
SACRALIDADE OU CAOS?
A AMÉRICA ESCOLHE O SEU RUMO! |
André F. Falleiro Garcia
Há uma questão de alta indagação, cuja solução interessa a todos aqueles que vivem no continente americano ou que para ele olham com apreensão. Na América, construtores e demolidores se empenham na realização de tarefas inconciliáveis. O que prevalecerá: a restauração da sacralidade ou a instauração do caos?
A sacralidade plasmou a Civilização Cristã
Quando, das ruínas do Império Romano começou a ser erguida a Civilização Cristã, uma graça nova animou os construtores e os fez considerar que Deus é o único bem que satisfaz totalmente o coração humano, e que os direitos divinos devem ser reconhecidos pelos governantes e pelos povos. Desse modo, o espírito cristão foi aos poucos penetrando nas almas e nas nações, e produzindo em conseqüência uma progressiva sacralização das leis, dos costumes, das instituições, modelando uma nova arte e introduzindo a harmonia nas relações sociais e profissionais.
A sacralidade ordenou o interior das almas, depois sua luz progressivamente se expandiu pelo lar, penetrou nas instituições intermediárias, até plasmar as estruturas de governo.
Cristo Redentor, Rio de Janeiro
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As bênçãos da Civilização Cristã chegaram à América através dos colonizadores espanhóis e portugueses. A Fé cristã tornou-se um forte vínculo capaz de unir as nações latino-americanas.
O Cristo Redentor, do alto do Corcovado, tem a cidade do Rio de Janeiro aos seus pés, voltado para o Oceano Atlântico. No maravilhoso cenário de belezas naturais, a lembrança do sagrado dessa forma se faz presente, num país em que foi celebrada a Santa Missa logo ao ser descoberto pelos navegadores portugueses.
Na América de origem hispânica, os canhões do Forte Niebla apontam para o Oceano Pacífico. Outrora protegida por um sistema defensivo, Valdivia, a bela cidade cortada por três rios, precisou defender-se de corsários vindos do mar e dos contínuos ataques indígenas do interior. O simbolismo dessa fortaleza mantém nos chilenos a lembrança dos tempos heróicos da Civilização Cristã.

Fuerte Niebla, Valdivia
O caos é o retrato do estado atual do mundo
O caos que assistimos, é o processo inverso, de dessacralização da sociedade, da Igreja e do Estado, como também do homem. Significa uma ruptura com a ordenação individual e social direcionada para o sagrado e o sacral. O bem-estar e o prazer se tornam aspirações supremas da vida humana. O homem ocupa o lugar de Deus, a máquina ocupa o lugar do homem. Onde a sacralização introduziu a harmonia e a ordem, o caos inocula a desordem e desarmonia. Os demolidores querem chegar ao nada, no qual inexistem reflexos da infinitude divina. Seus instrumentos para a destruição introduzem o caos criteriológico nas mentes, e o caos institucional nas sociedades.
20.000 nudistas diante da Basílica
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Exemplo paradigmático desse caos criteriológico foi o que aconteceu diante da basílica da Padroeira das Américas, Nossa Senhora de Guadalupe: houve uma cena dantesca de revolta contra a Lei de Deus e os bons costumes, em ato dirigido por Spencer Tunick, realizado em 6 de maio de 2007.
Vinte mil pessoas fizeram-se fotografar, homens e mulheres totalmente nus! Nem mesmo quiseram vestir a exígua cintura de penas de aves das comunidades tribais mais primitivas.
Em Guadalupe houve uma espetaculosa exibição de imoralidade e amoralidade, de afronta ao sagrado e de indiferentismo moral. Mas aos demolidores não basta arrancar as raízes da tradição cristã: querem construir uma nova América, de viés comunista e tribal. .
