Manifestante porta cartaz anti-Obama em Washington:

Cripto-marxista apoiado por Fidel Castro - "o candidato mais progressista para a presidência dos EUA" - Granma, Havana, 26/05/2008.

De maneira artificial e pouco convincente a premiação Nobel tentou reverter o desastre do "meteoro" Obama que chocou-se com o conservadorismo americano.

    

O METEORO OBAMA

 

Luis Dufaur

 

Bólido? Meteorito? Estrela cadente? Anjo caído?

Que imagem ilustraria melhor a trajetória

da presidência de Barack Hussein Obama?

 

     Obama entrou no cenário político como um astro pouco conhecido, ao menos no Brasil. Iluminado pela mídia, seu brilho foi inusual. Mas também foi incomum a rapidez com que começou a apagar-se. Agora, entra em fricção a toda velocidade com o duro chão da realidade.

     “Obama está vendo suas promessas virarem cinza”, afirma o “The Wall Street Journal”, o qual constata “audiências populares iradas, queda no índice de aprovação e a crescente oposição à sua proposta de reforma do sistema de saúde”; e conclui: “Crescente número de americanos está se voltando contra o presidente, inclusive eleitores que ele conquistou durante a campanha”.[1]

     Anti-Teflon

A mídia brasileira não tem divulgado os protestos populares contra Obama

     Obama parece ter adquirido características de anti-Teflon: tudo parece colar nele. O caso dos “painéis da morte” é típico. Vejamos.

     O presidente quer implementar a reforma do sistema da saúde, contida em cinco projetos que preenchem aproximadamente 2.000 páginas. A oposição extraiu de um parágrafo impreciso a suspeita de que o projeto criaria “tribunais da morte”. Quando o usuário atingisse certa idade, tais “tribunais” decidiriam se ele merece viver ou se lhe seriam negados auxílios para a sobrevivência. Imagine-se o leitor indo a um hospital para ouvir tal sentença...

     A suspeita assustou o público. Doentes e não-doentes ficaram apavorados. Para acalmá-los, os congressistas democratas tentaram explicar o projeto em reuniões públicas nas prefeituras. O resultado foi o caos: idosos agastados, cartazes incendiários, empurra-empurra, agressões verbais, intervenções policiais. Num discurso do presidente no Arizona, um eleitor, amparado pela lei estadual, compareceu ao evento levando um fuzil automático nas costas, em sinal de desagrado. Acusaram também o projeto de financiar o aborto.

     A reforma da saúde transformou-se em guerra ideológica. Proliferaram cartazes, panfletos, clips, charges, atos e passeatas públicas com frases e desenhos agressivos: “Obama socialista”; “Obama comunista”; Obama com bigodinho de Hitler, com boina do Che Guevara ou em cartaz “Soviético” com caracteres cirílicos.

     Diante da reação, o presidente moderou os projetos, prometendo até que a reforma não financiaria o aborto. Acabou ateando o incêndio na própria casa. Para Paul Krugman, um dos incondicionais defensores do “meteoro”, Obama “está surpreso com a reação furiosa dos progressistas”[2] irados com tais concessões.

     Há poucos meses, Obama era tido como messias, o deus ex-machina destinado a superar a polarização ideológica que, em boa medida, paralisa a marcha revolucionária mundial. Hoje, tornou-se um fator radicalizador de antagonismos!

     Postos-chave do governo não foram ainda preenchidos. Por exemplo, os relativos à América Latina e à embaixada no Brasil. Pesam ainda escândalos de funcionários nomeados que acabaram renunciando. Van Jones, conselheiro em política ambiental, demitiu-se após atos grosseiros no exercício de suas funções.[3] Outras nomeações não foram ratificadas pelo Senado, não obstante o governo ter maioria.

     Mais sintomas de polarização

     Em agosto, pesquisa da Gallup alertava que Obama “não só torrou todo seu capital político, como entrou no vermelho”.[4]

     As ameaças ao chefe de Estado americano cresceram 400%, segundo o estudioso Ronald Kessler. A perspectiva é inquietante num país onde houve tantos atentados a presidentes.

