Revolução molecular e desconstrucionismo no conflito estudantil chileno

 

Prof. José Carrasco Villalobos

 

    Versión en Español


Conflito estudantil que produz mudanças profundas na sociedade civil e política

     Não é mais novidade hoje em dia o conflito estudantil: as paralizações e protestos já se estendem por mais de dois meses no Chile[1]. Mas quando é feita uma pequena análise politológica dele, parece que não estamos diante de tema secundário. Não é pelo fato de que suas exigências e pedidos não são atendidas, e sim, porque a leitura de seus documentos e cartazes nos apresenta algo que já intuíamos. É a mudança — da constituição chamada de pinochetista — para um novo sistema político de assembléia constituinte representativa das assembléias populares: os conselhos autogestionários.

     Conflito estudantil: natureza ideológica e consequências

     Isto nos dá uma certeza diante do conflito estudantil — a da manipulação de problemas reais, como o “mal serviço” prestado em educação pelas prefeituras municipais ou pela educação subvencionada pelo Estado. Sem falar nas universidades particulares — que criaram as chamadas “carreiras de quadro negro”, ou então pelo alto número de ingressos e egressos — que não atendem à realidade do mercado de trabalho.


A proibição do lucro para as instituições particulares de ensino é reivindicação de nítido teor socialo-comunista

     É óbvio que, se lucraram nos últimos vinte anos de governos neomarxistas, sem dar nenhuma solução, com o tempo se transformaram, pela falta de solução, em simples plataforma política, para promover não só a “mudança na qualidade da educação”, como também a implementação de nova forma de governo, o das "assembléias locais", para chegar à instauração da chamada assembléia constituinte ou conselhos autogestionários.

     Então, é importante na análise do conflito estudantil não só conhecer e descrever o problema, mas também é fundamental determinar sua natureza ideológica, quais fatores intervém e quais serão suas implicações a curto e longo prazo no Chile.

     Um processo mundial de mudanças

     Hoje vemos que no plano nacional e mundial produz-se uma reformulação dos princípios econômicos do capitalismo financeiro. Nesse processo, estamos em presença da queda estrepitosa do dólar. E as economias do ocidente entram em uma espécie de colapso. De outro lado, inclusive quanto aos princípios filosóficos que o sustentam, há muitos anos o conceito de Estado-nação tem sofrido uma dissolução ou desmantelamento, que o tem tornado irreconhecível, devido à instituição de um novo sistema de fragmentação em micro “nações”.

Michel Foucault

Segundo o filósofo Michel Foucault, o processo mundial de mudanças entroniza uma nova civilização

     E tudo isto vem a que propósito? Já temos assinalado que toda essa transformação não é “espontânea”, nem é causada por uma “evolução cega”. Deve-se propriamente a um processo mundial de mudanças, quer dizer, à passagem de uma sociedade moderna, de princípios absolutos, para um sistema pós-moderno baseado nos princípios da indeterminação. É, como dizia Foucault, a entronização da "nova civilização".

     É preciso entender que nesse processo foi muito bem definido “um programa, uma estratégia, uma ação”. Por isso, os fatos que hoje assistimos têm natureza ideológica com nome e sobrenome: estrutura — desconstrução.[2]

     Do Estado-nação à sociedade molecular

Governo Mundial e Sociedade Molecular
Da desconstrução das atuais estruturas sociais e políticas surge o governo mundial dotado de imensa rede de sociedades moleculares

     Como já sabemos, no século XIX as monarquias foram substítuídas pela repúblicas, sistema laico que estabelecia nova característica de governo. Era o Estado-nação, cujo governo, de natureza vertical, traria “progresso e felicidade” aos povos que tinham vivido sob o chamado “obscurantismo monárquico e religioso” que por anos vigorou na Europa.

     Não obstante, essas promessas da modernidade não se cumpriram. E na segunda metade do século XX começou a se desenvolver o processo ideológico para a realização da maior e mais importante mudança dos nossos tempos. Estamos nos referindo ao desmonte do conceito e da estrutura do Estado-nação, em prol da chamada “sociedade molecular” nas entranhas do “governo mundial”.[3]

     Fundamento filosófico e ideológico da "nova civilização"

     É uma mudança que tem raiz metafísica. Por isso, sua abordagem, mediante simples análise histórica, ou através dos recortes de notícias dos jornais, não proporciona compreensão e clareza, pois tem um fundo filosófico e ideológico expresso no princípio ametafísico de Heidegger. Essa transformação foi imposta no transcurso de quase duas gerações por meio de gigantesca propaganda introduzida em todos os âmbitos, especialmente nos conteúdos da educação. As crianças e os jovens são os principais atores das mudanças, da substituição do chamado “princípio metafísico do ser e a verticalidade”, pelo chamado “princípio ametafísico do não-ser e a horizontalidade”.

