OBAMA CONSIDERA OS RELACIONAMENTOS HOMOSSEXUAIS TÃO LEGÍTIMOS E ADMIRÁVEIS COMO OS HETEROSSEXUAIS

 

André F. Falleiro Garcia

 

Obama discursou durante o evento anual do movimento homossexual Human Rights Campaign

 


Comprazimento com os gays e ódio à tradição judaico-cristã

     Obama levou sua audácia a um nível inédito ao discursar no evento anual, de âmbito nacional, da associação Campanha dos Direitos Humanos, em Washington (10/10/2009).

     Diante do auditório da Human Rights Campaign (HRC), o mais poderoso lobby homossexual mundial, nessa noite igualou os relacionamentos homossexuais ao relacionamento normal e natural entre homem e mulher que encontra sua melhor realização no casamento procriador conforme o ordenamento natural e divino.

     A transcrição da fala de Obama revela o clima de distensão que marcou o evento e o comprazimento que sentiu desde o início, quando alguém na platéia gritou "nós te amamos, Barack" (We love you, Barack!), e ele respondeu "Eu também amo vocês (I love you back).

     O Partido Comunista não tem relevância nos Estados Unidos. Nem há nesse cenário um Partido nos moldes marxistas-leninistas que esteja pronto para a tomada do poder. O avanço revolucionário ali não segue o modelo expansionista do comunismo clássico. É a aplicação da estratégia gramsciana que progride a passos largos quando nessa nação avança a agenda homossexual.

     Está sendo buscada a transformação em larga escala das mentalidades e costumes, a mudança profunda nos modos de ser e de sentir dos norte-americanos. Está em curso enorme modificação, segundo moldes revolucionários libertários, promovida por ONGs que fazem parte da sociedade e atuam dentro dela. Barack Obama reafirma seu compromisso de favorecer essa mobilização e de direcionar o aparelho estatal nesse sentido. O fato de publicamente darem-se as mãos governo e movimentos da sociedade civil organizada para implementar a revolução libertária, é um indicativo do estado avançado em que se encontra a aplicação da estratégia gramsciana nesse país.

     Há traços nítidos e não dissimulados da promoção da revolução cultural nos Estados Unidos em seu discurso. Para Obama, é preciso não só modificar o ordenamento jurídico que consagra modelos institucionais ultrapassados, mas também promover uma modificação nas mentalidades e nos valores e princípios que as norteiam. "Apesar dos ganhos reais já obtidos, há ainda leis a serem mudadas e corações a serem abertos", afirmou. Pois, "se somos honestos conosco mesmos, nós admitimos que há muitas pessoas que ainda não conhecem em suas vidas ou sentem em seus corações a urgência dessa luta. É por isso que eu falo da importância da igualdade para as famílias LGBT [1] — e falo não apenas diante de auditórios gays". E disse que ainda há pessoas que "empregam arcaicos argumentos e velhas atitudes; que deixam de ver suas famílias como suas famílias; que negam para vocês os direitos que a maioria dos norte-americanos conquistou para seu benefício".

     Obama encerrou suas palavras referindo-se novamente à modificação das instituições e das mentalidades. Identificou os rumos da nação com as metas do ativismo gay, considerou como seus os ideais ou objetivos do lobby homossexual. De fato, concluiu assim: "Embora ainda possam vir contrariedades e confrontos ao longo do caminho, a verdade é que nossos ideais comuns são muito mais fortes do que qualquer divisão que alguns poderiam espalhar. Estes ideais, vocalizados por gerações de cidadãos, hoje tornaram possível a minha presença aqui. Estes ideais tornaram possível para as pessoas neste salão viver livre e abertamente. Durante a maior parte da história isto teria sido inconcebível. Este é o compromisso da América: Campanha pelos Direitos Humanos. É o compromisso que nós fomos chamados a cumprir. Dia após dia, lei por lei, mudando mente por mente, este é o compromisso que nós estamos cumprindo. Agradeço a vocês pelo trabalho que estão realizando".