     A audiência da emissora conservadora Fox subiu 24%, a da progressista MSNBC 10%, enquanto a centrista CNN perdeu 22%, segundo o instituto de pesquisas Nielsen.[5]

     Os três livros no topo da lista de best-sellers não-ficção do “New York Times” são políticos e conservadores. Entre os dez primeiros não há nenhum de autor esquerdista.[6]

     Pelo menos 790.000 cidadãos reuniram-se em tea-parties (assim denominadas em alusão à destruição de fardos de chá britânico, como protesto contra os impostos, que serviu de estopim para a guerra de independência) em inúmeras cidades, para clamar contra novos impostos. Em mais um exemplo do fenômeno anti-Teflon, a perspectiva de aumento de impostos indispôs largos setores da opinião americana contra o governo democrata.[7]

     Setembro de pesadelo

     Se agosto foi ruim para Obama, setembro virou pesadelo. O astro cadente tentou começar bem o mês com um discurso a ser reproduzido nas escolas por ocasião do início das aulas. Porém, pais e mães assustados denunciaram “o novo Saddam Hussein”, “o Kim Jong-il”, “o Stalin” ou “Big Brother” que desejaria doutrinar seus filhos no sentido socialista e afastá-los da influência familiar![8] O presidente recuou, publicando previamente um pouco expressivo speach.

     No Congresso, em solene sessão para as duas casas legislativas, fez a apologia da reforma da saúde, visando “reverter a maré de baixa popularidade”:[9] “Acabou o tempo de disputas, não há mais tempo para jogos”, disse Obama. Mas, ao afirmar que o plano não previa cobertura para imigrantes ilegais, ouviu-se: “Mentiroso!”[10]. Foi a exclamação de um congressista republicano, algo muito grave para deputados no país. Fez-se um embaraçoso silêncio, logo interrompido pelas palmas de vários democratas. Para a grande mídia, o discurso teria granjeado sensíveis quotas de aprovação ao polêmico projeto.

     Três dias depois, autêntica maré humana invadiu os arredores do Capitólio, carregando cartazes no estilo “Obama socialista”. A mídia “tapou o sol com a peneira”. O “New York Times” constatou apenas “milhares” de manifestantes; o “Washington Post”, menos irrealista, “dezenas de milhares”; e esses números foram ecoados, sem análise crítica, por grandes jornais brasileiros. Para os organizadores, porém, compareceram 1,5 milhão. Após conferir fotos de satélites, a estimativa final ficou acima de 850.000. Portanto, pode ser considerado um ato histórico.

     A manifestação patenteou o grau de galvanização e a amplitude da reação. Manifestantes de quase todos os estados repudiaram um vasto leque de iniciativas governamentais, da reforma da saúde aos impostos, enquanto outros defenderam a vida, a família e a religião atacadas pela política do “meteoro”.[11]

     O impacto da estrela cadente com o conservadorismo americano está sendo impressionante. Qual será o resultado de tudo isso? Quando os abalos resultantes do choque amainarem, poderemos saber se Obama perpetuará sua hegemonia, ou se, abalado pelas fortes reações, ficará rachado. É difícil prever o que sobrará das legiões de espíritos esquerdistas, que engrossam a cauda do “meteoro” Obama.

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     Notas:

    [1] “Valor Econômico”, 20-8-09.

    [2] “O Estado de S. Paulo”, 22-8-09.

    [3] “O Globo”, 7-9-2009.    

    [4] “Folha de S. Paulo”, 30-8-2009.

    [5] OESP, 6-9-09.

    [6] FoxNews.com, 5-9-09.

    [7] Id. ibid., 5-9-09.

    [8] FSP, 7-9-09.

    [9] OESP, 10-9-09.

    [10] Id. ibid., 10-9-09.  

    [11] Lashing out at the Capitol. The Washington Post, 13/09/2009.

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     Artigo publicado na revista Catolicismo, outubro/2009.

 

 

 

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