     Pessoa x movimento social – verticalidade x horizontalidade

     O “princípio da verticalidade” tem seu fundamento na pessoa humana enquanto concebida com uma natureza transcendente. Representa-a como autoridade, seja na figura do pai, do rei, presidente ou patrão. Seu poder provém da lei, seja a revelada por Deus, a lei natural ou a lei positiva, que a todos atribui direitos e deveres, indicativos da liberdade do indivíduo. Dessa maneira é estabelecido o bom governo, cuja finalidade é o “bem comum”.

     O “princípio da horizontalidade” é construído sobre o fundamento ideológico do desconstrucionismo estrutural; por isso, prescinde da natureza da pessoa humana e sua essência metafísica, que fundamentam o “princípio da verticalidade”. Assim, onde havia a pessoa transcendente, vê-se agora o coletivo, o inconsciente, o “nós/eles”, o social, o intersubjetivo, o simbólico, lugares onde desaparecem a razão e a liberdade. Isto hoje constitui os chamados movimentos sociais, com a característica fundamental da autodeterminação ou autonomia, portanto com uma prescindência absoluta de toda autoridade, deixando claro que tudo se resolve na estrutura horizontal. Esta forma social de governo corresponde a uma nova dinâmica do exercício do poder difusa entre as microestruturas. É o espaço onde ninguém tem o poder exclusivo, pois ali tudo é poder.

     Não obstante é preciso salientar que a horizontalidade sobrevive numa forma paralela ao verticalismo, ambos são simétricos. Não estabelece contradição em relação ao sistema vertical. A horizontalidade não é anti-sistêmica, nem dialética. Por isso é identificada como “força assistêmica”, expressão indicativa de que se encontra em estado de “suspensão” entre o sistêmico e o anti-sistêmico. Pois seu objetivo não é romper, mas passar ao lado e obviar ao sistema, para formar uma realidade paralela e distinta da anterior. Não destrói o ordenamento social vertical, senão que mais exatamente estabelece novos espaços de realidade que pouco a pouco alcançam a hegemonia ideológica.[4]

     A ideologia do “empoderamento” e a revolução molecular

     Desde a muitos anos a Política, com maiúscula, tem sido feita com base nas instituições fundamentais do Estado (Executivo, Legislativo, Judiciário). Hoje, no entanto, vemos que esse modelo sofreu profundas mudanças, através das quais, a partir do próprio Estado, foi imposta uma espécie de descentralização das principais instituições que foram importantes para favorecer o bem comum.

Estratégias para o empoderamento político

Empoderamento político

     Com a finalidade de facilitar para as pessoas uma maior participação democrática, elas estão sendo levadas a se agrupar em pequenas estruturas — de defesa de direitos, contra a globalização, ou como uma função política — em prol do que tem sido chamado de “a pequena política”.

     De fato, depois da queda do Muro de Berlim, símbolo do comunismo estalinista, surgiram entidades paralelas ao Estado, como as conhecidas ONGs, que obtém financiamentos milionários para fomentar o surgimento de “movimentos sociais” que são formados segundo a ideologia do "empoderamento"[5] e da desconstrução para a defesa de seus direitos de todo tipo.

     Tal atuação provoca a fragmentação e a apropriação do espaço geográfico e social. Assim o concebeu o filósofo Felix Guattari, quando propôs “enfrentar o sistema de estruturas dominantes, por meio da desconstrução, com uma nova práxis política, baseada na ‘desterritorialização’ ou nova ‘territorialização’, na qual os ‘atores marginais’, organizados em ‘coletividades’ ou ‘movimentos sociais’, assumem o papel de expropriadores políticos, para gerar uma nova expressão ideológica, um novo sentido e poder das coisas”.

     São as minorias que se “empoderam” dos territórios ou das palavras, então colocam em prática, por meio da transformação da linguagem, a anulação dos seus verdadeiros sentidos. Nascem os chamados “espaços de liberdade” ou de “agenciamento”, produzindo novos territórios culturais.