Oblama ressaltou seu firme apoio ao movimento de lésbicas, gays, bissexuais etc.

     Estas mudanças nas leis, costumes e mentalidades não são superficialidades. Lançam raízes na história e sobem aos princípios metafísicos. Nutrem-se abertamente do princípio igualitário, que Marx no século XIX aplicava ao campo econômico, e do princípio libertário, já invocado por Bakunin e outros revolucionários desse tempo, que inspirou a formação de comunidades anárquicas.

     Os neocomunistas norte-americanos apelam para o igualitarismo para implantar o "casamento" homossexual libertário. Não atacam de frente a família tradicional, mas proclamam a igualdade entre todas as formas imagináveis de relacionamento, para legitimar as modalidades libertárias, sempre no "respeito à diversidade de modelos" e no aberto desprezo à lei natural e divina.

     Igualdade completa e liberdade total são princípios metafísicos que norteiam a implantação de uma nova sociedade, fundamentalmente anticristã, nos Estados Unidos. Obama se apresenta como demolidor da velha ordem social e instaurador da utopia igualitária e libertária. O que está em jogo não é a mera reivindicação de novos direitos sociais. É a demolição do american dream e a construção dessa utopia.

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    Sobre o discurso de Obama, Sacralidade apresenta, a seguir, as traduções do artigo de Pete Winn [2] publicado no website norte-americano de notícias CNSNews, e da matéria postada no site argentino Politica y Desarrollo[3].

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     Notas:

 

    [1] A sigla LGBT significa lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros.

    [2] Obama: Homosexual Relationships ‘Just as Real and Admirable’ as Heterosexual Marriage, publicado em 13/10/2009, por Pete Winn, Senior Writer/Editor.

    [3] Obama: “Las relaciones homosexuales son tan reales y admirables como el matrimonio heterosexual”.

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Obama: Os relacionamentos homossexuais são tão legítimos e admiráveis como o casamento heterossexual


Pete Winn

     O presidente Obama apresentou uma mensagem sem precedentes para o movimento Human Rights Campaign (HRC) na noite do sábado. Falando mais como um ativista homossexual do que como um presidente, Obama foi muito longe, na agenda homossexual, em sua esperada mensagem de "eu estou aqui com vocês".

     "Minha esperança é que quando um dia vocês olharem para trás para ver estes anos, perceberão um momento em que pusemos fim à discriminação contra gays e lésbicas, seja nas empresas ou nos ambientes militares", disse Obama para uma audiência estimada em 3.000 pessoas. "Vocês verão que houve um momento em que nós — como nação — reconhecemos finalmente os relacionamentos entre dois homens ou duas mulheres, tão legítimos e admiráveis como os relacionamentos entre homem e mulher".

     Até mesmo Joe Solmonese, presidente da Human Rights Campaign, estava assombrado com a abertura mental relevada na declaração de Obama, considerando-a "algo completamente extraordinário". Num comentário após a declaração de Obama, Salmonese afirmou: "Foi uma noite histórica, em que nós sentimos a total adesão e comprometimento do presidente dos Estados Unidos. Foi simplesmente sem precedentes".

     Mas Peter LaBarbera, presidente de Americans for Truth About Homosexuality, considerou "pavorosas" as declarações presidenciais. "Barack Obama basicamente declarou que esses relacionamentos são iguais na realidade", disse LaBarbera para CNSNews. "Penso que a audácia de Obama chegou até o seu último ponto, declarar uma coisa dessas é como realizá-la".

     O presidente intencionalmente usou o pronome "nós" — e não vocês — em grande parte de seu pronunciamento. "Não temos dúvidas sobre a direção para a qual conduzimos e o destino ao qual chegaremos", disse em certo momento. "Apesar dos ganhos reais já obtidos, há ainda leis a serem mudadas e corações a serem abertos", disse em outro momento.