Ameríndia: projeto comuno-tribalista de porte continental
Para César Benjamin, cientista político e ativista de destaque nas esquerdas brasileiras, “A construção da unidade continental é um sonho que percorre a nossa história. Está presente na vida e na obra dos nossos melhores intelectuais, lutadores e estadistas – o venezuelano Simon Bolívar, o cubano José Marti, o peruano José Carlos Mariátegui, o argentino Ernesto Guevara, o brasileiro Darcy Ribeiro, para citar apenas alguns."[1]
Em 7 de maio de 2008 realizou-se em Quito o Encontro Sindical Nossa América. Ao final, foi divulgada a “Carta de Quito”, cuja conclusão evidencia esse projeto continental: “Estamos convencidos de que os rumos da história na América Latina, onde ganha nitidez o impasse entre a sombra da opressão imperialista e a luz de um futuro soberano e socialista, vão depender do protagonismo da classe trabalhadora nas grandes lutas políticas que já estão em curso.”[2]
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Um poster de Che Guevara no Primeiro Encontro Continental de Povos Indígenas, em La Paz, Bolívia, 2006
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O Encontro Sindical Nossa América foi convocado conjuntamente pela Central dos Trabalhadores do Equador (CTE) e pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), que se apresenta como uma central classista e de luta em defesa dos trabalhadores do campo e da cidade. Uma das bandeiras de luta desses sindicalistas brasileiros é exatamente Nuestra América.[3]
O nome “Abya Yala”, foi dado ao continente americano antes da chegada dos colonizadores europeus pela etnia Kuna, que habitou a Colômbia e hoje vive no Panamá. Desde 2004 esse nome tem sido manipulado por motivos político-ideológicos, visando dar um sentimento de unidade ao conjunto de descendentes dos povos indígenas que habitavam por ocasião de seu descobrimento. Quem procure se informar sobre as atividades do CIMI,[4] verificará que esse organismo subordinado à CNBB adotou o uso corrente do nome “Abya Yala”. Por exemplo, ao noticiar a Cúpula dos Povos Indígenas que se reuniu em 13 de maio de 2008: “Os povos de Abya Yala se reúnem de 13 a 16 de maio, no Peru, para pensar como construir uma nova América”.
Estamos, pois, em presença de um projeto revolucionário continental. No Brasil, a crise criada em Roraima, com a demarcação de um imenso espaço territorial como reserva indígena, favorece esse plano, na medida em que deixa essa grande área estratégica exposta à agenda bolivariana.
Pode-se afirmar, sem exagero, que a América está em chamas. Está sendo continuamente pilhada pela corrupção instalada na administração pública. Está sendo demolida para, em seu lugar, ser construída a Nossa América, um continente comuno-tribalista. A linha consensual com que atuam numerosos presidentes e chancelarias sul-americanas, com exceção da Colômbia, na obediência às diretrizes esquerdistas do Foro de São Paulo, agrava ainda mais esse quadro.
Já se prepara a visita de Bento XVI ao México em janeiro de 2009, anunciada por enquanto como sendo ainda um desejo papal compartilhado com o Pontifício Conselho para a Família, a arquidiocese mexicana anfitriã e os fiéis. Ele viajaria à América para participar do VI Encontro Mundial das Famílias. Viria apagar as chamas desse incêndio continental? Não há sinais promissores nesse sentido.
O papel histórico da Igreja

Cardeal Bertone e Raúl Castro
À Igreja caberia um grande papel nos acontecimentos atuais. Mas está muito adiantada a demolição do maior bastião de luta no mundo, onde se concentravam as maiores energias morais e espirituais da reação. É oportuno recordar que Sua Santidade enviou o Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Bertone, para abençoar o novo governo comunista de Raúl Castro. Cuba, nas mãos de Raúl ou de Fidel, continua sendo um dos suportes desse plano incendiário continental. Como é doloroso, para os católicos, notar o uso da água benta, não para apagar esse incêndio, mas para prestigiar os incendiários!
A grande tarefa
Observar e comentar os sinais de restauração da Civilização Cristã ou de instauração do Caos é a tarefa que aqui iniciamos! Esperamos que seja de grande valia para todos aqueles que lutam em prol da sacralização da sociedade, da Igreja e do Estado, contra a ação deletéria que caotiza a América e o mundo. Para isso imploramos o auxílio e a proteção de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira das Américas.
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NOTAS:
[1] http://www.desempregozero.org.br/artigos/nossa_america.ph 
[2] http://www.contee.org.br/noticias/msoc/nmsoc285.asp 
[3] http://portalctb.org.br 
[4] CIMI – Conselho Indigenista Missionário, organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). http://www.cimi.org.br 
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English version: Sacrality or Chaos?
Latin America Must Choose Its Direction
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