Humor de rua

     Por isso, hoje são tão importantes as denominadas “tribos ecológicas, urbanas, bandas de rock, e os movimentos culturais como o teatro das ruas (pantomimas, palhaços, zumbis), humor de rua, as batucadas, as barras bravas dos estádios de futebol, os festejos de 'mil tambores', homossexuais, prostitutas, estudantes secundários e universitários, as nações étnicas [negros, índios etc.] entre muitas outras coisas”, que praticam e se sentem “empoderadas” ideologicamente por uma autonomia radical.

     Ação molecular através das redes sociais

     Para alcançar os seus fins, ativam como meio de organização e informação as tão conhecidas redes sociais da internet. Stuart Brand, criador da internet, assegurou que essas redes “dão poder aos indivíduos e tiram o poder das instituições intermediárias da sociedade, deixando-as nas mãos do povo” ou das coletividades aniquiladoras da autoridade. Surge assim novo “espaço de poder e de organização”, que se impõe de maneira horizontal ou assistêmica, conhecido como “o social”, a favor da anulação do antigo modelo vertical ou de autoridade.

     A atrofia da razão e a abolição da lei

     Derrubar a verticalidade é uma necessidade da nova hegemonia ideológica assistêmica e desconstrucionista, a favor de uma nova civilização, como assinalou Foucault. Este insistiu que é preciso superar o estado de alienação, isto é, a racionalidade e as normas impostas pelo poder. Trata-se de desconstruir a razão ocidental, a partir da sem-razão encontrada na marginalidade, atuando a loucura e a sem-razão como formas de contrapoder.[6]

     De fato, Foucault considerava a loucura e a sem-razão como formas de transgredir e provocar a ruptura com a ordem estabelecida. O próprio louco é um protesto contra as formas sociais de exclusão. Em definitivo, a loucura e a sem-razão desdobram seus poderes e se constituem em agentes políticos revolucionários fundamentais.[7]

     As novas formas culturais da revolução molecular

A revolução hippie
O movimento hippie, como uma das formas da revolução molecular, surgiu em Haight-Ashbury, San Francisco

     Não faltam meios para a luta pela desalienação contra o poder normatizador. Por isso recorrem a todas as estratégias de luta, como o “situacionismo” ou práxis revolucionária, usada durante a revolução de Maio de 1968 na Sorbonne. Ou aos meios empregados pelos hippies, movimento de contracultura nascido na década de 60 em Haight-Ashbury, San Francisco. Este movimento cultural usou nesse local armas poderosas, como o riso e o lúdico, expressos no teatro de rua e de pantomima, nas dansas, nas fantasias e nas performances. Todo esse “espontâneo” produzido em Haight-Ashbury servia para combater a autoridade.

     É a tática guerrilheira da “não-violência ativa” de Gandhi que está na moda. Por isso, hoje em dia repetem a mesma estratégia nos protestos dos “indignados” em todo o mundo. Inclusive nos protestos estudantis chilenos exibiram todo um aparato cultural, como as bandas de rock de todo o tipo, movimentos culturais como o teatro de rua (pantomimas, palhaços, zumbis, escolas de dansas), humor de rua, as batucadas, as barras bravas dos estádios de futebol, os festejos de ‘mil tambores’, homossexuais, prostitutas, estudantes secundários e universitários, e as nações étnicas (negros, índios etc).

     Houve inclusive a performance que foi a chave de ouro: o assalto “piqueteiro” a um condomínio e a locais comerciais, por “neoanarquistas” que atuam molecularmente. Estes não se filiam a nenhum partido político, são verdadeiros “nômades da expropriação do território”, uma complicação para a autoridade policial, pois não podem ser pegos nem imputados como delinquentes, já que o juiz considerou que apenas houve um ato cultural.

     As imensas transformações da sociedade e do homem

     Toda essa práxis revolucionária desconstrucionista serve assim para promover as chamadas assembléias constituintes, instituição que fica muito distante do modelo estabelecido no século XIX, ou mesmo do adotado durante a revolução bolchevique na Rússia. É uma nova forma de governo horizontal — sem autoridades que exerçam o poder, pois agora todos são poder — e nessa modalidade ninguém é poder.

