo Chávez viene desestabilizando diversos países de América Latina.

     Desgastado políticamente, blanco de denuncias graves de corrupción y de estar ligado al narcotráfico, Zelaya lanzó, en marzo de 2009, la idea de un plebiscito para promover reformas en la Constitución y perpetuarse en el poder, según los moldes de la cartilla chavista victoriosa en Bolivia y Ecuador.

     La Constitución hondureña tiene cláusulas inamovibles, como la obligatoriedad de alternar en el ejercicio de la Presidencia, cuya infracción constituye “delito de traición a la patria”. Dispone asimismo que cesará de inmediato en el desempeño de su cargo público (inclusive en el de presidente) todo aquel que proponga o apoye la reforma del dispositivo constitucional que impide ser de nuevo presidente de la república.

     Indiferente a dichos impedimentos constitucionales, el presidente Zelaya emitió un decreto convocando a una consulta popular para establecer una Asamblea Constituyente.

     A fines de mayo, el Tribunal de Letras en lo Contencioso Administrativo, en proceso promovido por el Ministerio Público y por la Procuraduría General del Estado, suspendía todos los efectos del decreto por considerarlo inconstitucional.

     El propio Gobierno, admitiendo la ilegalidad del Decreto, decidió presentar uno nuevo, con leves modificaciones, pero plagado de los mismos vicios legales.

     El Tribunal Superior Electoral declaró ilegal la consulta popular que planeaba el Poder Ejecutivo y cuyos preparativos llevaba a cabo, principalmente por usurpar prerrogativas de otros poderes lo que, según la Constitución hondureña, constituye delito grave.

     El presidente Manuel Zelaya anunció entonces su intención de no respetar las decisiones del Poder Judicial y recurrió a Hugo Chávez para
que lo ayude en la organización de la consulta popular, trayéndose de
Venezuela el material destinado a ella.

     Zelaya intentó una última maniobra ordenándole a las Fuerzas Armadas apoyar la consulta popular declarada ilegal. Al recibir la negativa de colaboración con sus ilícitas pretensiones, destituyó sumariamente al Jefe del Estado Mayor de las Fuerzas Armadas.

     El 26 de junio, el Fiscal General de la República le solicitó a la Corte Suprema de Justicia una orden de captura contra Manuel Zelaya, bajo acusación de traición a la patria, conspiración contra la forma de gobierno, abuso de autoridad y usurpación de función. La Corte le ordenó a las Fuerzas Armadas la captura de Zelaya por tales delitos.

     El 28 de junio, Zelaya fue arrestado y retirado del país. El Congreso Nacional de Honduras, por mayoría (con sólo cinco votos en contra), elevó a Roberto Micheletti como nuevo presidente constitucional de Honduras[2].

     La exposición, aunque fuese sumaria, de la crisis institucional en Honduras no le convenía a Zelaya, a Chávez y a sus “compañeros de ruta”, por lo cual era preciso alimentar la idea simplista y facciosa de un “golpe” de Estado cometido por militares. Papel al que se prestó gustosamente, en nuestro medio, una parte considerable del capitalismo macropublicitario.

     En verdad, la maniobra de calificar de “golpe” la destitución de Manuel Zelaya y la exigencia de condena de aquel encerraban un ardid ideológico.

     Al omitir astutamente todos los atentados de Manuel Zelaya al orden constitucional de Honduras, se pretendía convalidar a éstos y –con mayor amplitud- a la estrategia geopolítica de Hugo Chávez y de su “socialismo del siglo XXI”.

     A medida que la realidad fue emergiendo, se tornó cada vez más claro que en Honduras se habían dado una serie de actos institucionales en defensa del Estado de Derecho, comenzando a derrumbarse la versión de un acto arbitrario cometido por militares.

     Debe destacarse que, pese a censurar el hecho político, el Departamento de Estado norteamericano jamás calificó lo ocurrido en Honduras como golpe de estado.

     En los últimos días, un estudio de la Biblioteca del Congreso de los Estados Unidos –órgano consultivo sin carácter político- consideró constitucional la destitución del presidente Manuel Zelaya y señaló la necesidad de respetarla. El estudio objeta tan sólo la legalidad de su expulsión del país (cfr. “O Estado de S. Paulo”, Deposição foi legal; exílio, não, diz estudo americano, 25/9/2009).