     Obama também falou sobre "famílias" homossexuais — dois homens e crianças ou duas mulheres e crianças. "Se formos honestos conosco mesmos, nós admitiremos que muitos ainda não conhecem ou sentem em seus corações a urgência desta luta. É por isso que eu continuo a falar sobre a importância da igualdade para famílias LGBT, e não apenas diante de auditórios gays", disse.

     O presidente disse que ele e sua esposa Michelle fizeram questão de convidar "famílias" homossexuais para virem à Casa Branca em eventos como o Easter Egg Roll — "porque nós quisemos enviar uma mensagem". E assinalou que sua administração estendeu benefícios para os parceiros domésticos dos trabalhadores federais gays e que ele indicou um homossexual assumido, John Berry, para servir como diretor do órgão federal de gerenciamento de pessoal Office of Personnel Management.

     Como esperado, também mencionou seu apoio para uma lista de temas da agenda dos ativistas homossexuais, inclusive o fim da política do "Não pergunte, não conte", aplicada aos homossexuais que estão incorporados nos meios militares, e a anulação do Ato de Defesa do Casamento, que define o casamento como sendo entre homem e mulher. "Eu terminarei com o 'Não pergunte, não conte' é o meu compromisso com vocês", disse Obama.

     Mas o presidente também descreveu aqueles que se opõe à agenda homossexual, com a terminologia que usou nos últimos anos da campanha presidencial, quando o então candidato Obama referiu-se aos "amargos" moradores das pequenas cidades norte-americanas que "utilizam as armas ou a religião ou a antipatia contra as pessoas que não são como eles". E disse que ainda há pessoas que "empregam arcaicos argumentos e velhas atitudes; que deixam de ver suas famílias como suas famílias; que negam para vocês os direitos que a maioria dos norte-americanos conquistou para seu benefício".

     Ele encerrou seu discurso contando a história de um jovem que lutava com a homossexualidade "lutando sozinho com um segredo que ele guardava há muito tempo. Acredito que o futuro será luminoso para esse jovem", acrescentou Obama. "Embora ainda possam vir contrariedades e confrontos ao longo do caminho, a verdade é que nossos ideais comuns são muito mais fortes do que qualquer divisão que alguns poderiam espalhar".

     LaBarbera afirmou que as opiniões de Obama foram muito longe ao usar a presidência como uma tribuna agressiva. "A condescendência é patente", disse LaBarbera. "Ele realmente golpeou milhões e milhões de fiéis, de pessoas com princípios e rejeitou crenças tradicionais com tal arrogância, é quase indescritível. Ele realmente surpreende".

     "É uma retórica odiosa", acrescentou LaBarbera. "É um tipo diferente de ódio, com certeza, mas é ódio — ele odeia nossa tradição judaico-cristã".

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     Tradução: André F. Falleiro Garcia.

 

Obama: "relações homossexuais são tão legítimas e admiráveis como o matrimônio heterossexual"

 

Politica y Desarrollo.com.ar

 

     "Chegará o momento em que nós, como nação, finalmente reconheceremos as relações entre dois homens ou entre duas mulheres como tão legítimas e admiráveis como as relações entre homens e mulheres", augurou Obama.

 

    Versión en español

     Ao discursar perante a Campanha pelos Direitos Humanos, a maior organização de defesa dos direitos dos homossexuais dos Estados Unidos, Obama admitiu que as mudanças que lhes havia prometido na campanha eleitoral não chegam tão rápido como eles esperam. Apesar disso, pediu paciência para a comunidade homossexual. "Não duvidem dos avanços que vamos alcançar", assegurou, porque, "meu compromisso com vocês é inquebrantável".

     "Estou com vocês nesta luta", afirmou Obama. Com estas palavras estendeu a mão para um setor da população que o apoiou de maneira decidida nas eleições do ano passado, mas que tem se sentido, desde então, abandonada, e se lamentado da falta de atuação da Casa Branca em temas como a presença dos homossexuais nas Forças Armadas.