O presidente chileno Sebastián Piñera
Sebastián Piñera não enfrenta mero conflito estudantil. Há uma revolução em curso, que promove imensa transformação da sociedade e do homem. A repressão policial não basta para estancar todo esse processo.

     O grande processo ideológico desconstrucionista de transformação sociopolítica  avança mediante os conflitos e ações revolucionárias assistêmicas. As mobilizações sociais, nos últimos vinte anos, tem propiciado a formação de organizações do tipo “micro-assembléias locais”, que por sua vez participam em organizações maiores, como as assembléias constituintes ou soviets pós-modernos, cuja finalidade seria a imposição de uma nova forma de governo. O novo poder, com uma nova legislação e um novo judiciário, seriam erguidos sobre a base das assembléias locais, sob o amparo da assembléia constituinte. Dessa forma, o governo, o legislativo e o judiciário seriam exercidos pela “assembléia local”, que pode ser composta, por exemplo, pela coletividade que compõem uma determinada barra brava de torcedores de futebol, ou certo grupo artístico. É bom lembrar que esses grupos se consideram depositários da representação do “o social”.

     E o que acontece com todo tipo de autoridade, especialmente as autoridades governamentais, e com os professores, os pais de família, que se vêem superados pelas coletividades, pelos alunos, pelos filhos? A resposta é a seguinte: o que está dirigindo e mandando em todas as partes da sociedade é a hegemonia ideológica da desconstrução horizontal. Isto implica em que estamos diante da abolição da autoridade em prol da estrutura molecular. Agora todos tem poder e autoridade.

     E o que se passou com a pessoa humana e o humanismo?[8]

     Foucault nos recorda que no século XIX Nietzche anunciou a morte de Deus, e que o século XX anunciou que assistimos à morte do Homem.

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     Fonte: ¿Qué hay por detrás del movimiento estudiantil? Mitos y verdades.

     Tradução: André F. Falleiro Garcia.

     Título, subtítulos, fotos e legendas foram introduzidos por Sacralidade.

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     NOTAS DO TRADUTOR:

    [1] O movimento estudantil chileno iniciou as mobilizações em meados de maio/2011, para exigir que o governo central volte a administrar a educação básica primária e secundária, proíba as instituições privadas de lucrar com a educação, e garanta direito constitucional a uma educação pública, gratuita e de qualidade. A gratuidade no ensino superior é a principal reivindicação do movimento. As primeiras mobilizações estudantis desfecharam numa greve geral convocada pela CUT chilena, na qual houve manifestações como "panelaço", barricadas, saques, além de reivindicações como reforma constitucional, mudança no Código de Trabalho e diminuição dos impostos sobre os combustíveis. Nova greve nacional foi convocada para 19 de outubro/2011; o movimento estudantil quer mobilizar organizações sociais, culturais, sindicais, ecologistas e profissionais.

    [2] Estrutura e desconstrução são termos utilizados pelas filosofias existencialistas, estruturalistas e pós-modernas, que têm como expoentes autores como Martin Heidegger, Claude Lévy-Strauss, Jacques Derrida, Michel Foucault e Félix Guattari. Nessa ótica, a metafísica ocidental, fundamento da filosofia, é exemplo de estrutura a ser desconstruída.

    [3] "O Estado-nação é a unidade político-territorial própria do capitalismo", afirmou Luiz Carlos Bresser-Pereira em "Nação, Estado, e Estado-nação". A superação do Estado-nação e sua substituição por formas coletivistas e autogestionárias implicam numa mudança radical no modelo socioeconômico.

    [4] O Pe. Alfredo Sáenz, S. J., em La Revolución Cultural identifica a imanência como termo chave da concepção gramsciana do marxismo. A imanência tem muito a ver com a dicotomia verticalidade e horizontalidade. Com efeito, a aplicação do “princípio da horizontalidade”, ao estabelecer novos espaços de realidade que pouco a pouco alcançam a hegemonia ideológica, realiza nas estruturas da sociedade a "filosofia da praxis", ou seja, o marxismo no viés gramscista. É o triunfo da imanência. De outro lado, encontra-se o oposto dos princípios da horizontalidade e imanência exatamente na verticalidade e transcendência, conceitos que estão no próprio cerne da noção de sacralidade. Quando iniciamos três anos atrás este site, hasteamos o estandarte daquilo que, na ordem profunda da realidade, é a oposição mais radical e completa da revolução cultural: a sacralidade.