     Posiblemente el documento de mayor relevancia en ese punto haya sido el publicado por la Conferencia Episcopal de Honduras. En nota leída por su Presidente, el Cardenal Oscar Andrés Rodríguez Madariaga, los Obispos hondureños afirmaron haber buscado información en todas las instancias competentes y en organizaciones de la sociedad civil, debiendo concluir que las determinaciones que llevaron a la deposición de Manuel Zelaya fueron legales, y que las instituciones del Estado democrático están en plena vigencia. Los Obispos agregan que esperan una explicación con respecto a la expulsión del país del ex –presidente.

     Las Conferencias Episcopales de Venezuela, Bolivia y Ecuador, y los Obispos de Méjico, declararon su apoyo oficial a la posición asumida por los Obispos hondureños.

     III – Presiones diplomáticas y elecciones

     A partir de la deposición de Manuel Zelaya comenzaron incontables gestiones y presiones diplomáticas sobre el gobierno de Roberto Micheletti, que no viene al caso mencionar.

     Cabe sin embargo destacar la orquestación pro-Zelaya encabezada por la Organización de Estados Americanos (OEA), bajo la dirección del socialista José Miguel Insulza.

     Honduras fue sumariamente expulsada de la OEA, pocas semanas después de haber sido aprobada la vuelta incondicional de la dictadura castrista a la organización. Sin hablar de su clamoroso silencio ante las maniobras golpistas de Zelaya y las amenazas militares de Chávez al país, lo que le valió a la OEA una advertencia de la propia Conferencia de los Obispos de Honduras, en el sentido de prestarle más atención a todo lo que estaba pasando, fuera de la legalidad, antes del 28 de junio.

     Con su desvergonzada parcialidad, la OEA se desacreditó para todo papel mediador, lo que condujo a las partes a un diálogo directo, iniciado
bajo auspicios del presidente de Costa Rica, Oscar Arias.

     Manuel Zelaya, haciendo abstracción de sus afrentas a las instituciones de Honduras y de las violaciones a la ley fundamental del país, se mantenía inflexible en su postura en pro de su incondicional vuelta al poder, lo que colaboró significativamente para el fracaso de todas las tentativas de negociación.

     Mientras se desarrollaban las tratativas diplomáticas, grandes manifestaciones ganaban las calles de Honduras, especialmente de Tegucigalpa, en las que hondureños de todas las clases sociales mostraban al mundo su repudio a la intervención de Hugo Chávez en los asuntos de Honduras y su rechazo ideológico al “socialismo del siglo XXI”.

     Ante el fracaso de las negociaciones y de la amplia oposición del pueblo hondureño a las maniobras de Zelaya, quedaba como solución pacífica la realización de las elecciones de noviembre. Diversos países veían con buenos ojos esta solución y el propio Departamento de Estado
norteamericano no descartaba aceptarla.

     Con la realización de la contienda electoral, fijada antes de la deposición de Manuel Zelaya y mantenida por el gobierno de Roberto Micheletti, acabarían por venirse abajo las alegaciones de golpismo. Para la estrategia política del chavismo sería la consumación de la derrota en Honduras.

     Fue entonces que la diplomacia brasileña pasó a tomar la delantera y la abierta defensa del bloque bolivariano, decidiendo impedir cualquier solución que no atienda los intereses chavistas.

     IV - Jugada radical: la vuelta clandestina de Zelaya

    

El gobierno del Presidente Lula está con ganas de imponerle al pequeño país centroamericano una rendición al chavismo.  ¿Estará la temeraria diplomacia brasileña preparando un baño de sangre para Honduras?

     Reinaba la paz social y política en Honduras. Urgía, pues, convulsionar el cuadro político e impedir la realización de las elecciones. Para revivir la crisis era necesaria una jugada radical. Nada mejor que la vuelta clandestina de Zelaya al país.

     Todo indica que la logística de la operación que permitió el retorno del ex presidente al país tuvo la participación activa de Hugo Chávez. El mismo admitió tener conocimiento de todo y reveló que se había tratado de “una operación secreta, una gran operación de disimulo”.

