BATTISTI E BARRABÁS

 

Antonio Celente Videira

   

     O alvará de soltura de Cesare Battisti faz me lembrar o drama da crucificação de Jesus Cristo, quando Barrabás, ladrão e assassino, detestado pelos judeus, foi libertado.

Cesare Battisti

O STF não se sente mais obrigado a zelar pelo cumprimento da Lei Maior e dos tratados internacionais. Move-o o desejo de atender ao Poder: soltem Battisti!

     É impressionante como a história se repete. O Supremo Tribunal Federal (STF), nossa Suprema Corte, nega a extradição de Battisti para a Itália, por assassinato, quando  matara quatro pessoas, na década de 70, e condenado à prisão perpétua. Similar ao Sinédrio, corte de juízes, tendenciosos, e que libertara Barrabás, tudo para atender ao Poder da época, o STF procede de acordo com aquela instância judaica.

     Como há Caifás nos dias de hoje! Esse Supremo Sacerdote, análogo a tantos outros dignitários aqui no Brasil que alinham-se à autoridade temporal, unicamente para  emblematizar a supremacia governamental. Segundo o articulista Leonardo Bruno, em artigo lavrado em 22 de junho de 2011, o STF vem se tornando um verdadeiro escritório de advocacia do PT. Já Mirian Leitão, na sua coluna de 26 de junho do corrente, de O Globo, denomina de oráculos os seus onze ministros.

     É interessante a justificativa dos nossos senhores intocáveis das leis, no sentido de que o que estava em jogo era a Soberania Nacional, uma vez que o Presidente da República, que deixara o cargo, decidira que Battisti teria que ficar no Brasil. Tal atitude, covarde, por ser tomada no último dia do seu mandato, visava não tirar voto de sua candidata. Uma verdadeira farsa.

     Gostaria de dizer aos nossos magistrados que ameaça à Soberania Nacional foi a decisão de expulsar os arrozeiros da região de Raposa Serra do Sol, para atender a ONG’s indigenistas, rasgando nossa constituição que legisla sobre faixa de terras a 150 km da fronteira. Impactar a Soberania Nacional é vetar a aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições passadas. Intimidar a Soberania Nacional significa reconhecer a união entre pessoas do mesmo sexo, interferindo na “célula mater” da Sociedade, a Família. Negar a Soberania Nacional é liberar a marcha da maconha, a fim de facilitar a destruição dos valores da nossa juventude. Faz-se isso porque não sabem o sofrimento em se ter um filho ou um neto às voltas com drogas. Entender o sofrimento dos pais, por terem, dentro de seus lares, um parente nas garras de psicotrópicos, talvez seja uma  nova postura nessa onda de liberação. Se o ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, fosse um pouco mais cauteloso, afastando postura nitidamente eleitoreira, querendo mostrar-se simpático à juventude, jamais drapejaria a flâmula da liberação da maconha.

     Essas atitudes permitem o País tornar-se verdadeiro depósito de lixo humano, obstacularizando o nosso Capital Humano como alavancador do progresso sustentável.

     É a leviandade estabelecendo-se em todos os setores, são atos demagógicos, como os mencionados, travestidos de avanços sociais, que estão colocando em risco o que conquistamos ao longo da nossa história.

     Se Barrabás pertencia à organização dos Zelotes, Battisti era membro da organização terrorista Proletários Armados para o Comunismo, consubstanciando a liberação, através dos tempos, de todo um entulho permissível, desde que seus permissionários “saiam-se bem na foto”. Ecos da queda do Império Romano chegam até nós, sintomas da desgraça de Sodoma e Gomorra brotam no horizonte, sombras da legendária Atlântida começam, sorrateiramente, a envolver as intrigas palacianas, enfim, vislumbra-se a tétrica silhueta da decomposição moral de uma nação.

     Mesmo sendo interpretado como retrógado ou reacionário ao “novo”, atrevo-me ainda a dizer que, se Pôncio Pilatos lavou as mão optando pela soltura de Barrabás, a fim de agradar a Tibério César, Imperador Romano, ao Sinédrio e à turba enfurecida, Cesare Battisti é libertado, debaixo do olhar complacente das Classes Políticas, para se isentarem de qualquer tipo de julgamento pela sociedade ou grupelhos hoje instalados no Poder Federal.

     Assim, assistimos o esvaecimento das derradeiras instâncias dos valores morais que deveriam nortear nosso homem público. O reto e o justo, tão anunciados por escolas iniciáticas e agremiações religiosas, não mais prevalecem no interior da maioria dos nossos mandatários. Queira Deus que o sepulcro de Jesus, no Jardim de Getsêmani, se abra e um vórtice de Luz envolva a Terra do Cruzeiro, nosso querido Brasil.

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     O autor é Coronel da Aeronáutica e membro fundador da Academia Brasileira de Defesa.

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