    [5] O termo empoderamento é empregado em textos de sociologia política ou de cartilhas ideológicas para descrever a atuação dos movimentos sociais articulados em rede, na defesa da causa dos excluídos, marginalizados, sem-terra, sem-teto, piqueteiros, associações de bairro, de negros, índios etc. Tem o sentido de ação para “conceder poder [a uma coletividade desfavorecida em termos socioeconômicos] para que, mediante sua autogestão, melhore suas condições de vida” (Diccionario panhispánico de dudas - Real Academia Española – edição online).

    [6] A tese de doutorado de Michel Foucault foi publicada em 1961 pela francesa editora Plon, com o título Loucura e Desrazão – História da Loucura na Idade Clássica.

    [7] Plinio Corrêa de Oliveira no ensaio "Revolução e Contra-Revolução" tratou da atrofia da razão e abolição da lei nas comunidades autogestionárias pós-modernas e pré-tribais, que viveriam sob regime cooperativo anárquico e coletivista, e apontou sua inspiração filosófica estruturalista:

     “É impossível não perguntar se a sociedade tribal sonhada pelas atuais correntes estruturalistas não dá uma resposta a esta indagação. O estruturalismo vê na vida tribal uma síntese ilusória entre o auge da liberdade individual e do coletivismo consentido, na qual este último acaba por devorar a liberdade. Em tal coletivismo, os vários "eus" ou as pessoas individuais, com o seu pensamento, sua vontade e seus modos de ser, característicos e conflitantes, se fundem e se dissolvem – segundo eles – na personalidade coletiva da tribo geradora de um pensar, de um querer, de um estilo de ser densamente comuns.

     “Bem entendido, o caminho rumo a este estado de coisas tem de passar pela extinção dos velhos padrões de reflexão, volição e sensibilidade individuais, gradualmente substituídos por formas de sensibilidade, pensamento e deliberação cada vez mais coletivos. É, portanto, neste campo, que principalmente a transformação se deve dar.

     “– De que forma? – Nas tribos, a coesão entre os membros é assegurada sobretudo por um comum sentir, do qual decorrem hábitos comuns e um comum querer. A razão individual, nelas, fica circunscrita a quase nada, isto é, aos primeiros e mais elementares movimentos que seu estado atrofiado lhe consente. Pensamento selvagem (cfr. Claude Lévy-Strauss, La pensée sauvage, Plon, Paris, 1969), pensamento que não pensa e se volta apenas para o concreto. Tal é o preço da fusão coletivista tribal.” (PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA, Revolução e Contra-Revolução,  Parte III , Capítulo III, n. 2).

    [8] Nota-se, no modus operandi dessa revolução molecular em curso no Chile, a atuação da "sociedade civil organizada" (as ONGs, sindicatos, associações culturais e sociais etc.), conjugada com a ação coletiva desenvolvida através das chamadas "redes sociais" (como o Facebook) e o trabalho das "mídias sociais" (TV etc.). Nesse cenário de atuação multifária, no qual também participam atores políticos e eclesiásticos, encontra-se superada a clássica estratégia marxista-leninista de conquista do poder mediante a atuação central do Partido Comunista. Não obstante imensa operação de viés socialo-comunista nos moldes gramscistas, é sobretudo nessa demolição do homem, em sua psicologia, modos de pensar, de ser e de sentir, que vemos uma forma de atuação revolucionária mais requintada. A nova hidra revolucionária transforma o homem num homúnculo, num sem-razão, inseguro e assustado pelo medo proteiforme, manipulado pelas mídias sociais, guiado pela consciência ecológica e social, apático e anestesiado, mas sempre pronto a prestar, em qualquer hora e lugar, o culto da igualdade, e a fazer o holocausto de sua liberdade.


¿Qué hay por detrás del movimiento estudiantil? Mitos y verdades.