     Las confesiones de Chávez sólo refuerzan la certeza de que Zelaya es una marioneta política en manos del caudillo venezolano, a cuyos intereses sirve.

     A partir del momento en que Manuel Zelaya se “refugió” en la embajada del Brasil en Tegucigalpa, nuestro País pasó, de este modo, a
participar con toda evidencia de la intentona chavista.

     Se hace cada vez más difícil creer que la “materialización” de la presencia de Zelaya a las puertas de la embajada brasilera haya sido fruto del acaso, cuando su permanencia en ella y la colaboración activa del gobierno de tal manera resultan útiles a sus intereses. Incluso por la coincidencia con el discurso del presidente Luis Ignacio Lula da Silva en la Asamblea General de la ONU, durante el cual exigió la inmediata restitución de Manuel Zelaya al cargo, condenando “golpes de Estado” como el de Honduras, al tiempo en que asumía la defensa del régimen castrista.

     En entrevista a una radio hondureña, Zelaya afirmó que su plan de retorno a Honduras fue elaborado en consultas con Lula y con Celso Amorim. Y aunque estuviese mintiendo, la confianza demostrada por Hugo Chávez en relación al Brasil muestra a las claras hasta qué punto el líder bolivariano cuenta con la diplomacia brasileña para la realización de sus aventuras, y cómo ésta es connivente con sus intereses geopolíticos. Se comprende así que Manuel Zelaya haya reafirmado como indispensable el apoyo del Brasil y reiterado sus agradecimientos al presidente Lula.

     El hecho es que la diplomacia brasilera, en lugar de exigir discreción y ausencia de toda manifestación política, permitió que Manuel Zelaya transformara la embajada del País en un verdadero cuartel general, de donde pasó a llamar a una insurrección en Honduras y al derribamiento de Micheletti. Se levantó la hipótesis, inclusive, de la posibilidad de que Zelaya instalara allí un gobierno paralelo. La gravedad de la situación creada se acentúa al considerarse que, junto con Zelaya, se instalaron en la embajada decenas y decenas de seguidores suyos, muchos de los cuales usan trapos para esconder el rostro, mientras vigilan la entrada del predio, no habiendo ni siquiera certeza de que todos sean hondureños.

     Inmediatamente después de los primeros llamamientos de Zelaya, dirigidos a sus seguidores desde el balcón de la embajada, y en entrevistas concedidas en el interior de la misma, los zelayistas saquearon establecimientos comerciales, destruyeron propiedades, quemaron gomas y bloquearon calles, disturbios que causaron la pérdida de dos vidas humanas.

     Resulta comprensible que, en comunicado divulgado por la Cancillería de Honduras, el gobierno del presidente Lula haya sido acusado de intromisión en los asuntos internos de Honduras; y que el propio canciller hondureño, Carlos López Contreras, haya declarado en una entrevista que “hay una grave responsabilidad internacional del gobierno del presidente Lula, no sólo con el Gobierno de Honduras sino también con la población y el comercio, que fue saqueado por las turbas instigadas desde el interior de la misión del Brasil en Tegucigalpa” (Chanceler de regime de facto acusa Brasil, “O Estado de S. Paulo”, 26/9/2009).

     De hecho, el Brasil, en una agresión a la soberanía de Honduras, pasó a interferir de forma explícita en los asuntos internos del país, violando las normas del Derecho Internacional, como destacaron varios especialistas. Actitud que fue reforzada por las declaraciones del presidente Lula en cuanto a que Zelaya no tiene plazo para irse de la embajada y que “el Brasil no tiene nada que hablar con esos señores que usurparon el poder”.

     La voluntad de hacer fracasar cualquier solución negociada que no atienda los intereses de Hugo Chávez se consolidó en la reunión de emergencia de la OEA, en la que Brasil se alineó con Venezuela, rechazando las propuestas de la diplomacia norteamericana.

     La gravedad de la situación se mantiene. El plan de la vuelta de Manuel Zelaya contaba con la adhesión en las calles de decenas o tal vez cientos de millares de seguidores, como destacó el diario “ABC” de Madrid.

     Pero, una vez más, se hizo patente el fracaso del apoyo popular a las
maniobras de la izquierda.

