HOMENAGEM FRANCESA AO HERÓI NORTE-AMERICANO QUE PARTICIPOU DA I GUERRA

 

André F. Falleiro Garcia

 

Frank Woodruff Buckles, voluntário de guerra aos 16 anos
     O último sobrevivente dos soldados norte-americanos que lutaram na Primeira Guerra Mundial, Frank Woodruff Buckles, foi condecorado recentemente em Washington no grau de oficial da Legião de Honra, pelo Secretário de Estado francês para os Ex-combatentes, Jean-Marie Bockel. Em 1999 Buckles já havia recebido a insígnia de cavaleiro da Legião de Honra das mãos do presidente Jacques Chirac.

     Buckles nasceu no Missouri. Quando tinha apenas 16 anos, apresentou-se para o serviço militar como se tivesse a idade mínima de 18 anos. O recrutador lhe disse que não bastava, era requerida na época a idade de 21 anos. Mas Buckles depois conseguiu convencer outro recrutador contando uma história diferente.

     Por causa de seu peso, ingressou nos marines e só depois no exército. Um sargento veterano lhe disse que para ir à França precisaria trabalhar numa ambulância como motorista. E ele aceitou.

     Aos 17 anos, foi enviado para a Europa no mesmo navio que cinco anos antes havia resgatado sobreviventes do Titanic. Depois do armistício em 1918, participou da escolta que conduziu prisioneiros de guerra de volta para a Alemanha.

Condecorado com a Legião de Honra

     Durante a II Guerra Mundial, Buckles estava trabalhando como civil na marinha mercante. Nas Filipinas, foi capturado pelos japoneses e passou 3 anos num campo de prisioneiros até ser libertado por pára-quedistas em 1945.

     De volta à América, comprou uma fazenda na Virgínia Ocidental e trabalhou dirigindo seu trator até os 103 anos. Seu hobby continua a ser, aos 107 anos de idade, a leitura da história e não a literatura de ficção. A sua biblioteca particular contém mais de 1.000 volumes.

     Anos atrás, Buckles visitou sua terra natal no Missouri e lá comprou o velho sino que seu pai havia tocado no dia em que ele nasceu. Levou-o para a sua fazenda na Virgínia Ocidental onde mora.  

Buckles - símbolo vivo nacional

     Buckles tem plena consciência de ser um símbolo vivo, um patrimônio nacional: “Eu represento os ex-combatentes da Primeira Guerra Mundial. Estou surpreso de ser o último. Os verdadeiros heróis se foram”, declarou à AFP.

     O ministro francês soube expressar a gratidão de sua nação pelo esforço e sacrifício de dois milhões de norte-americanos que atravessaram o Atlântico para combater na Europa: “Através de você, que é o último representante, nós homenageamos hoje o sacrifício heróico de todos esses filhos da América”.

     O exemplo de Frank Buckles é o contrário do estado de espírito pacifista que vem sendo difundido nas últimas décadas por todo o mundo. A pós-modernidade procurou desmoralizar as figuras que representam os valores pátrios. Mas Buckles permaneceu impávido, atendendo quase diariamente jornalistas e visitantes.

     Quando o sino em sua fazenda pela última vez soar por ele, anunciará o repouso definitivo do derradeiro herói norte-americano que participou da I Guerra Mundial.

 

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