 

Prof. José Carrasco Villalobos

 

conflito estudantil chileno

 

Como entender el postestructuralismo

 

     Hablar hoy del “conflicto estudiantil”, el paro y las protestas que ya se extiende por más de dos meses, es poco novedoso, pero cuando uno hace un pequeño análisis politológico, parece que estamos frente a un tema no menor, no por el hecho de no ver cumplidas sus petitorios y demandas, sino porque, leyendo muchos de sus carteles y documentos nos plantean una cosa que ya intuíamos, como es el cambio de la Constitución, denominada pinochetista, a un nuevo sistema político de Asamblea Constituyente, representativa de las asambleas ciudadanas. Eso nos da una certeza frente al conflicto, que es el uso de los problemas reales, como es el “mal servicio” entregado en educación, ya sea, manejada por las municipalidades, o la llamada educación subvencionada y qué decir de las universidades particulares que han creado carreras que se denominan de pizarrón o por el alto ingreso y egreso en sus carreras, hecho que no resiste el mercado laboral, y es de perogrullo que, se ha lucrado durante los últimos veinte años de gobiernos neomarxistas, sin dar ninguna solución y, en el tiempo, por falta de solución, se ha ido transformado en una simples “plataformas políticas” para promover no sólo el “cambio en la calidad educación”, sino la implementación de una nueva forma de gobierno como son las “asambleas locales” para llegar a la instauración de la llamada “Asamblea Constituyente” o consejos autogestionarios. Entonces, es importante en este análisis no solo conocer y describir el problema, sino que fundamental es el determinar cuál es la naturaleza ideológica del conflicto, qué factores intervienen y cuáles serían las implicancias a corto y largo plazo en Chile.

     Dentro de un cambio real: Un Gran Proceso.

     Hoy estamos viendo que a nivel nacional y mundial se está produciendo un reacomodamiento de los principios económicos del capitalismo financiero, asimismo en este proceso estamos en presencia de la caída estrepitosa del dólar, y por ende, las economías de occidente han entrado en una especie de colapso. Por otro lado, desde hace muchos años los principios filosóficos que sustentaban al concepto de Estado – Nación se ve enfrentado a una disolución o a un desmantelamiento que lo ha dejado irreconocible, debido a la institución de un novedoso sistema de fragmentación o micro “naciones”. ¿Y todo esto a qué responde?, pues como ya hemos venido señalando, toda esta transformación “no es espontanea” o a causa de una “evolución ciega”, sino que más bien, a un PROCESO mundial de cambio, es decir, pasar de una sociedad moderna de principios absolutos a un sistema postmoderno sustentado por el principios de Indeterminación. Es como decía Foucault, la entronización de la “nueva civilización”. Sepamos que en este PROCESO, se ha definido muy bien “un programa una estrategia y una acción”. Por eso, los hechos que hoy vemos tienen una naturaleza ideológica con nombre y apellido: Estructura-Decontruccionismo.

     De la República a las Asambleas Contituyentes.

     Como ya sabemos, en el siglo XIX las monarquías eran desplazadas por la República, sistema laica que establecía una nueva caracteristica de gobierno, era el Estado-Nación, cuyo gobierno de esencia vertical, daría “progreso y felicidad” a los pueblos que aún vivían bajo el llamado “oscurantismo monárquico y religioso” que por cientos de años había gobernado Europa. Sin embargo, esas promesas de la modernidad no se cumplieron y la segunda mitad del siglo XX, comenzó a desarrollarse bajo un proceso ideológico, el mayor e importante cambio que se haya conocido en nuestros tiempos, nos referimos al desmontamiento del concepto y la estructura del Estado-Nación a favor de la llamada sociedad molecular en pos del “Gobierno mundial”. Es un cambio que tiene una raíz metafísica, por eso, abordarla, sobre simples análisis históricos o de recortes de noticias de diarios, no habrá claridad ni entendimiento, pues esta nueva expresión tiene un trasfondo filosófico e ideológico expresado en el principio “ametafísico” o de la Indeterminación (Heidegger). Esa transformación se ha impuesto en el tiempo por casi dos generaciones, por medio de una gigantesca propaganda introducida en todos los ámbitos, pero en especial en los contenidos de la educación, donde los niños y los jóvenes son los principales actores de futuros cambio en el desplazamiento del llamado “principio metafísico del ser y la verticalidad” a favor del llamado “principio ametafísico del no-ser y la horizontalidad”.

     Abolición del individuo, fortalecimiento del colectivo.

     El “principio de verticalidad” radica en concebir al sujeto como fundamental con una naturaleza trascendente; se representa como autoridad, ya sea en la figura del padre, el rey el presidente o el patrón; su poder se apoya en la ley, ya sea, revelada por Dios, ley natural o ley positiva, de allí se deduce que todos tienen derechos y deberes, indicativo de libertad del individuo. Se establece de esta manera, lo que se llama el buen gobierno cuyo fin es propender al principio de “bien común”. 