     Sólo le queda a Zelaya el intento de convocar, siempre desde la embajada brasileña, una ofensiva final de los “movimientos sociales” y predicar actos de desobediencia civil, como lo hizo en estos días. Esto se da en el preciso momento en que el Diputado que preside la Comisión de Seguridad y Narcotráfico denunció en el Congreso de Honduras, basado en informes de inteligencia militar y policial de países centroamericanos, un masivo tráfico de armas, procedente de El Salvador, para la ejecución de actos terroristas en el país (cfr. “El Heraldo”, 29/9/2009, Denuncian masivo tráfico de armas hacia Honduras).

     ¿Estará el chavismo –con la eventual colaboración de Cuba, Nicaragua y otros aliados- preparando un baño de sangre para Honduras? Y, en esa eventualidad, ¿estará nuestra temeraria diplomacia decidida a proseguir en la aventura que puede degenerar en violencia y en un desenlace trágico?

     Se entiende que el embajador norteamericano en la OEA, Lewis Amselem, haya calificado el retorno clandestino de Zelaya como “irresponsable”, además de no servir “a los intereses de su pueblo y de aquellos que defienden una solución pacífica para el restablecimiento del orden democrático”.

     Toda la situación generada con el “amparo” dado al ex presidente Manuel Zelaya en la embajada brasilera permite entrever que la diplomacia del gobierno Lula decidió trasponer un umbral muy peligroso y asumir el liderazgo de la estrategia geopolítica e ideológica del así llamado eje bolivariano. Como bien señaló en su editorial la revista “Veja”, “apoyar a Zelaya no significa defender la democracia, significa apoyar la dictadura de Chávez” (30/9/2009).

     V – Dos mitos que se desmoronan

     En el firmamento diplomático latinoamericano, dos máximas se habían ido fijando, tornándose aceptadas casi como evidencias.

      La primera presentaba al presidente de Venezuela, Hugo Chávez, como un líder histriónico y excéntrico, que conducía una revolución confusa en sus conceptos e inocua en sus praxis. Según dicha versión, las amenazas de Chávez, de un radicalismo desvariado, no pasarían de mera retórica.

     La segunda máxima presentaba al presidente Lula como un contrapunto a la radicalidad de Chávez, dispuesto a contener los arrestos del venezolano; un izquierdista moderado y pragmático, actor confiable en la región y líder imprescindible para resolver las disputas regionales.

     La izquierda en América Latina estaría, según este enfoque, dividida en dos bloques, el de la izquierda radical (liderado por Hugo Chávez), y el de la izquierda moderada (liderado por Lula). Tanto una máxima como la otra, se prestaban a desmovilizar y debilitar toda resistencia al avance de las izquierdas en Latinoamérica.

     Entretanto, ambos líderes lograban avances substanciales en sus estrategias, cuyas diferencias no pasaban de dos caras de una misma moneda.

     Quien se abocara con más detenimiento al análisis de la realidad diplomática de la región advertiría que, en los momentos de desgaste y en los lances más audaces del así llamado bolivarianismo, el presidente Lula y su diplomacia acudían sistemáticamente en ayuda de Chávez o de los integrantes de su bloque.

     Pese a lo cual, misteriosamente, muchos medios de comunicación y analistas políticos continuaban repitiendo las dos máximas, casi como un
mantra.

     Transcurridos varios años, los acontecimientos se encargaron de desmentir estas versiones y ambos mitos se desmoronaron.

     Lula, en verdad, jamás moderó seriamente las actitudes de Chávez. Y
la prueba está en que el caudillo venezolano logró seguir adelante con su programa radical en Venezuela, donde va implantando a los ojos de todos un régimen dictatorial y socialista (que Lula califica como “exceso de democracia”); extendiendo su influencia o ingerencia a diversos países; cubriendo abiertamente a las FARC; y entretejiendo alianzas, inclusive militares, con Rusia, China, Libia, Argelia e Irán, en un eje antinorteamericano.

     En un reciente análisis, la conceptuada revista “The Economist”, alertó acerca de que existe método en la aparente locura de Chávez: “Su
confesado cálculo es que ayudando a provocar dificultades para los Estados Unidos, simultáneamente en muchos lugares, puede provocar el colapso del ‘imperio’. Los regímenes con los que asiduamente busca una alianza son, dentro de este cálculo, el núcleo de un nuevo orden mundial”. Y la revista alerta en relación a que el mundo debe tomar más en serio los designios del venezolano (Friends in low places, 15/9/2009).

