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ESQUERDA SINISTRA

 

 

Prof.ª Aileda de Mattos Oliveira

 


A ética da esquerda: pé direito no sapato esquerdo

     Diz a propaganda turística de Garanhuns que “quem bebe a água desta  cidade, a ela retorna”. A ser verdadeira a legenda publicitária, o berço do nosso estadista não verá de novo o seu dileto filho, e do Brasil, tendo em vista, há muito, preferir as goladas dos alambicados e dos maltados. Integrar-se-á ao exótico acervo político-folclórico das grandes metrópoles, pois o Agreste, provinciano, será pequeno para conter a jactância do “homem que sabia javanês”. Lima Barreto, se vivo fosse, teria um mote de porte para a sua caricatura política.

     Do macacão ou da calça jeans ao terno bem-talhado, há uma diferença de visual, mas não de mudança intelectual. De sindicalista à Sua Excelência, substituiu-se o tratamento, mas não o comportamento. Qual a razão da palavra ‘esquerda’ designar uma opção de tipos tão estranhos, tão revoltados com a natureza social, que insistem em impor o avesso das coisas, como norma de conduta? É como quererem pôr no pé direito o sapato esquerdo e vice-versa, sem questionarem o incômodo da troca imbecil e considerarem-na como norma natural.

     Não é sem razão que ‘esquerda’ é sinônimo de ‘sinistra’ e na Idade Média era relacionada ao Tinhoso. Nada é gratuito na língua e, numa análise político-ideológica da palavra, há que considerar as novas possibilidades semânticas postas em prática pelo falante e que vão, por repetição, enriquecer o vocabulário de toda a sociedade.

Cristo está sentado à direita do seu Pai e os eleitos estarão à direita do Altíssimo

     A própria bíblia diz que “Jesus assentará à destra do Pai”; o Pai é o Criador do Cosmos, palavra que, em grego, significa ‘ordem’. Compreende-se, então, que só os bons, os puros de espírito, os ordeiros, gozarão de tal privilégio. Estar “à direita” torna-se uma expressão bastante significativa e passa a ser, por analogia, o espaço onde estão congregados os que obedecem às normas e às leis, cumprem os seus deveres, respeitam as tradições, honram a família e os símbolos nacionais, e acreditam que os filhos são o seu maior legado e devem ser educados para a vida. No lado oposto, opostas também são as suas convicções. [1]

     Surge então uma terrível contradição. Jesus é tido como um ‘ativista social’, por aqueles que estão à esquerda de Deus, o que viria a afetar todo o raciocínio anterior. Porém, não há contradição; há uma inversão de ótica, pois a leitura das ações de Cristo é feita através do espelho vermelho, uso habitual da doutrina sinistra.

     Se as ações de Jesus fossem qualificadas de ‘socialistas’, no sentido que hoje se dá ao termo, a história de sua prisão seria diversa da que é sobejamente narrada e conhecida por todos. Se Jesus fosse socialista, para não ser preso, teria denunciado Caifás a Pilatos, como um perigoso intrigante contra Roma; teria entregado Judas, como beneficiário da transação que resultou na sua (de Jesus) prisão; não teria chicoteado os mercadores no pátio do templo, porque estes seriam os discriminados e oprimidos da sociedade da época. Jesus teria denunciado todos, porque é assim que agem os socialistas de hoje. José Genoíno sabe disso. Portanto, não vinga a idéia do socialismo de Cristo, porque se ele é a luz da vida, não pode estar no mesmo espaço dos sinistros, porque lá é o lado das trevas, o lado niilista, o da desordem, o da amoralidade, o da promiscuidade. Jesus não pode ser e não ser, ao mesmo tempo.

     Caifás e Judas, estes sim, torna-se impossível negar que sejam de esquerda, pelo procedimento semelhante ao dos políticos sinistros atuais, que confabulam, na surdina, para pôr em prática a ação nefasta da venda do patrimônio nacional.

     Os esquerdistas, em geral, confundem humanismo com socialismo. Apropriam-se dos conceitos filosóficos humanistas e transformam-nos em conceitos ideológicos, fazendo da prestidigitação de idéias a cultura inútil que alimenta a vaidade dos intelectualoides do partido e de seus simpatizantes.

