"O que acontecerá aos que pensam como nós? Não tenho a menor dúvida que será o martírio!
Não tenham dúvida: não será o martírio como no tempo em que vinham os leões, enquanto o César dormitava num trono, bajulado por uns tipos infames. Soavam as tubas, abriam‑se as jaulas, pulavam os tigres sobre as mães de família, as virgens consagradas a Deus, os sacerdotes... sobre os que deixaram a couraça do Império para servir a Igreja Católica... Não será nada disso!
Será o martírio de alma de viver não‑anestesiado num mundo anestesiado. Incompreendidos por todo o mundo. Cercados por uma atonia geral. Que visará o nosso abafamento, da seguinte maneira: se nós falarmos, nos esmagam. Mas se, para durarmos, nós não falarmos, perderemos a noção de nossa própria razão de ser, aos nossos próprios olhos.
De tal maneira que aqueles de nós que falarem, serão martirizados. Aqueles que não falarem, envelhecerão na inexpressão, sem compreenderem para o quê vivem. Porque vivem num cemitério de almas, vivem a vida dos mortos.
E a Igreja, numa indefinição tal, que nós não saberemos mais onde estará Ela. Nós acreditaremos que Ela existe, porque Nosso Senhor declarou que Ela não deixará de existir. Será o caos completo!"
(RR - 21.01.1989)
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