     Es en el contexto señalado por “The Economist” que se ubica la maniobra del retorno clandestino de Manuel Zelaya a Honduras y su acogida en la embajada brasileña.

     En un momento de arrobamiento, la diplomacia nacional –manipulada por el lulo-petismo- terminó revelando su verdadera faz, demostrando que está dispuesta a jugar fuerte, apoyando activamente el chavismo y su “socialismo del siglo XXI”, colaborando con la desestabilización de América Latina y minando, cada vez más, la influencia de Estados Unidos en la región.

     VI – Llamado al sentido común

     La crisis hondureña es sumamente reveladora y constituye una grave señal de alerta. El gobierno del Presidente Lula, pese a ciertas apariencias, no está interesado en solucionarla por la vía institucional. Está con ganas, eso sí, de imponerle al pequeño país centroamericano una rendición al chavismo.

     En su servilismo a los designios de una ideología de izquierda, la actual diplomacia nacional –dominada por una minoría radical- no refleja el pulso del corazón del Brasil como un todo, pues las políticas oficiales hace mucho que dejaron de tener en cuenta la fibra conservadora y cristiana, uno de los componentes más incontestables y de mayor prestigio de la mentalidad nacional.

     La agresividad y radicalización que vienen distinguiendo nuestra política exterior –y que, en modo alguno, parecen reflejar el sentimiento dominante de nuestro prestigioso cuadro diplomático-, además de poder afectar a nuestra Nación, arrastrándola a una indeseable posición de beligerancia, son contrarias a la mentalidad del brasilero medio.

     ¿Qué pensarán nuestros compatriotas cuando se vean envueltos en conflictos que nunca buscaron, tan sólo porque el fanatismo ideológico de algunos los llevó a aventuras como la presente?

     ¡Qué extrañeza, qué desconcierto, qué sensación alucinante de no estar identificados con la misión histórica de la Tierra de la Santa Cruz sentirán los brasileños cuando noten que los recursos tácticos de la configuración geográfica del País, las riquezas sin fin de su subsuelo, de su pujante agricultura y de su dinámica industria estarán resultando útiles para la implantación de una ideología extraña a sus anhelos y contraria a sus principios cristianos?

     Es urgente que Manuel Zelaya abandone la legación brasilera y deje de hacer de ella el cuartel general de donde lanza sus llamados a una insurrección que puede conducir a una lucha fratricida entre hondureños.

     Lucha de la cual será responsable, en gran medida, nuestro gobierno, si continúa siendo el patrocinador de la aventura chavista de Manuel Zelaya.

     Honduras necesita paz y respeto a su soberanía y no gritos de guerra
partidos de la embajada brasileña en Tegucigalpa.

     Más que nada importa que la pequeña Honduras, el Brasil y toda América Latina se mantengan a salvo de las intrigas, amenazas, incursiones y, en el futuro, de una posible hegemonía del “socialismo del siglo XXI”.

     Creemos que es necesario que se forme un frente amplio en el País, fundado no tanto en filiaciones partidarias sino en los auténticos intereses del Brasil –que se oponga de modo efectivo a los desmanes de una política exterior que desde hace mucho dejó atrás los legítimos intereses nacionales y los cambió por una ideología imperialista. Ideología ésta que intenta resucitar en nuestro continente, habitualmente pacífico, la estela de humillaciones, confrontaciones, miserias y dolores que las ideas marxistas le impusieron a Rusia, a los países del Este europeo, a China, a Corea del Norte y a Cuba, para mencionar tan sólo algunos de ellos.

     Terminamos este pronunciamiento elevando nuestras oraciones a Nuestra Señora Aparecida, Reina del Brasil, suplicándole que no permita
que ideologías extrañas perturben la paz de América Latina y transformen la Tierra de la Santa Cruz en foco de inseguridad y disgregación.


     San Pablo, 3 de octubre de 2009


     Asociación de los Fundadores

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     NOTA:

    [2] La designación siguió el orden establecido por la Constitución de Honduras dado que el vice-presidente había renunciado meses antes para ser candidato en las elecciones de noviembre.

 

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