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O DOMINGO NA ÁUSTRIA, RÚSSIA E ESTADOS UNIDOS

 

Elaine Marie Jordan    

 

    Version in English

 

A história dos Cantores da Família Trapp

A vida da família Trapp inspirou um dos filmes mais populares já produzidos

     Deparei-me recentemente com “A história dos Cantores da Família Trapp”, escrita por Maria Augusta von Trapp.[1] Pode-se obter, através de sua leitura, uma idéia mais real do caráter da autora, bem como um edificante retrato da vida familiar católica e seus costumes, na Áustria do período anterior à Segunda Guerra Mundial.

     Chamou especialmente minha atenção um capítulo, intitulado “O país sem domingos”, que compara o alegre domingo austríaco com os domingos na Rússia comunista e nos Estados Unidos. Vou deixá-la explicar o título.

     “Um jovem casal, o Barão e a Baronesa K., foram nossos vizinhos na Áustria. Cresceu neles a curiosidade a respeito da Rússia e da vida que realmente havia lá. Um dia, decidiram fazer uma viagem de seis semanas para percorrer toda a Rússia em seu automóvel. Foi no tempo em que ainda era possível obter um visto de entrada. É claro que na fronteira ele foram recebidos por um guia especial que vigiou todos os seus passos sem deixá-los um só momento, até novamente reconduzi-los salvos à fronteira, mas ainda assim eles conseguiram obter uma boa primeira impressão sobre o que viram.

     “Ao retornar, eles escreveram um livro sobre suas experiências, e quando o terminaram, convidaram seus vizinhos e amigos para virem até a sua casa a fim de ler para eles algumas partes do seu trabalho. Sempre me lembrarei como o Barão K. leu para nós, devagar e solenemente, o título “O país sem domingos”.

     “De tudo o que viram e observaram, uma experiência impressionou-os profundamente: a Rússia tinha eliminado o domingo. Isto chocou-os mais que a visão dos campos de concentração da Sibéria ou a miséria e sofrimento nas cidades e no campo. A falta do domingo pareceu-lhes a fonte de todos os males.

     “‘Em vez do domingo’, disse-nos o Barão K., ‘os russos tinham um dia de folga. Isto acontecia segundo certos intervalos que variavam nas diferentes partes do país. Primeiro eles tiveram uma semana de cinco dias, com o sexto dia de folga. Em seguida, um período de nove dias de trabalho, com folga no décimo. Depois, a semana de oito dias de trabalho. Que diferença entre o dia de folga e o domingo! O povo trabalha em turnos. Enquanto um grupo desfruta o dia de folga, os outros continuam a trabalhar nas fábricas, fazendas ou lojas, que estão sempre abertas. O resultado era a impressão de que por toda a parte no país havia incessante trabalho, trabalho, trabalho. A atmosfera era de um constante movimento e deslocamento de veículos. Por fim, nós confessamos um para o outro que o que mais estávamos sentindo falta não era de uma refeição bem preparada, ou um banho quente, mas de um sossegado e pacato domingo, com o toque de sinos das igrejas e o povo sereno depois das preces.’”

     O domingo na Áustria de antes da guerra

     Maria von Trapp então retrata os domingos católicos da Áustria que ela conheceu:  “Como eu passei a maior parte da minha vida em áreas rurais, é o domingo no campo que eu vou descrever.

O caráter sacral do sábado e do domingo
O toque dos sinos sacralizava a vida nas montanhas e nos campos austríacos

     “Antes de mais nada, tudo começa no sábado à tarde. Em algumas regiões rurais os sinos da igreja tocam às quinze horas, em outras às dezessete, e o povo chama isso de toque do fim dos trabalhos (Feierabend). Assim como algumas das grandes festas começam na noite anterior — véspera do Natal, véspera do Ano Novo, véspera da Páscoa —, também cada domingo ao longo do ano começa na sua véspera. Isto dá à noite do sábado seu caráter sacral. Quando tocam os sinos da igreja, o povo cessa de trabalhar nos campos. Eles retornam com os cavalos e a maquinaria da fazenda, tudo é armazenado dentro dos celeiros e galpões, e o curral é varrido pelos trabalhadores agrícolas mais moços. Então todos tomam um bom banho e os homens fazem a barba.

     “Há muita atividade na cozinha quando a mãe prepara alguma coisa para o domingo, talvez uma sobremesa especial. As crianças recebem um bom banho. Todos preparam suas roupas de domingo. É frequente o costume de colocar o próprio quarto em ordem: todas as gavetas, armários e guarda-roupas. Durante a semana as refeições são em geral curtas e apressadas numa fazenda, mas no sábado à noite todos não têm pressa. Vagarosamente eles vem para a mesa, ficam em volta conversando e falando dos outros. Após a refeição da noite o Rosário é rezado. Em frente da imagem ou da quadro de Nossa Senhora fica acesa uma lamparina.