     Por isso o presidente norte-americano, como já o havia feito em anteriores ocasiões, reiterou sua promessa de eliminar a atual política adotada em relação aos homossexuais nas Forças Armadas. Esta política, conhecida como Don’t Ask Don’t Tell (tu não perguntas e eu não te conto) permite que os homossexuais possam servir nas Forças Armadas sempre e quando não revelem sua orientação sexual.

     Obama também se referiu a outras demandas dos grupos homossexuais, como o casamento, os benefícios para os parceiros e a não discriminação no emprego. "Ninguém deve ser despedido por ser gay", sustentou, sob aplausos do público, e prometeu ademais que não descansará enquanto não "acabar com todo tipo de discriminação". Nesse contexto, prometeu promulgar a legislação sobre delitos de ódio, que inclui a definição de ataques baseados no sexo, orientação sexual, identidade de gênero ou deficiência.

     Com relação ao casamento entre pessoas de mesmo sexo, o mandatário assegurou que se caminha para a revogação da chamada Lei da Defesa do Matrimônio, que discrimina os homossexuais quanto ao reconhecimento de suas bodas e direitos conjugais. "Terminarei com isto", assegurou.

     "Chegará o momento em que nós, como nação, finalmente reconheceremos as relações entre dois homens ou entre duas mulheres como tão legítimas e admiráveis como as relações entre homens e mulheres", augurou Obama.

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     Tradução: André F. Falleiro Garcia.

 

 

Obama: “Las relaciones homosexuales son tan reales y admirables como el matrimonio heterosexual”
 
"Llegará el momento en el que nosotros como nación finalmente reconozcamos las relaciones entre dos hombres o entre dos mujeres como tan justas, reales y admirables como las relaciones entre hombres y mujeres", auguró Obama.
 

     
     En un discurso ante la Campaña pro Derechos Humanos, la mayor organización en defensa de los derechos de los homosexuales de EE.UU., Obama admitió que los cambios que les había prometido en la campaña electoral no llegan tan rápidos como ellos esperaban.
 
     
     Pese a ello, pidió a la comunidad homosexual paciencia. "No duden de los avances que vamos a lograr", porque, aseguró, "mi compromiso con vosotros es inquebrantable".
 
     
     "Estoy con vosotros en esta lucha", afirmó Obama.
 
     
     Con estas palabras, Obama tendió una mano a un sector de la población que lo apoyó de manera decidida en las elecciones del año pasado, pero que desde entonces se ha sentido abandonado y se ha lamentado de la inactividad de la Casa Blanca en áreas como la presencia de los homosexuales en las Fuerzas Armadas.
 
     
     Por ello, el presidente estadounidense, al igual que ya lo había hecho en ocasiones anteriores, reiteró hoy su promesa de eliminar la política actual hacia los homosexuales en las Fuerzas Armadas.
 
     
     Esta política, conocida como "don"t ask, don"t tell" ("Tú no preguntas y yo no te cuento") permite que los homosexuales puedan servir en las Fuerzas Armadas siempre y cuando no revelen su orientación sexual.
 
     
     Obama también se refirió a otras demandas del colectivo homosexual, como el matrimonio y los beneficios para las parejas y la no discriminación en el empleo.
 
     
     "Nadie debe ser despedido por ser gay", sostuvo Obama bajo aplausos del público y prometiendo además que no descansará hasta "terminar con todo tipo de discriminación".
 
     
     En este contexto, Obama, prometió firmar la legislación sobre delitos de odio, que incluye la definición de ataques basados en el sexo, la orientación sexual, la identidad de género o discapacidad.
 
     
     En cuanto al matrimonio entre personas del mismo sexo, el mandatario aseguró que se avanza para revocar la llamada Ley de Defensa del Matrimonio, que discrimina a los homosexuales en cuanto al reconocimiento de sus bodas y derechos para las parejas.
 
     
     "Terminaré con esto", aseguró.
 
     
     "Llegará el momento en el que nosotros como nación finalmente reconozcamos las relaciones entre dos hombres o entre dos mujeres como tan justas, reales y admirables como las relaciones entre hombres y mujeres", auguró Obama.

 

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