     El “principio de horizontalidad”, es concebido sobre la base del principio ideológico del Estructural-deconstruccionismo, por ello, viene a prescindir de la naturaleza y esencia metafísica que informan al “principio de la verticalidad”, y por lo tanto, donde había sujeto trascendental, ahora lo vemos suplantado por el colectivo y el inconsciente, por el nosotros, lo social, lo intersubjetivo, lo simbólico, lugar donde desaparece lo racional y la libertad. Hoy, eso se denomina como “movimientos sociales” o “colectivos”, con la característica fundamental de la autodetermición o “autonomía”, y por ende, una prescindencia absoluta de toda autoridad, dejando en claro, que todo se resuelve en la estructura. Esta forma social de gobierno responde a una nueva dinámica de ejercer el poder difundido entre las microestructuras; es el espacio donde nadie tiene el poder exclusivo, pues todo es poder.

     No obstante, hay que destacar, que la horizontalidad sobrevive en forma paralela al verticalismo, ambos son simétricos, y no establece contradicción al sistema vertical, no es antisistémico, ni dialectico, por eso que se la identifica como una “fuerza asistemica”, expresión que denota que se encuentra en estado de “suspensión” entre lo sistémico y lo antisitemico; por ello su objetivo no es romper, sino que pasar por el lado u obviar al sistema para formar una realidad paralela, distinta a la anterior. No destruye, sino no más bien, establece nuevos espacios de realidad que poco a poco va hegemonizando ideológicamente.

     La nueva política o la hegemonía de “lo político”.

     Por muchos años hemos visto que la Política, con mayúscula, se ha hecho sobre la base de instituciones fundamentales del Estado (Ejecutivo, Legislativo y Judicial), hoy sin embargo, ese modelo ha venido sufriendo profundos cambios, en que a partir del mismo Estado, se ha impuesto una especie de descentralización de las principales instituciones que fueron importante en favor del bien común, sin embargo, con el fin de entregar a las personas más “participación democrática” se está llamando a que se agrupen en pequeñas estructuras de defensa, ya sea, contra la globalización o como una función política, a favor de lo que se ha llamado la “pequeña política”, de hecho, después de la caída del muro de Berlín, símbolo del comunismo estalinista, han surgido entidades paralelas al Estado, como las conocidas las ONGs, que han aportado en el tiempo un millonarios financiamientos para fomentar el surgimiento de “movimientos sociales”, educados bajos la ideología del “empoderamiento” y la deconstrucción, en favor de la defensa de sus derechos de todo tipo; sin embargo, eso trajo la fragmentación y la apropiación del espacio geográfico y social, así lo confirma el filosofo Felix Guattari, al proponer “enfrentar al sistema de estructuras dominantes por medio de la deconstrucción con una nueva praxis política, basada en la desterritorialización o nueva territorialización en la que los actores marginales”, organizadas en “colectivos” o “movimientos sociales”, asumen un papel de expropiadores políticos, para generar una nueva expresión ideológica, un nuevo sentido y poder de las cosas.

     Son las minorías que se empoderan de los territorios o de las palabras, donde se pone en práctica por medio de la transformación del lenguaje la anulación de sus verdaderos sentidos: nacen los llamados “espacios de libertad” o de “agenciamiento”, produciendo nuevos territorios culturales, por ello hoy, son tan importantes la denominadas “tribus ecológicas, urbanas, bandas de rock, movimientos culturales como el teatro callejero (mimos, payasos, zombis,) humor callejero, las batucadas, barras bravas, los mil tambores, homosexuales, prostitutas, estudiantes secundarios y universitarios y las naciones étnicas entre muchas otras”, que practican y se sienten “empoderadas” ideológicamente por una autonomía radical, y para sus fines, activan como medio de organización y de información las tan conocidas “redes sociales”, recordemos que Stward Brand, creador de la internet, aseguró que estas “dan poder a los individuos y quita el poder a las instituciones mediadoras dejándola en manos de las gentes” o del colectivo, aniquilador de la autoridad. Surge así un “espacio de poder y de organización” que se levanta de manera horizontal o “asistemica” conocido como “lo social” a favor de la anulación del antiguo modelo vertical o de autoridad.