     “Depois do Rosário o pai pega um grande livro contendo as Epístolas e Evangelhos dos domingos e dias de festa do ano, e faz a leitura dos trechos pertinentes para a sua família. O povo da aldeia em geral costuma ir à igreja para se confessar no sábado à noite, enquanto que as pessoas das fazendas mais distantes vão no domingo pela manhã antes da missa. O sábado à noite é uma noite calma. Não há festas. O povo fica em casa, preparando-se para o domingo. Vão bem cedo para a cama.

Indumentária tirolesa

A roupa era especial e proporcionada ao caráter sacral do domingo

     “No domingo todos vestem os melhores trajes. A roupa de domingo é exatamente o que a palavra indica: roupa reservada para ser vestida apenas no domingo. Pode-se ter além disso uma ou várias outras roupas boas. Pode-se ter vestidos de noite, vestidos de festa, mas a roupa de domingo é especial, reservada para o dia do Senhor. Quando a vestimos, sentimos invariavelmente vir algo do espírito do domingo sobre nós. Nesses dias todos costumam caminhar até a igreja, embora isso represente uma ou duas horas de caminhada, de subida ou descida de uma montanha, chova ou faça sol. As famílias em geral vão à missa cantada; apenas os que cuidam de crianças pequenas ou cozinham já foram à missa rezada matinal.

     “Tenho pena de todos os que nunca nunca experimentaram uma longa e tranquila caminhada após a missa dominical, do mesmo modo que tenho pena dos que nunca experimentaram os momentos de crepúsculo exatamente após o pôr-de-sol e antes de serem acesas as lâmpadas de querosene. Sei que os automóveis e as lâmpadas elétricas são mais eficientes, mas ainda não substituíram completamente aquelas outras maneiras mais distendidas de viver.

     “Por todo o interior, todas as pequenas cidades e vilarejos tinham seus cemitérios ao redor da igreja. Nos domingos, quando acabava a missa cantada, o povo ia ver o túmulo de suas pessoas queridas, rezava uma prece, aspergia água benta, mantinha um cordial contato dominical com a família que está no além.

Dansas folclóricas austríacas

As famílias nas tardes de domingo encontravam-se nos prados das aldeias para as dansas folclóricas

     “Na maioria dos lares a refeição dominical era feita ao meio-dia. A tarde era muitas vezes passada na visita de casa em casa, especialmente na visita aos doentes. Os jovens nas tardes de domingo encontravam-se nos prados da aldeia para as horas de dansa folclórica. As crianças jogavam. Os adultos com frequência sentavam juntos, cantavam e tocavam músicas. O domingo à tarde era um tempo para alegrar-se, para sentir-se feliz, cada um à sua maneira…

     “Aos domingos nossa família caminhava para a missa cantada na igreja da aldeia, especialmente depois que nós começávamos a cantar. Depois disso costumávamos ir para as montanhas com as crianças, levando junto até mesmo os que eram muito pequenos, ou fazíamos um jogo equivalente na Áustria ao baseball ou vôlei. Ou sentávamos juntos para cantar algumas canções que nós mesmos havíamos reunido em nossas caminhadas pelas montanhas. Também fazíamos o mesmo com uma grande quantidade de danças folclóricas. Recebíamos a vinda de um grupo de pessoas, ou nós mesmos íamos visitar, como todos costumavam fazer. E se alguém nos perguntasse por que começávamos nosso domingo no final da tarde do sábado, e por que celebrávamos nosso domingo dessa maneira, teríamos levemente levantado nossas sobrancelhas e dito: ‘Bem, porque é desta maneira que sempre foi feito.’”

     “E então viemos para os Estados Unidos”

     Mais adiante, Maria von Trapp descreve o choque de encontrar uma rotina dominical muito diferente nos Estados Unidos.

A catedral de São Patrício em Nova York

A catedral de São Patrício na barulhenta Nova York não tocava seus sinos no domingo para não fazer barulho...

     “Nas primeiras semanas, nós estávamos muito confusos com muitas coisas, para notar qualquer diferença quanto ao domingo; mas eu me lembro que senti falta do som dos sinos das igrejas. Quando perguntei por que os sinos da Catedral de São Patrício não tocavam na manhã do domingo, disseram-me, para meu enorme espanto, que isso faria muito barulho. Isto aconteceu no tempo em que os trens ainda faziam um barulho atordoador na Sexta Avenida. Nunca antes tínhamos ouvido barulho semelhante no coração de uma cidade!...

