CAVACO SILVA E CASAMENTO GAY: ACTO DE CORAGEM E DE CONVICÇÃO OU DE COBARDIA E HIPOCRISIA?
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José Carvalho
Lei permite o 'pseudo-casamento' de pessoas do mesmo sexo. Estamos perante um facto consumado!
Uma lei destas aprovada dificilmente será alterada. Já estamos habituados a que as minorias radicais mandem em Portugal.
Umas minorias radicais cuja agenda é promovida e imposta por pessoas com posições chave no mundo político, no Clero católico, nos meios jornalísticos, no aparelho do Estado e em certos círculos económica, social e culturalmente influentes e até mesmo em ambientes religiosos próximos do progressismo católico. Beneficia-se tal corrente minoritária através de omissões e cumplicidades.
Cavaco Silva e Família que dizem, à saciedade, serem católicos praticantes. Neste caso, é razão para perguntar: onde está a coerência entre os princípios e os actos? Puro calculismo político ou hipocrisia? Católico em casa e na hora da missa, e anticlerical no exercício de funções presidenciais?
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Numa declaração ao país transmitida em directo pelas televisões, Cavaco Silva anunciou que decidiu promulgar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo |
Num País que se afunda à vista de todos, numa crise tentacular que tudo parece demolir, Cavaco Silva decidiu dar o seu contributo para a agravar, dizem uns; para tornar Portugal melhor, dizem outros.
Através de um comunicado, o Presidente diz que a questão do pseudo-casamento gay está arrumada em Portugal. Posição corroborada pela minoria radical que defendeu a proposta de lei e alguns daqueles que, aparentemente, são os seus maiores opositores. É esta a conclusão a que se chega quando se analisam as repercussões à promulgação da lei que permite o pseudo-casamento de pessoas do mesmo sexo. Uns falando abertamente do assunto e congratulando-se com a atitude do Presidente, outros pelo comprometedor silêncio e cobardia.
Mas analisemos aquilo que foi dito por Cavaco Silva.
Ao contrário do que pretendeu fazer crer no seu discurso, o Presidente sabe que não é necessariamente verdade que, no caso de vetar a lei, ela passaria. O Presidente pode dissolver a Assembleia da República e pode renunciar ao mandato para não assinar um diploma que viole a sua consciência.
Ao promulgar a lei, deu um exemplo claro da incoerência entre os valores pessoais e a acção pública. E os portugueses não compreendem esta atitude contra a maioria.
Porém, uma coisa já todos perceberam: estamos perante um facto consumado!
Uma lei destas aprovada dificilmente será alterada. Já estamos habituados a que as minorias radicais mandem em Portugal. Umas minorias radicais cuja agenda é promovida e imposta por pessoas com posições chave no mundo político, no Clero católico, nos meios jornalísticos, no aparelho do Estado e em certos círculos económica, social e culturalmente influentes e até mesmo em ambientes religiosos próximos do progressismo católico. Beneficia-se tal corrente minoritária através de omissões e cumplicidades.
Também já estamos habituados à Ditadura das minorias que oprimem uma silenciosa maioria. A nossa democracia tem muitos exemplos destes. Contudo, o que alguns não esperariam (os mais desatentos) é que essa imposição tivesse o apoio do Presidente.
Cavaco Silva e Família que dizem, à saciedade, serem católicos praticantes. Neste caso, é razão para perguntar: onde está a coerência entre os princípios e os actos? Puro calculismo político ou hipocrisia?
Católico em casa e na hora da missa, e anticlerical no exercício de funções presidenciais?
A concluir a sua mensagem, disse Cavaco: «Há momentos na vida de um País em que a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um». Quem assim fala mostra que não tem convicções. E uma pessoa sem convicções pode ser tudo, tudo menos um Homem em quem se possa confiar!
Mas recordemos o que tem sido a actuação de Cavaco Silva. É certo que o Presidente, na declaração, deu a entender que não concordava com aquilo que promulgou. Mas não esqueçamos que não é a primeira vez que o faz. Promulgou tudo e dizendo sempre que estava contra: a liberalização do aborto, as experiências com embriões, o divórcio expresso, a (des)educação sexual nas escolas, e agora o pseudo-casamento gay.
Posto isto, e para as gerações futuras, ficará a conclusão: foi um Presidente da República católico, e que andou a beijar o anel do Papa, em Maio de 2010, aquele que mais iníquas leis promulgou. E a seguir chegam as da adopção de crianças pelos casais homossexuais, a da eutanásia, a da pedofilia, etc… É só uma questão de tempo. E naturalmente que Cavaco irá fazer o mesmo choradinho, mas tudo terminará com o desfecho que conhecemos...
Resta-nos acreditar no Futuro, porque do Pres(id)ente nada se pode esperar de bom.
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José Carvalho é professor, escritor e historiador em Portugal.
O vídeo de 06 minutos do pronunciamento à nação do presidente Cavaco Silva pode ser visto neste endereço. Clique aqui.
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