     Há pouco tempo, Sua Excelência foi buscar Jesus e Judas e os pôs como exemplos, inconscientemente, de representantes, respectivamente, da direita e da esquerda que seriam levados à coalizão política, naturalmente convencidos por ele, o deus brega do Olimpo, o Baco de Garanhuns, o apedeuta verborrágico, tal é a vaidade que lhe é estimulada pelos gozadores presidentes estrangeiros, que lhe aplicaram o apelido de ‘estadista’, sendo ele homem de baixo partidarismo político e não de Estado.

     Assim, o esquerdista sinistro, tinhoso e cínico, na sua asa voadora, vai destroçando com a sua ignorância, com as suas gafes, por onde pousa, todo o trabalho diplomático que os verdadeiros estadistas construíram em favor do Brasil, ao longo de sua história.

     Ele não está só, mas auxiliado pela incompetência e má fé dos que tomaram posse do Itamaraty, com projetos de ampliar a influência do PT na política externa brasileira, criando um conselho formado por ONGs, centrais sindicais e movimentos sociais, de caráter oficial e que funciona paralelamente ao Ministério das Relações Exteriores, pois este grupelho de ativistas já está em plena atividade. É esta gente que vai decidir o destino da Amazônia, do Pantanal e de outras regiões que deveriam ser intocadas pelos estrangeiros.

     Um partido sinistro governa o Brasil e um rude e tinhoso escoteiro do mal é quem decide a sua sorte.

     Nefasta e sinistra doutrina, abominável e sinistro presidente, inúteis e sinistros “cumpaêro”, mas todos sôfregos do dinheiro fácil, retirado dos bolsos dos contribuintes altamente lesados.

     Depois de usufruir gostosamente do erário público, não será a Garanhuns que o desprezível presidente escolherá para viver; considerar-se-á, um homem internacional; de múltiplos conhecimentos políticos e, como imitação de FHC, fará ‘palestras’, se exibirá às plateias europeias, que morrerão de rir, com as suas tiradas de improviso, na sua linguagem dialetal, regada à melhor cachacinha da temporada. Sem o poder nas mãos, sem a caneta nervosa que assina de motu proprio, não haverá esquadrilha que faça Sarkozy segurar-lhe o braço, na bajulação nojenta, para que não desabe da tribuna, o desbocado, o etílico, a Vergonha Nacional.

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     NOTA DE SACRALIDADE:

    [1] Sobre a opção pela direita manifesta nas Sagradas Escrituras, é oportuno lembrar que o célebre teólogo dominicano Pe. Réginald Garrigou-Lagrange esteve no Brasil em 1938, e na ocasião fez um comentário — a pedido da equipe de redação do jornal católico O Legionário, então dirigido por Plinio Corrêa de Oliveira — sobre o slogan centrista "A Igreja não se encontra nem à direita, nem à esquerda":

     "Pessoalmente, sou um homem de direita, e não vejo porque o haveria de esconder. Creio que muitos daqueles que se servem da fórmula citada, fazem uso dela porque abandonam a direita para se inclinar à esquerda, e querendo evitar um excesso, caem no excesso contrário como aconteceu em França nos últimos anos. Creio, também, que é preciso não confundir a verdadeira direita com as falsas direitas, que defendem uma ordem falsa e não a verdadeira. Mas a direita verdadeira, que defende a ordem fundada sobre a justiça, parece ser um reflexo do que a Escritura chama a direita de Deus, quando diz que Cristo está sentado à direita do seu Pai e que os eleitos estarão à direita do Altíssimo" (Cit. in O Legionário, n° 313, de 11 de Setembro de 1938).

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     A Prof.ª Dr.ª Aileda de Mattos Oliveira, fez Mestrado em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense (1975-1979), e Doutorado em Letras Vernáculas - Língua Portuguesa, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1988-1995). Atualmente, é Professor Titular de Língua Portuguesa na Faculdade Gama e Souza. Voltada, inteiramente, ao estudo da Língua Portuguesa, tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Análise do Discurso, atuando principalmente no campo do discurso político.

 

 

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