sacralidade

FACETAS DA MONUMENTALIDADE PLINIANA

 

André F. Falleiro Garcia

 

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Plinio Correa de Oliveira

 

     O instantâneo fotográfico retrata momento de lazer. Dr. Plinio Corrêa de Oliveira saía da agitada Paulicéia e descansava numa fazenda nas proximidades da cidade de Amparo. Seu descanso muitas vezes significava trabalho. Ali escrevia livros e despachava assuntos graves, no sossego e remanso desse lugar, antiga produção de café do tempo do Império.

     No lazer não dispensava o paletó, gravata e chapéu. Tinha muito senso de formalidade. Era homem de cerimônia. A solenidade militar o fazia vibrar. Sua biografia assinala seu entusiasmo pela parada militar francesa desde sua meninice.  Fui testemunha de seu apreço pelo cerimonial litúrgico: dizia que nessas ocasiões solenes não sentia as horas passarem.

     Sequelas do desastre que sofreu em 1975 por vezes o faziam mover os braços ou retesar o corpo em momentos de intimidade ou lazer. Assim o vi, numa ocasião em que estava só e me aproximei para conversar. Fez gestos análogos ao da foto. Pediu desculpas e explicou que fazia isso para aliviar os incômodos do corpo decorrentes do desastre.

     Sua fisionomia na foto denota apreensão. Atento aos acontecimentos nacionais e internacionais, com preocupação acompanhava diariamente o desenrolar do declínio da civilização e as maquinações das forças revolucionárias. Via e sentia com tristeza profunda a grave crise da Igreja Católica, em especial a sua autodemolição.

     Olhar profundo de intelectual portentoso, com pleno domínio do vocabulário e habilidade na concatenação das ideias segundo invariável lógica sempre submissa à doutrina tradicional católica. Aristocrata nato, a elegância e distinção constituíam o seu modo natural e habitual. Como guerreiro empenhado na guerra psicológica contra-revolucionária, foi o general em chefe que comandou em seu tempo a Contra-Revolução no mundo. Estava sempre na presença de Deus, com a sacralidade de um sacerdote exemplar que celebra voltado para o tabernáculo sagrado. Os que não ficaram cegos, de cegueira espiritual culposa, viam transparecer nele a presença de Maria Santíssima, isto é, o transbordamento da união espiritual intensa do devoto fervorosíssimo da Virgem.

     Conforme a ocasião, nele se percebia o filósofo pensador, o orador brilhante, o aristocrata de salão, o senhor da guerra, o sacerdote sacral, o profeta. Não tinha o múnus sagrado que vem da unção sacramental sacerdotal, mas possuía o sacerdócio sacral temporal pelo qual através dele nos uníamos a Cristo Rei e Maria Rainha, para fazermos parte de suas cortes terrestres e perfilarmos como soldados de Cristo e guerreiros da Virgem. Não tinha as visões e revelações dos Profetas bíblicos, mas possuía aguda luz intelectual para a leitura dos acontecimentos políticos e graças sobrenaturais que lhe permitiam profeticamente indicar o rumo à opinião pública em direção a uma nova era histórica, o Reino de Maria.

     Por tudo isso, e pela experiência pessoal dos inúmeros contatos que tive com ele, afirmo com serenidade e saudade: até nos momentos de lazer, intimidade e descontração, se fazia presente nele sua grandiosa monumentalidade.  

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