“ Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...” Antoine de Saint -Exúpery

 

A COTA DE MALHA DO EXÉRCITO BRASILEIRO *

 

Gen. Carlos Augusto Fernandes dos Santos * *

 

     Aparato dos exércitos medievais, a Cota de Malha era utilizada para proteger os antigos guerreiros.

     Era uma rede metálica flexível composta por uma série de pequenas argolas entrelaçadas, feitas de ferro polido ou de uma liga de metal resistente. Juntas, as pequenas peças forneciam resistência contra objetos cortantes e, unidas às armaduras, formavam vestimentas de combate usadas pelos antigos soldados.

     Ao longo de sua fulgurante trajetória, com participação expressiva na história e nos eventos marcantes da formação da nacionalidade brasileira, o exército nacional agiu sempre em consonância com as aspirações de sua gente. Na longa caminhada, seus integrantes foram acumulando experiências e adquirindo virtudes, hauridas dos exemplos dos chefes e dos camaradas de armas, muitos deles heróis cultuados hoje no sublime panteão da pátria.

     A prática e o permanente exercício das mais nobres virtudes do cidadão, enrijeceu-lhes o caráter. O farol que os iluminava sempre foi o interesse nacional, acima de qualquer outro menos importante, e o rumo seguido apontava para um porvir grandioso emoldurado pela decência, a ética, o despojamento e a entrega. No caminho percorrido, esses soldados encontraram inúmeros obstáculos. Não esmoreceram; perseveraram na busca do ideal acalentado: transmitir às novas gerações uma nação livre e soberana e uma instituição respeitada por seus conterrâneos.

     O compromisso dos que passaram, dos que o compõem hoje e, com certeza, dos que virão no futuro é o mesmo: indeformável , uno e indivisível. Semelhante ao bom concreto cuja resistência aumenta com o passar dos tempos. Não importam as circunstâncias e as insidiosas e recorrentes campanhas difamatórias, com o objetivo de indispô-los com a nação brasileira.

     A Cota de Malha do Exército de Caxias, o escudo que o protege, teve início em Guararapes, num notável caldeamento de raças e de vontades, para expulsar o invasor. E continuou na sublime saga ao longo dos tempos: nas lutas pela independência; na manutenção da unidade conquistada durante o império; na abolição da escravatura; nos ideais republicanos e no combate consciente e patriótico contra ideologias estranhas. Ela foi construída e tecida cuidadosamente com carinho e esmero, pelos exemplos dignificantes do mérito e do trabalho anônimo. Enfim, pela firme decisão de SERVIR à pátria e à sua gente.

     Diferente dos tempos remotos onde era possível enxergá-la imediatamente, a véstia atual, tecida pacientemente pelos exemplos e as virtudes referidas, continua a proteger os soldados de hoje. Parece invisível aos olhos desatentos, mas tem uma consistência maior do que a anterior, pois suas peças são indeformáveis — um triângulo virtuoso — constituídas de três tentos igualmente importantes e resistentes: a hierarquia, a disciplina e a camaradagem.

     Nosso dever, pois, — dos soldados de hoje, dos que passaram e dos que virão — é o de não permitir que essa consistência, a estrutura moral e afetiva herdada dos nossos antepassados, seja vilipendiada.
Viva o Exército Brasileiro!

 

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    * Enviado em 20/03/2009 para publicação no site www.puggina.org

 

     *  * General da reserva.

 

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