     “Quando ficamos mais acostumados com os Estados Unidos e nosso inglês melhorou, fizemos uma surpreendente descoberta sobre o sábado à noite na América. Era totalmente diferente daquilo que nós estávamos acostumados. Todos pareciam estar fora de casa. As lojas ficavam abertas até as dez horas da noite, e o povo ia fazer compras. Praticamente todo mundo parecia ir a um show ou dança ou festa no sábado à noite. E finalmente descobrimos a consequência da noite de sábado norte-americana: a manhã norte-americana do domingo. Cidades abandonadas, ruas vazias, todo mundo dormia até o último minuto e então partia em seu carro zunindo ao virar a esquina, indo para a cerimônia religiosa das 11 horas do domingo.

     “Uma vez nós estávamos dirigindo numa manhã de domingo pela zona rural do estado de Washington e vimos caminhões e automóveis colocados em fila ao longo dos campos e pessoas colhendo bagas como em qualquer outro dia. Ver em um domingo fazendeiros trabalhando nos campos não é mais incomum para nós, e isto acontece não apenas durante o auge do período da colheita.

Roupas informais no domingo tornaram-se comuns
O uso de roupas informais no domingo tornou-se comum

     “Quando eu morava em um subúrbio de Filadélfia em nosso segundo ano neste país, descobrimos que o maior encanto dominical masculino parecia consistir em vestir suas velhas calças rasgadas e cortar o gramado da frente de suas casas, ou lavar seus carros com uma mangueira, ou mesmo cortar uma árvore (atividade por 'ordem médica'); enquanto que as mulheres podiam ser vistas em blue jeans sujos misturando terra e trocando de lugar as suas plantas perenes. Não havia nada daquela serenidade e paz do domingo do Velho Mundo em nenhum lugar.

     “O ponto culminante de nossas descobertas sobre o domingo norte-americano foi atingido quando uma senhora exclamou para nós com toda sinceridade: ‘Oh, como eu detesto o domingo. Que tédio!’ Eu ainda posso ouvir o chocante silêncio que se seguiu após essa observação. As crianças olharam magoadas e ultrajadas, quase como se esperassem chover fogo do céu. Até a infratora percebeu algo, e por isso esclareceu por que ela odiava o domingo tão vigorosamente quanto podia. E assim ficou explicada uma grande parte do mistério do domingo norte-americano.

Ida ao shopping no domingo em Los Angeles

Com o hábito de ir aos shoppings desapareceu a sacralidade do domingo
   
     “‘É por que — ela desabafou — eu fui criada no sistema puritano. Todo sábado à noite nossa mãe costumava recolher todos os nossos brinquedos e guardá-los debaixo de chave. No domingo de manhã, nós, as crianças, tínhamos que ouvir sentadas um longo sermão que não entendíamos, não nos deixavam pular, correr, brincar.’ Quando ela viu os olhos incrédulos de nossas crianças, repetiu: ‘Sim, é verdade, nenhum jogo absolutamente’. Afinal uma das nossas perguntou: ‘Mas o que lhe permitiam fazer?’   
   

     “‘Nós podíamos sentar na varanda com os adultos ou ler a Bíblia. Era o único livro permitido no domingo’. E acrescentou: ‘Oh, como eu detestava o domingo quando era jovem. Prometi para mim mesma que, quando crescesse, faria os trabalhos mais sujos no domingo, e se viesse a ter crianças, elas seriam autorizadas a fazer tudo o que quisessem. Até mesmo não teriam que ir à igreja’.

     “Esta foi a sua resposta. O pêndulo oscilou demasiado para um lado, e agora estava indo demais para o outro. Vamos esperar que encontre logo sua posição adequada.”

     Infelizmente o costume de conservar o domingo santo e alegre, verdadeiramente o dia do Senhor, caiu em grande desuso nos nossos dias. Espero que esta descrição dos costumes típicos dos católicos austríacos se torne ocasião propícia para os meus leitores refletirem sobre o modo de se preparar para o domingo e de viver esse dia.

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     NOTA:

    [1]The Story of the Trapp Family Singers. Por Maria Augusta von Trapp, Philadelphia: Lippincott, 1949. A vida da família Trapp inspirou um dos filmes mais populares já produzidos: The Sound of Music ("A Noviça Rebelde" (título no Brasil) ou "Música no Coração" (título em Portugal).

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     Tradução: André F. Falleiro Garcia.

     Fonte: Tradition in Action.