     Derribar la verticalidad es una necesidad de la nueva hegemonía ideológica asistemica, decontruccionista, a favor de la nueva civilización como señaló Foucault; éste insiste en hay que subvertir el estado de alienación, esto es, la racionalidad y la norma que se impone desde el poder, se trata de deconstruir la “razón” occidental a partir de la “sinrazón” puesta en la “marginalidad”, actuando la locura y la sinrazón como formas de contrapoder. De hecho, Foucault entiende que la locura y la sinrazón son formas de transgredir y provocar la ruptura con el orden establecido. El loco mismo es la protesta contra las formas sociales de exclusión. En definitiva, la locura y la sinrazón despliegan sus poderes y se constituyen en agentes político revolucionarios fundamentales. Foucault, sabe que los medios sobran en esta lucha por la desalienación del poder normalizador, por eso recurre a todas las estrategias de lucha como el “situacionismo” o praxis revolucionaria, usada durante el Mayo francés de 1968 o por los Yippis, movimiento contracultural nacido en Haight-Ashbury, San Francisco, recordemos que este movimiento contracultural usó un arma poderosa como la risa y lo ludico, expresado en el teatro callejero y de mimos, bailes, los disfraces o las performances; todo “lo espontaneo” como se conoció, servía para combatir la autoridad.

     Es la táctica guerrillera de la “no-violencia activa” de Gandhi que está de moda. Por eso, hoy no ha sido raro ver como en las protestas de los “Indignados”, alrededor del mundo, se ha repetido la misma estrategia, incluso las protestas estudiantiles en Chile, han debutado todo un aparataje cultural como las bandas de rock de todo tipo, movimientos culturales como el teatro callejero (mimos, payasos, zombis, escuelas de bailes) humor callejero, las batucadas, barras bravas, los mil tambores, homosexuales, prostitutas, estudiantes secundarios y universitarios y las naciones étnicas, incluso a la performance del asalto “piketero” a un condominio y locales comerciales por “neoanarquistas” que actúan molecularmente, cosa que ha sido como el broche de oro. Éstos no adscriben a ningún partido político, son verdaderos “nómades de la expropiación del territorio”, siendo una complicación para la autoridad, pues son inasibles, y no pueden ser imputados como delincuentes, pues el juez vio sólo un acto cultural. Toda esa praxis revolucionaria decontruccionista, sirve para promover, entonces, las llamadas Asambleas Constituyentes, institución que dista mucho del modelo planteado, ya en el siglo XIX o durante la revolución bolchevique en Rusia; ahora hablamos de un gobierno horizontal sin autoridades que ejerzan el poder, pues ahora todos son poder y donde nadie es poder.

     Implicancias del Decontruccionismo orgánico en la transformación.

     Es dentro de estos levantamientos o acciones revolucionaria “asistemicas” que se mueve el gran PROCESO ideológico decontruccionista de transformación sociopolítica. Son las movilizaciones sociales que durante 20 años han ido decantando en la formación de organizaciones del tipo micros “asambleas locales” y que entran a participar en la mayor expresión como son las Asambleas Constituyentes o soviets postmodernos” y cuyo fin sería imponer un nuevo gobierno. El nuevo poder, la nueva legislación o la nueva justicia se haría sobre la base de las “asambleas locales” bajo el amparo de la Asamblea Constituyente. De esta forma, el gobierno, la ley y la justicia, ahora sería ejercida por la “asamblea local” que puede recaer en la figura, por ejemplo, ya sea de una barra brava “X” o en grupos artísticos “X” (recordemos que ellos se sienten depositarios de la representación de “lo social”).

     Y que pasa con la AUTORIDAD de todo tipo, en especial del gobierno, los profesores los padres de familia, que se han visto sobrepasado, ya por el pueblo, los alumnos o los hijos…la respuesta está en que la hegemonía ideológica de la deconstrucción horizontal,que está dirigiendo y mandando en todas partes de la sociedad, eso implica que estamos frente a la ABOLICIÓN de la autoridad en pos de la ESTRUCTURA MOLECULAR. Ahora todos tienen poder y autoridad: ¿y qué pasó con el individuo, el humanismo?, Foucault, nos recuerda que el siglo XIX Nietzsche informó de la muerte de Dios, el siglo XX se informa que asistimos a la muerte del Hombre .

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     Fonte: ¿Qué hay por detrás del movimiento estudiantil? Mitos y verdades.

     Sugerimos a leitura das Notas do Tradutor da versão em português: arriba.

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