os cargos naSACRALIDADE: 1 ANO!o

 

André F. Falleiro Garcia

 

     O Site da Sacralidade completa neste 3 de outubro seu primeiro aniversário. E agradece a Deus, por Maria Medianeira, as graças e luzes intelectuais recebidas. Elas tornaram possível que sua equipe de colaboradores executasse a tarefa até agora realizada. De modo semelhante, agradece ainda a seus leitores, que apoiaram e estimularam a publicação do pensamento católico tradicionalista e contra-revolucionário em sua inteira autenticidade.

     Sacralidade não buscou o estrelismo nem pretendeu posição de destaque na  luta contra a guerra psicológica revolucionária. Buscou apenas ajudar, ser eficiente. Por isso, foi voz e eco. Os numerosos autores dos artigos postados neste espaço em geral batalham na vanguarda desse combate épico. Sacralidade sente-se honrada por estar ao seu lado e integrar com eles a primeira fileira nesse confronto. Cada um deles aqui e em seus próprios espaços de algum modo lançou dardos contra o inimigo comum. Suas flechas atingiram o alvo. Não cabe agora questioná-los. Convém, isto sim, incentivá-los, para que prossigam na luta, com crescente perfeição e eficiência. Tantos estandartes gloriosos já caíram ao chão por não mais ter braços valorosos que os desfraldem...

     Tão colossal é esse inimigo que parece impossível vencê-lo com os recursos naturais de que dispomos. Entretanto a pequenina Honduras tem demonstrado até agora que o valente David pode enfrentar com sucesso o Golias poderoso, prepotente e insolente.

     As maquinações dos corifeus das utopias revolucionárias não conseguirão deter a marcha vitoriosa dos que têm Fé. Se é verdade que para Deus não há heróis anônimos, então é certo que os teatros de batalha onde pelejam não se esgotam em suas limitações espaciais. Para além das medidas físicas ou naturais que os delimitam, é preciso ter em conta que todos os lances individuais e todos os esforços em conjunto desses heróis que ali atuam, são conhecidos e avaliados por Cristo, Rei e Senhor da História. E isto vale infinitamente mais do que a sistemática desconsideração ou sabotagem que sofrem por parte dos grandes órgãos de comunicação, e do que todos os preconceitos racionalistas e materialistas acumulados nos últimos séculos.

     Completada a cota de participação humana, não ficam exauridas as forças do Bem. E aqui está a chave para a vitória: o próprio Deus está na luta. Em certo momento, por Ele escolhido, poderá agir decisivamente. Por isso a esperança da vitória não repousa nos homens que combatem, mas em Deus que premia seus esforços e lhes dá a vitória. A Sabedoria infinita não lhes comunica previamente o momento dessa decisiva intervenção para aumentar o mérito de sua Fé. Na atual conjuntura apocalíptica que vivemos, Fé e Esperança da vitória se postulam uma à outra.

     Sacralidade, como no artigo inaugural, faz suas as palavras de Plinio Corrêa de Oliveira que representa, para a História da Igreja de nosso tempo, a sacralidade militante. Os que o conhecemos vimos nele interligadas Fé e Esperança da vitória, invariavelmente postas em ordem de batalha. Estandarte sempre desfraldado, viseira erguida sem ocultar sua face, com todas as energias aplicadas na grande gesta católica. No célebre manifesto publicado em 8 de abril de 1974 declarou-se em estado de resistência e luta, ao mesmo tempo que prestou ato de fidelidade e amor filial:

 

     Cessar a luta, não o podemos. E é por imperativo de nossa consciência de católicos que não o podemos. Pois se é dever de todo católico promover o bem e combater o mal, nossa consciência nos impõe que defendamos a doutrina tradicional da Igreja, e combatamos a doutrina comunista.

     "Resistência" é a palavra que escolhemos de propósito, pois ela é empregada nos Atos dos Apóstolos pelo próprio Espírito Santo, para caracterizar a atitude de São Paulo. Tendo o primeiro Papa, São Pedro, tomado medidas disciplinares referentes à permanência no culto católico de práticas remanescentes da antiga Sinagoga, São Paulo viu nisto um grave fator de confusão doutrinária e de prejuízo para os fiéis. Levantou-se então e "resistiu em face" a São Pedro (Gal. II, 11). Este não viu, no lance fogoso e inesperado do Apóstolo das Gentes, um ato de rebeldia, mas de união e amor fraterno. E, sabendo bem no que era infalível e no que não era, cedeu ante os argumentos de São Paulo. Os Santos são modelos dos católicos. No sentido em que São Paulo resistiu, nosso estado é de resistência. E nisto encontra paz nossa consciência.

 

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