 

 

Sunday in Austria, Russia and the United States


Elaine Marie Jordan


Review and excerpts from The Story of the Trapp Family Singersby Maria von Trapp Philadelphia: Lippincott, 1949

 

The Story of the Trapp Family Singers

Recently I came upon The Story of the Trapp Family Singers written by Maria von Trapp. From it, one can gain a more realistic idea of the character of the author, as well as an edifying picture of the Catholic family life and customs in pre-World War II Austria.

One chapter in particular titled “The Land without a Sunday” - comparing the joyful Austrian Sunday with Sundays in the Communist Russia and in the United States - caught my attention. I will let her explain the title:

“Our neighbors in Austria were a young couple, Baron and Baroness K. They were getting increasingly curious about Russia and what life there was really like. One day they decided to take a six-week-trip all over Russia in their car. This was in the time when it was still possible to get a visa. Of course, at the border they were received by a special guide who watched their every step and did not leave them for a moment until he deposited them safely again at the border, but they still managed to get a good first-hand impression.

"Upon their return, they wrote a book about their experiences, and when it was finished, they invited their neighbors and friends to their home in order to read some of their work to them. I shall always recall how slowly and solemnly Baron K. read us the title 'The Land without a Sunday.'

"Of all the things they had seen and observed, one experience had most deeply impressed them: that Russia had done away with Sunday. This had shocked them even more than what they saw of Siberian concentration camps or of the misery and hardship in cities and country. The absence of Sunday seemed to be the root of all the evil.

"'Instead of a Sunday,' Baron K. told us, 'the Russians have a day off. This happens at certain intervals which vary in different parts of the country. First they had a five-day-week, with the sixth day off, then they had a nine-day-work period, with the tenth day off; then again it was an eight-day-week. What a difference between a day off and a Sunday! The people work in shifts. While one group enjoys its day off, the others continue to work in the factories, farms or stores, which are always open. As a result the over-all impression throughout the country was that of incessant work, work, work. The atmosphere was one of constant rush and drive; finally, we confessed to each other that what we were missing most was not a well-cooked meal, or a hot bath, but a quiet, peaceful Sunday with church bells ringing and people resting after prayer.'"

Sunday in pre-war Austria

Maria von Trapp then portrays the Catholic Austrian Sunday she knew: “As I have spent most of my life in rural areas, it is Sunday in the country that I shall describe.

“First of all, it begins on Saturday afternoon. In some parts of the country the church bell rings at three o'clock, in others at five o'clock, and the people call it "ringing in the Feierabend." Just as some of the big feasts begin the night before - on Christmas Eve, New Year's Eve, Easter Eve - so every Sunday throughout the year also starts on its eve. That gives Saturday night its hallowed character. When the church bell rings, the people cease working in the fields. They return with the horses and farm machinery, everything is stored away into the barns and sheds, and the barnyard is swept by the youngest farm-hand. Then everyone takes "the" bath and the men shave.

The von Trapp family in their "Sunday best"

The von Trapp family in their "Sunday best"
“There is much activity in the kitchen as the mother prepares part of the Sunday dinner, perhaps a special dessert; the children get a good scrub; everyone gets ready his or her Sunday clothes, and it is usually the custom to put one's room in order-all drawers, cupboards and closets. Throughout the week the meals are usually short and hurried on a farm, but Saturday night everyone takes his time. Leisurely they come strolling to the table, standing around talking and gossiping. After the evening meal the Rosary is said. In front of the statue or picture of the Blessed Mother burns a vigil light.

“After the Rosary the father will take a big book containing all the Epistles and Gospels of the Sundays and feast days of the year, and he will read the pertinent ones now to his family. The village people usually go to Confession Saturday night, while the folks from the farms at a distance go on Sunday morning before Mass. Saturday night is a quiet night. There are no parties. People stay at home, getting prepared for Sunday. They go to bed rather early.

“On Sunday everyone puts on his finery. The Sunday dress is exactly what its name implies - clothing reserved to be worn only on Sunday. We may have one or the other "better dress" besides. We may have evening gowns, party dresses - but this one is our Sunday best, set aside for the day of the Lord. When we put it on, we invariably feel some of the Sunday spirit come over us. In those days everybody used to walk to church even though it might amount to a one or two hours' hike down and up a mountain in rain or shine. Families usually went to the High Mass; only those who took care of the little children and the cooking had to go to the early Mass.

“I feel sorry for everyone who has never experienced such a long, peaceful walk home from Sunday Mass, in the same way as I feel sorry for everyone who has never experienced the moments of twilight right after sunset before one would light the kerosene lamps. I know that automobiles and electric bulbs are more efficient, but still they are not complete substitutes for those other, more leisurely ways of living.

Folk dancing outside the village

Folk dancing outside the village
“Throughout the country, all the smaller towns and villages have their cemeteries around the church; on Sunday, when the High Mass was over, the people would go and look for the graves of their dear ones, say a prayer, sprinkle holy water - a friendly Sunday visit with the family beyond the grave.

“In most homes the Sunday dinner was at noon. The afternoon was often spent in visiting from house to house, especially visiting the sick. The young people would meet on the village green on Sunday afternoons for hours of folk dancing; the children would play games; the grownups would very often sit together and make music. Sunday afternoon was a time for rejoicing, for being happy, each one following in his own way. …

"On Sunday our family often walked to the village church for High Mass, especially after we had started to sing. Later we used to go into the mountains with the children, taking along even the quite little ones, or we used to play an Austrian equivalent of baseball or volleyball, or we sat together and sang some of the songs we had collected ourselves on our hikes through the mountains. We also did a good deal of folk dancing, we had company come or we went visiting ourselves - just as everybody else used to do. And if anybody had asked us why we began our Sunday on Saturday in the late afternoon, why we celebrated our Sunday this way, we would have raised our eyebrows slightly and said, "Well, because that's the way it's always been done."

“And then we came to America”

Further on, Maria von Trapp describes the shock of finding a quite different Sunday routine in the United States:

“In the first weeks we were too bewildered by too many things to notice any particular difference about the Sunday, but I remember missing the sound of the church bells. When I asked why the bells of St. Patrick's Cathedral do not ring on Sunday morning, I was told, to my boundless astonishment, that it would be too much noise. These were the days when the elevated trains was still thundering above Sixth Avenue. Never before had we heard noise like this in the heart of a city! …

“As we got more used to being in America and as our English progressed, we made a startling discovery Saturday night in America! It was so utterly different from what we were used to. Everybody seemed to be out. The stores were open until 10 p.m., and people went shopping. Practically everybody seemed to go to a show or a dance or a party on Saturday night. And finally we discovered the consequence of the American Saturday night: the American Sunday morning. Towns abandoned, streets empty, everybody sleeping until the last minute and then whizzing in his car around the corner to the eleven o'clock Sunday service.

Sunday is a shopping day in the U.S.

Sunday is a shopping day in the U.S.
“Once we were driving on a Sunday morning through the countryside in the State of Washington and we saw trucks and cars lined up along the fields and people picking berries just as on any other day. To see the farmers working on a Sunday all across the country is not unusual to us anymore, and this happens not only during the most pressing seasons for crops.

“When we lived in a suburb of Philadelphia in our second year in this country, we found that the rich man's Sunday delight seemed to consist of putting on his oldest torn pants and cutting his front lawn, or washing his car with a hose, or even cutting down a tree (doctor's orders exercise!); while the ladies could be seen in dirty blue jeans mixing dirt and transplanting their perennials. There was none of that serenity and peace of the old-world Sunday anywhere…

“The climax of our discoveries about the American Sunday was reached when a lady exclaimed to us with real feeling, ‘Oh, how I hate Sunday! What a bore!’ I can still hear the shocked silence that followed this remark. The children looked hurt and outraged, almost as if they expected fire to rain from heaven. Even the offender noticed something, and that made her explain why she hated Sunday as vigorously as she did. It explained a great deal of the mystery of the American Sunday.

Casual - even sloppy - Sunday dress is common today

Casual - even sloppy - Sunday dress is common today

“’Why,’ she burst out, ‘I was brought up the Puritan way. Every Saturday night our mother used to collect all our toys and lock them up. On Sunday morning we children had to sit through a long sermon which we didn't understand; we were not allowed to jump or run or play.’ When she met the unbelieving eyes of our children, she repeated, ‘Yes, honestly, no play at all.’ Finally one of ours asked: "But what were you allowed to do?’

“‘We could sit on the front porch with the grownups or read the Bible. That was the only book allowed on Sunday.’ And she added: ‘Oh, how I hated Sunday when I was young. I vowed to myself that when I grew up I would do the dirtiest work on Sunday, and if I should have children, they would be allowed to do exactly as they pleased. They wouldn't even have to go to church.’

“This was the answer. The pendulum had swung out too far to one side, and now it was going just as far in the other direction; let us hope it will find its proper position soon.”

Sadly, the custom of keeping Sunday holy and joyous, truly the Lord’s Day, has fallen even more out of practice in our days. I hope that this description of the natural and Catholic Austrian customs will cause my readers to think about how they prepare for Sunday and live the day.

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Posted September 3, 2010. Tradition in Action.

 

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